La fierecilla domada - William Shakespeare

Resumo

"A Megera Domada" é uma comédia de William Shakespeare que se inicia com um prólogo, onde um bêbado chamado Christopher Sly é enganado para acreditar que é um lorde assistindo a uma peça. A peça dentro da peça conta a história de Petruchio, um cavalheiro de Verona, que busca uma esposa rica. Ele decide cortejar Catarina Minola, a filha mais velha e notoriamente "brava" ou "megera" de Batista Minola, um rico mercador de Pádua. Enquanto isso, a irmã mais nova de Catarina, Bianca, é gentil e bela, mas seu pai se recusa a permitir que ela se case até que Catarina encontre um marido. Muitos pretendentes, como Lucêncio, Hortênsio e Grêmio, competem por Bianca, e eles conspiram para ajudar Petruchio a domar Catarina. Petruchio usa táticas não convencionais e humilhantes – ele chega atrasado ao casamento, veste-se de forma extravagante, e age de maneira rude para "domar" Catarina. Ele a priva de comida, sono e roupas novas, justificando suas ações como atos de amor para ensinar-lhe obediência. No final, Catarina parece ter sido "domada" e profere um discurso sobre a submissão das esposas aos seus maridos, chocando os outros personagens e provando a aposta de Petruchio.

Seções do livro

Seção 1

  • Prólogo: A peça começa com Christopher Sly, um batedor de sinos bêbado, que é encontrado por um Lorde. O Lorde e seus servos decidem pregar uma peça em Sly, fazendo-o acreditar que é um nobre que acordou de um longo coma. Eles o vestem em roupas finas e o cercam de luxo, convencendo-o de que a peça "A Megera Domada" será encenada para seu entretenimento.
  • Ato I, Cena 1: Lucêncio, um estudante de Pisa, chega a Pádua com seu servo Trânio. Ele se apaixona instantaneamente por Bianca Minola. Eles observam Batista Minola, um rico mercador, declarar que não permitirá que sua filha mais jovem e bela, Bianca, se case até que sua filha mais velha, Catarina, uma mulher conhecida por seu temperamento feroz e "megera", encontre um marido. Lucêncio decide disfarçar-se de professor de latim para se aproximar de Bianca, enquanto Trânio assume a identidade de Lucêncio para cortejá-la publicamente e negociar com Batista.
  • Ato I, Cena 2: Hortênsio e Grêmio, dois dos pretendentes de Bianca, reclamam da condição imposta por Batista. Eles se encontram com Petruchio, um cavalheiro de Verona que chega a Pádua com seu servo Grumio. Petruchio declara que veio para Pádua em busca de uma esposa rica, sem se importar com sua beleza ou temperamento, desde que ela tenha dinheiro. Hortênsio, vendo uma oportunidade, sugere Catarina a Petruchio, descrevendo-a como uma mulher com uma grande dote, mas alertando-o sobre sua personalidade. Petruchio, seduzido pela fortuna, aceita o desafio de cortejá-la. Eles planejam apresentar Petruchio a Batista e também se disfarçarem de professores para ter acesso a Bianca.
Personagem Características Principais Personalidade
Christopher Sly Batedor de sinos, bêbado. Ingênuo, facilmente enganado, rude.
Petruchio Cavalheiro de Verona, ambicioso, busca fortuna, inteligente, determinado. Audacioso, confiante, controlador, pragmático, espirituoso.
Catarina Minola Filha mais velha de Batista, conhecida como a "megera". Temperamental, teimosa, agressiva, orgulhosa, sarcástica, eventualmente submissa (ou fingindo ser).
Bianca Minola Filha mais nova de Batista, bela, gentil. Doce, modesta, obediente (inicialmente), mas também um pouco esperta e sabe o que quer.
Batista Minola Rico mercador de Pádua, pai de Catarina e Bianca. Preocupado com o casamento das filhas, pragmático, um pouco ingênuo em relação aos disfarces.
Lucêncio Estudante de Pisa, filho de Vicente, apaixonado por Bianca. Romântico, impulsivo, engenhoso (nos disfarces).
Trânio Servo de Lucêncio. Leal, esperto, articulado, assume a identidade de seu mestre com desenvoltura.
Hortênsio Pretendente de Bianca, amigo de Petruchio. Romântico, um tanto frustrado, eventualmente se disfarça de professor de música (Litio).
Grêmio Pretendente idoso de Bianca. Rico, ciumento, um pouco bufão.
Grumio Servo de Petruchio. Cômico, leal, um tanto pateta, serve como alívio cômico.
Biondello Outro servo de Lucêncio. Leal, útil em cumprir ordens.

