O Velho da Morte - Walter Scott
Resumo "Old Mortality" (1816) de Sir Walter Scott é um romance histórico ambientado na Escócia durante a Insurreição Covenanter de 1679. A ...
Resumo
"Old Mortality" (1816) de Sir Walter Scott é um romance histórico ambientado na Escócia durante a Insurreição Covenanter de 1679. A história começa com Henry Morton, um jovem moderado de tendências Covenanters, que se vê envolvido nos conflitos religiosos e políticos entre os Covenanters Presbiterianos e as forças leais à Coroa e à Igreja Episcopal. Após acolher um Covenanter procurado, John Balfour de Burley, Morton é preso e condenado à morte. Ele é resgatado por John Grahame de Claverhouse, um líder monarquista, e, posteriormente, junta-se aos Covenanters, tornando-se um de seus líderes militares. Ele se apaixona por sua prima, Edith Bellenden, que está prometida ao lealista Lord Evandale. Morton tenta moderar a facção extremista dos Covenanters, mas falha, resultando na Batalha de Bothwell Bridge, onde os Covenanters são derrotados. Morton é forçado ao exílio. Anos depois, ele retorna à Escócia, encontrando o país mudado, e descobre que Burley ainda está vivo e tramando. Ele confronta Burley e, após um último conflito, finalmente resolve os mal-entendidos com Edith e Lord Evandale, embora a história termine com um tom agridoce, refletindo os custos da guerra civil e a complexidade das lealdades. O romance explora temas de extremismo religioso, lealdade, honra e o impacto devastador do conflito nas vidas individuais.
Seções do livro
Seção 1
A história começa em 1679, com a descrição do povoado de Milnwood e seus arredores, onde vive o jovem Henry Morton. Morton é um estudante com um espírito mais liberal e pensativo do que os Covenanters rigorosos de sua vizinhança. Ele se destaca por sua educação e caráter moderado, sendo admirado por muitos, incluindo sua prima Edith Bellenden. Em uma feira local, onde há uma competição de pontaria, Morton se destaca. A paz é interrompida pela chegada de dragões do rei, liderados pelo sargento Bothwell, que estão caçando Covenanters, especialmente John Balfour de Burley, um Covenanter notório e ferozmente convicto. Morton, após a feira, encontra Burley ferido e o abriga em sua casa por uma noite, por um senso de honra e hospitalidade, apesar de discordar de seu fanatismo. A ação de Morton é testemunhada por Cuddie Headrigg, um servo de Morton, e sua mãe, Mause Headrigg, uma Covenanter devota. No dia seguinte, Bothwell e seus dragões invadem a casa de Morton, suspeitando que ele tenha abrigado Burley. Morton é preso, acusado de traição e de auxiliar um rebelde, e levado para ser julgado.
| Personagem | Característica | Personalidade |
|---|---|---|
| Henry Morton | Jovem educado, de boa família, com opiniões moderadas e liberais. | Idealista, honrado, corajoso, sensível à justiça, mas inicialmente neutro em termos de conflito religioso/político. |
| Edith Bellenden | Bela e nobre jovem, prima de Morton, herdeira da família Bellenden. | Elegante, virtuosa, leal, inteligente, com um coração sensível e um forte senso de dever familiar. |
| John Balfour de Burley | Covenanter fanático, militar experiente, procurado pelas autoridades reais após o assassinato do arcebispo Sharp. | Violento, implacável, religioso extremista, convicto de que age pela vontade divina, sem misericórdia para oponentes. |
| Cuddie Headrigg | Servo de Morton, filho de Mause. | Simples, pragmático, leal a Morton, com um senso de humor rústico, frequentemente ingênuo mas com bom coração. |
| Mause Headrigg | Mãe de Cuddie, camponesa. | Fanática Covenanter, severa, religiosa extrema, obstinada em suas crenças presbiterianas. |
| Lady Margaret Bellenden | Avó de Edith, matriarca da família Bellenden, dona do Castelo de Tillietudlem. | Orgulhosa, teimosa, devota lealista à Coroa e à Igreja Episcopal, preocupada com a dignidade e a honra de sua linhagem. |
| Sargento Bothwell | Oficial dos dragões do rei. | Brutal, violento, alcoólatra, desonesto, representa a opressão e a crueldade das forças reais. |
Seção 2
Morton é levado perante John Grahame de Claverhouse, um carismático e implacável líder das forças leais ao rei, conhecido por sua eficiência e severidade contra os Covenanters. Embora Morton esteja condenado à morte, Claverhouse é impressionado pela compostura e inteligência do jovem. Ao mesmo tempo, ele recebe ordens de atacar um grande grupo de Covenanters reunidos em Drumclog. Durante a marcha, eles encontram os Covenanters, que incluem Burley e outros líderes religiosos e militares. Na Batalha de Drumclog, os Covenanters, surpreendentemente, conseguem uma vitória significativa sobre as tropas do rei. Burley, vendo Morton preso, o liberta e o convence, juntamente com outros Covenanters, a se juntar à causa. Morton, sentindo-se sem outra opção e vendo a injustiça do lado real, concorda, embora com relutância, dadas suas tendências moderadas e sua repulsa pelo fanatismo de Burley. Ele rapidamente ascende a uma posição de liderança devido à sua educação e habilidades militares.
