Paraíso Reconquistado - John Milton
Resumo 'Paradise Regained' (Paraíso Reconquistado) de John Milton é uma epopeia em quatro livros que serve como uma sequência de 'Paradise ...
Resumo
'Paradise Regained' (Paraíso Reconquistado) de John Milton é uma epopeia em quatro livros que serve como uma sequência de 'Paradise Lost'. O poema narra a tentação de Jesus Cristo por Satanás no deserto, um evento bíblico ocorrido após o batismo de Jesus. Em vez de focar na vasta escala cósmica de seu predecessor, 'Paradise Regained' concentra-se na batalha psicológica e espiritual de Jesus contra as astúcias de Satanás. O Diabo tenta Jesus com ofertas de prazeres sensoriais, riqueza material, glória mundana através de impérios e poder político, e sabedoria filosófica. Jesus, através de sua fé inabalável, conhecimento das escrituras e humildade, rejeita todas as tentações, provando sua divindade e superando o inimigo que havia corrompido a humanidade. O poema culmina com a vitória de Jesus na tentação final no pináculo do Templo, simbolizando a reconquista da esperança para a humanidade e o prelúdio de sua missão redentora.
Seções do livro
Seção 1
Após seu batismo por João Batista no rio Jordão, Jesus é levado pelo Espírito Santo para o deserto da Judeia, a fim de jejuar e meditar sobre sua missão divina. Satanás, ao observar esse evento e reconhecer Jesus como o Filho de Deus, convoca um concílio de seus demônios. Eles discutem como podem derrubar ou desviar Jesus de seu propósito, lembrando-se de como tentaram Adão e Eva com sucesso. Satanás decide assumir a tarefa ele mesmo e se aproxima de Jesus disfarçado de um velho, com uma aparência humilde e supostamente piedosa.
Satanás, em seu disfarce, questiona a divindade de Jesus, que havia jejuado por quarenta dias e quarenta noites e estava faminto. Ele sugere que, se Jesus fosse realmente o Filho de Deus, poderia facilmente transformar as pedras do deserto em pão para saciar sua fome. Jesus, no entanto, recusa-se a usar seus poderes divinos para satisfazer uma necessidade pessoal e imediata, citando as escrituras: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus." Jesus permanece firme e sereno, frustrando a primeira investida de Satanás.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Jesus Cristo | Filho de Deus, messias, sábio, resistente, humilde, com fome física. | Sereno, inabalável, focado em sua missão espiritual, conhece profundamente as escrituras. |
| Satanás | Anjo caído, príncipe das trevas, mestre do engano, disfarçado de velho, astuto. | Orgulhoso, persistente, invejoso, cínico, calculista, determinado a frustrar o plano divino. |
| Anjos | Seres celestiais, mensageiros de Deus, testemunhas da divindade de Jesus. | Obedientes a Deus, louvam a Jesus, representam a aprovação divina. |
| Demônios | Anjos caídos, seguidores de Satanás, conselheiros no inferno. | Malignos, conspiradores, servem aos propósitos de Satanás, mas também o temem e são subordinados a ele. |
Seção 2
Satanás, frustrado pelo fracasso de sua primeira tentação, retorna aos seus companheiros demônios e relata sua experiência. Belial, um dos demônios, sugere que eles deveriam tentar Jesus com prazeres sensuais e mulheres, pois essa foi uma tática eficaz contra muitos heróis. Satanás, porém, rejeita essa ideia, argumentando que Jesus, sendo de natureza divina e pura, não seria suscetível a tais tentações. Ele percebe que Jesus busca um reino de natureza diferente do que os homens comumente buscam.
Com uma nova estratégia, Satanás retorna a Jesus e oferece-lhe riqueza e glória mundana. Ele conjura uma visão de um banquete suntuoso e de palácios luxuosos, tentando-o com o conforto material e o poder que advém da riqueza. Jesus desdenha tais ofertas, afirmando que a verdadeira riqueza não está nas posses terrenas, mas na virtude e na fé. Satanás então o tenta com a glória de impérios e poder militar. Ele apresenta visões do Império Parta e do Império Romano, sugerindo que Jesus poderia se tornar um poderoso governante e libertar Israel do jugo romano imediatamente, tomando seu reino pela força. Jesus, no entanto, reitera que seu reino não é deste mundo e que sua glória não será alcançada por meios mundanos, mas espirituais, através do sofrimento e da redenção. Ele permanece calmo e firme em sua convicção de que sua missão não é política ou militar.
Seção 3
Satanás, ainda sem desistir, persiste em suas tentações, agora focando em meios mais "nobres" de glória. Ele leva Jesus a um ponto elevado e lhe mostra as grandes cidades e centros de aprendizado do mundo antigo. Ele tenta Jesus com o conhecimento e a sabedoria da Grécia e de Roma, oferecendo-lhe a oportunidade de se tornar um grande sábio, orador e líder intelectual, para influenciar o mundo através do intelecto e da retórica. Satanás sugere que Jesus poderia superar os filósofos e poetas gregos e romanos em eloquência e profundidade.
Jesus, novamente, rejeita a tentação. Ele argumenta que a sabedoria humana e a filosofia são imperfeitas e inferiores à sabedoria divina revelada nas escrituras. Ele afirma que a verdade e a virtude são superiores à erudição secular e que o verdadeiro conhecimento vem de Deus, não dos livros dos pagãos.
