L'École des femmes - Molière

Resumo

'L'École des femmes' de Molière narra a história de Arnolphe, um homem de meia-idade rico e cínico que, temendo ser enganado por uma mulher inteligente, decide casar-se com Agnès, uma jovem que ele criou desde a infância em total isolamento e ignorância. Seu objetivo é garantir uma esposa fiel e submissa, acreditando que a falta de inteligência é a chave para a virtude feminina. No entanto, seus planos são drasticamente alterados quando Agnès se apaixona por Horace, um jovem elegante e espirituoso. Sem saber da ligação entre Arnolphe e Agnès, Horace confia a Arnolphe todos os detalhes de seu romance, pedindo conselhos e revelando seus estratagemas. Arnolphe, atormentado e humilhado, tenta a todo custo separar os amantes e acelerar seu casamento com Agnès, mas a pureza, o amor sincero e a ingenuidade astuta de Agnès e Horace acabam por subverter toda a sua manipulação. A peça culmina com a revelação da verdadeira origem de Agnès, permitindo o casamento dos jovens amantes e deixando Arnolphe em desespero e ridículo.

Seções do livro

Personagem Características Personalidade
Arnolphe Homem rico e de meia-idade, assume o nome de Monsieur de La Souche. É o guardião de Agnès. Cínico, controlador, misógino, arrogante, obsessivo. Acredita que a inteligência feminina é um perigo e busca dominar sua esposa.
Agnès Jovem criada por Arnolphe desde a infância em um convento, depois em uma casa isolada. Ingênua, inocente, pura, sincera, mas com um espírito independente e uma capacidade de amar que subverte a educação de Arnolphe.
Horace Jovem elegante, filho de Oronte e amigo de Valère. Apaixonado, um pouco ingênuo, charmoso, espirituoso, impulsivo.
Chrysalde Amigo de Arnolphe. Razoável, pragmático, sensato, serve como voz da razão e contraponto às ideias de Arnolphe.
Oronte Pai de Horace, amigo de Arnolphe e Chrysalde. Um tanto autoritário, mas no final, disposto a aceitar a felicidade do filho.
Alain Criado de Arnolphe. Simples, leal a Arnolphe, mas facilmente confundido.
Georgette Criada de Arnolphe. Simples, leal a Arnolphe, mas facilmente confundida.
Enrique Cunhado de Chrysalde. Figura crucial no desenrolar final, pai biológico de Agnès.

Seção 1 (Ato I)

Resumo da história:

A peça começa com Arnolphe revelando a seu amigo Chrysalde seu plano de vida. Arnolphe, traumatizado por traições passadas e com um desprezo profundo pela inteligência feminina, está determinado a ter uma esposa que seja totalmente ignorante e submissa. Para isso, ele criou Agnès desde os quatro anos de idade em um convento e, mais tarde, em uma casa isolada sob vigilância constante de seus criados, Alain e Georgette, privando-a de qualquer educação além de tarefas domésticas e orações. Agora, com Agnès com dezessete anos, Arnolphe planeja se casar com ela, certo de que sua ignorância garantirá sua fidelidade. Chrysalde tenta argumentar contra essa abordagem, defendendo que a verdadeira fidelidade vem do mérito e do amor, não da ignorância forçada, e que o plano de Arnolphe é ridículo e perigoso.

De repente, Horace, um jovem que acabou de retornar de uma viagem e filho de Oronte (amigo de longa data de Arnolphe e Chrysalde), encontra-se com eles. Sem saber que Arnolphe é o guardião de Agnès, Horace, entusiasmado, confia-lhe que se apaixonou perdidamente por uma jovem encantadora que ele viu na igreja e que está sob a guarda de um homem muito ciumento. Horace descreve seus primeiros encontros com Agnès e seus planos para cortejá-la, pedindo conselhos a Arnolphe. Arnolphe fica chocado ao perceber que a jovem de quem Horace fala é Agnès, sua futura noiva, e que seus planos cuidadosamente elaborados já estão em perigo. Ele finge interesse e curiosidade para arrancar mais informações de Horace, enquanto por dentro, fervilha de raiva e desespero.

