A Canção de Los - William Blake
Resumo "The Song of Los" é um dos "livros proféticos" de William Blake, dividido em duas partes: "Africa" e "Asia". O poema é narrado pelo ...
Resumo
"The Song of Los" é um dos "livros proféticos" de William Blake, dividido em duas partes: "Africa" e "Asia". O poema é narrado pelo profeta Los e lamenta a disseminação das leis restritivas de Urizen, a personificação da razão fria e da lei opressora, pelo mundo. A primeira parte, "Africa", descreve como as leis de Urizen — que paradoxalmente prometem paz e unidade, mas resultam em repressão — se espalham pelo continente e, por extensão, pelo mundo, através de figuras históricas e sistemas de crenças. Los canta a angústia da humanidade aprisionada por essas doutrinas e a perda da liberdade primordial. A segunda parte, "Asia", projeta um futuro de libertação. A canção de Los ressoa pela Ásia, despertando as nações para a tirania de Urizen. O poema prevê um levante global onde os grilhões mentais e espirituais impostos pelas antigas leis e instituições serão quebrados. Os reis e padres serão derrubados, e a humanidade, ou o "Homem Eterno", ressurgirá em uma nova era de imaginação, liberdade e percepção expandida, culminando em uma visão apocalíptica de renovação.
Seções do livro
Seção: Africa
A primeira parte da canção de Los começa descrevendo a disseminação das leis de Urizen pelo continente africano. Los canta sobre como Urizen, a personificação da razão abstrata e do legalismo, impõe suas "leis de paz, de amor, de unidade, de piedade, de perdão" sobre a humanidade. No entanto, essas leis são apresentadas como grilhões que sufocam a mente e o espírito. A narrativa traça a propagação dessas doutrinas restritivas a partir do "Sul" (África), expandindo-se para o "Norte" e influenciando diversas religiões e filosofias. Figuras como Moisés, Jesus, Maomé, e pensadores como Bacon, Newton e Locke são mencionados como veículos, talvez involuntários, para a institucionalização dessas leis que, em vez de libertar, aprisionam o pensamento humano. Os povos da Terra, inicialmente livres em sua imaginação e paixões, são gradualmente escravizados por essas novas formas de ordem e moralidade. A canção lamenta a perda da liberdade primordial e o surgimento de sistemas religiosos e racionais que constrangem a expressão humana. Los, o profeta, prevê um futuro onde essas correntes serão quebradas.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Los | Profeta, Forjador Eterno, espírito da imaginação. | Apaixonado, visionário, lamenta a opressão, busca a libertação, voz da profecia. |
| Urizen | Legislador, personificação da razão fria, lei abstrata, religião organizada. | Tirânico, restritivo, autoritário, busca impor ordem e controle sobre a imaginação e a emoção. |
| Humanidade / Povos da Terra | Indivíduos e coletivos submetidos às leis de Urizen. | Inicialmente livres e imaginativos, depois oprimidos, mas com potencial para despertar e se libertar. |
| Figuras Históricas (Moisés, Jesus, Maomé, Bacon, Newton, Locke) | Representam veículos históricos através dos quais as leis de Urizen (doutrinas religiosas, científicas e filosóficas) são propagadas. | São apresentados como agentes da disseminação de sistemas que, para Blake, acabam por restringir a liberdade espiritual e intelectual humana. |
Seção: Asia
A canção de Los se desloca para o continente asiático, mas agora com um tom mais explícito de chamado à libertação. A narrativa descreve o despertar das nações "orientais" à medida que a canção profética de Los ressoa através delas. Os povos, inspirados pela visão de Los, começam a rejeitar as antigas formas de pensamento e as instituições opressivas que os têm aprisionado. A canção fala de uma nova geração emergindo, uma que irá descartar os "trapos podres dos tempos antigos" – referindo-se às leis, dogmas e tradições que sufocam o espírito humano. O "Homem Eterno" (Albion, a humanidade em seu estado divino e imaginativo) é agitado, e sua consciência começa a se libertar. As figuras de autoridade opressoras, como reis e sacerdotes, são derrubadas simbolicamente. Os "cinco sentidos", antes contidos pela razão de Urizen, irrompem em sua plenitude, permitindo uma percepção mais rica e desimpedida do mundo. O poema culmina em uma visão de humanidade liberta, livre das amarras mentais, entrando em um novo amanhecer de imaginação e criatividade. A canção de Los termina com um presságio de um "Último Dia", um apocalipse que não é de destruição total, mas de colapso da velha ordem e o surgimento de uma nova realidade, impulsionada pela imaginação e pela liberdade espiritual.
Gênero literário: Poesia Profética, Poesia Visionária, Poema Épico. Faz parte dos "Livros Proféticos" de William Blake, que expressam sua mitologia pessoal e visão crítica da sociedade, religião e política.
Dados do autor: William Blake (1757-1827) foi um poeta, pintor e gravador inglês. Considerado uma figura seminal na história da poesia e das artes visuais da Era Romântica. Sua obra é caracterizada por sua profundidade mística e filosófica, sua crítica às instituições e à razão iluminista, e sua defesa da imaginação e da liberdade espiritual. Blake desenvolveu um sistema mitológico próprio em seus livros proféticos, usando métodos inovadores de impressão de relevo para ilustrar suas obras.
Moral da história: A principal moral de "The Song of Los" é a condenação da opressão da imaginação e do espírito humano por sistemas de lei abstratos, religião organizada e razão limitada (representados por Urizen). O poema advoga pela libertação da mente das "correntes forjadas pela mente" e pela restauração da liberdade inerente e da criatividade humana. Blake sugere que a verdadeira iluminação e progresso vêm através da imaginação e da percepção expandida, e não através da conformidade a dogmas e regras externas. É um chamado à revolução espiritual e mental.
Curiosidades do livro:
- "The Song of Los" é um dos "Continental Prophecies" de Blake, que exploram o impacto da revolução e das forças opressivas em diferentes partes do mundo. Os outros são "America a Prophecy" e "Europe a Prophecy".
- Blake usou sua própria técnica de "impressão em relevo" (ou "impressão iluminada") para produzir o livro, onde tanto o texto quanto as ilustrações eram gravados em placas de cobre, impressos e depois coloridos à mão. Isso tornava cada cópia uma obra de arte única.
- A menção de figuras históricas como Moisés, Jesus, Maomé, Bacon, Newton e Locke é característica da forma como Blake integrava a história humana em sua vasta mitologia, muitas vezes reinterpretando-os como agentes da propagação de Urizenic law (lei de Urizen) ou, em outros contextos, como profetas da liberdade, dependendo de sua perspectiva.
- O livro reflete o espírito revolucionário da época de Blake, com suas referências a levantes e à derrubada de reis e padres, espelhando as revoluções Americana e Francesa.
- Los, o protagonista e narrador, é uma figura central na mitologia de Blake, representando o poeta-profeta, a imaginação e a arte como força de criação e resistência contra a tirania.