Ainda em sua frustração, Satanás então tenta Jesus com a glória de reinos e poder novamente, mas de uma forma mais específica e tentadora. Ele oferece a Jesus o controle do Império Romano, sugerindo que ele poderia se tornar o líder que traria a libertação para o povo de Israel e até mesmo para as dez tribos perdidas. Satanás mostra a Jesus as legiões romanas e a possibilidade de usá-las para estabelecer seu reino terreno. Jesus responde que sua vinda não é para libertar Israel politicamente ou para estabelecer um império mundano, mas sim para uma redenção espiritual. Ele reitera que sua hora ainda não havia chegado e que sua missão não envolveria a conquista militar.
Seção 4
Chegando à sua tentativa final e mais audaciosa, Satanás transporta Jesus para o pináculo do Templo em Jerusalém. Ali, ele desafia Jesus a provar sua divindade e a confiança em seu Pai, ordenando que ele se atire do alto. Satanás cita as escrituras (Salmo 91), afirmando que os anjos o sustentariam para que ele não tropeçasse. Este é o desafio mais direto à fé e à identidade divina de Jesus.
Jesus, porém, recusa-se a colocar Deus à prova e a tentar o seu Pai. Ele responde com outra passagem das escrituras: "Não tentarás o Senhor teu Deus." Essa resposta demonstra a humildade, a sabedoria e a confiança inabalável de Jesus, que se recusa a buscar a glória por meio de um espetáculo perigoso e desnecessário. Com esta última e decisiva rejeição, Satanás é finalmente derrotado. A força moral e espiritual de Jesus prevalece.
Satanás, completamente desmoralizado e humilhado, despenca da altura do Templo. Imediatamente, anjos descem do céu para ministrar a Jesus, trazendo-lhe alimento, conforto e louvor por sua vitória. Eles celebram a conquista de Jesus sobre o tentador, a qual prefigura sua futura vitória sobre o pecado e a morte. O poema conclui com Jesus retornando em paz à casa de sua mãe em Nazaré, pronto para iniciar seu ministério público, tendo demonstrado a maneira pela qual a humanidade pode reconquistar o paraíso através da obediência e da fé.
Gênero literário
Poema épico, poema narrativo, poesia religiosa.
Dados do autor
John Milton (1608-1674) foi um poeta, polemista e funcionário público inglês, conhecido por sua épica bíblica 'Paradise Lost' (Paraíso Perdido). Nascido em Londres, ele recebeu uma educação rigorosa e viajou pela Europa, encontrando figuras como Galileu Galilei. Foi um ardente defensor da Commonwealth de Oliver Cromwell e escreveu tratados políticos e religiosos, advogando pela liberdade de imprensa, divórcio e republicanismo. Sua obra é marcada por um profundo conhecimento clássico e bíblico. Nos últimos anos de sua vida, ficou completamente cego, e ditou suas grandes obras, incluindo 'Paradise Regained' e 'Samson Agonistes', a escribas. É considerado um dos maiores poetas da língua inglesa.
Moral
A moral central de 'Paradise Regained' é que a verdadeira vitória e o poder não residem na riqueza material, na glória mundana, no poder político ou no reconhecimento intelectual, mas sim na resistência à tentação, na humildade, na obediência à vontade divina e na força interior da fé e da virtude. O poema demonstra que a tentação pode ser superada através do conhecimento das escrituras, da confiança em Deus e da recusa em ceder a impulsos egoístas ou a atalhos para o poder. A vitória de Jesus sobre Satanás estabelece um modelo para a humanidade de como o paraíso perdido através da queda de Adão pode ser reconquistado individualmente através da retidão e da perseverança moral.
Curiosidades
- Sequência e Contraste: 'Paradise Regained' é uma sequência direta de 'Paradise Lost', mas é notavelmente mais curto e menos grandioso em escopo. Enquanto 'Paradise Lost' narra a queda da humanidade, 'Paradise Regained' foca na restauração da esperança através da vitória de Cristo sobre a tentação, invertendo a narrativa de perda para redenção.
- Preferência de Milton: Diz-se que Milton, em seus últimos anos, considerava 'Paradise Regained' superior a 'Paradise Lost' em termos de sua mensagem teológica e artística, embora tenha recebido menos aclamação crítica e popular ao longo da história.
- Fonte Bíblica: O poema baseia-se na narrativa das tentações de Jesus no deserto, encontrada nos Evangelhos Sinóticos (Mateus 4:1-11, Marcos 1:12-13, Lucas 4:1-13). Milton expande poeticamente os detalhes e o diálogo, explorando a psicologia e a teologia por trás do confronto.
- Natureza do Messias: O poema explora profundamente a natureza do messias. Ao rejeitar as tentações de poder político, riqueza e glória terrena, Jesus demonstra que seu reino não será um império mundano, mas um reino espiritual de salvação e redenção, subvertendo as expectativas judaicas de um messias guerreiro.
- Estilo Contido: Comparado à linguagem exuberante e grandiosa de 'Paradise Lost', o estilo de 'Paradise Regained' é mais contido, direto e austero. Isso reflete a natureza introspectiva e contemplativa do protagonista e a batalha interna de princípios, em vez de um conflito cósmico com exércitos de anjos e demônios.
