A Princesa de Élide - Molière
Resumo "A Princesa de Élide" é uma comédia-balé de Molière, encomendada para as festividades de Luís XIV em Versalhes. A peça narra a histó...
Resumo
"A Princesa de Élide" é uma comédia-balé de Molière, encomendada para as festividades de Luís XIV em Versalhes. A peça narra a história de Phylis, a bela e orgulhosa Princesa de Élide, que, para desespero de seu pai e de seus pretendentes, declara que nunca se casará, rejeitando o amor e o casamento. Três príncipes chegam à corte para cortejá-la: Agelaste de Mecenas, Ariste de Pisa e Euryale de Aragão. Cansado das recusas da princesa, Euryale, aconselhado por seu servo, decide adotar uma estratégia engenhosa: fingir total indiferença por Phylis e, em vez disso, declarar seu amor por sua prima Hippolyte. Essa tática inesperada provoca ciúmes e confusão na princesa, que começa a questionar sua própria resistência ao amor, enquanto as outras histórias de amor entre os personagens secundários também se desenrolam. A trama culmina com a princesa, antes orgulhosa e refratária, percebendo e finalmente aceitando seu amor por Euryale, resultando em casamentos múltiplos e felizes.
Seções do livro
Seção I: Ato Primeiro
A peça começa durante uma caçada, uma ocasião para festividades na corte do Príncipe de Élide. O pai da Princesa Phylis está preocupado com a recusa teimosa de sua filha em se casar, apesar de sua beleza e da sua idade. Três príncipes - Euryale de Aragão, Agelaste de Mecenas e Ariste de Pisa - chegaram para disputar a mão da princesa, mas ela insiste em sua independência e declara seu desprezo pelo amor e pelo casamento, afirmando que a liberdade é seu bem mais precioso.
Moron, o bobo da corte, tenta aconselhá-la, mas a princesa o ignora, preferindo manter sua posição firme. Os príncipes lamentam a intransigência de Phylis. Euryale, então, decide adotar uma estratégia não convencional: em vez de cortejá-la abertamente e sofrer a mesma rejeição que os outros, ele fingirá total indiferença por ela, na esperança de que a curiosidade e o orgulho de Phylis o levem a se interessar por ele. Ele declara publicamente seu amor por Hippolyte, uma prima da princesa.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Phylis | Princesa de Élide, bela, jovem. | Orgulhosa, teimosa, independente, despreza o amor e o casamento, valoriza a liberdade. |
| Euryale | Príncipe de Aragão, um dos pretendentes de Phylis. | Inteligente, astuto, estratégico, determinado, observador. |
| Agelaste | Príncipe de Mecenas, um dos pretendentes de Phylis. | Sério, melancólico, de temperamento reservado. |
| Ariste | Príncipe de Pisa, um dos pretendentes de Phylis. | Apaixonado, entusiasta, um pouco ingênuo, expressa seus sentimentos abertamente. |
| Moron | Bobo da corte da Princesa. | Irônico, cínico sobre o amor, divertido, observador, tenta dar conselhos. |
| Hippolyte | Prima de Phylis. | Bela, inicialmente parece ser o objeto do falso afeto de Euryale, mas tem seus próprios amores e pretendentes. |
| Príncipe de Élide | Pai de Phylis. | Preocupado com o futuro da filha, deseja vê-la casada. |
Seção II: Ato Segundo
A estratégia de Euryale começa a ser executada. Ele demonstra um desinteresse notável pela Princesa Phylis, dedicando sua atenção e galanterias a Hippolyte. Isso naturalmente chama a atenção de Phylis, que começa a se sentir ligeiramente irritada e confusa com a falta de interesse de Euryale. Seu orgulho é ferido. Ela discute com Moron sobre a situação, e ele a provoca, sugerindo que Euryale, ao ignorá-la, está, de fato, agindo de forma mais sábia do que os outros príncipes que a cortejam incessantemente.
Enquanto isso, os outros dois príncipes, Agelaste e Ariste, continuam suas próprias tentativas de cortejo. Agelaste, com sua melancolia habitual, tenta cortejar Hippolyte, que, por sua vez, está mais interessada em Euryale (embora ele agora finja amá-la apenas para seu plano). Ariste corteja Arbate, outra prima de Phylis, com sua paixão e eloquência. As histórias de amor secundárias começam a se entrelaçar, criando um contraste com a trama principal de Phylis e Euryale.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Arbate | Prima de Phylis, cortejada por Ariste e tem um relacionamento secreto com Lycaste. | Mais aberta ao amor do que Phylis, mas também tem seus próprios dilemas. |
| Lycaste | Nobre, pretendente de Arbate. | Apaixonado, perseverante. |
Seção III: Ato Terceiro
A princesa Phylis fica cada vez mais incomodada com a indiferença de Euryale. Ela tenta entender por que ele a ignora e, disfarçadamente, busca informações sobre ele. O bobo da corte, Moron, continua a comentar a situação, zombando da vaidade ferida da princesa. Phylis, que antes se gabava de sua invulnerabilidade ao amor, começa a sentir uma emoção desconhecida — ciúmes. Ela se vê falando mais sobre Euryale e tentando decifrar suas ações.
