A Donzela de Orléans - Friedrich Schiller
Resumo "A Donzela de Orléans" (Die Jungfrau von Orleans) de Friedrich Schiller é um drama romântico que narra a história de Joana d'Arc, um...
Resumo
"A Donzela de Orléans" (Die Jungfrau von Orleans) de Friedrich Schiller é um drama romântico que narra a história de Joana d'Arc, uma jovem camponesa francesa que acredita ter recebido uma missão divina para libertar a França dos invasores ingleses durante a Guerra dos Cem Anos. A peça explora a fé inabalável de Joana, suas vitórias militares milagrosas e o peso de sua vocação. Ela faz um voto de castidade e jura não amar nenhum homem. No entanto, sua determinação é abalada quando ela poupa a vida de um cavaleiro inglês, Lionel, e desenvolve sentimentos por ele. Esse momento de fraqueza humana é interpretado por ela como uma traição à sua missão divina, levando-a a questionar sua própria santidade. Rejeitada e exilada, ela é eventualmente capturada, mas encontra redenção em um ato final de heroísmo, morrendo gloriosamente em batalha. O drama de Schiller transforma a figura histórica em um símbolo romântico de pureza, fé e sacrifício.
Seções do livro
Seção 1: Ato I
O primeiro ato se passa na vila de Domrémy, na região de Lorena, França, onde a jovem pastora Joana vive com sua família. A França está à beira da derrota na guerra contra a Inglaterra, e o Rei Carlos VII está desmoralizado. Joana, no entanto, é diferente das outras moças; ela tem visões divinas e acredita que foi escolhida por Deus para liderar o exército francês à vitória. Ela compartilha suas visões com Raimond, um pastor que a ama, mas ele a julga iludida. Um presságio de um capacete e uma espada encontrados na floresta reforça sua crença. Quando chegam notícias de que a cidade de Orléans está sob cerco e que o rei está em desespero, Joana se sente impelida a agir. Ela se despede de sua família, que a vê como louca ou possuída, e parte para cumprir seu destino, prometendo que, se não for vitoriosa, nunca mais voltarão a vê-la. Ela se compromete a permanecer virgem para cumprir sua missão.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Joana d'Arc | Jovem camponesa de 17 anos, pura, virgem, forte e destemida. | Profundamente religiosa, visionária, determinada, com um senso inabalável de missão e sacrifício. Ingênua, mas corajosa. |
| Thibaut d'Arc | Pai de Joana. | Cético, tradicionalista, preocupado com a reputação e a segurança da família, teme as visões de Joana como bruxaria. |
| Raimond | Pastor que ama Joana. | Leal, mas amedrontado pelas visões de Joana, tenta dissuadi-la de sua missão. |
| Bertrand | Vizinho, mensageiro da guerra. | Traz as notícias do campo de batalha e do desespero do rei. |
Seção 2: Ato II
O segundo ato nos leva à corte do Rei Carlos VII em Chinon, onde ele está desanimado e indeciso, dividido entre a guerra e os prazeres da vida na corte. Seus generais, Dunois e La Hire, estão desesperados e buscam motivá-lo. A rainha-mãe, Isabeau, uma figura implacável e cruel, aliada aos ingleses, trama contra o rei. Agnes Sorel, a amante do rei, tenta confortá-lo e o incentiva a lutar por seu povo. É neste cenário de desespero que Joana aparece. Ela entra na sala do trono e, guiada por sua visão, reconhece o rei, que havia se disfarçado para testá-la. Ela revela detalhes íntimos de sua vida e promete que Deus a enviou para levá-lo à vitória e ser coroado em Reims. A pureza e a convicção de Joana inspiram a todos, e ela é aceita como a líder militar francesa, iniciando sua campanha para libertar Orléans.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Carlos VII | Rei da França. | Inicialmente fraco, indeciso, propenso ao hedonismo, desanimado pela guerra, mas com um bom coração. |
| Dunois | Duque de Orléans, general francês. | Nobre, corajoso, leal ao rei e à França, mas desesperançoso com a situação militar. |
| La Hire | General francês. | Soldado rude, mas valente e leal, mais pragmático que Dunois. |
| Agnes Sorel | Amante do Rei Carlos VII. | Bela, charmosa, sensível, tenta inspirar o rei com amor e coragem. |
| Isabeau | Rainha-mãe de Carlos VII. | Cruel, ambiciosa, dissimulada, aliada aos ingleses contra seu próprio filho, movida por poder e vingança. |
| Duque de Borgonha | Duque francês, atualmente aliado dos ingleses. | Orgulhoso, poderoso, busca aliança com a Inglaterra por motivos políticos e pessoais, mas ainda tem laços com a França. |
Seção 3: Ato III
O terceiro ato descreve as vitórias milagrosas de Joana. Ela lidera o exército francês com uma coragem e uma sabedoria tática que parecem sobrenaturais. Os ingleses, outrora confiantes, agora a temem, vendo-a como uma bruxa ou uma criatura divina. Joana enfrenta e derrota o temível cavaleiro inglês Talbot, e seu exército, antes desmoralizado, agora avança com renovada fé. O Duque de Borgonha, que antes era aliado dos ingleses, é tocado pela bravura de Joana e pela causa francesa, e decide se reconciliar com Carlos VII, retornando ao lado francês. No entanto, durante uma batalha, Joana encontra o cavaleiro inglês Lionel. Ela está prestes a matá-lo, mas ao olhar em seus olhos, sente uma estranha emoção e, pela primeira vez, sua mão hesita. Ela o poupa, permitindo que ele fuja. Este ato de compaixão e a atração que ela sente por ele a perturbam profundamente, pois violam seu voto de castidade e a fazem duvidar de sua missão.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Talbot | General inglês. | Forte, experiente, feroz em batalha, mas eventualmente sucumbe ao poder e à mística de Joana. |
| Lionel | Cavaleiro inglês. | Nobre, valente, orgulhoso, mas fica cativado e confuso pela aparição e pela beleza de Joana. |
Seção 4: Ato IV
O quarto ato se passa em Reims, após a coroação de Carlos VII, uma celebração da vitória francesa e do triunfo de Joana. Ela é aclamada como a heroína da França. No entanto, Joana está profundamente angustiada por ter quebrado seu voto ao sentir amor por Lionel. Ela se sente impura e indigna de sua missão divina. Durante a cerimônia, seu pai, Thibaut, que ainda acredita que ela está possuída pelo diabo, aparece publicamente e a acusa de bruxaria. Joana se recusa a se defender, pois sente que sua fraqueza em relação a Lionel a tornou culpada diante de Deus, embora inocente das acusações de seu pai. Ela se mantém em silêncio, o que é interpretado como uma confirmação de sua culpa. Desonrada e excomungada, Joana é banida da corte e do exército francês, partindo sozinha para o exílio. Ela acredita que Deus a abandonou.