| Personagem | Característica | Personalidade |
|---|---|---|
| John Grahame de Claverhouse (Claverhouse) | Líder militar das forças reais, conhecido por sua bravura e crueldade. | Carismático, estrategista brilhante, implacável com os inimigos da Coroa, mas com um código de honra pessoal complexo. |
| Major Bellenden | Tio de Edith, irmão de Lady Margaret, militar lealista aposentado, defende o Castelo de Tillietudlem. | Honrado, valente, dedicado à família e ao rei, apesar de sua idade, assume a defesa de sua propriedade. |
| Lord Evandale | Jovem nobre lealista, prometido de Edith Bellenden, oficial sob Claverhouse. | Cavalheiro, corajoso, honrado, leal à Coroa e à Igreja Episcopal, profundamente apaixonado por Edith. |
| Niel Blane | Dono da estalagem do "Burro e o Barril", local de encontro. | Neutro, astuto, pragmático, observador, sempre buscando evitar problemas e servir a todos, independentemente de suas lealdades. |
Seção 3
Após a vitória em Drumclog, os Covenanters ganham impulso e estabelecem um acampamento, mas logo começam a surgir divisões internas. A facção mais extremista, liderada por figuras como Burley, e os pregadores Macbriar e Kettledrummle, insiste em uma guerra santa e na eliminação total dos oponentes, aplicando o Antigo Testamento de forma literal e severa. Morton, por outro lado, tenta impor disciplina militar, moderação e humanidade nas ações dos Covenanters, defendendo a causa com princípios mais racionais e menos fanáticos. Suas tentativas de conciliação e de evitar atrocidades são muitas vezes frustradas pelo fervor religioso e pela intransigência dos extremistas. Ele é visto com desconfiança por alguns Covenanters por sua moderação e educação "secular". Enquanto isso, o acampamento Covenanter se torna um centro de fervor religioso e debates teológicos, mas também de desorganização e falta de unidade estratégica, à medida que a força militar real, liderada por Claverhouse e mais tarde pelo General Dalzell, se prepara para retaliar.
| Personagem | Característica | Personalidade |
|---|---|---|
| Pai Macbriar | Pregador Covenanter, líder da facção mais fanática. | Dogmático, severo, carismático, prega o extremismo religioso e a total aniquilação dos "infiéis" pela espada divina. |
| Pai Kettledrummle | Outro pregador Covenanter, igualmente extremista. | Fanático, com um estilo de pregação veemente e apocalíptico, contribui para a polarização dentro do movimento Covenanter. |
| General Dalzell | Veterano militar real, enviado para esmagar a rebelião Covenanter. | Experiente, rigoroso, brutal em sua execução de ordens, sem misericórdia para os rebeldes, representa a linha-dura do rei. |
| Habakkuk Mucklewrath | Um dos muitos Covenanters comuns, mas com um certo grau de influência entre os mais radicais devido ao seu fervor. | Zeloso, desconfiado de qualquer moderação, representa a voz do Covenanter comum, facilmente influenciado por pregadores. |
Seção 4
Os Covenanters, sob a liderança dividida, decidem sitiar o Castelo de Tillietudlem, o lar de Lady Margaret Bellenden e Edith, que se tornou um bastião lealista defendido pelo Major Bellenden. Durante o cerco, Morton se encontra em uma posição difícil. Ele ainda nutre sentimentos por Edith e se sente moralmente dividido entre seu dever para com a causa Covenanter e sua relutância em prejudicar sua família e amigos. Em um momento crucial, Lord Evandale, o noivo de Edith e um oficial real, é capturado pelos Covenanters. Morton intervém e usa sua influência para salvar Evandale da execução sumária, permitindo que ele escape, o que causa ainda mais atrito com os extremistas. Edith, testemunhando a intervenção de Morton, fica dividida entre sua lealdade familiar e um crescente sentimento de apreço por Morton, que demonstrou humanidade em um momento de barbárie. O cerco termina com a retirada dos Covenanters, não por vitória militar, mas por sua própria desunião e pela chegada de reforços reais.
