A Tempestade - William Shakespeare
Resumo "A Tempestade" de William Shakespeare é uma peça de teatro que mistura elementos de comédia, romance e drama, frequentemente classif...
Resumo
"A Tempestade" de William Shakespeare é uma peça de teatro que mistura elementos de comédia, romance e drama, frequentemente classificada como um romance ou tragicomédia. A história centraliza-se em Próspero, o ex-Duque de Milão, que foi usurpado por seu irmão Antônio e exilado numa ilha remota com sua filha Miranda. Próspero, que dedicou seu tempo ao estudo de magia na ilha, utiliza seus poderes para criar uma tempestade que naufraga seus inimigos na ilha. Entre os sobreviventes estão o Rei de Nápoles, Alonso, seu filho Ferdinando, o irmão de Alonso, Sebastião, e o traidor Antônio. Com a ajuda de seu espírito servo Ariel, Próspero manipula os eventos, expondo a vilania de seus inimigos e orquestrando o amor entre Miranda e Ferdinando. No clímax, Próspero confronta seus traidores, renuncia à sua magia e decide perdoá-los, restaurando a ordem e o seu ducado, e preparando o retorno de todos à civilização. A peça explora temas como perdão, redenção, poder, colonização e a natureza da ilusão.
Seções do livro
Seção 1: O Naufrágio e a Ilha de Próspero
A peça começa com uma violenta tempestade no mar, que naufraga um navio que transporta o Rei Alonso de Nápoles, seu filho Ferdinando, seu irmão Sebastião, o ambicioso Antônio (irmão de Próspero), e o bondoso conselheiro Gonzalo, entre outros. A tripulação e os passageiros entram em pânico enquanto o navio é destruído pelas ondas.
Após o naufrágio, somos levados à ilha, onde Próspero, o verdadeiro causador da tempestade, acalma sua filha Miranda. Ela fica horrorizada com a visão do naufrágio e suplica ao pai para ter piedade. Próspero explica que não houve danos reais e que era necessário. Ele revela a Miranda a verdadeira história de seu passado: ele era o Duque de Milão, mas foi tão consumido por seus estudos de magia que entregou o governo de seu ducado ao irmão Antônio. Antônio, ambicioso, conspirou com o Rei Alonso de Nápoles para usurpar Próspero, que foi então exilado em um barco com a pequena Miranda. Gonzalo, um conselheiro leal, secretamente lhes forneceu provisões e os preciosos livros de magia de Próspero. Eles foram levados pela correnteza até esta ilha.
Próspero então usa sua magia para fazer Miranda adormecer. Ele convoca Ariel, um espírito aéreo que é seu servo, mas que anseia por liberdade. Ariel relata o sucesso da tempestade, descrevendo como espalhou os tripulantes pela ilha, com Ferdinando separado dos demais. Próspero promete a liberdade a Ariel em breve, mas o adverte contra a impaciência, lembrando-o de como o libertou do aprisionamento de doze anos na árvore por parte da bruxa Sicorax.
Depois que Ariel parte, Próspero desperta Miranda, e eles vão visitar Calibã, o filho feio e deformado de Sicorax, um habitante nativo da ilha. Calibã os odeia, amaldiçoando-os por terem tomado sua ilha e escravizado-o. Próspero, por sua vez, o despreza por ter tentado violentar Miranda e o mantém subjugado com magia.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Próspero | Ex-Duque de Milão, pai de Miranda, mago poderoso. | Sábio, calculista, vingativo no início, mas busca redenção e perdão, autoritário com seus servos, mas amoroso com a filha. |
| Miranda | Filha de Próspero, cresceu na ilha isolada. | Ingênua, compassiva, bela, inocente, facilmente impressionada. |
| Ariel | Espírito aéreo, servo de Próspero. | Leal, ágil, invisível, mas anseia por liberdade, capaz de grande poder mágico sob o comando de Próspero. |
| Calibã | Filho da bruxa Sicorax, nativo da ilha, servo forçado de Próspero. | Deformado, ressentido, rude, sexualmente agressivo, vê Próspero como usurpador, ingênuo em sua rebelião. |
| Alonso | Rei de Nápoles, pai de Ferdinando. | Sofredor, arrependido pela traição a Próspero, eventualmente compassivo. |
| Ferdinando | Príncipe de Nápoles, filho de Alonso. | Nobre, galante, honrado, dedicado, facilmente apaixonado. |
| Antônio | Irmão de Próspero, atual Duque de Milão. | Ambicioso, traiçoeiro, sem remorsos, manipulador. |
| Sebastião | Irmão de Alonso. | Cínico, conspirador, facilmente influenciado pela ambição, covarde. |
| Gonzalo | Conselheiro honesto e bondoso de Alonso. | Otimista, leal, filósofo, idealista, perspicaz. |
| Trinculo | Bobo da corte de Alonso. | Medroso, oportunista, bêbado, comediante. |
| Estêvão | Mordomo bêbado de Alonso. | Arrogante, ambicioso, patético em sua busca por poder, facilmente iludido. |
| Sicorax | Bruxa malvada, mãe de Calibã (já falecida). | Cruel, poderosa (em vida), banida para a ilha. |
Seção 2: O Amor nas Flores e Conspirações nas Sombras
Ariel, invisível, conduz Ferdinando até Próspero e Miranda. Ferdinando, que acredita que seu pai está morto, fica imediatamente impressionado com a beleza de Miranda, e os dois se apaixonam à primeira vista. Próspero, embora feliz com a união, simula raiva e desconfiança para testar a sinceridade de Ferdinando, acusando-o de ser um espião. Ele aprisiona Ferdinando e o força a trabalhos pesados, como empilhar toras, observando secretamente o desenrolar do romance.