Seção 2 (Ato II)

Resumo da história:

Arnolphe retorna à sua casa, furioso com a ousadia de Horace e a ingenuidade de Agnès. Ele repreende Alain e Georgette por não terem sido vigilantes o suficiente, permitindo que Horace se aproximasse de Agnès. Ele os instrui a serem mais rigorosos e a não permitir que Agnès tenha contato com o mundo exterior. Arnolphe então interroga Agnès, tentando fazê-la confessar sua paixão por Horace. Agnès, em sua simplicidade e pureza, não compreende a gravidade da situação. Em vez de esconder seus sentimentos, ela os descreve com uma franqueza comovente, confessando que as visitas de Horace a fizeram sentir coisas novas e agradáveis. Ela entrega a Arnolphe uma carta que Horace lhe deu, na qual o jovem expressa seu amor.

Arnolphe, ao ler a carta, percebe que a paixão de Horace é genuína e que Agnès, apesar de sua inocência, é capaz de sentimentos profundos. Ele tenta amedrontá-la com as consequências de sua "indecência" e tenta convencê-la de que Horace é um homem perigoso e que ela deve evitá-lo. Ele a instrui sobre como se comportar no futuro, proibindo-a de se comunicar com Horace. No entanto, a ingenuidade de Agnès é tal que ela confunde as proibições de Arnolphe com a vontade de Deus, mas ainda assim mantém seu afeto por Horace. Arnolphe decide que o casamento deve acontecer o mais rápido possível para evitar maiores complicações.

Seção 3 (Ato III)

Resumo da história:

Arnolphe leva Agnès para a cidade, decidido a acelerar os preparativos para o casamento e a incutir nela as "máximas" de como uma esposa deve se comportar. Ele tenta educá-la, lendo-lhe um ridículo e misógino "Manual do Casamento" que ele mesmo escreveu, com regras absurdas sobre a submissão feminina e a insignificância de sua vontade. Agnès escuta, mas não parece absorver a lição como Arnolphe esperava.

Para a surpresa e desespero de Arnolphe, Horace aparece novamente. Sem saber da verdadeira identidade de Arnolphe (que ele ainda conhece apenas como "Monsieur de La Souche" ou "o amigo de meu pai"), Horace confidencia que o ciumento guardião de Agnès a havia levado para a cidade. No entanto, Horace revela que não desistiu e, em um ato ousado, jogou uma pedra com uma carta amarrada pela janela de Agnès, e ela respondeu lançando outra pedra com sua própria carta. Arnolphe, chocado ao saber que Agnès está se comunicando com Horace por trás de suas costas, mal consegue conter sua fúria. Ele tenta dissuadir Horace, inventando desculpas e dizendo que o guardião não permitiria tal romance, mas Horace, confiante, continua a descrever seus progressos e a pedir os conselhos de Arnolphe, que se vê em uma situação cada vez mais humilhante e irônica.

Seção 4 (Ato IV)

Resumo da história:

Arnolphe, desesperado e sentindo-se encurralado, tenta um plano mais drástico. Ele instrui seus criados, Alain e Georgette, a emboscar Horace, agredi-lo fisicamente e espancá-lo para afastá-lo definitivamente de Agnès. O plano é executado, e Horace é de fato surrado.

Mais uma vez, Horace se encontra com Arnolphe. Completamente alheio à participação de Arnolphe no ataque, Horace relata a Arnolphe o espancamento que sofreu. No entanto, ele também revela que Agnès, ao ver sua situação, mostrou grande compaixão. Ela o ajudou a se levantar, cuidou de suas feridas e, surpreendentemente para Arnolphe, até lhe deu uma bolsa com dinheiro de Arnolphe que ela havia roubado, tudo para que ele pudesse fugir e se recuperar. Esta revelação é um golpe devastador para Arnolphe. Ele percebe que Agnès, apesar de sua educação limitada, desenvolveu uma astúcia e uma capacidade de ação que ele nunca esperava, e que seu amor por Horace é mais forte do que qualquer uma de suas proibições. Arnolphe tenta confrontar Agnès novamente, mas ela, com sua franqueza inabalável, afirma seu amor por Horace e sua disposição de se casar com ele, deixando Arnolphe ainda mais frustrado e perplexo com a pureza e a força de sua determinação.

Seção 5 (Ato V)

Resumo da história:

O desenlace da peça se precipita com a chegada de Oronte, pai de Horace, à cidade. Ele informa Arnolphe sobre seu plano de casar Horace com a filha de seu amigo Enrique, que é também o cunhado de Chrysalde. Arnolphe vê nisso uma oportunidade para se livrar de Horace e finalmente casar-se com Agnès. Ele tenta convencer Oronte a levar Horace embora, reforçando a ideia de que o jovem é inadequado e imprudente.

