Le Bourgeois gentilhomme - Molière

Resumo

"Le Bourgeois gentilhomme" (O Burguês Fidalgo) é uma comédia-ballet de Molière, criada em 1670. A peça satiriza as pretensões sociais e a vaidade da burguesia francesa do século XVII, bem como a superficialidade da aristocracia. O protagonista, Monsieur Jourdain, é um rico burguês que sonha em ascender à nobreza e ser tratado como um fidalgo. Para isso, ele contrata diversos mestres (de música, dança, esgrima, filosofia) para lhe ensinar as "artes" da alta sociedade, tornando-se uma figura ridícula ao tentar imitar os costumes nobres. Sua esposa, Madame Jourdain, e a empregada Nicole, veem suas loucuras com bom senso e desgosto.

Monsieur Jourdain é manipulado pelo Conde Dorante, um nobre empobrecido que se aproveita de sua ingenuidade e dinheiro, e se apaixona por uma marquesa, Dorimène, a quem ele tenta impressionar com presentes e jantares, sempre custeados por ele mesmo, na ilusão de que ela está apaixonada por ele. Quando Jourdain se recusa a permitir que sua filha, Lucile, se case com Cléonte, um homem honesto, mas não nobre, Cléonte e seu criado Covielle, com a ajuda de Dorante, armam uma farsa engenhosa. Eles orquestram um elaborado ardil em que Cléonte se disfarça de filho do Grão-Turco, vindo para casar-se com Lucile e para tornar Monsieur Jourdain um "Mamamouchi", uma dignidade turca inventada. Jourdain, deslumbrado com a ideia de um genro nobre e de um título exótico, cai na armadilha, permitindo o casamento de Lucile com Cléonte e de Nicole com Covielle, e ainda abençoando o casamento de Dorante com Dorimène. A peça culmina em um ballet turco, zombando da obsessão de Jourdain por status e sua completa falta de discernimento.

Seções do livro

Seção 1: Ato I

O Ato I abre com Monsieur Jourdain em sua casa, observando seus mestres. Ele contrata um Mestre de Música e um Mestre de Dança, pois acredita que essas habilidades são essenciais para quem deseja ser um "homem de qualidade", ou seja, um nobre. Ele expressa sua frustração por não ter nascido fidalgo e seu desejo ardente de aprender todas as maneiras e artes da corte. Os mestres, por sua vez, o lisonjeiam e se aproveitam de sua ingenuidade para extrair dinheiro. Jourdain lhes mostra uma serenata que encomendou, mas que é considerada vulgar pelos mestres. Ele insiste em aprender a dançar e os mestres o ensinam passos básicos. A esposa de Jourdain, Madame Jourdain, e a criada Nicole, observam suas excentricidades com desprezo e desaprovação.

Personagem Características Personalidade
Monsieur Jourdain Rico burguês, pai de Lucile. Sonha em ser nobre. Vaidoso, ingênuo, pomposo, obcecado por status.
Mestre de Música Instrutor de música contratado por Jourdain. Artístico, bajulador, interesseiro.
Mestre de Dança Instrutor de dança contratado por Jourdain. Artístico, bajulador, interesseiro.
Madame Jourdain Esposa de Monsieur Jourdain, mãe de Lucile. Racional, prática, conservadora, com bom senso.
Nicole Criada dos Jourdain. Astuta, espirituosa, sarcástica, leal.

Seção 2: Ato II

O segundo ato introduz o Mestre de Esgrima e o Mestre de Filosofia. Jourdain está ansioso para aprender esgrima para defender sua honra (mesmo não tendo nenhuma nobreza para defender) e filosofia para falar "coisas profundas". Os mestres discutem entre si sobre a superioridade de suas respectivas artes, quase chegando a vias de fato, o que diverte Jourdain. O Mestre de Filosofia tenta ensinar Jourdain sobre lógica, moral e física, mas Jourdain está mais interessado em aprender a compor uma carta de amor para a marquesa Dorimène. O filósofo o ensina sobre as vogais e consoantes de forma pedante, o que Jourdain considera uma revelação incrível. Em seguida, entra o Mestre Alfaiate, que traz um novo traje para Jourdain. O alfaiate, com a ajuda de seus aprendizes, explora a vaidade de Jourdain, elogiando-o e roubando pequenos pedaços de tecido, enquanto Jourdain se deleita com as reverências dos aprendizes que o tratam como um fidalgo.

