La elección de los alcaldes de Daganzo - Miguel de Cervantes

O livro 'A Eleição dos Prefeitos de Daganzo' de Miguel de Cervantes

Resumo

'A Eleição dos Prefeitos de Daganzo' é um entremés (uma peça curta de um ato, geralmente de caráter cômico e representações entre os atos de uma peça maior) de Miguel de Cervantes. A trama se desenrola na pequena aldeia de Daganzo, que está à beira de um conflito pela eleição de seus dois novos prefeitos. A disputa principal surge entre dois grupos: os aldeões mais ricos e os mais humildes. Cada grupo defende seus próprios candidatos, exaltando suas qualidades (muitas vezes de forma exagerada ou cômica) e desqualificando os adversários. A situação é tão caótica que um Governador, uma autoridade superior, precisa intervir para arbitrar a eleição e trazer ordem. A peça satiriza a corrupção, a vaidade, a ignorância e a parcialidade presentes nos processos eleitorais e na justiça local, culminando em uma resolução irônica e inesperada que expõe a superficialidade dos argumentos e a sabedoria popular.

Seções do livro

Seção 1

A cena começa em Daganzo, onde os aldeões estão reunidos para a eleição de seus dois prefeitos, uma tarefa que se mostra complicada pela discórdia entre eles. A principal fonte de conflito é a questão de Daganzo ser considerada uma "villa" (vila, com certos privilégios e autonomia) ou uma "aldea" (aldeia, com menos autonomia e status inferior). Os aldeões ricos insistem que Daganzo é uma "villa" e que, portanto, seus prefeitos deveriam ser pessoas de posses e status social elevado. Os aldeões mais humildes, por outro lado, defendem que Daganzo é uma "aldea" e que seus representantes deveriam ser pessoas do povo, que conhecem suas necessidades. Essa disputa pelo status da localidade é um reflexo das tensões sociais e econômicas presentes na comunidade. A eleição está paralisada, e o barulho da discussão é tão grande que um Governador, uma autoridade de fora, é enviado para resolver a situação e presidir a eleição de forma justa.

Personagem Características Personalidade
O Governador/Juiz Autoridade enviada para arbitrar a eleição. Pessoa de bom senso, astuta, irônica, com paciência para lidar com a ignorância.
Lopillo Rico proprietário de terras. Arrogante, presunçoso, defensor de seus próprios interesses e dos "ricos".
Pedro Albaráñez Rico proprietário de terras, amigo de Lopillo. Similar a Lopillo, orgulhoso de sua riqueza e status, parcial.
Pendón Representante dos aldeões "pobres" (trabalhadores). Humilde, mas com um senso de justiça, tenta defender os interesses dos mais desfavorecidos.
Os Aldeões (Ricos) Proprietários de terras, pessoas com posses. Orgulhosos, elitistas, acreditam que a riqueza confere capacidade de governar.
Os Aldeões (Pobres) Trabalhadores rurais, pessoas sem muitas posses. Mais simples, buscam representação que entenda suas dificuldades e valores.

Seção 2

O Governador chega e tenta impor ordem. Ele ouve as partes, queixando-se do alarido e da falta de acordo. Os ricos, representados por Lopillo e Pedro Albaráñez, apresentam seus candidatos. Eles os descrevem como homens de "fazenda" (bens), que possuem gado, terras e um status respeitável. Para eles, a posse de bens materiais é a qualificação essencial para governar, pois demonstra sabedoria e capacidade. Eles desprezam os candidatos dos pobres, que consideram inferiores por sua condição humilde.

Em resposta, Pendón, representando os aldeões pobres, apresenta seus próprios candidatos. Ele exalta a humildade, a honestidade e a experiência de vida e trabalho no campo como as verdadeiras qualidades para um bom prefeito. Para Pendón, o conhecimento das necessidades do povo e a integridade valem mais do que a riqueza. Há uma clara contraposição entre a visão elitista dos ricos e a visão mais populista e pragmática dos pobres. A discussão se torna um debate acalorado sobre o que realmente constitui um bom governante: riqueza e status ou integridade e conhecimento da realidade do povo.

Seção 3

O Governador, percebendo a intransigência de ambos os lados e a superficialidade de seus argumentos, decide intervir de forma engenhosa. Ele ouve atentamente as razões de cada grupo, as acusações mútuas e as exaltações de seus próprios candidatos, que muitas vezes beiram o absurdo.

