Gulliver's Travels - Jonathan Swift

Resumo

"As Viagens de Gulliver" de Jonathan Swift é uma sátira mordaz da natureza humana e da sociedade, narrada através das aventuras de Lemuel Gulliver, um cirurgião e capitão de navio. O livro é dividido em quatro partes, cada uma descrevendo uma viagem a uma terra fantástica diferente.

Na primeira viagem, Gulliver naufraga na ilha de Lilliput, habitada por pessoas minúsculas, de seis polegadas de altura. Ele se torna uma figura gigante entre eles, envolvendo-se nas suas mesquinhas disputas políticas e guerras.

Na segunda viagem, ele é abandonado na terra de Brobdingnag, onde os habitantes são gigantes de sessenta pés de altura. Aqui, Gulliver é a criatura minúscula, tratado como um animal de estimação e uma curiosidade, o que lhe permite observar as imperfeições físicas e morais da humanidade a uma escala magnificada.

A terceira viagem leva-o a várias ilhas, incluindo a ilha voadora de Laputa, habitada por filósofos e cientistas absortos em especulações inúteis, e Balnibarbi, onde as invenções da Academia de Lagado são totalmente impraticáveis. Ele também visita Glubbdubdrib, onde pode conversar com espíritos de figuras históricas, e Luggnagg, onde encontra os imortais, mas infelizes, Struldbrugs.

A quarta e última viagem é para a terra dos Houyhnhnms, cavalos racionais e virtuosos que vivem em uma sociedade baseada na razão pura. Lá, ele também encontra os Yahoos, criaturas brutas e degeneradas que se assemelham assustadoramente aos humanos. Gulliver passa a desprezar a raça humana e a si mesmo, preferindo a companhia dos Houyhnhnms. Ao retornar à Inglaterra, ele não consegue mais tolerar a companhia dos humanos, nem mesmo a de sua própria família, e passa o resto de seus dias em reclusão, conversando com seus cavalos.

A obra é uma crítica profunda à política, à ciência, à moral e aos costumes europeus do século XVIII, disfarçada de um conto de aventura.

Seções do livro

Seção 1: Uma Viagem a Lilliput

Lemuel Gulliver, um cirurgião inglês com paixão por viagens, embarca em sua primeira jornada significativa a bordo do navio Antelope. Durante a viagem, uma tempestade violenta atinge a embarcação, e Gulliver é o único sobrevivente, naufragando em uma ilha desconhecida. Ao acordar, ele se encontra amarrado ao chão por centenas de minúsculos fios, e seu corpo é coberto por criaturas humanas de apenas seis polegadas de altura, armadas com arcos e flechas.

Ele é levado como prisioneiro para a capital de Lilliput, onde, devido ao seu tamanho gigantesco, se torna uma figura de grande fascínio e utilidade para o imperador. Gulliver aprende a língua local, os costumes e as complexas políticas de Lilliput. Ele descobre que a corte é dominada por intrigas e rivalidades mesquinhas, onde os cargos são distribuídos com base na habilidade de dançar na corda bamba, e não no mérito. A nação está em guerra com a vizinha ilha de Blefuscu, devido a uma antiga disputa sobre qual extremidade do ovo cozido deve ser quebrada (os "Grandes-Pontas" versus os "Pequenos-Pontas").

Gulliver auxilia os Lilliputianos na guerra, rebocando toda a frota de Blefuscu e tornando Lilliput a potência dominante. No entanto, sua recusa em aniquilar completamente Blefuscu e sua percepção de que as diferenças entre as nações são fúteis o tornam alvo de inveja e acusações de traição por parte de alguns cortesãos, como Flimnap e Skyresh Bolgolam. Ele é acusado de alta traição por várias ofensas, incluindo urinar no palácio para apagar um incêndio (embora tenha salvado o prédio), e conspirar com Blefuscu. Ao saber de um plano para cegá-lo e matá-lo de fome, Gulliver foge para Blefuscu. Lá, ele encontra um barco em tamanho normal e, após repará-lo, consegue zarpar e é resgatado por um navio inglês, retornando à sua terra natal.