Seção 2

  • Ato II, Cena 1: Petruchio, acompanhado por Grêmio e Hortênsio (disfarçado de professor de música, Litio), chega à casa de Batista. Lucêncio, disfarçado de professor de latim (Câmio), também se apresenta. Batista, impressionado com a dote de Petruchio, permite que ele corteje Catarina. O encontro entre Petruchio e Catarina é um duelo de palavras e inteligência. Petruchio não se intimida com o temperamento dela; ele a elogia e a lisonjeia de forma contraditória aos seus ataques, virando suas palavras contra ela. Ele afirma que ela o beijou e concordou em se casar com ele no domingo, apesar das violentas negações de Catarina. Batista, ouvindo a história de Petruchio e cansado da filha mais velha, concorda com o casamento. Enquanto isso, os outros pretendentes (Trânio, disfarçado de Lucêncio, e Grêmio) competem pela mão de Bianca, com Trânio fazendo ofertas mais generosas.

Seção 3

  • Ato III, Cena 1: Enquanto os preparativos para o casamento de Catarina estão em andamento, Lucêncio (como Câmio) e Hortênsio (como Litio) disputam a atenção de Bianca sob o pretexto de dar-lhe aulas. Bianca se mostra mais interessada em Lucêncio.
  • Ato III, Cena 2: É o dia do casamento de Catarina e Petruchio. Petruchio chega terrivelmente atrasado e vestido de forma escandalosa e ridícula – com roupas velhas e remendadas, e montado em um cavalo doente e esquelético. Ele se recusa a se trocar e se comporta de maneira ultrajante durante a cerimônia, batendo no padre e jogando comida. Após a cerimônia, para o horror de todos, ele se recusa a ficar para o banquete de casamento e leva Catarina à força para sua casa de campo, insistindo que ela é agora sua propriedade e que ele fará o que quiser com ela.

Seção 4

  • Ato IV, Cena 1: Na casa de campo de Petruchio, ele continua com suas táticas de "doma". Ele trata seus servos com extrema dureza, reclamando da comida e do serviço, tudo para privar Catarina de comida e sono, sob o pretexto de que "tudo é para o seu bem". Ele joga a comida no chão porque não está perfeita e recusa as roupas novas que foram feitas para ela, alegando que são malfeitas, mesmo que ela as ache perfeitas. Ele argumenta que suas ações são para ensiná-la a ter modos, mas o efeito é esgotar e humilhar Catarina.
  • Ato IV, Cena 2: Em Pádua, Trânio (ainda como Lucêncio) e Hortênsio (que já havia desistido de Bianca ao vê-la com "Câmio") veem Bianca demonstrar afeição por Lucêncio (Câmio). Hortênsio decide se casar com uma viúva rica. Trânio, para garantir o casamento de Lucêncio com Bianca, precisa encontrar um pai falso para Lucêncio, pois Batista quer uma garantia financeira. Ele engana um velho Pedante (mestre-escola) para que ele se passe por Vicente, pai de Lucêncio.
  • Ato IV, Cena 3: A "doma" de Catarina continua. Petruchio a obriga a concordar com tudo o que ele diz, mesmo que seja absurdo. Ele a faz concordar que o sol é a lua e a lua é o sol.
  • Ato IV, Cena 4: O Pedante, disfarçado de Vicente, convence Batista a aceitar o casamento de Bianca com "Lucêncio" (Trânio) e assina os acordos de casamento.
  • Ato IV, Cena 5: Petruchio e Catarina, agora a caminho de Pádua para o casamento de Bianca, encontram o verdadeiro Vicente, pai de Lucêncio. Petruchio, para testar a submissão de Catarina, a obriga a cumprimentar Vicente como se fosse uma jovem virgem e depois a contradizer, afirmando que é um homem velho. Catarina obedece a todas as suas ordens, mostrando uma aparente total submissão.

Seção 5

  • Ato V, Cena 1: Em Pádua, Lucêncio e Bianca se casam secretamente, mas o verdadeiro Vicente chega à casa de Lucêncio (onde Trânio ainda está disfarçado e o Pedante está se passando por Vicente). Há uma grande confusão de identidades. Trânio tenta prender o verdadeiro Vicente, mas a verdade é finalmente revelada. Lucêncio e Bianca confessam seu casamento secreto, e Batista perdoa o engano.
  • Ato V, Cena 2: Todos os personagens se reúnem em um banquete na casa de Lucêncio recém-casado. Petruchio propõe uma aposta para ver qual das esposas (Catarina, Bianca e a viúva de Hortênsio) é a mais obediente. Cada um manda seus servos chamar suas esposas. Apenas Catarina responde imediatamente. Petruchio então a instrui a dar um longo discurso sobre a importância da obediência das esposas aos seus maridos. Catarina, para a surpresa e espanto de todos (e a humilhação das outras esposas), profere um eloquente e submisso discurso, provando que Petruchio "domou" a megera e ganha a aposta. Os outros ficam chocados e admirados com a transformação de Catarina.