Cansado da vaidade e da parcialidade, o Governador anuncia uma decisão surpreendente. Ele declara que Daganzo é, de fato, uma "villa". No entanto, ele não escolhe nenhum dos candidatos propostos pelos ricos ou pelos pobres. Em vez disso, ele decide que os prefeitos da "villa" de Daganzo serão dois porcos. Sua justificativa é tão irônica quanto a situação: se Daganzo é uma "villa" e seus habitantes só pensam em seus próprios interesses e bens, por que não eleger criaturas que simbolizam a fartura e a autossuficiência? Esta decisão inesperada visa ridicularizar a cobiça e a miopia dos aldeões, que estão mais preocupados com o status e a riqueza do que com a justiça ou o bem-estar da comunidade.

Seção 4

A decisão do Governador choca e confunde os aldeões. Os ricos ficam indignados por não terem seus candidatos eleitos, e os pobres ficam igualmente perplexos. No entanto, o Governador permanece firme em sua decisão, explicando que, dado o comportamento deles, porcos seriam prefeitos tão bons (ou melhores) do que os homens que estavam se digladiando. Ele sugere que, talvez, os porcos pudessem governar com mais imparcialidade ou menos corrupção do que os seres humanos movidos pela ganância e pela vaidade. A peça termina com os aldeões, embora relutantes, aceitando a estranha "eleição". O Governador se despede, deixando Daganzo com seus prefeitos suínos e uma lição implícita sobre a irracionalidade das disputas e a superficialidade dos valores sociais. A resolução cômica e absurda serve para reforçar a crítica de Cervantes à corrupção e à estupidez humana.


Gênero Literário: Entremés (uma peça teatral curta, de um ato, geralmente cômica e farsesca, representada nos intervalos de uma peça maior).

Dados do Autor:

  • Miguel de Cervantes Saavedra (1547 – 1616) foi um romancista, poeta e dramaturgo espanhol.
  • É amplamente considerado o maior escritor em língua espanhola e um dos maiores escritores da literatura universal.
  • Sua obra-prima, 'Dom Quixote de La Mancha', é considerada o primeiro romance moderno e um dos livros mais traduzidos e publicados do mundo.
  • Cervantes teve uma vida aventurosa, serviu como soldado, foi ferido na Batalha de Lepanto e passou cinco anos como cativo em Argel.
  • Além de 'Dom Quixote' e seus entremeses, escreveu romances exemplares, poemas e outras peças teatrais.

Moral da História:
A moral principal da história é uma crítica contundente à vaidade, à ganância, à corrupção e à parcialidade presentes nos processos de poder e eleição. Cervantes sugere que, quando os homens se deixam levar por seus interesses egoístas e pela busca de status, ignorando a verdadeira capacidade e a justiça, podem se tornar tão ou mais irracionais do que animais. A peça advoga pela importância da honestidade, do bom senso e da imparcialidade na governança, e ironiza a ideia de que a riqueza ou a posição social automaticamente conferem sabedoria ou aptidão para liderar.

Curiosidades do Livro:

  • 'A Eleição dos Prefeitos de Daganzo' é um dos oito entremeses de Cervantes que foram publicados postumamente em 1615, um ano antes de sua morte, sob o título 'Oito Comédias e Oito Entremeses Novos, Nunca Antes Representados'.
  • Os entremeses de Cervantes são notáveis por sua aguda observação social, humor inteligente e diálogos vívidos, refletindo a vida e os costumes da Espanha do Século de Ouro.
  • A escolha dos porcos como prefeitos é uma metáfora poderosa. Na cultura espanhola da época, o porco era um animal valioso (fonte de alimento e riqueza), mas também associado à sujeira e à ganância. A ironia é que, para o Governador, esses animais poderiam ser menos corruptos do que os aldeões que se digladiavam pelo poder.
  • Daganzo existe de verdade, é uma localidade próxima a Madrid. Cervantes usou nomes de lugares reais, o que conferia um toque de familiaridade e satirizava indiretamente a realidade de seu tempo.
  • O entremés reflete a realidade das pequenas vilas na Espanha, onde as disputas locais por poder e status eram comuns, e a intervenção de autoridades superiores (como o Governador) era muitas vezes necessária para resolver conflitos insolúveis.