Personagem Características Personalidade
Lemuel Gulliver Cirurgião, capitão de navio, inglês, observador, com boa educação. Curioso, ingênuo no início, adaptável, respeitoso, mas com um crescente senso crítico.
Lilliputianos Pessoas minúsculas (seis polegadas de altura), inventivas. Orgulhosas, mesquinhas, dadas a intrigas políticas, facilmente lisonjeadas, belicosas.
Imperador de Lilliput Governante de Lilliput, homem de pequena estatura física. Autoritário, ambicioso, orgulhoso, manipulador, mas também ingrato.
Flimnap Lorde Tesoureiro de Lilliput. Invejoso, conspirador, antagonista de Gulliver.
Skyresh Bolgolam Almirante de Lilliput. Hostil a Gulliver, um dos seus principais oponentes na corte.
Reldresal Secretário Principal de Assuntos Privados de Lilliput. Mais razoável do que outros na corte, explica as leis e costumes a Gulliver.
Blefuscudianos Pessoas minúsculas de Blefuscu, ilha rival de Lilliput. Similares aos Lilliputianos em tamanho e temperamento, seus inimigos.

Seção 2: Uma Viagem a Brobdingnag

Não muito depois de retornar à Inglaterra, Gulliver embarca em sua segunda viagem, desta vez a bordo do navio Adventure. Uma tempestade desvia o curso do navio, e ele é abandonado em uma ilha desconhecida. Logo descobre que a ilha, Brobdingnag, é habitada por gigantes. Gulliver, agora minúsculo em comparação, é encontrado por um fazendeiro, que inicialmente o trata como uma curiosidade, exibindo-o para lucro.

A filha do fazendeiro, Glumdalclitch (que significa "pequena enfermeira"), de nove anos, torna-se sua guardiã e companheira, cuidando dele com gentileza e afeição. Ela o chama de "Grildrig". Gulliver é forçado a realizar performances para multidões, enfrentando vários perigos devido ao seu tamanho diminuto – quase é pisoteado, atacado por um rato, e zombado pelo anão da corte.

A fama de Gulliver chega à Rainha de Brobdingnag, que o compra do fazendeiro. Na corte, Gulliver se torna o favorito da Rainha, que o considera um brinquedo. Ele mora em uma casa de bonecas especial construída para ele e tem conversas frequentes com o Rei de Brobdingnag. O Rei é um homem sábio e justo, que ouve atentamente as descrições de Gulliver sobre a Inglaterra e a Europa, suas leis, costumes e sistemas políticos. As narrativas de Gulliver, contadas da perspectiva de um ser minúsculo, revelam ao Rei a vaidade, a corrupção e a barbárie da sociedade humana, fazendo-o concluir que os humanos são uma "raça de pequenos vermes odiosos e desprezíveis". Gulliver, por sua vez, começa a ver a humanidade sob uma luz diferente, compreendendo as imperfeições que o tamanho dos gigantes expõe.

Após dois anos em Brobdingnag, Gulliver é levado para um passeio à beira-mar. Enquanto está em sua caixa de viagem, ele é abocanhado por uma águia gigante e solto no oceano. Ele é, então, resgatado por um navio inglês, cujos marinheiros inicialmente duvidam de sua fantástica história. Gulliver retorna à Inglaterra, encontrando dificuldades para se ajustar ao mundo "normal" novamente, sentindo-se estranho entre seus próprios compatriotas.

Personagem Características Personalidade
Grildrig Nome dado a Gulliver pelos Brobdingnagianos.
Fazendeiro Gigante Homem do campo de Brobdingnag. Inicialmente aproveitador e mercantil, mas não cruel.
Glumdalclitch Filha do fazendeiro, de nove anos. Gentil, protetora, carinhosa, torna-se a enfermeira e amiga de Gulliver.
Rainha de Brobdingnag Monarca de Brobdingnag. Curiosa, inteligente, trata Gulliver com afeição e como uma curiosidade.
Rei de Brobdingnag Consorte da Rainha, governante sábio e filosófico. Racional, perspicaz, moralista, cético sobre a humanidade após ouvir as histórias de Gulliver.
Anão da Rainha Anão da corte, rival de Gulliver pela atenção da Rainha. Ciumento, malicioso, faz brincadeiras de mau gosto com Gulliver.

Seção 3: Uma Viagem a Laputa, Balnibarbi, Luggnagg, Glubbdubdrib e Japão

Gulliver embarca novamente, mas seu navio é atacado por piratas. Ele é abandonado à deriva em um pequeno barco e acaba resgatado pela ilha voadora de Laputa. Os Laputianos são um povo absorto em matemática e música, com mentes tão voltadas para a abstração que precisam de "batentes" para lhes chamar a atenção para a realidade. Eles são satirizados por seu conhecimento teórico excessivo e sua completa falta de senso prático. A ilha flutua sobre a terra de Balnibarbi e usa sua capacidade de flutuar para intimidar as cidades rebeldes abaixo.

