Comus - John Milton
Resumo 'Comus' é uma mascarada escrita por John Milton, apresentada pela primeira vez em 1634 no Castelo de Ludlow. A trama segue três irmã...
Resumo
'Comus' é uma mascarada escrita por John Milton, apresentada pela primeira vez em 1634 no Castelo de Ludlow. A trama segue três irmãos – uma Lady e seus dois irmãos mais novos – que se perdem em uma floresta escura e perigosa. A Lady, separada de seus irmãos, encontra-se com Comus, um feiticeiro dissoluto e filho de Baco e Circe. Comus, disfarçado, a atrai para seu palácio, onde tenta seduzi-la com seus encantamentos e sua filosofia de prazer sensual, oferecendo-lhe uma bebida mágica que degrada a mente e o corpo. Enquanto isso, seus irmãos, desesperados, são guiados pelo Espírito Atendente, que os adverte sobre Comus e lhes dá instruções sobre como enfrentá-lo. Os irmãos e o Espírito invadem o palácio de Comus, mas, embora consigam afastar o feiticeiro, a Lady permanece paralisada e presa à cadeira por um feitiço. Para libertá-la, o Espírito invoca a ninfa do rio, Sabrina, que, com suas águas purificadoras, quebra o encantamento. Finalmente, os três irmãos são levados de volta aos seus pais, celebrando a vitória da virtude, da castidade e da temperança sobre a tentação e o vício.
Seções do livro
Seção 1
A história começa em uma floresta escura e labiríntica, onde o Espírito Atendente desce dos céus. Ele lamenta a corrupção do mundo mortal, contrastando-a com a pureza dos reinos celestiais, e explica sua missão de proteger os virtuosos. Ele foi enviado por Júpiter para salvaguardar três nobres irmãos que se perderam na floresta enquanto viajavam para se juntar a seus pais, o Conde de Bridgewater, em Ludlow Castle. Logo, os três irmãos – uma Lady e seus dois irmãos mais novos – entram, visivelmente perdidos e assustados pelo ambiente noturno e selvagem. A Lady expressa sua apreensão, mas também sua fé na proteção divina. Enquanto procuram abrigo, ela se afasta brevemente e se perde de seus irmãos.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Espírito Atendente | Um espírito protetor e benevolente, enviado por Júpiter. Capaz de mudar de forma. | Sábio, vigilante, compassivo e diligente em sua missão de proteger a virtude. |
| Lady | Jovem, nobre, bela e casta. A figura central da tentação e da resiliência moral. | Virtuosa, corajosa, inteligente, firme em seus princípios de castidade e temperança, e dotada de uma fé inabalável na proteção divina. |
| Irmão Mais Velho | Um dos irmãos da Lady. Representa a razão e a filosofia estoica. | Racional, filosófico, moralista, com uma forte crença na invencibilidade da virtude. Tendência a ser mais otimista e confiante. |
| Irmão Mais Novo | O outro irmão da Lady. Representa o medo e a emoção mais imediata. | Mais impulsivo, medroso e pragmático. Preocupa-se mais com os perigos físicos e as fraquezas humanas. |
Seção 2
Comus, o filho de Baco e Circe, entra com sua comitiva de monstros, que são na verdade humanos transformados em bestas por sua bebida mágica. Ele descreve seus rituais noturnos de sensualidade e indulgência, celebrando o hedonismo e a liberdade dos desejos. Comus orgulha-se de sua capacidade de enganar e corromper. Ele se prepara para mais uma noite de folia quando ouve a voz da Lady, que canta sozinha enquanto procura por seus irmãos. Intrigado por sua beleza e aparente inocência, Comus a aborda, disfarçado de um simples pastor ou camponês. Ele oferece ajudá-la a encontrar seus irmãos e a convence a segui-lo para sua morada, prometendo-lhe descanso e segurança, enquanto secretamente planeja transformá-la em uma de suas vítimas.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Comus | Filho do deus Baco (vinho e folia) e da feiticeira Circe (transformação e engano). Um feiticeiro poderoso e carismático, mestre do engano e da tentação. Seus seguidores são "monstros" ou "bestas", humanos que foram transformados por sua poção. | Sedutor, manipulador, hedonista, cínico em relação à virtude humana e à moralidade. Promove a indulgência sensual e a busca desenfreada pelo prazer como a verdadeira liberdade. |
Seção 3
Enquanto isso, os irmãos mais novos da Lady estão em grande angústia, procurando por ela. O Irmão Mais Novo está dominado pelo medo e pela preocupação com os perigos da floresta e a vulnerabilidade de sua irmã. O Irmão Mais Velho, no entanto, argumenta que a virtude e a castidade da Lady são uma armadura impenetrável que a protegerá de qualquer mal, defendendo a ideia de que a pureza moral é uma força invencível. Ele acredita que a virtude é um bem interno que se manifesta externamente, tornando a pessoa intocável pelo vício. Enquanto discutem e o desespero começa a tomar conta, o Espírito Atendente aparece a eles, disfarçado de pastor local. Ele os conforta e revela que ouviu falar de um feiticeiro perigoso chamado Comus que habita a floresta e que provavelmente capturou a Lady. Ele descreve os poderes de Comus e os perigos de seus feitiços, mas também lhes dá um remédio herbal para neutralizar o poder do feiticeiro e uma vara mágica para combater seus encantamentos, instruindo-os sobre como agir.
