Bien está lo que bien acaba - William Shakespeare

Resumo

"Bem está o que bem acaba" é uma comédia de William Shakespeare que narra a história de Helena, uma órfã e pupila da Condessa de Rossilhão, que se apaixona por Bertram, o filho da condessa. Bertram, um jovem conde, a despreza devido à sua origem humilde.

Helena, dotada de inteligência e medicina herdada de seu pai, viaja para a corte do Rei da França e o cura de uma doença fatal. Como recompensa, o rei permite que ela escolha um marido entre os nobres da corte. Ela escolhe Bertram, que, relutantemente e sob pressão real, se casa com ela, mas imediatamente foge para a guerra na Itália. Lá, ele envia uma carta a Helena, prometendo que nunca consumará o casamento a menos que ela consiga seu anel de família e esteja grávida dele — condições que ele considera impossíveis.

Determinada a conquistar seu marido e consumar o casamento, Helena segue Bertram para a Itália. Com a ajuda de uma viúva e sua filha Diana, Helena orquestra um estratagema conhecido como "troca de leitos" (bed trick), dormindo com Bertram no lugar de Diana, a quem ele estava cortejando. Ela consegue obter seu anel e engravida.

Helena então retorna à França, forjando a notícia de sua própria morte. Bertram, de volta a Rossilhão, enfrenta acusações e é pressionado a se casar novamente. No clímax, Helena reaparece, viva, revelando a verdade sobre a "troca de leitos" e as condições cumpridas. Bertram, confrontado com a astúcia e virtude de Helena, e a prova de sua gravidez, finalmente a aceita como sua esposa, e a história termina com a reconciliação e a máxima de que "tudo está bem o que bem acaba".

Seções do livro

Seção 1 (Ato I)

A peça começa na propriedade da Condessa de Rossilhão, na França. A Condessa lamenta a partida de seu filho, Bertram, que está prestes a partir para a corte do Rei da França após a morte de seu pai. Com Bertram vai seu amigo, o pomposo e covarde Parolles. Helena, uma órfã e pupila da Condessa, está visivelmente perturbada pela partida de Bertram. Em um monólogo, ela revela seu profundo amor por ele, um amor que ela considera impossível devido à sua baixa origem social em comparação com o status nobre de Bertram.

Helena é consolada pela Condessa, que a ama como uma filha e percebe o sofrimento da jovem. Helena possui uma receita médica secreta de seu pai, um médico renomado, que supostamente pode curar qualquer doença. Ao saber que o Rei da França está morrendo de uma doença incurável, ela decide viajar para Paris, a fim de oferecer seus serviços ao rei, vendo isso como uma forma de provar seu valor e, talvez, se aproximar de Bertram.

Personagem Características e Personalidade
Helena Órfã, pupila da Condessa, inteligente, virtuosa, profundamente apaixonada por Bertram. Possui grande determinação, astúcia e uma fé inabalável em si mesma e na medicina de seu pai. Ela é proativa e desafia as convenções sociais para alcançar seus objetivos.
Bertram Jovem Conde de Rossilhão. Arrogante, orgulhoso de sua linhagem e status social. É imaturo, vaidoso e facilmente influenciável por figuras como Parolles. Despreza Helena por sua origem humilde e busca prestígio social e militar.
Condessa de Rossilhão Mãe de Bertram. Uma mulher sábia, gentil, compassiva e perspicaz. Ela tem um amor materno por Helena e lamenta o comportamento arrogante e imaturo de seu filho. Ela serve como uma figura moral e um confidente para Helena.
Rei da França Monarca doente, mas benevolente e justo. Embora cético inicialmente, está desesperado para se curar. Ele é um homem de sua palavra e valoriza o mérito acima do status social quando se trata de recompensas.
Lafew Velho Lorde e amigo da família. Sábio, leal, bem-humorado e direto. Ele tem um bom julgamento de caráter, percebendo a virtude de Helena e a falsidade de Parolles.
Parolles Companheiro e bajulador de Bertram. É um fanfarrão covarde, enganador, egocêntrico e tagarela. Ele se veste de forma extravagante e se apresenta como um guerreiro experiente, mas é desprovido de coragem e honra.

Seção 2 (Ato II)

Helena chega à corte em Paris, onde Bertram já está presente. Ela se apresenta ao Rei, que está extremamente doente, e oferece sua cura. O Rei, cético devido ao fracasso de muitos médicos e à reputação de Helena como órfã, concorda em tentar a cura sob uma condição drástica: se Helena o curar, ele a recompensará com a mão de qualquer homem que ela escolher na corte; mas se ela falhar, será executada. Helena, confiante em seus métodos, aceita.

Milagrosamente, a medicina de Helena funciona, e o Rei é curado. Fiel à sua palavra, o Rei convoca todos os nobres solteiros da corte para que Helena faça sua escolha. Para surpresa e horror de Bertram, Helena o escolhe. Bertram, com seu orgulho ferido, recusa-se veementemente a se casar com ela, citando sua baixa origem e a desonra que isso traria ao seu nome. No entanto, o Rei intervém, elogiando a virtude de Helena e insistindo que o mérito pessoal é superior ao status de nascimento. Sob a pressão real e a ameaça de punição, Bertram é forçado a concordar com o casamento.