Gulliver visita Balnibarbi, a terra sob Laputa. Aqui, ele vê a Academia de Projetistas em Lagado, onde cientistas e inventores estão envolvidos em experimentos absurdos e impraticáveis, como extrair raios de sol de pepinos, construir casas começando pelo telhado e tentar reverter a decomposição dos alimentos. Essas invenções levam a terra à ruína, contrastando com o projeto de um nobre, Lord Munodi, que ainda utiliza métodos tradicionais e práticos.

Em seguida, Gulliver viaja para a ilha de Glubbdubdrib, habitada por magos. O governador local tem o poder de convocar os espíritos dos mortos por 24 horas. Gulliver usa essa oportunidade para conversar com figuras históricas, como Júlio César, Bruto, Aristóteles e Homero, e descobrir a verdade por trás de suas reputações e os acontecimentos que realmente levaram a certos eventos. Ele percebe que a história frequentemente distorce a realidade, exaltando os vis e diminuindo os virtuosos.

A próxima parada é Luggnagg, onde ele encontra os Struldbrugs, humanos que nascem com um sinal que indica que são imortais. Em vez de serem uma bênção, a imortalidade revela-se uma maldição, pois os Struldbrugs continuam a envelhecer, tornando-se cada vez mais frágeis, senis e melancólicos, desejando a morte que nunca chega. Gulliver, que inicialmente havia fantasiado sobre as vantagens da imortalidade, fica horrorizado com a realidade de sua existência.

Finalmente, Gulliver consegue viajar para o Japão e, de lá, volta para a Inglaterra, novamente com a mente perturbada pelas excentricidades que testemunhou.

Personagem Características Personalidade
Laputianos Habitantes da ilha voadora de Laputa, absortos em matemática e música. Impessoais, desatentos à realidade, focados em abstrações, impáticos.
Rei de Laputa Monarca da ilha voadora. Representa o poder intelectual desprovido de pragmatismo.
Balnibarbianos Habitantes da terra sob Laputa. Divididos entre aqueles que seguem os projetos inúteis da Academia e os mais práticos.
Lord Munodi Nobre Balnibarbi. Razoável, pragmático, tenta manter a ordem e a tradição em meio ao caos dos projetos.
Acadêmicos de Lagado Cientistas e inventores da Academia de Projetistas em Balnibarbi. Obsessivos, impráticos, ingênuos, representam a ciência sem propósito real.
Governador de Glubbdubdrib Governante da ilha dos magos. Mago com o poder de convocar espíritos dos mortos.
Struldbrugs Habitantes de Luggnagg que nascem imortais, mas continuam a envelhecer. Melancólicos, senis, sofrem com a imortalidade, que os torna um fardo para si e para os outros.

Seção 4: Uma Viagem à Terra dos Houyhnhnms

Em sua quarta e última viagem, Gulliver é nomeado capitão de um navio. No entanto, sua tripulação se amotina, o prende na cabine e o abandona em uma terra desconhecida. Lá, ele encontra criaturas que se assemelham a humanos, mas são brutas, selvagens e imundas – os Yahoos. Quase imediatamente depois, ele se depara com cavalos que falam e agem com notável inteligência e dignidade – os Houyhnhnms.

Gulliver é levado para a casa de um Houyhnhnm que se torna seu mestre. Ele aprende a língua Houyhnhnm e passa a viver entre eles, observando sua sociedade. Os Houyhnhnms são seres guiados pela razão pura, que vivem em uma sociedade utópica sem vícios, ganância, mentiras ou doenças. Eles são completamente racionais e virtuosos. Em contraste, os Yahoos são a representação da humanidade em seu estado mais degradado: egoístas, irracionais, luxuriosos, violentos e obcecados por objetos brilhantes.

Gulliver, inicialmente, tenta convencer os Houyhnhnms de que ele é diferente dos Yahoos, mas quanto mais ele descreve a sociedade e a história humana, mais se dá conta de quão semelhantes os humanos são aos Yahoos em suas paixões, vícios e irracionalidade, apesar de sua capacidade de razão. Ele começa a sentir um profundo desgosto pela humanidade e por si mesmo, identificando-se com os Yahoos em sua forma física. Ele passa a preferir a companhia dos Houyhnhnms, absorvendo seus valores de razão e simplicidade.