Gênero Literário:
Comédia (especificamente, uma comédia romântica ou comédia de costumes).

Dados do Autor:
William Shakespeare (1564-1616) foi um poeta, dramaturgo e ator inglês, amplamente considerado o maior escritor da língua inglesa e o maior dramaturgo de todos os tempos. Muitas vezes chamado de "Bardo de Avon" (ou simplesmente "O Bardo"), suas obras, incluindo aproximadamente 38 peças teatrais, 154 sonetos, dois longos poemas narrativos e vários outros versos, foram traduzidas para todas as principais línguas vivas e são encenadas com mais frequência do que as de qualquer outro dramaturgo. Suas peças incluem tragédias como Hamlet, Otelo, Rei Lear e Macbeth, e comédias como Sonho de uma Noite de Verão, A Megera Domada e Noite de Reis. Ele também escreveu peças históricas.

Moral da História:
A "moral" de "A Megera Domada" é amplamente debatida e vista de diferentes perspectivas ao longo do tempo.

  • Perspectiva Tradicional: Para alguns, a peça celebra a ideia da submissão feminina no casamento e a eficácia de táticas (ainda que controversas) para estabelecer a ordem patriarcal. A moral seria que uma mulher "independente" deve ser "domada" para se tornar uma esposa feliz e obediente.
  • Perspectiva Crítica/Feminista: Muitos críticos modernos argumentam que a peça é uma sátira à misoginia e aos papéis de gênero da época, ou que o "domamento" de Catarina é uma performance ou uma adaptação inteligente dela para navegar em seu casamento e sociedade. A "moral" seria, então, mais sobre a crueldade e a artificialidade das expectativas sociais sobre as mulheres, ou sobre como a aparência de conformidade pode ser uma estratégia de sobrevivência.
  • Perspectiva de Comédia: Pode ser vista simplesmente como uma comédia que exagera os comportamentos para efeito humorístico, sem uma "moral" profunda no sentido de uma lição direta, mas sim explorando as dinâmicas de poder e relacionamentos.

Não há uma única moral universalmente aceita, e a interpretação depende muito do contexto cultural e individual.

Curiosidades do Livro:

  • A "Obra dentro da Obra": A peça é notável por seu prólogo, onde Christopher Sly é o espectador da peça principal. Este dispositivo de "obra dentro da obra" (metaficção) é raro nas peças de Shakespeare e questiona a natureza da realidade e da ilusão. No entanto, o destino de Sly não é resolvido na versão mais conhecida da peça, deixando seu enquadramento narrativo incompleto.
  • Controvérsia Contínua: "A Megera Domada" é uma das peças mais controversas de Shakespeare devido ao seu tratamento de Catarina e ao tema da submissão feminina. É frequentemente criticada por misoginia e tem sido reinterpretada de inúmeras maneiras para tentar mitigar ou abordar essas questões.
  • Adaptações: A peça inspirou inúmeras adaptações. Talvez a mais famosa seja o musical da Broadway e filme de Hollywood Kiss Me, Kate (Beija-me, Kate) de Cole Porter, que oferece uma versão meta-teatral da história. Outra adaptação notável é o filme adolescente 10 Things I Hate About You (10 Coisas Que Eu Odeio em Você), que moderniza a trama para um cenário de escola secundária americana.
  • Origens: A peça provavelmente tem suas raízes em obras folclóricas e em uma peça anônima anterior intitulada The Taming of A Shrew, que é muito semelhante em enredo. A relação exata entre as duas peças é um tópico de debate acadêmico.
  • O Discurso Final de Catarina: O discurso final de Catarina sobre a submissão feminina é um dos pontos mais debatidos da peça. Alguns o veem como uma genuína conversão, outros como sarcasmo, e ainda outros como uma performance forçada ou uma demonstração de inteligência para obter o que quer dentro das restrições de sua sociedade.
  • Nome dos Personagens: O nome "Catarina" (Katherine, Katherina) deriva do grego "katharos", que significa "pura", ironicamente contrastando com sua reputação de "megera". "Petruchio" tem uma sonoridade forte e agressiva, condizente com sua abordagem.