As Novas Aventuras de Robinson Crusoe - Daniel Defoe
Resumo Após anos vivendo uma vida confortável na Inglaterra e tendo perdido sua esposa, Robinson Crusoe sente uma sede incontrolável por av...
Resumo
Após anos vivendo uma vida confortável na Inglaterra e tendo perdido sua esposa, Robinson Crusoe sente uma sede incontrolável por aventura e um desejo de revisitar sua ilha. Ele parte novamente, acompanhado de seu fiel servo Sexta-feira. Ao chegar à ilha, encontra os colonos — um grupo de espanhóis, os antigos amotinados ingleses e nativos convertidos — em meio a conflitos e dificuldades. Crusoe organiza a colônia, estabelece regras e promove a paz antes de partir novamente. Contudo, em uma tragédia durante a viagem de retorno, Sexta-feira é morto em um ataque de canibais, deixando Crusoe profundamente abalado.
Crusoe continua sua jornada para o leste, atravessando o Oceano Índico e enfrentando perigos em Madagascar, onde sua tripulação se envolve em um conflito brutal com os nativos. Ele segue para a Índia, vende seu navio e investe em comércio, mas sua natureza inquieta o leva a comprar outro navio e partir para a China. Impressionado com a cultura chinesa, mas ainda com o desejo de retornar à Europa, ele decide evitar a longa e perigosa viagem marítima, optando por uma ambiciosa travessia terrestre através da vasta e inóspita Tartária (Sibéria), juntando-se a uma caravana de mercadores.
A jornada terrestre é extenuante, marcada por condições climáticas extremas, escassez de suprimentos e ataques de ladrões. Crusoe demonstra sua coragem e liderança, ajudando a defender a caravana. Após mais de um ano e meio de viagem por terra, ele finalmente chega à Rússia europeia e, de lá, consegue embarcar para a Inglaterra.
Na velhice, com sua sede de aventura finalmente saciada e uma fortuna considerável, Crusoe se aposenta de suas viagens. Ele reflete sobre suas experiências, suas perdas e os perigos enfrentados, reconhecendo a guia da Providência Divina em sua vida e encontrando finalmente a paz e o repouso que tanto buscava.
Seções do livro
Seção 1: O Retorno à Ilha e a Perda de Sexta-feira
Anos se passaram desde que Robinson Crusoe retornou à Inglaterra, rico e respeitado. No entanto, aos 61 anos, sua vida confortável é abalada pela morte de sua esposa e por uma crescente inquietação. A atração por sua ilha deserta, que agora abriga uma pequena colônia, torna-se irresistível. Impulsionado por um desejo inato de aventura e uma forte crença na Providência Divina, Crusoe decide embarcar em uma nova viagem. Ele organiza seus negócios, deixando a viúva de seu falecido capitão encarregada de suas finanças, e parte com seu leal e inseparável companheiro, Sexta-feira.
Após uma longa e perigosa travessia, eles finalmente chegam à ilha. Crusoe encontra a colônia em um estado misto: os espanhóis são trabalhadores e pios, mas os ex-amotinados ingleses são preguiçosos e criam discórdia. Os nativos convertidos por Crusoe e pelos espanhóis vivem em relativa paz. Crusoe intervém, estabelece regras para a convivência pacífica, distribui suprimentos e inspira os colonos a trabalhar juntos, promovendo a agricultura e a vida em comunidade. Ele passa algumas semanas organizando e fortalecendo o assentamento antes de sentir o chamado para continuar sua jornada.
Ao partir da ilha, o navio de Crusoe encontra uma canoa cheia de canibais. Em um trágico confronto, Sexta-feira é atingido por uma flecha e morre. A perda de seu amigo mais fiel e companheiro de tantos anos é um golpe devastador para Crusoe, que lamenta profundamente, mas continua sua viagem com uma nova determinação e um senso de solidão renovado.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Robinson Crusoe | Inglês, 61 anos, ex-náufrago, proprietário de terras e mercador. | Inquieto, aventureiro, devoto, melancólico, pragmático, com forte senso de providência divina e autoridade. |
| Sexta-feira | Nativo das Caraíbas, servo e amigo de Crusoe. | Leal, corajoso, inteligente, carinhoso, devoto cristão, companheiro inseparável. |
| A Viúva | Administradora dos bens de Crusoe na Inglaterra. | Confiável, competente, leal e prática. |
| Os Colonos (Espanhóis e Amotinados Ingleses) | Grupo de sobreviventes na ilha de Crusoe. Os espanhóis são disciplinados e religiosos; os amotinados são desordeiros e preguiçosos. | Variam de piedosos e trabalhadores a rebeldes e indolentes. |
Seção 2: Novas Viagens e Desventuras no Oriente
Após a traumática perda de Sexta-feira, Crusoe e seus companheiros de bordo continuam sua viagem. Eles navegam pelo Oceano Índico, enfrentando tempestades e outros perigos marítimos. Eventualmente, chegam à ilha de Madagascar. Ali, a tripulação de Crusoe se envolve em um incidente brutal: alguns marinheiros estupram mulheres nativas, provocando uma retaliação violenta por parte dos habitantes da ilha. O capitão e a maioria da tripulação desejam uma vingança sangrenta, mas Crusoe, horrorizado com a barbárie, recusa-se a participar do massacre proposto, argumentando contra a injustiça e a desumanidade. Apesar de sua oposição, a tripulação se amotina e realiza uma vingança terrível, matando muitos nativos.