Personagem Características Personalidade
Mestre de Esgrima Instrutor de esgrima contratado por Jourdain. Arrogante, pedante, orgulhoso de sua arte.
Mestre de Filosofia Instrutor de filosofia contratado por Jourdain. Pedante, prolixo, teórico, desajeitado.
Mestre Alfaiate Alfaiate de Monsieur Jourdain. Astuto, bajulador, oportunista, ladrão.
Aprendiz de Alfaiate Ajudante do Mestre Alfaiate. Bajulador, aproveitador, submisso.

Seção 3: Ato III

Madame Jourdain e Nicole expressam sua exasperação com as loucuras de Monsieur Jourdain. Madame Jourdain se preocupa com o dinheiro que ele gasta e com o ridículo que ele passa. Cléonte, um jovem honesto e digno, chega para pedir a mão de Lucile, a filha de Jourdain, em casamento. Lucile e Cléonte estão apaixonados. No entanto, Monsieur Jourdain recusa-se categoricamente a dar sua filha a um homem que não é nobre, reafirmando sua ambição de ter um genro fidalgo. Cléonte fica desolado. Covielle, o criado de Cléonte, promete resolver a situação.

Enquanto isso, o Conde Dorante, um nobre empobrecido, chega para se encontrar com Jourdain. Dorante manipula Jourdain para que ele pague suas dívidas e lhe dê presentes para Dorimène, a quem Jourdain acredita estar cortejando, mas que na verdade Dorante está cortejando para si mesmo. Jourdain organiza um esplêndido jantar para Dorimène, que é totalmente pago por ele, embora Dorante finja que é seu. Madame Jourdain e Nicole flagram Jourdain, Dorante e Dorimène no jantar. Madame Jourdain, furiosa, expulsa a marquesa e seu marido da sala, expondo a manipulação. Dorante e Dorimène se retiram, e Jourdain tenta se explicar, mas sua esposa não lhe dá ouvidos.

Personagem Características Personalidade
Lucile Filha de Monsieur e Madame Jourdain. Jovem, apaixonada, sensata.
Cléonte Jovem cavalheiro, apaixonado por Lucile. Honesto, apaixonado, respeitável, não-nobre.
Covielle Criado de Cléonte. Também apaixonado por Nicole. Astuto, engenhoso, leal, prático.
Dorante Conde, nobre empobrecido, amigo de Jourdain. Manipulador, charmoso, oportunista, endividado.
Dorimène Marquesa, cortejada por Dorante e por Jourdain. Elegante, sofisticada, um pouco vaidosa, consciente de seu status.

Seção 4: Ato IV

Covielle, o criado de Cléonte, coloca em prática seu plano. Ele encontra Monsieur Jourdain e o convence de que o filho do Grão-Turco está chegando para se casar com Lucile. Para tornar o casamento possível, o Grão-Turco deseja honrar Jourdain com o título de "Mamamouchi" (uma palavra inventada por Molière, que significa "homem-macaco" ou "homem ridículo" em um dialeto turco inventado). Jourdain fica exultante com a ideia de ter um genro fidalgo turco e um título exótico.

Cléonte aparece disfarçado de filho do Grão-Turco, com um sotaque estranho e vestes exóticas. Dorante se junta à farsa, agindo como intérprete, reforçando a ideia de que Cléonte é um príncipe. Monsieur Jourdain é submetido a uma cerimônia ridícula e elaborada, um "ballet turco", onde é fantasiado com trajes extravagantes, recebe golpes simbólicos e é proclamado "Mamamouchi" por um grupo de turcos e dervixes (personagens disfarçados). Ele aceita a "dignidade" com grande orgulho e alegria, sem perceber o quão ridículo está. Lucile é inicialmente relutante, pois ela não reconhece Cléonte disfarçado, mas Covielle a informa sobre a farsa, e ela alegremente aceita o "príncipe turco".

Seção 5: Ato V

No último ato, Madame Jourdain chega e se recusa a aceitar o casamento de sua filha com um "turco", achando tudo uma loucura. Ela reconhece Cléonte apesar do disfarce, e está furiosa com as bobagens de seu marido. No entanto, Covielle revela a ela que tudo é uma farsa para satisfazer a vaidade de Monsieur Jourdain e permitir que Lucile se case com Cléonte. Madame Jourdain, vendo a sensatez do plano e que, afinal, é Cléonte quem irá casar com Lucile, concorda em participar.

