A Crítica da Escola de Mulheres - Molière
Resumo La Critique de l'École des femmes é uma comédia em um ato de Molière, escrita em 1663. A peça serve como uma metacomédia, uma respo...
Resumo
La Critique de l'École des femmes é uma comédia em um ato de Molière, escrita em 1663. A peça serve como uma metacomédia, uma resposta de Molière aos críticos de sua obra anterior, L'École des femmes. A trama se desenrola em um salão parisiense, onde um grupo de pessoas de diferentes temperamentos e opiniões discute e debate os méritos e deméritos de L'École des femmes. Os personagens representam os vários tipos de críticos que Molière enfrentou: os pedantes que julgam pela regra e não pelo gosto, as preciosas que se ofendem com a menor indelicadeza e os marqueses superficiais que condenam tudo o que o público aplaude. Através de um debate animado e espirituoso, Molière, por meio do personagem Dorante, defende sua arte e a validade de fazer o público rir, argumentando que a verdadeira regra da comédia é agradar. A peça não tem uma ação dramática complexa, mas sim uma série de discussões que revelam os diversos pontos de vista sobre a arte e o teatro.
Seções do livro
Seção 1
A peça se passa em um salão parisiense, onde Uranie e sua prima Élise aguardam a chegada de convidados para uma reunião. A conversa inicial entre as duas introduz o tema do debate que está por vir: a recém-estreada peça L'École des femmes. Uranie demonstra uma mente aberta e ponderada, enquanto Élise concorda com ela. Logo chegam Dorante, um homem de bom senso e defensor da peça, e Climène, uma mulher afetada e crítica da comédia de Molière. A discussão começa com Climène expressando seu desgosto pela peça, considerando-a indecente e vulgar, especialmente pela cena do beijo e pelas "maximais" de Arnolphe. Ela representa a crítica moralista e preciosista da época, que se ofendia facilmente com a representação da realidade no palco. Dorante, por sua vez, tenta defender a peça, elogiando sua naturalidade e a forma como Molière observa e retrata o comportamento humano.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Uranie | Anfitriã do salão, prima de Élise. | Sensata, equilibrada, de bom gosto, representa a audiência ideal que Molière busca agradar. |
| Élise | Prima de Uranie. | Concorda com as opiniões de Uranie, é menos expressiva que os outros. |
| Dorante | Convidado de Uranie. | Representa a voz de Molière na peça, defensor do bom senso e da arte que visa agradar. |
| Climène | Convidada de Uranie. | Preciosa, moralista, facilmente ofendida, crítica da peça por considerá-la indecente. |
Seção 2
A discussão se intensifica com a chegada de Lysidas e um Marquês. Lysidas é um poeta pedante e um crítico erudito, que baseia suas opiniões em regras clássicas e não no prazer que a peça pode proporcionar. Ele critica L'École des femmes por não seguir estritamente as convenções teatrais, por ter "defeitos" na sua construção e por ser popular demais, o que para ele significava que não poderia ser uma obra de arte elevada. O Marquês, por sua vez, é um personagem caricato da nobreza superficial, cuja única crítica à peça é que ela agrada a todos. Para ele, o que é bom para o povo não pode ser bom para ele, mostrando uma atitude de esnobismo e falta de critério pessoal. Ele se gaba de ter dormido durante a peça, apenas para se distinguir.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Lysidas | Poeta e crítico. | Pedante, dogmático, preso às regras clássicas, despreza o teatro popular. |
| O Marquês | Membro da nobreza. | Superficial, esnobe, busca distinção através do desprezo pelo que é popular, age por vaidade. |
Seção 3
O debate continua, com cada personagem defendendo ou atacando L'École des femmes de acordo com suas perspectivas. Dorante assume o papel central na defesa da peça. Ele argumenta contra Lysidas que a principal regra da comédia é agradar o público e fazê-lo rir, e que as regras devem ser meios para atingir esse fim, e não um fim em si. Ele defende que o objetivo de Molière é pintar a natureza humana e expor o ridículo dos costumes da sociedade, o que a peça faz com maestria. Contra Climène, ele defende a naturalidade dos diálogos e das situações, argumentando que a comédia deve refletir a vida e não um ideal abstrato de "decência" artificial. Ele ironiza a hipocrisia de quem se choca com o que vê no palco, mas não com o que acontece na vida real. Dorante também ridiculariza a atitude do Marquês, mostrando a futilidade de suas críticas.
