The Vanity of Human Wishes - Samuel Johnson

Resumo

'The Vanity of Human Wishes' de Samuel Johnson é um longo poema filosófico, uma imitação da Décima Sátira de Juvenal. Ele explora a futilidade e as armadilhas de várias ambições e desejos humanos, como riqueza, poder político, fama militar, conhecimento, longevidade e beleza. Através de exemplos históricos e reflexões gerais, Johnson argumenta que todas essas buscas terrenas levam, em última análise, à decepção, miséria ou ruína. O poema conclui que a verdadeira sabedoria reside em buscar a virtude, a piedade e a submissão à vontade divina, pois somente a graça de Deus pode proporcionar paz e contentamento genuínos e duradouros.

Seções do livro

Seção 1: Introdução à Futilidade Universal

Johnson inicia o poema com uma meditação sombria sobre a natureza precária da existência humana e a universalidade do sofrimento. Ele observa que a miséria não é exclusiva dos pobres ou dos oprimidos, mas assola todas as classes sociais, independentemente de sua fortuna ou posição. O poeta lamenta a tendência humana de desejar ardentemente coisas que, uma vez obtidas, acabam por se revelar vazias ou até prejudiciais. A esperança e o medo, paixões que impulsionam os homens, frequentemente os levam a destinos infelizes. A "curta vida" do homem é preenchida por "desejos vãos" e "batalhas de nada", sempre em busca de um alívio que raramente chega.

Seção 2: A Ambição Política e o Poder

Aqui, Johnson volta sua atenção para aqueles que buscam o poder político e a grandeza. Ele argumenta que o caminho para o poder é repleto de perigos, traições e ansiedades. Mesmo aqueles que ascendem aos mais altos cargos muitas vezes caem em desgraça de forma espetacular. Ele usa o exemplo do Cardeal Wolsey, que de um homem humilde ascendeu ao auge do poder e da riqueza sob Henrique VIII, apenas para ser derrubado e morrer na vergonha. A lição é clara: o poder é efêmero e o favor dos príncipes é volúvel, transformando facilmente seus favoritos em vítimas.

Personagem/Arquetipo Características Personalidade
Cardeal Wolsey Um poderoso estadista inglês, chanceler do Rei Henrique VIII. Sua ascensão foi meteórica, mas sua queda igualmente abrupta. Ambicioso, astuto e um mestre da política da corte, mas cego para a instabilidade do favor real; sua vida é apresentada como um exemplo primordial de como a ambição desmedida pode levar à ruína e ao isolamento.
Carlos XII da Suécia Um rei guerreiro que sonhava com um vasto império nórdico e se tornou uma figura militar temida. Destemido, implacável e excessivamente focado na glória militar e na conquista; sua personalidade impetuosa o levou a inúmeras guerras e, finalmente, à sua morte sem herdeiro, com seu império desfeito, ilustrando a vaidade da glória bélica.

Seção 3: A Busca por Riqueza

Johnson analisa a busca pela riqueza material, mostrando como ela também é uma fonte de grande ansiedade e infelicidade. Aqueles que acumulam grandes fortunas tornam-se alvos de inveja, roubo e conspirações. A riqueza não garante a felicidade, mas pode trazer preocupações sobre sua manutenção e o temor de perdê-la, ou a culpa de como foi adquirida. Muitas vezes, os herdeiros de fortunas desfrutam de um breve período de indulgência antes de a dissiparem em vícios e extravagâncias, ou vivem vidas de tédio e vício, carecendo de propósito, levando à miséria apesar da abundância.

Seção 4: A Aspiração à Fama Militar

Nesta seção, Johnson continua com exemplos de figuras históricas que buscaram a glória através da guerra, como Carlos XII da Suécia (cuja descrição já foi incluída na Seção 2). Ele descreve o rei como um "herói selvagem" cujo destino foi moldado pela ambição e pelo desejo de conquista. Embora Carlos tenha alcançado fama e aterrorizado a Europa por um tempo, sua busca incessante por vitórias levou à sua eventual ruína e à desintegração de seu império. A glória militar, sugere Johnson, é passageira e frequentemente obtida à custa de imensa miséria e destruição, tanto para os vencedores quanto para os vencidos.

Seção 5: A Busca pelo Conhecimento e a Erudição

Aqui, o poema aborda a vaidade do conhecimento e da sabedoria mundana. Johnson pondera que mesmo os mais eruditos e brilhantes são vulneráveis à perseguição, à inveja e à incompreensão. O conhecimento pode trazer orgulho ou melancolia, e a verdade nem sempre é recebida com apreço, mas com hostilidade.