O casamento ocorre, mas Bertram não tem intenção de consumá-lo. Em vez disso, ele foge para a guerra em Florença, na Itália, levando consigo Parolles e sem sequer se despedir adequadamente de Helena. Ele envia uma carta a Helena, na qual estabelece duas condições impossíveis para que ele a reconheça como sua esposa: ela deve obter seu anel de família, que ele nunca tira, e deve engravidar dele. Ele escreve: "Quando fores capaz de me mostrar o anel que agora levo em teu dedo, e de estar grávida de minha semente, então poderás me chamar de teu marido." Ele também afirma que quando ela puder fazer essas duas coisas impossíveis, então ele será seu, mas não antes.

Seção 3 (Ato III)

Helena, humilhada e rejeitada, decide deixar Rossilhão secretamente para não ser um obstáculo para Bertram ou causar vergonha à Condessa. Ela escreve uma carta à Condessa, explicando seus motivos e sua partida. A Condessa, que ama Helena como uma filha, fica aflita com sua partida e critica a crueldade de Bertram.

Helena, disfarçada de peregrina, viaja para Florença, onde Bertram está servindo como um valente, mas imprudente, comandante militar. Ela se hospeda na casa de uma viúva e sua filha, Diana Capilet. A Viúva e Diana conversam sobre o Capitão Bertram, elogiando sua coragem em batalha, mas também revelando que ele está ativamente cortejando Diana, apesar de ser casado.

Helena, vendo uma oportunidade, revela sua verdadeira identidade e sua situação para a Viúva e Diana. Ela propõe um plano audacioso para cumprir as condições de Bertram: a "troca de leitos". Diana deve fingir ceder aos avanços de Bertram, concordando em encontrá-lo no escuro, mas Helena tomaria seu lugar. Em troca, Helena oferece uma generosa quantia em dinheiro. A Viúva e Diana, compreendendo a injustiça sofrida por Helena e seduzidas pela oferta, concordam em ajudar.

Enquanto isso, os Lordes franceses que servem com Bertram começam a desconfiar da bravata e da covardia de Parolles. Eles planejam desmascará-lo e expor sua verdadeira natureza para Bertram.

Personagem Características e Personalidade
Viúva de Florença Mulher prática e gentil que hospeda Helena. Ela é honesta, compassiva e disposta a ajudar Helena em seu plano arriscado, especialmente após entender a virtude e a causa justa da jovem.
Diana Capilet Filha da Viúva, uma jovem bela, virtuosa e inteligente. Ela é cortejada por Bertram, mas mantém sua honra e moral. Ela se mostra astuta e corajosa ao ajudar Helena na "troca de leitos", defendendo a honra das mulheres.

Seção 4 (Ato IV)

O plano para desmascarar Parolles é colocado em ação. Os Lordes franceses, disfarçados, fingem capturar Parolles em território inimigo. Vendado e aterrorizado, Parolles, acreditando estar diante de inimigos estrangeiros, trai Bertram e seus companheiros, revelando todos os seus segredos e insultando-os abertamente para salvar a própria pele. A farsa é revelada, e Parolles é exposto como um covarde e um mentiroso, para grande vergonha de Bertram.

Enquanto isso, Helena e Diana preparam a "troca de leitos". Bertram, seduzido por Diana, concorda em se encontrar com ela à noite, sob a condição de que ela lhe dê seu anel. Diana (seguindo o plano de Helena) concorda em se encontrar com ele, mas exige em troca seu anel de família. Na escuridão, Helena toma o lugar de Diana. Ela e Bertram dormem juntos, e Helena consegue o anel de família de Bertram, dando-lhe em troca o anel que o Rei havia lhe dado. As condições "impossíveis" de Bertram começam a ser cumpridas.

Bertram, acreditando ter dormido com Diana, a abandona no dia seguinte. Helena, tendo obtido o anel e a semente de Bertram, espalha o boato de sua própria morte e secretamente retorna à França, grávida e com o anel de seu marido em sua posse. As notícias de sua morte chegam a Rossilhão, causando grande tristeza à Condessa e remorso a Bertram.

Seção 5 (Ato V)

Bertram retorna a Rossilhão, acreditando que está livre de Helena. No entanto, ele é imediatamente pressionado pelo Rei, que está em visita, e pela Condessa a se casar com a filha de Lafew, uma dama de alta estirpe e reputação. Bertram relutantemente concorda, e a cerimônia de noivado é planejada.

Durante a cerimônia, o Rei nota o anel no dedo de Bertram. É o anel que ele deu a Helena como presente de casamento. Furioso, o Rei acusa Bertram de ter assassinado Helena ou de tê-la enganado de alguma forma. A situação se complica ainda mais quando Diana Capilet chega da Itália, acompanhada da Viúva. Diana acusa Bertram de desonra, mostrando o anel de Bertram que ela recebeu (o anel que Helena havia pego de Bertram na cama) e negando ter se deitado com ele. Ela afirma que o anel que Bertram está usando é, na verdade, de Helena.