Desiludida com o comportamento de seus companheiros, a tripulação decide depor o capitão. Crusoe, a contragosto, assume um papel de liderança para restaurar a ordem no navio, navegando em direção à Índia. Chegando à Baía de Bengala, na Índia, Crusoe decide vender seu navio, que agora está em mau estado, e investir em terras e comércio. Ele compra uma plantação e tenta estabelecer-se, mas sua natureza errante e o persistente desejo de retornar à Europa, combinado com a atração por novos empreendimentos, o levam a formar uma companhia de comerciantes e a comprar outro navio para navegar rumo à China.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Capitão do Navio | Marinheiro experiente e inicialmente amigo de Crusoe. | Competente, mas propenso a ceder à pressão e ao sentimento de vingança da tripulação. |
| Os Marinheiros | Homens da tripulação do navio de Crusoe. | Variam de rudes e brutais a supersticiosos e leais, dependendo da situação. |
Seção 3: Rumo à China e a Jornada Terrestre pela Sibéria
Crusoe e seus novos sócios navegam para a China, onde realizam trocas comerciais e acumulam grandes lucros. Em Nanquim, ele se maravilha com a grandiosidade e a complexidade da cultura chinesa, mas também reflete criticamente sobre certas crenças e costumes locais, comparando-os com os valores cristãos. A essa altura, o desejo de retornar à Europa torna-se premente. No entanto, a perspectiva de uma longa e perigosa viagem marítima de volta, infestada por piratas e tempestades, e o medo supersticioso de "dar a volta ao mundo" (ele havia partido para o oeste e agora estaria completando o círculo pelo leste, algo que ele via como um desafio à Providência Divina), o levam a uma decisão audaciosa.
Crusoe decide empreender uma rota terrestre através da vasta e desconhecida Tartária (que na época abrangia grande parte da Ásia Central e Sibéria). Ele e seus companheiros se juntam a uma grande caravana de mercadores russos, tártaros e outros viajantes. A jornada é extremamente árdua. Eles enfrentam o frio intenso, a escassez de alimentos e água, e a constante ameaça de ladrões e tribos nômades. Crusoe, com sua experiência de vida e sua astúcia, muitas vezes desempenha um papel crucial na organização da defesa da caravana contra os perigos do caminho.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Os Mercadores Chineses | Comerciantes nativos da China com quem Crusoe faz negócios. | Astutos, experientes nos mercados locais, pragmáticos. |
| Os Mercadores da Caravana | Comerciantes de diversas nacionalidades (russos, tártaros, asiáticos) que compõem a caravana. | Resilientes, experientes em viagens terrestres, alguns oportunistas, outros cautelosos e comunitários. |
Seção 4: A Travessia da Tartária e o Retorno à Europa
A caravana prossegue sua jornada épica e perigosa através da imensidão da Tartária. As paisagens são desoladas e as condições de vida são extremas. Crusoe observa as diversas culturas e os povos que encontra, notando suas crenças primitivas e costumes. A rotina da viagem é marcada não apenas pelos desafios físicos e as ameaças externas, mas também pela monotonia e pelo tédio das longas semanas de deslocamento.
Em um momento crítico, a caravana é atacada por um grande grupo de ladrões tártaros. Crusoe demonstra novamente sua coragem e habilidades de liderança, organizando a defesa da caravana de forma engenhosa. Com a ajuda de seus companheiros e a determinação dos mercadores, eles conseguem repelir os atacantes, embora com algumas perdas.
Finalmente, após mais de dezesseis meses de viagem terrestre, que cobriu vastas extensões da Ásia Central e da Rússia, Crusoe e seus companheiros chegam à cidade de Tobolsk, na Sibéria. Ali, eles são bem recebidos pelo governador russo local. Crusoe passa um tempo em Tobolsk, aprendendo sobre a vida na Sibéria e as condições dos exilados russos. A partir de Tobolsk, a jornada para a Europa torna-se um pouco menos árdua, mas ainda longa. Eles atravessam a Rússia europeia, chegando a Archangel (Arcanjo), um porto no Mar Branco, de onde finalmente conseguem embarcar em um navio de volta para a Inglaterra.
Seção 5: O Regresso à Inglaterra e o Fim das Aventuras
Após uma vida inteira de aventuras e perigos, Robinson Crusoe, agora um homem idoso e cansado, mas ainda rico e com sua sede de aventura finalmente saciada, chega de volta à Inglaterra. Ele reencontra a viúva de seu falecido capitão, que havia administrado fielmente seus bens e notícias, e descobre que seus investimentos e propriedades, tanto na ilha quanto no Brasil, prosperaram enormemente em sua ausência.