Enquanto isso, em outra parte da ilha, o grupo real está desolado. Alonso chora a perda de seu filho, e Gonzalo tenta animá-los, descrevendo uma utopia que ele criaria se fosse o governante da ilha. No entanto, Antônio e Sebastião zombam dele. Ariel, com música mágica, faz todos adormecerem, exceto Antônio e Sebastião. Antônio, o usurpador, aproveita a oportunidade para instigar Sebastião a assassinar seu irmão, o Rei Alonso, e assim tomar o trono de Nápoles. Sebastião hesita, mas a tentação do poder é forte. Quando estão prestes a cometer o ato, Ariel os desperta com sua música, e o grupo real acorda. Antônio e Sebastião inventam uma história para justificar suas espadas desembainhadas.
Em outro local da ilha, Trinculo, o bobo da corte, e Estêvão, o mordomo bêbado, encontram-se. Trinculo se abriga de uma tempestade iminente sob o manto de Calibã, que está assustado. Estêvão, também bêbado, chega e, ao ver a figura estranha, pensa que é um monstro. Ele dá vinho a Calibã, que nunca havia provado antes. Calibã, impressionado com o "licor celestial", jura lealdade a Estêvão e o proclama seu novo mestre, oferecendo-se para mostrar os segredos da ilha e matar Próspero. Um novo plano de conspiração surge, desta vez cômico e inepto.
Seção 3: Provas, Festins e Rebeliões Frustradas
Próspero continua a observar Ferdinando e Miranda. Ferdinando, apesar do trabalho árduo, declara seu amor por Miranda, e ela prontamente o aceita. Próspero aparece e abençoa a união, revelando que suas dificuldades eram apenas um teste. Ele avisa Ferdinando para não quebrar o voto de castidade antes do casamento. Para celebrar, Próspero usa sua magia para criar uma mascarada com espíritos em forma de deusas (Íris, Ceres e Juno) que abençoam o casal com fertilidade e prosperidade. De repente, Próspero lembra-se da conspiração de Calibã, Trinculo e Estêvão e dissolve a ilusão, enviando os espíritos embora.
Calibã, Trinculo e Estêvão, embriagados e guiados por Calibã, marcham em direção à cela de Próspero para matá-lo. Ariel, sob as ordens de Próspero, cria distrações para eles, primeiro com música mágica, depois com trajes brilhantes pendurados em uma linha. Os bêbados são facilmente seduzidos pelas roupas, esquecendo-se de seu plano de assassinato. Eles são então perseguidos por espíritos em forma de cães de caça, uma punição ordenada por Próspero.
Enquanto isso, Próspero também confronta o grupo real. Ariel, disfarçado de Harpía, aparece em um banquete magicamente preparado, acusando Alonso, Antônio e Sebastião de traição e lembrando-os de seu crime contra Próspero. O banquete desaparece, e os três ficam tomados por culpa e desespero, quase enlouquecendo. Gonzalo percebe que estão sob algum tipo de feitiço.
Seção 4: Perdão e Restauração
Próspero, vendo seus inimigos sofrendo de remorso e sob o efeito de seus encantos, questiona Ariel se já é suficiente. Ariel descreve a angústia dos homens. Próspero, comovido pela compaixão e percebendo que a vingança não trará a paz, decide renunciar à sua magia e perdoar seus inimigos. Ele ordena a Ariel que traga os homens.
Os naufragados são reunidos em seu estado de transe. Próspero, ainda invisível, observa-os e faz um longo e famoso solilóquio onde promete quebrar seu bastão mágico, afundar seus livros de magia "mais fundo que a linha de prumo", e abandonar todas as suas artes.