A confusão é intensa. Bertram nega tudo e tenta desacreditar Diana. Lafew e o Rei ficam perplexos. Neste momento dramático, Helena aparece, viva e em pessoa. Ela revela a verdade sobre a "troca de leitos" e apresenta o anel de Bertram (agora em sua posse) como prova de que as condições de seu marido foram cumpridas. Mais importante, ela revela que está grávida da semente de Bertram.

Bertram, chocado e confrontado com a inteligência, determinação e virtude de Helena, finalmente reconhece o erro de seu orgulho e a aceita como sua esposa, prometendo amá-la. A peça termina com a celebração do Rei, que proclama "tudo está bem o que bem acaba", e Parolles, agora humilde, encontra um lugar modesto na casa da Condessa.

Gênero literário

"Bem está o que bem acaba" é classificada como uma comédia romântica ou, mais especificamente, uma comédia problemática (ou "problem play"). O termo "problem play" é usado para peças que desafiam as convenções típicas de comédias ou tragédias, abordando dilemas morais complexos, tendo personagens ambíguos e finais que nem sempre são totalmente satisfatórios ou fáceis de aceitar para o público.

Dados do autor

William Shakespeare (1564-1616) foi um dramaturgo, poeta e ator inglês, amplamente considerado o maior escritor da língua inglesa e o maior dramaturgo do mundo. Conhecido como o "Bardo de Avon" ou simplesmente "O Bardo", suas obras incluem aproximadamente 39 peças, 154 sonetos, dois longos poemas narrativos e vários outros versos. Suas peças foram traduzidas para todas as principais línguas vivas e são encenadas com mais frequência do que as de qualquer outro dramaturgo. A maioria de suas obras foi escrita entre 1589 e 1613.

Moral da história

A moral da história de "Bem está o que bem acaba" pode ser interpretada de várias maneiras, mas os temas centrais giram em torno do valor intrínseco versus o status social, a persistência da virtude e a capacidade de redenção.

  1. Mérito acima do nascimento: A peça demonstra que o valor de uma pessoa deve ser julgado por suas ações e caráter, e não por sua linhagem ou riqueza. Helena, apesar de sua origem humilde, prova ser superior em virtude, inteligência e determinação a Bertram, que, apesar de nobre, é arrogante e imaturo.
  2. A força da determinação feminina: Helena é uma das heroínas mais proativas de Shakespeare, que persegue o que quer com uma resiliência notável. Sua história mostra que a persistência e a astúcia podem levar à superação de obstáculos aparentemente intransponíveis.
  3. Redenção e crescimento: Bertram passa por um processo de humilhação e reconhecimento de seus erros. Embora sua "conversão" no final seja um ponto de debate entre críticos, a peça sugere que, com o tempo e a experiência, as pessoas podem amadurecer e aprender a valorizar o que é realmente importante.
  4. "Bem está o que bem acaba": O título resume a ideia de que, às vezes, os meios podem ser justificados pelo fim. As ações de Helena, embora possam ser vistas como manipuladoras por alguns, são justificadas pelo objetivo de restaurar seu casamento e provar seu amor e valor. O resultado final, a união e a gestação, traz um desfecho feliz (ou pelo menos aceitável) para os personagens.

Curiosidades do livro

  • Peca Problemática: "Bem está o que bem acaba" é frequentemente incluída entre as "peças problemáticas" de Shakespeare, um grupo que também inclui "Medida por Medida" e "Troilo e Créssida". Essas peças são conhecidas por sua ambiguidade moral, personagens complexos e finais que não se encaixam facilmente nas categorias tradicionais de comédia ou tragédia.
  • A "Troca de Leitos" (Bed Trick): O enredo central, onde Helena se disfarça para dormir com seu marido no lugar de outra mulher, era um motivo comum na literatura renascentista. Shakespeare adaptou este elemento de um dos contos do "Decameron" de Giovanni Boccaccio, especificamente o Nono Conto do Terceiro Dia ("Giletta di Narbona").
  • Helena, uma heroína incomum: Helena é uma das heroínas mais ativas e "agressivas" de Shakespeare em sua busca pelo amor. Ao contrário de muitas personagens femininas da época que esperavam passivamente, Helena toma a iniciativa, viaja sozinha e orquestra planos elaborados para alcançar seus objetivos, o que a torna uma figura fascinante e, por vezes, controversa.
  • Datação Incerta: A data exata da composição da peça é desconhecida, mas a maioria dos estudiosos a situa entre 1601 e 1608, colocando-a na fase madura da carreira de Shakespeare, após muitas de suas grandes comédias e tragédias.
  • Recepção Crítica: A peça tem dividido opiniões ao longo dos séculos. Alguns críticos acham difícil simpatizar com Bertram, que é forçado ao casamento e se comporta de maneira cruel, questionando a genuinidade do "final feliz". Outros veem a peça como uma exploração profunda da virtude, da determinação e das complexidades do amor e do perdão.