Crusoe reflete profundamente sobre sua vida extraordinária: as muitas viagens que empreendeu, os perigos que enfrentou em terra e mar, as perdas que sofreu (especialmente a de Sexta-feira), mas também as riquezas que acumulou e, acima de tudo, as experiências e lições que extraiu de cada jornada. O livro conclui com Crusoe, em seus setenta anos, aposentado de suas peregrinações, mas não de sua fé. Ele expressa sua profunda gratidão à Providência Divina por tê-lo guiado através de tantas adversidades e por tê-lo finalmente concedido paz e repouso. Ele reconhece que a inquietude que impulsionou sua alma por tantos anos encontrou, finalmente, a tranquilidade em sua pátria.
Gênero literário, autor, moraleja e curiosidades
Gênero Literário:
Romance de aventura, literatura de viagens, romance picaresco (com alguns elementos), romance colonial.
Dados do Autor:
- Nome completo: Daniel Defoe.
- Nascimento: Cerca de 1660, Londres, Inglaterra.
- Morte: 24 de abril de 1731, Londres, Inglaterra.
- Ocupação: Escritor, jornalista, panfletário, espião.
- Obras notáveis: Defoe é amplamente reconhecido como um dos fundadores do romance inglês. Suas obras mais célebres incluem 'Robinson Crusoe' (1719), 'As Ulteriores Aventuras de Robinson Crusoe' (1719), 'Memórias de um Cavalheiro' (1720), 'Moll Flanders' (1722), 'Um Diário do Ano da Peste' (1722) e 'Roxana' (1724).
- Estilo: Caracterizado por um realismo vívido, detalhes factuais e uma prosa direta, quase jornalística, que frequentemente dava às suas narrativas ficcionais a aparência de relatos verdadeiros. Ele explorava temas como resiliência, moralidade, autoajuda e a capacidade humana de adaptação.
A Moral do Livro:
- A Inquietude e a Busca Incessante: A principal moral é uma exploração da natureza errante e insatisfeita do ser humano. Mesmo após alcançar riqueza e conforto, Crusoe não encontra paz, sendo impulsionado a novas aventuras e perigos. O livro sugere que a verdadeira paz e satisfação podem não estar na busca incessante por riquezas ou experiências externas, mas sim na aceitação da providência e na moderação.
- Provvidência Divina: A fé inabalável de Crusoe e sua crença na providência divina são elementos centrais. Ele interpreta suas viagens, perigos e sucessos como manifestações da vontade de Deus, que o guia e o protege.
- Consequências das Ações Humanas: O livro ilustra as ramificações das ações, seja na violência em Madagascar ou nas complexas interações comerciais, mostrando como as escolhas individuais e coletivas moldam o destino.
- Dificuldade de Retorno: Uma moral implícita é que, uma vez que se abandona a vida "normal" por uma existência de aventura e exploração, é extremamente difícil retornar e se readaptar à tranquilidade da vida doméstica. O espírito aventureiro, uma vez despertado, é difícil de ser contido.
Curiosidades do Livro:
- Sequência Imediata: 'As Ulteriores Aventuras de Robinson Crusoe' foi publicado em agosto de 1719, apenas quatro meses após o sucesso estrondoso do original 'Robinson Crusoe' em abril do mesmo ano, evidenciando a enorme popularidade da primeira obra e a pressa de Defoe em capitalizar o entusiasmo do público.
- Escopo Geográfico Expandido: Embora menos lido e aclamado que o primeiro, este segundo volume expande dramaticamente o universo de Crusoe, levando-o a explorar regiões vastas e exóticas do mundo, como Madagascar, Índia, China e a Sibéria, conferindo à narrativa um escopo geográfico muito maior.
- Crítica Social e Política: Defoe utiliza as viagens de Crusoe como um veículo para comentar sobre a colonização, o comércio global, as diferenças culturais e, notavelmente, para criticar aspectos da sociedade russa da época, especialmente o sistema de exílio na Sibéria.
- Detalhes Geográficos sem Viagem: Apesar de Daniel Defoe nunca ter saído da Inglaterra, ele descreve com notável detalhe e realismo as terras distantes que Crusoe visita, baseando-se em mapas, relatos de viajantes contemporâneos e sua própria imaginação vívida.
- A Morte de Sexta-feira: A morte de Sexta-feira é um evento chocante e muitas vezes lamentado pelos leitores. Serve para enfatizar a solidão de Crusoe e sua contínua jornada, perdendo seu último elo direto com sua vida na ilha. Simboliza, em parte, a necessidade de Crusoe continuar sua jornada sem a figura de seu protetor e servo.
- O Terceiro Volume (Não Narrativo): Existe um terceiro volume intitulado "Serious Reflections During the Life and Surprising Adventures of Robinson Crusoe: With His Vision of the Angelick World" (1720), que não é uma continuação da narrativa de aventura, mas sim uma coleção de ensaios morais e religiosos, reflexões de Crusoe sobre suas experiências. É significativamente menos conhecido e lido do que os dois primeiros volumes.