Euryale mantém sua farsa, e até mesmo sua suposta amada Hippolyte começa a se preocupar com a intensidade da paixão fingida de Euryale, especialmente porque ela mesma tem outros amores, como Agelaste. Há uma cena de balé e música que interrompe as falas, adicionando um elemento festivo e de distração, típico das comédias-balé, mas a tensão romântica entre Phylis e Euryale continua a crescer subjacente às festividades. A princesa confessa à sua dama de companhia, Cynisca, sua crescente confusão e irritação.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Cynisca | Dama de companhia da Princesa Phylis. | Prática, leal, tenta aconselhar a princesa, observadora. |
Seção IV: Ato Quarto
O plano de Euryale atinge seu ponto crítico. Phylis, já profundamente abalada pela suposta indiferença de Euryale e pelo seu cortejo a Hippolyte, observa-o com crescente angústia. Ela, que sempre repudiou o amor, agora se sente atormentada por um sentimento que não consegue nomear, mas que é claramente ciúme e atração. Euryale, vendo o efeito de sua tática, intensifica a demonstração de seu falso amor por Hippolyte, descrevendo-o com tal paixão que a princesa se sente ainda mais provocada.
Em um momento crucial, Phylis tenta confrontar Euryale indiretamente, expressando sua "pena" por Hippolyte e seu "desejo" de que o amor de Euryale fosse recompensado. Euryale, no entanto, mantém sua farsa, agradecendo à princesa por sua benevolência, mas sem mudar seu comportamento. A princesa fica desesperada e começa a considerar a possibilidade de que ela mesma possa estar se apaixonando, uma ideia que a choca e a envergonha. O ato termina com a princesa em um estado de grande confusão emocional e angústia.
Seção V: Ato Quinto
A princesa Phylis não consegue mais negar seus sentimentos por Euryale. Ela está desesperada e confusa, incapaz de entender como ela, que tanto desprezava o amor, poderia ter caído em suas armadilhas. Ela confessa sua angústia a seu pai. Euryale, observando sua mudança, decide que é hora de revelar a verdade. Ele se aproxima da princesa e, finalmente, confessa que seu amor por Hippolyte era uma farsa, uma estratégia para conquistar seu coração, sabendo de sua aversão ao cortejo direto.
Surpreendida e aliviada, Phylis ainda tenta manter uma última fachada de orgulho, mas a emoção é grande demais. Ela é forçada a admitir que, de fato, os sentimentos de Euryale foram correspondidos e que seu coração foi conquistado por sua astúcia. Com a verdade revelada, os casais se formam: Phylis aceita Euryale. Hippolyte, livre do falso cortejo de Euryale, aceita Agelaste (que realmente a amava), enquanto Ariste se casa com Arbate. A peça termina com a celebração dos múltiplos casamentos e a reafirmação do poder do amor, mesmo sobre os corações mais orgulhosos e resistentes.
Gênero literário
A Princesa de Élide é uma comédia-balé. Este gênero foi criado por Molière em colaboração com o compositor Jean-Baptiste Lully para as festividades da corte de Luís XIV. Caracteriza-se pela alternância entre cenas faladas (comédia) e interlúdios de música, canto e dança (balé), que complementam e comentam a ação dramática. A peça tem elementos de farsa e de comédia de costumes, abordando temas do amor e do casamento.
Dados do autor
Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido pelo seu nome artístico Molière (1622-1673), foi um dramaturgo, ator e encenador francês, amplamente considerado um dos maiores mestres da comédia na literatura ocidental. Nascido em Paris, filho de um estofador real, ele abandonou uma carreira jurídica para seguir sua paixão pelo teatro. Fundou a trupe L'Illustre Théâtre em 1643. Apesar de dificuldades iniciais, alcançou grande sucesso sob o patrocínio de Luís XIV, tornando-se o comediante oficial da corte. Molière é famoso por suas peças satíricas que criticam a hipocrisia, a pretensão, a vaidade e os vícios da sociedade de seu tempo, utilizando personagens arquetípicos e enredos engenhosos. Suas obras mais conhecidas incluem "O Misantropo", "O Avarento", "O Burguês Gentil-Homem", "As Preciosas Ridículas" e "Tartufo". Morreu no palco enquanto interpretava sua própria peça, "O Doente Imaginário".
Moral
A moral principal de "A Princesa de Élide" é que o amor é uma força irresistível que eventualmente conquista até os corações mais orgulhosos e teimosos. A peça ilustra a futilidade de tentar resistir ao amor e como o orgulho pode ser uma barreira para a felicidade. Também sugere que a astúcia e a inteligência podem ser mais eficazes na conquista do coração do que o cortejo direto e subserviente. Em última análise, a peça celebra a união e a alegria que o amor e o casamento podem trazer.
Curiosidades
- Encomenda Real: "A Princesa de Élide" foi escrita e encenada para as "Fêtes des Plaisirs de l'Île enchantée" (Festas dos Prazeres da Ilha Encantada), uma série grandiosa de celebrações organizadas por Luís XIV em Versalhes em 1664. Foi a primeira grande comédia-balé concebida especificamente para o rei e a corte.
- Comédia-Balé Inaugural: Esta peça é frequentemente citada como um dos primeiros exemplos maduros do gênero comédia-balé, onde a música e a dança não são meros interlúdios, mas partes integrantes da narrativa e do tom da peça.
- Performance Grandiosa: A produção original foi extremamente luxuosa, com figurinos deslumbrantes, cenários elaborados e a participação de muitos músicos e dançarinos, refletindo o esplendor da corte de Luís XIV.
- Molière como Moron: O próprio Molière interpretou o papel de Moron, o bobo da corte, que serve como um coro cínico e divertido, comentando a ação e o comportamento da princesa.
- Influências: A trama da princesa que rejeita o amor e é conquistada por uma tática engenhosa tem raízes em tradições literárias mais antigas, como a história de Cupido e Psique, e peças da commedia dell'arte. O tema do "caçador caçado" é central para a comédia.
- Crítica Social Sutil: Embora seja uma peça de entretenimento leve para a corte, Molière, como sempre, inclui uma crítica sutil à vaidade e ao orgulho, especialmente o de uma nobre que se recusa a seguir as convenções sociais de sua época.