Monsieur Jourdain, completamente alheio à manipulação, dá sua permissão para o casamento de Lucile com o "filho do Grão-Turco". Ele também, em sua generosidade e vaidade recém-adquirida como "Mamamouchi", permite o casamento de Nicole com Covielle (que ele acredita ser um "intérprete" importante) e dá permissão para o casamento de Dorante e Dorimène. Todos os casamentos são celebrados no final da peça, com Monsieur Jourdain feliz e orgulhoso de sua nova dignidade e de seus genros "nobres". O espetáculo termina com um ballet, consolidando a alegria de todos os personagens, exceto, talvez, a ignorância de Jourdain.


Gênero literário

  • Comédia-ballet: Este é o gênero específico em que Molière se destacou. Combina elementos de comédia teatral (com enredo, diálogos e personagens caricatos) com interlúdios de música e dança (ballets), frequentemente integrados à trama para realçar a atmosfera ou o humor.
  • Comédia de costumes: A peça satiriza os costumes e as pretensões sociais da burguesia e da nobreza da época.

Dados do autor

  • Nome completo: Jean-Baptiste Poquelin
  • Pseudônimo: Molière
  • Nascimento: 15 de janeiro de 1622, Paris, França
  • Morte: 17 de fevereiro de 1673, Paris, França
  • Nacionalidade: Francês
  • Ocupação: Dramaturgo, ator, diretor de teatro
  • Contexto Histórico: Viveu e trabalhou durante o reinado de Luís XIV, o Rei Sol, período conhecido como o Grande Século na França. Seus trabalhos frequentemente satirizavam a sociedade francesa da época, suas hipocrisias e pretensões, tanto da burguesia quanto da aristocracia.
  • Principais obras: Além de "Le Bourgeois gentilhomme", outras obras notáveis incluem "Tartuffe", "Le Misanthrope", "L'Avare", "Les Femmes savantes" e "Le Malade imaginaire".

Moral da história

A moral principal de "Le Bourgeois gentilhomme" é a crítica à vaidade, à pretensão social e à busca cega por um status que não corresponde à sua natureza ou posição. Molière ridiculariza a ideia de que a nobreza pode ser comprada ou aprendida, e que a verdadeira dignidade reside na honestidade e no bom senso, e não em títulos ou aparências. A peça também mostra como a ingenuidade pode levar à manipulação e ao ridículo, e como a inteligência e a criatividade (representadas por Covielle e Cléonte) podem superar obstáculos impostos pela rigidez social. Em essência, a peça nos lembra que devemos aceitar quem somos e valorizar as qualidades intrínsecas, em vez de buscar reconhecimento externo de forma artificial.

Curiosidades do livro

  • Encomenda Real: "Le Bourgeois gentilhomme" foi encomendada por Luís XIV após a decepção com uma embaixada turca que ele considerou inadequada. O rei queria uma peça que ridicularizasse os turcos, mas Molière, com sua genialidade, acabou por satirizar mais a pretensão francesa (Monsieur Jourdain) do que os próprios turcos.
  • Colaboração: A música para a peça foi composta por Jean-Baptiste Lully, um dos maiores compositores do período barroco francês e colaborador frequente de Molière. As cenas de ballet e a música são parte integrante da narrativa.
  • Criação de Palavras: Molière inventou a palavra "Mamamouchi" para o título turco dado a Jourdain. Essa palavra se tornou um símbolo do ridículo e da pretensão vazia.
  • Inspiração: A peça é um exemplo clássico da sátira de costumes e da comédia de caráter, onde um personagem central (Jourdain) encarna um vício ou uma obsessão que é explorada para fins cômicos.
  • Sucesso Duradouro: A peça foi um sucesso instantâneo e continua sendo uma das obras mais populares de Molière, encenada e adaptada em todo o mundo, provando a atemporalidade de sua crítica à vaidade humana.
  • A "Aula" de Filosofia: A cena em que o Mestre de Filosofia ensina Jourdain sobre vogais e consoantes é uma das mais famosas e hilárias da peça, destacando a superficialidade do aprendizado de Jourdain e a pedanteria do mestre.