No entanto, a Assembleia dos Houyhnhnms decide que Gulliver, apesar de sua inteligência, é uma ameaça para a pureza de sua sociedade por ser "mais um Yahoo" com uma aparência diferente e que deve partir. Relutantemente, Gulliver constrói um barco rudimentar e zarpa. Ele é resgatado por um capitão português, Dom Pedro de Méndez, um homem compassivo e gentil. Gulliver, contudo, já não suporta a visão de um humano e se recusa a comer na mesma mesa que ele, achando Dom Pedro e toda a humanidade repulsivos.

Ao retornar à Inglaterra, Gulliver é incapaz de se ajustar à sociedade humana. Ele vê sua esposa e filhos como Yahoos e passa o tempo em seu estábulo, conversando com seus cavalos, que ele considera superiores em inteligência e moralidade a qualquer ser humano. A jornada de Gulliver termina com sua completa alienação da raça humana, uma crítica amarga e total à natureza da humanidade.

Personagem Características Personalidade
Houyhnhnms Cavalos inteligentes e racionais, habitantes da terra de Houyhnhnm. Racionais, virtuosos, honestos, simples, lógicos, carecem de paixões e vícios humanos.
Mestre de Gulliver (Houyhnhnm) Cavalo que abriga Gulliver e o ensina sua língua e costumes. Sábio, paciente, justo, representa a razão e a bondade Houyhnhnm.
Yahoos Criaturas brutas e selvagens com aparência humana. Sujos, irracionais, gananciosos, luxuriosos, violentos, a representação da humanidade decaída.
Dom Pedro de Méndez Capitão de um navio português que resgata Gulliver. Compassivo, gentil, generoso, tenta reintegrar Gulliver à sociedade humana.

Gênero literário

  • Sátira: É o gênero dominante, empregando humor, ironia e exagero para criticar os vícios, a estupidez e as falhas da sociedade humana, política e ciência da época.
  • Aventura / Fantasia: Embora as viagens a terras fantásticas e criaturas imaginárias sejam proeminentes, esses elementos servem como veículos para a sátira, não como o fim em si mesmos.
  • Ficção Filosófica: Aborda questões profundas sobre a natureza humana, a razão versus a paixão, a civilização e a barbárie.
  • Romance Picaresco: Embora não seja um romance picaresco no sentido estrito, partilha elementos como a jornada de um protagonista que encontra uma variedade de personagens e situações que expõem as hipocrisias da sociedade.

Dados do autor

Jonathan Swift (1667–1745) foi um proeminente satirista, ensaísta, panfletário político, poeta e clérigo anglicano irlandês. Nascido em Dublin, na Irlanda, de pais ingleses, ele passou grande parte de sua vida na Irlanda, tornando-se o Deão da Catedral de São Patrício em Dublin em 1713.

Swift é considerado um dos maiores mestres da prosa satírica em língua inglesa. Ele usou seu humor ácido e inteligência afiada para criticar a política, a religião e a moralidade de sua época. Suas obras são conhecidas por sua complexidade e por muitas vezes operarem em múltiplos níveis, sendo entendidas tanto como contos de aventura simples quanto como críticas sociais profundas.

Outras obras notáveis de Swift incluem:

  • A Tale of a Tub (1704): Uma sátira sobre as corrupções na religião e na aprendizagem.
  • An Argument Against Abolishing Christianity (1708): Uma sátira que defende o cristianismo de uma maneira que paradoxalmente expõe as hipocrisias dos "defensores" da fé.
  • A Modest Proposal for Preventing the Children of Poor People From Being a Burden to Their Parents or Country, and for Making Them Beneficial to the Public (1729): Uma sátira devastadora onde ele sugere que os pobres da Irlanda vendam seus filhos como alimento para os ricos, a fim de aliviar a pobreza e a sobrepopulação.

Swift foi um escritor prolífico e influente, e sua obra continua a ser estudada por sua perspicácia, sua crítica social e sua mestria da linguagem. Ele é uma figura central na literatura irlandesa e inglesa.