Seção 5: Ato V
No quinto e último ato, Joana está vagando pela floresta, isolada e sofrendo. Ela é encontrada por Raimond, que, apesar das acusações, ainda acredita em sua inocência e a tenta persuadir a voltar para casa. Enquanto isso, o exército francês, sem Joana, volta a sofrer derrotas. Os ingleses capturam Joana e a acorrentam. Ela ouve os sinos da batalha e sente que a França está novamente em perigo. Em um momento de intervenção divina ou de força interior, ela rompe suas correntes e se lança na batalha novamente, lutando com a mesma coragem e fervor de antes. Ela lidera os franceses a uma vitória final decisiva, mas é ferida mortalmente. No campo de batalha, ela morre gloriosamente nos braços de seus companheiros, redimida por seu sacrifício final. Ela tem uma visão do céu e da França vitoriosa antes de seu último suspiro, mostrando que, apesar de sua "fraqueza" humana, sua missão divina foi cumprida.
Gênero literário
Drama romântico (ou tragédia romântica). É um exemplo proeminente do movimento Sturm und Drang e do classicismo de Weimar, com fortes elementos do Romantismo.
Dados do autor
Friedrich Schiller (1759-1805) foi um poeta, filósofo, historiador e dramaturgo alemão. É considerado um dos maiores dramaturgos do Classicismo de Weimar, ao lado de Johann Wolfgang von Goethe. Suas obras frequentemente exploram temas como liberdade, moralidade, justiça e o conflito entre paixão e dever. Além de "A Donzela de Orléans", suas peças mais famosas incluem "Os Salteadores" (Die Räuber), "Wallenstein" e "Maria Stuart". Ele também escreveu poesia ("Ode à Alegria", musicada por Beethoven na Nona Sinfonia) e importantes ensaios filosóficos sobre estética. Schiller morreu aos 45 anos, mas deixou um legado monumental na literatura e filosofia alemã.
Moral da história
A moral principal da história de Joana d'Arc, conforme retratada por Schiller, reside na complexidade da natureza humana em face de uma vocação divina. A peça explora o conflito entre o sagrado e o profano, o dever e a paixão. Joana, com sua pureza e fé inabalável, é um instrumento divino, mas também é uma mulher que experimenta sentimentos humanos de amor e dúvida. Sua "queda" ao sentir amor por Lionel não anula sua missão, mas a humaniza, mostrando que a santidade pode coexistir com a fragilidade humana. A peça sugere que a verdadeira redenção vem através do sacrifício e da fidelidade ao propósito, mesmo diante da condenação e do desespero. É uma celebração da fé, da coragem e da capacidade humana de superar suas próprias limitações e fraquezas em nome de um ideal maior.
Curiosidades do livro
- Contexto Histórico e Romantismo: A peça foi escrita em 1801, no auge do movimento romântico alemão. Schiller idealiza a figura histórica de Joana d'Arc, transformando-a em uma heroína romântica pura e trágica, mais do que um retrato historicamente preciso. Ele se afasta de algumas realidades históricas (como o julgamento por heresia e a fogueira) para criar um final mais épico e redentor em batalha.
- Popularidade e Crítica: "A Donzela de Orléans" foi um enorme sucesso desde sua estreia e é uma das peças mais populares de Schiller. No entanto, críticos apontam a licença poética significativa em relação aos fatos históricos, especialmente o final heróico no campo de batalha, que difere da morte real de Joana na fogueira. Schiller justificou sua escolha dizendo que a tragédia deve ter uma conclusão que eleve o espírito, e não que o deprima.
- Influência na Música: A peça inspirou várias obras musicais, incluindo a ópera "Giovanna d'Arco" de Giuseppe Verdi e a ópera de Tchaikovsky, "A Donzela de Orléans".
- O Voto de Castidade: O voto de castidade de Joana é um elemento central da trama de Schiller. Ele serve como um símbolo de sua pureza e dedicação divina. A quebra (mesmo que apenas em pensamento) desse voto é o catalisador de sua crise de fé e subsequente desgraça.
- Recepção na França: Apesar de ser uma obra alemã sobre uma heroína francesa, a peça foi muito bem recebida na França, onde Joana d'Arc já era uma figura de orgulho nacional. A interpretação de Schiller ressoou com o espírito nacionalista da época.