No entanto, o destino intervém de forma inesperada. Enrique chega, e uma série de revelações chocantes acontece. Descobre-se que Agnès é, na verdade, a filha perdida de Enrique (e, portanto, irmã de Chrysalde), que havia sido confiada a Arnolphe para ser criada quando era criança por causa de dificuldades financeiras da família. Essa reviravolta remove todos os obstáculos para o casamento de Horace e Agnès. Com Agnès revelada como sendo de boa família e com a aprovação dos pais (Oronte e Enrique), o casamento dos jovens amantes é inevitável. Arnolphe é deixado sozinho, humilhado, frustrado e completamente derrotado, com todos os seus planos e sua filosofia de vida desmoronados ao seu redor. A peça termina com a celebração da união de Horace e Agnès.

Informações Adicionais

  • Gênero literário: Comédia em cinco atos, escrita em versos alexandrinos. É uma comédia de costumes e de caráter, com elementos de farsa e sátira social.

  • Dados do autor:

    • Nome completo: Jean-Baptiste Poquelin (conhecido como Molière).
    • Nascimento: Batizado em 15 de janeiro de 1622 em Paris, França.
    • Morte: 17 de fevereiro de 1673 em Paris, França.
    • Ocupação: Foi um dramaturgo, ator e diretor de teatro francês, considerado um dos maiores mestres da comédia na literatura ocidental.
    • Contexto: Molière viveu e trabalhou durante o reinado de Luís XIV, o "Rei Sol", beneficiando-se do patrocínio real. Ele fundou e dirigiu sua própria companhia de teatro, o "Illustre Théâtre".
    • Outras obras notáveis: 'Le Misanthrope' (O Misantropo), 'Tartuffe', 'Le Bourgeois gentilhomme' (O Burguês Fidalgo), 'Don Juan' e 'Le Malade imaginaire' (O Doente Imaginário) são algumas de suas peças mais famosas.
  • Moral da história:

    • A peça é uma crítica contundente à tirania e ao controle excessivo nas relações humanas e na educação. Molière demonstra que a verdadeira fidelidade e o amor não podem ser impostos pela ignorância ou pela força, mas devem florescer da liberdade e do entendimento mútuo.
    • Ele satiriza a arrogância masculina e o medo da inteligência feminina, mostrando a futilidade e o ridículo de tentar moldar uma pessoa à própria vontade, especialmente através da privação de conhecimento.
    • Sugere que a ignorância não garante a virtude, mas pode levar a comportamentos inesperados e, paradoxalmente, a uma forma de astúcia ingênua que desestabiliza o opressor.
    • A peça defende a importância da inteligência, da razão e da liberdade de escolha na formação de um indivíduo e na construção de relacionamentos saudáveis e felizes.
  • Curiosidades do livro:

    • Escândalo e Querela: Após sua estreia em 1662, 'L'École des femmes' gerou um enorme escândalo na sociedade parisiense e na corte. Molière foi acusado de imoralidade, irreverência religiosa e plágio. Essa controvérsia, conhecida como a "Querela da Escola das Mulheres", levou Molière a escrever outra peça, 'La Critique de l'École des femmes', na qual ele se defendia e satirizava seus críticos.
    • Inovação na Caracterização: A personagem de Agnès foi inovadora para a época. Apesar de sua educação limitada, ela não é uma tola; ela demonstra uma inteligência emocional, uma pureza de coração e uma capacidade de amar que subvertem as expectativas e os planos de Arnolphe, mostrando uma força interior surpreendente.
    • Crítica Social Afiada: A peça é um espelho da sociedade francesa do século XVII, criticando as convenções matrimoniais, a educação feminina restritiva e a mentalidade patriarcal que desejava submeter a mulher.
    • Elemento Autobiográfico: Alguns estudiosos sugerem que a peça pode conter elementos autobiográficos, refletindo talvez as complexidades do próprio casamento de Molière com Armande Béjart, que era significativamente mais jovem do que ele.
    • Linguagem e Estilo: Molière utiliza o verso alexandrino com maestria, criando diálogos brilhantes e monólogos expressivos que revelam a psicologia dos personagens e a ironia da situação.