Moral da história

"As Viagens de Gulliver" não oferece uma única "moral" simples, mas sim uma série de lições e críticas complexas:

  1. Crítica à Natureza Humana: A principal moral é uma visão pessimista da natureza humana. Swift expõe a vaidade, a corrupção, a irracionalidade, a hipocrisia e a crueldade inerentes aos seres humanos, sugerindo que, apesar da capacidade de razão, somos muitas vezes dominados por paixões e vícios (personificados nos Yahoos).
  2. Sátira Social e Política: O livro é uma crítica contundente às instituições políticas, sociais e religiosas da Inglaterra e da Europa do século XVIII. Ele expõe a pequenez das disputas políticas (Lilliput), a barbaridade da guerra, a ineficácia da ciência abstrata (Laputa e Lagado) e a corrupção da justiça e da moralidade.
  3. Relatividade da Perspectiva: Através das mudanças de tamanho de Gulliver, Swift demonstra como a perspectiva altera nossa percepção do mundo e de nós mesmos. O que é grande e importante em um contexto pode ser insignificante e ridículo em outro, e vice-versa.
  4. O Perigo da Razão sem Emoção: Enquanto os Houyhnhnms representam a razão pura, sua sociedade, embora ideal em muitos aspectos, pode ser vista como fria e desprovida de paixão, o que leva à expulsão de Gulliver. Isso sugere que um equilíbrio entre razão e emoção é talvez o ideal, ou que a razão extrema pode ser tão desumanizadora quanto a irracionalidade total.
  5. A Ilusão do Progresso e da Imortalidade: A seção de Lagado critica a crença cega no progresso científico sem propósito prático. A história dos Struldbrugs destrói a fantasia da imortalidade, revelando-a como uma maldição de miséria e declínio, em vez de uma bênção.
  6. O Prejuízo e o Orgulho: A obra satiriza o orgulho europeu e o chauvinismo cultural da época, mostrando como Gulliver é inicialmente cego para as falhas de sua própria sociedade, mas gradualmente as percebe através de lentes estrangeiras.

Em essência, a "moral" é um desafio para o leitor examinar criticamente sua própria sociedade e a natureza humana, questionando as suposições de superioridade e virtude.

Curiosidades

  1. Publicação Anônima: "As Viagens de Gulliver" foi publicado anonimamente em 1726 com o título original "Travels into Several Remote Nations of the World, in Four Parts. By Lemuel Gulliver, First a Surgeon, and then a Captain of several Ships". O anonimato era comum para sátiras na época, protegendo o autor de possíveis retaliações políticas.
  2. Popularidade Inesperada: Apesar de sua intenção como uma sátira adulta e crítica social, o livro rapidamente se tornou um sucesso popular, especialmente entre as crianças, que se encantaram com as aventuras fantásticas, ignorando em grande parte as camadas mais profundas de crítica. Isso levou à sua popularidade duradoura como um conto de fadas, embora Swift o tenha concebido como algo muito mais sombrio.
  3. Termos Entram no Idioma: As palavras "Lilliputian" (para algo minúsculo ou trivial) e "Yahoo" (para uma pessoa bruta, incivilizada ou grosseira) entraram no idioma inglês (e em outros idiomas como o português) diretamente do livro de Swift.
  4. Crítica à Royal Society: A Academia de Lagado, com seus cientistas envolvidos em projetos absurdos, é amplamente vista como uma sátira à Royal Society de Londres, uma instituição científica proeminente da época que Swift considerava, em alguns aspectos, pretensiosa e imprática.
  5. Desilusão de Swift: O tom cada vez mais sombrio e misantrópico do livro reflete a crescente desilusão de Swift com a política, a humanidade e a condição de seu país, a Irlanda, que sofria sob o domínio inglês. A quarta parte, em particular, é uma explosão de desespero e desgosto.
  6. Inspiração para a Astronomia: As duas luas de Marte, Fobos e Deimos, foram "descobertas" por Swift na terceira parte do livro (na ilha voadora de Laputa) 150 anos antes de sua descoberta real pelo astrônomo Asaph Hall em 1877. Swift descreveu as luas de Marte como sendo uma delas com um período orbital de 10 horas e a outra de 21,5 horas, enquanto os valores reais são de 7,66 horas e 30,35 horas, respectivamente. Uma coincidência notável ou um palpite incrivelmente bem informado.
  7. Adaptações e Influência: O livro foi adaptado inúmeras vezes para o cinema, televisão, teatro e outras mídias, muitas vezes simplificando ou omitindo as partes mais sombrias e satíricas, focando apenas nos aspectos de aventura e fantasia. Sua influência na literatura e na cultura ocidental é imensa.