Seção 4
No palácio de Comus, a Lady está sentada em uma cadeira encantada, incapaz de se mover. Comus, em sua verdadeira forma de feiticeiro, a confronta, oferecendo-lhe uma taça de sua poção mágica e tentando seduzi-la com argumentos filosóficos sobre a inutilidade da castidade e a sabedoria da indulgência. Ele prega que a natureza nos dota de abundância para desfrutar, e que a temperança é uma ofensa contra a generosidade da vida e um desperdício da beleza feminina. Ele exorta a Lady a abraçar o prazer e a luxúria, ridicularizando sua virtude como uma restrição sem sentido. A Lady, no entanto, responde com grande eloquência e firmeza, defendendo vigorosamente a castidade, a temperança e a razão contra os argumentos de Comus. Ela denuncia sua filosofia como vazia e degradante, afirmando a superioridade da pureza espiritual sobre o prazer carnal. Ela se mantém irredutível, recusando-se a beber sua poção e a ceder à tentação. Durante esta troca, os irmãos, guiados pelo Espírito Atendente, irrompem no palácio. Eles atacam Comus e seus lacaios. Comus tenta fugir, mas é confrontado pelos irmãos, que conseguem afastá-lo. No entanto, na confusão, Comus escapa antes que eles possam recuperar sua varinha mágica, e a Lady permanece imóvel na cadeira, ainda sob o feitiço de paralisia.
Seção 5
Comus e sua comitiva são expulsos, mas o problema da Lady persiste: ela está magicamente presa à cadeira. Os irmãos tentam libertá-la, mas seus esforços são inúteis, pois eles não possuem o conhecimento mágico necessário para desfazer o feitiço. O Espírito Atendente revela que, embora eles tenham frustrado os planos de Comus e provocado sua fuga, o feitiço que prende a Lady só pode ser quebrado por uma força mais pura e elemental. Ele decide invocar a ninfa Sabrina, uma deusa de rio associada à pureza e à água, que tem o poder de libertar as vítimas de encantamentos. O Espírito canta um hino a Sabrina, descrevendo sua lenda e pedindo sua ajuda. Sabrina surge das águas, atraída pela súplica do Espírito. Ela se aproxima da Lady e, com um toque de suas águas purificadoras e de sua "água lustra", desfaz o feitiço de Comus, libertando a Lady da cadeira encantada. Antes de retornar ao seu reino aquático, Sabrina abençoa a Lady com sua pureza, garantindo sua proteção contínua.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Sabrina | Uma ninfa de rio (deusa local do rio Severn), filha de Locrine e Estrildis, associada à pureza e às águas curativas. Tem o poder de desfazer feitiços malignos com sua água sagrada. | Benevolente, pura, compassiva e dotada de poder místico para proteger os virtuosos e desfazer encantamentos. |
Seção 6
Com a Lady finalmente livre e purificada, o Espírito Atendente guia os três irmãos para fora da floresta e de volta ao mundo civilizado. Eles são levados para o Castelo de Ludlow, onde são reunidos com seus pais, o Conde e a Condessa de Bridgewater. O Espírito apresenta as crianças aos seus pais, não apenas ilesas, mas também como exemplos luminosos de virtude e pureza, que passaram por uma provação e emergiram mais fortes. Ele exalta a castidade e a temperança como qualidades que garantem a proteção divina e a imortalidade da alma. Em seu monólogo final, o Espírito Atendente conclui a mascarada com uma reflexão sobre a transcendência da virtude, a recompensa do bem e a beleza celestial que aguarda aqueles que mantêm sua pureza. Ele reitera a mensagem de que, embora o mundo terreno seja cheio de tentações e perigos, a alma virtuosa está sob a proteção dos céus.