Ele se revela a eles em suas vestes de Duque de Milão. Alonso, ainda em seu estado de culpa, pede perdão a Próspero. Próspero perdoa a Alonso e a Gonzalo, mas confronta seu irmão Antônio e Sebastião, sem poupá-los de suas intenções traiçoeiras, mas também lhes concede perdão. Para a surpresa e alegria de Alonso, Próspero revela que seu filho Ferdinando está vivo e está jogando xadrez com Miranda. O reencontro é emocionante.
Próspero, após anos de exílio, assume novamente seu papel como Duque de Milão. Ele perdoa Calibã, Trinculo e Estêvão, que aparecem envergonhados após sua tentativa frustrada de rebelião. Próspero convida o grupo real e sua comitiva para passarem a noite em sua cela, onde ele lhes contará toda a história de seu tempo na ilha e os preparará para a viagem de volta a Milão e Nápoles. Ele promete a Ariel sua liberdade final, o que Ariel aceita com grande alegria.
Seção 5: O Epílogo
No epílogo, Próspero, agora sem seus poderes mágicos, se dirige diretamente à plateia. Ele pede que, com seus aplausos, o libertem da ilha, simbolizando o fim de sua jornada e a necessidade da benevolência do público para seu retorno ao mundo. Ele reconhece que sua "magia está enfraquecida" e que agora depende apenas da graça humana. É um pedido de libertação, tanto para ele quanto para os atores e a peça.
Gênero literário: Romance (em inglês, "Romance"), Comédia, Drama, Tragicomédia. É frequentemente considerada a última peça escrita exclusivamente por Shakespeare, e faz parte do grupo de suas últimas peças, caracterizadas por reconciliação, redenção e elementos fantásticos.
Dados do autor:
- Nome Completo: William Shakespeare.
- Nascimento: Abril de 1564 (batizado em 26 de abril), Stratford-upon-Avon, Inglaterra.
- Morte: 23 de abril de 1616, Stratford-upon-Avon, Inglaterra.
- Nacionalidade: Inglês.
- Profissão: Dramaturgo, poeta e ator.
- Conhecido como: O maior escritor da língua inglesa e o maior dramaturgo de todos os tempos. Sua obra consiste em aproximadamente 38 peças, 154 sonetos, dois longos poemas narrativos e vários outros versos. Suas peças foram traduzidas para todas as principais línguas vivas e são encenadas com mais frequência do que as de qualquer outro dramaturgo.
Moral da história:
A principal moral de "A Tempestade" gira em torno do perdão e da redenção. Próspero, embora tenha o poder e a justificação para se vingar de seus inimigos, escolhe o caminho da misericórdia e da reconciliação. A peça sugere que o perdão é um ato mais nobre e mais eficaz para restaurar a ordem e a paz do que a vingança, levando à verdadeira liberdade e ao fim do ciclo de ódio. Outros temas incluem a ilusão do poder, a natureza da colonização (através da relação entre Próspero e Calibã) e a capacidade humana de mudança e renovação.
Curiosidades do livro:
- A Última Peça Solo: "A Tempestade" é amplamente considerada a última peça que William Shakespeare escreveu inteiramente sozinho. Acredita-se que ele se aposentou para Stratford-upon-Avon logo após sua conclusão.
- Meta-teatro: Muitos estudiosos veem Próspero como uma representação do próprio Shakespeare, que, no final da peça, renuncia à sua magia e se despede do palco, assim como Shakespeare se despedia de sua carreira como dramaturgo. O solilóquio de Próspero sobre "quebrar o meu bastão" é frequentemente interpretado como um adeus de Shakespeare ao teatro.
- Inspiração: A peça pode ter sido inspirada por relatos reais de naufrágios, em particular o de um navio chamado Sea Venture nas Bermudas em 1609. Os diários dos sobreviventes descreviam uma ilha misteriosa e eventos fantásticos.
- Fontes clássicas: Embora tenha um cenário único, a peça também incorpora elementos de histórias clássicas, como a "Eneida" de Virgílio (a tempestade, a separação de pai e filho, o banquete ilusório).
- Influência na literatura: "A Tempestade" inspirou inúmeras adaptações, alusões e reinterpretações em literatura, música, ópera e cinema. A figura de Calibã, em particular, tornou-se um símbolo importante em discussões pós-coloniais sobre opressão e resistência.
- A Canção de Ariel: A canção "Full fathom five thy father lies" é uma das mais famosas da peça, evocando uma imagem poética de transformação através da morte subaquática.
- Unidades Clássicas: A peça notavelmente adere às três unidades clássicas de tempo, lugar e ação: a ação se passa em um único lugar (a ilha), em um período de poucas horas, e tem uma única trama principal (a vingança e reconciliação de Próspero).