Seção 5
A insurreição Covenanter culmina na Batalha de Bothwell Bridge. Apesar das tentativas de Morton de organizar e disciplinar as forças Covenanters, a divisão entre os moderados (como Morton) e os extremistas (liderados por Burley e os pregadores) é fatal. Os extremistas se recusam a negociar com as forças reais ou a aceitar quaisquer termos que não sejam a total supremacia de sua fé. Eles perdem tempo com debates teológicos e disputas internas, enquanto as tropas reais, sob o comando de Claverhouse e Dalzell, se preparam metodicamente para o ataque. Na batalha, a falta de disciplina, a desunião e a inferioridade tática dos Covenanters resultam em uma derrota esmagadora. Milhares são mortos ou capturados. Burley desaparece em meio à confusão. Morton, após lutar bravamente e testemunhar a carnificina, é forçado a fugir. Ele é novamente procurado, agora como um líder rebelde, e para salvar sua vida e evitar mais retribuições, ele é exilado do país, separando-se de Edith e de tudo que conhece.
Seção 6
Após dez anos de exílio, Henry Morton retorna à Escócia. O país mudou drasticamente; a perseguição aos Covenanters diminuiu, e a situação política é mais estável. Ele encontra Edith, agora viúva de Lord Evandale, que havia morrido heroicamente em combate na Irlanda, mantendo sua honra até o fim. Morton, tendo vivido e lutado no exterior, adquiriu uma perspectiva mais ampla e é um homem mais experiente. Ele descobre que Burley ainda está vivo e escondido em uma caverna, completamente transformado pela reclusão e pelo fanatismo, quase insano. Burley tenta arrastar Morton para uma nova trama de vingança, mas Morton recusa, tendo se desiludido com o extremismo. Há um confronto final onde Morton é forçado a lutar contra Burley, que o ataca em sua loucura. Burley finalmente encontra seu fim. Com a morte de Burley e a resolução de antigas animosidades, Morton e Edith conseguem finalmente superar os obstáculos que os separaram. Eles se casam, reconstruindo suas vidas a partir das ruínas deixadas pela guerra civil, mas a história termina com um tom de melancolia, refletindo as cicatrizes permanentes que o conflito deixou em suas vidas e no espírito da nação.
Gênero Literário: Romance histórico
Dados do Autor:
Sir Walter Scott (1771–1832) foi um romancista, poeta, dramaturgo e historiador escocês. Ele é frequentemente considerado o inventor do romance histórico. Sua obra é caracterizada por uma profunda imersão na história escocesa e europeia, misturando fatos históricos com ficção romântica e aventuras. Scott tinha um talento notável para descrever paisagens, costumes e dialetos locais, bem como para criar personagens memoráveis. Além de "Old Mortality", algumas de suas obras mais famosas incluem "Ivanhoé", "Rob Roy" e "Waverley". Ele foi um escritor extremamente popular em sua época e sua influência na literatura mundial foi imensa, moldando o gênero do romance histórico por gerações.
Moral da História:
A moral central de "Old Mortality" reside na condenação do extremismo e do fanatismo, tanto religioso quanto político. O romance ilustra como a intransigência de ambos os lados (os Covenanters fanáticos e as forças reais repressivas) leva à tragédia, à destruição e ao sofrimento individual e coletivo. A moderação de Henry Morton, embora muitas vezes impopular e frustrada, é apresentada como a única via para a justiça e a paz duradoura. A história também explora a complexidade da lealdade, a dificuldade de fazer escolhas morais em tempos de conflito e o custo humano da guerra civil, mostrando que, no fim, ideologias extremas sacrificam a humanidade e a razão.
Curiosidades do Livro:
- Pseudônimo: "Old Mortality" foi originalmente publicado como parte da série "Tales of My Landlord", sob o pseudônimo de Jedediah Cleishbotham. Scott usava pseudônimos para manter em segredo sua prolífica produção e evitar que seus leitores se cansassem de seu nome.
- A "Velha Mortalidade": O título do livro se refere a um personagem real (ou pelo menos baseado em um), Robert Paterson, um pedreiro que no final do século XVIII dedicou grande parte de sua vida a viajar pela Escócia, restaurando e esculpindo epitáfios nas lápides dos Covenanters martirizados. Ele é o narrador do quadro que enquadra a história principal.
- Contexto Histórico: O romance é ambientado durante um período real de intensa perseguição religiosa na Escócia, conhecido como "Os Tempos de Matança" (Killing Times), que se estendeu de 1679 a 1688. Scott pesquisou extensivamente os eventos e personagens históricos, incorporando-os habilmente na sua ficção.
- Realismo e Neutralidade: Scott se esforça para apresentar ambos os lados do conflito — Covenanters e Lealistas — com um grau de realismo e complexidade, evitando demonizar um lado completamente e glorificar o outro. Ele explora as motivações e falhas de cada facção, o que era inovador para a época.
- Controvérsia: A representação dos Covenanters no livro gerou alguma controvérsia na época de sua publicação, pois muitos ainda os viam como heróis religiosos. Críticos Covenanters argumentaram que Scott foi injusto em sua representação de seu fanatismo.
- Influência: "Old Mortality" é considerado um dos maiores exemplos do romance histórico e teve uma influência duradoura em escritores posteriores, como Honoré de Balzac e Victor Hugo, que também exploraram eventos históricos em suas obras.