Gênero Literário
'Comus' é uma mascarada (ou masque em inglês), um tipo de drama musical e alegórico popular na corte inglesa do século XVII. Pode ser também classificado como um drama pastoral devido ao seu cenário rural e elementos bucólicos, e uma alegoria, pois seus personagens e eventos representam ideias morais e filosóficas.
Dados do Autor
John Milton (1608-1674) foi um dos maiores poetas ingleses, conhecido principalmente por sua epopeia Paradise Lost (Paraíso Perdido). Nascido em Londres, ele era um puritano devoto e um humanista educado. Milton serviu como Secretário para Línguas Estrangeiras sob o governo de Oliver Cromwell durante a Commonwealth Inglesa, e suas obras de prosa política eram ardentes defesas da liberdade civil e religiosa. A cegueira o atingiu gradualmente e ele ficou completamente cego por volta de 1652, ditando suas obras posteriores. Além de Comus e Paradise Lost, ele também é autor de Paradise Regained e Samson Agonistes. Sua poesia é caracterizada por sua erudição, complexidade temática, e um estilo grandioso e sublime.
Moral da História
A moral central de 'Comus' é a supremacia da virtude, castidade e temperança sobre o vício e a tentação. O livro ilustra que a pureza de espírito e a força moral são a melhor armadura contra as seduções do mal e da sensualidade desenfreada. A Lady, com sua inabalável virtude, demonstra que a verdadeira liberdade reside na capacidade de resistir às tentações e manter a integridade interior. A peça enfatiza que a castidade não é uma mera abstenção, mas uma força ativa e protetora, divinamente abençoada. Em última análise, sugere que aqueles que seguem o caminho da virtude serão protegidos e recompensados.
Curiosidades do Livro
- Origem e Performance: 'Comus' foi escrito por Milton sob encomenda para o Conde de Bridgewater. Foi encenado em 29 de setembro de 1634, no Castelo de Ludlow, para celebrar a nomeação do Conde como Lorde Presidente de Gales. Os papéis principais da Lady e de seus irmãos foram interpretados pelos próprios filhos do Conde: Lady Alice Egerton (a Lady), Lord Brackley e Thomas Egerton (os irmãos). O músico Henry Lawes, que interpretou o Espírito Atendente, também compôs a música para a mascarada.
- Título Original: A obra foi publicada anonimamente em 1637 e intitulada A Mask Presented at Ludlow Castle. O título 'Comus' foi popularizado em edições posteriores e se refere ao antagonista principal.
- Natureza da Mascarada: As mascaradas eram formas de entretenimento elaboradas e caras, frequentemente com temas alegóricos e mitologia, destinadas a glorificar a nobreza ou a realeza. Elas combinavam poesia, música, dança, cenários espetaculares e figurinos extravagantes.
- Temas Precursores: 'Comus' aborda temas que Milton exploraria mais tarde em suas grandes epopeias, como a tentação, o livre-arbítrio, a queda da inocência e a batalha entre o bem e o mal. A resistência da Lady à retórica de Comus ecoa as provações morais enfrentadas por Eva em Paradise Lost.
- Influências Clássicas: Milton se baseia fortemente na mitologia grega e romana, mas infunde nela uma moralidade cristã e puritana. Comus é uma criação original de Milton, combinando características de deuses clássicos como Baco (vinho), Circe (magia) e Proteu (disfarce). A figura de Sabrina tem raízes na lenda britânica do rio Severn.