Seção 4
No clímax da discussão, Dorante reforça a ideia de que o sucesso de uma peça, medido pelo riso e aplauso do público, é a prova de seu valor. Ele compara o teatro a um espelho da sociedade, onde as pessoas podem ver refletidos seus próprios defeitos e os de seus semelhantes. A discussão se torna mais acalorada, com Lysidas e Climène mantendo suas posições inflexíveis, enquanto o Marquês continua com suas intervenções vazias. Uranie tenta moderar os ânimos, mas a paixão pelo debate é evidente. No final, Dorante conclui que a arte deve tocar o coração e a mente, e que a comédia de Molière, ao divertir e provocar o riso, atinge esse objetivo de forma eficaz. A peça termina com a impossibilidade de convencer os críticos mais ferrenhos, mas com uma clara defesa da poética de Molière.
Gênero literário
Comédia em um ato, mais especificamente uma metacomédia ou comédia-crítica. É uma peça que comenta e defende uma peça anterior do mesmo autor, abordando os debates estéticos e morais de seu tempo.
Dados do autor
Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière (1622-1673), foi um dos maiores dramaturgos e atores da literatura francesa e universal. Nascido em Paris, filho de um estofador real, ele renunciou à carreira de advogado para fundar sua própria companhia de teatro, o Illustre Théâtre, em 1643. Apesar de um início difícil e da falência de sua primeira companhia, Molière persistiu, atuando e escrevendo peças que satirizavam os costumes, vícios e hipocrisias da sociedade francesa do século XVII, desde a burguesia até a nobreza e a corte. Suas obras frequentemente geravam controvérsia devido à sua crítica social e religiosa, mas ele contava com o apoio do Rei Luís XIV. Entre suas obras mais famosas estão Tartuffe, Don Juan, O Misantropo, O Burguês Gentil-Homem e O Doente Imaginário. Ele morreu no palco, pouco depois de atuar na quarta representação de O Doente Imaginário.
Moral da história
A principal moral de La Critique de l'École des femmes é que a verdadeira regra da comédia é agradar o público e fazê-lo rir. Molière defende que a arte não deve ser julgada apenas por regras teóricas e acadêmicas, nem por preconceitos moralistas ou esnobismos sociais, mas sim pela sua capacidade de tocar, entreter e instruir o espectador. A peça argumenta que a comédia, ao expor o ridículo humano de forma natural e divertida, cumpre um papel essencial de espelho social e de crítica construtiva. Ela defende a liberdade artística contra a pedanteria e a hipocrisia.
Curiosidades
- Resposta direta: La Critique de l'École des femmes foi escrita e encenada apenas alguns meses após L'École des femmes (janeiro de 1663), como uma resposta direta e contundente às críticas que a peça original recebeu, especialmente da parte de jansenistas e preciosas.
- Metateatro: É um excelente exemplo de metateatro, uma peça dentro de outra peça, onde a própria arte e seus mecanismos são o objeto da discussão. Molière usa este recurso para defender sua estética teatral.
- Personagens reais: Os personagens da peça são frequentemente vistos como caricaturas de figuras reais do ambiente literário e teatral de Paris na época. Lysidas, por exemplo, é tido como uma representação de Edmé Boursault ou Jean Donneau de Visé, enquanto Climène pode ser uma referência às "précieuses ridicules" ou mesmo a Madame de Sévigné.
- Elogio ao público: Molière usa a peça para validar o julgamento do público comum, argumentando que a resposta do povo no teatro é um critério mais válido para a qualidade de uma peça do que as opiniões de críticos pedantes ou moralistas.
- Rei Luís XIV: Molière tinha o apoio do rei Luís XIV, que apreciava seu talento e sua capacidade de entreter a corte. Esse apoio foi crucial para que Molière pudesse defender sua obra e continuar produzindo peças controversas.