Personagem/Arquetipo Características Personalidade
Galileu Galilei O renomado astrônomo e físico italiano, pioneiro em observações telescópicas e defensor do modelo heliocêntrico. Brilhante, inovador e destemido em sua busca pela verdade científica, mas confrontado e perseguido pela Igreja por suas descobertas; seu destino ilustra como a busca pela verdade pode levar ao sofrimento, à humilhação e à restrição da liberdade pessoal.
Rainha Cristina da Suécia Uma monarca europeia que abdicou de seu trono para perseguir interesses intelectuais e artísticos, convertendo-se ao catolicismo e viajando pela Europa. Intelectualmente curiosa, independente e talvez excêntrica, abandonando o poder por ideais culturais e intelectuais; sua vida reflete a insatisfação e a eventual melancolia mesmo após abandonar o poder por uma vida mais "elevada" de estudo e arte.

Ele cita Galileu, cuja vida de descoberta foi maculada pela perseguição e pela necessidade de retratação. Mesmo aqueles que abandonam o poder por uma vida de estudo, como a Rainha Cristina da Suécia, podem encontrar insatisfação e um exílio desconfortável, incapazes de encontrar a verdadeira paz na mera busca intelectual. A busca pelo conhecimento, embora nobre, não garante a felicidade e pode expor o indivíduo a perigos e decepções.

Seção 6: O Desejo por Longa Vida

Johnson argumenta que o desejo de uma vida longa é igualmente vão. A velhice, em vez de ser um período de paz e sabedoria, é frequentemente retratada como uma época de enfermidade, solidão e declínio mental e físico. Os amigos e entes queridos morrem, deixando o idoso isolado. Os sentidos diminuem, a mente enfraquece, e a vida se torna um fardo pesado, prolongando o sofrimento. Aqueles que vivem muito tempo testemunham a ruína de suas esperanças e a mudança de seus mundos, encontrando mais dor do que alegria na prolongada existência.

Seção 7: A Vã Esperança na Beleza

Finalmente, o poema considera a beleza física. A beleza é fugaz e facilmente corrompida pela doença, idade ou infortúnio. Além disso, Johnson sugere que a beleza pode ser uma armadilha, levando à vaidade, à tentação e a situações perigosas para as mulheres, expondo-as ao perigo da sedução, da calúnia e da desgraça social. A dependência da beleza para a felicidade ou sucesso é, portanto, uma esperança vã, pois sua transitoriedade e os perigos que ela atrai superam qualquer benefício que possa oferecer.

Seção 8: Conclusão e a Verdadeira Busca

Após examinar a futilidade de todos os desejos terrenos, Johnson questiona o que os homens devem, de fato, desejar. Ele conclui que não devemos buscar as coisas que o mundo oferece, pois todas elas são passageiras e enganosas. Em vez disso, a verdadeira felicidade e contentamento só podem ser encontrados através da virtude, da piedade e da submissão à vontade divina. Devemos orar a Deus não por desejos mundanos, mas por uma mente serena, paciência, fé e caridade, que são os únicos bens que podem trazer paz duradoura e salvação, conduzindo o espírito à eternidade.


Gênero literário:
Poesia didática, sátira moral, imitação (de Juvenal).

Dados do autor:
Samuel Johnson (1709-1784) foi um dos mais proeminentes intelectuais da Inglaterra do século XVIII. Ele foi um ensaísta, poeta, moralista, crítico literário, biógrafo e lexicógrafo. Sua obra mais famosa é "A Dictionary of the English Language" (1755), que levou quase uma década para ser concluída e foi considerada um marco na lexicografia. Outras obras notáveis incluem o romance filosófico "Rasselas, Prince of Abissinia" e as críticas biográficas "Lives of the Most Eminent English Poets". Johnson era conhecido por sua erudição, seu estilo de prosa distintivo e sua personalidade forte e muitas vezes melancólica. Ele liderou o que é frequentemente chamado de "Age of Johnson" na literatura inglesa.

A moral:
A moral central de "The Vanity of Human Wishes" é que todas as ambições e desejos terrenos – sejam por riqueza, poder, fama, conhecimento, beleza ou longa vida – são inerentemente fúteis e levarão à decepção e ao sofrimento. A verdadeira felicidade, paz e contentamento não podem ser encontrados nas conquistas ou posses mundanas, mas apenas na virtude, na fé em Deus e na submissão à Sua providência. Os homens devem desejar bens espirituais e morais, como paciência, humildade, fé e caridade, em vez de bens materiais e status social, pois estes últimos são as únicas coisas que podem trazer paz duradoura e, em última instância, salvação.

Curiosidades:

  • Imitação de Juvenal: O poema é uma imitação direta da Décima Sátira de Juvenal, um poeta romano do século I d.C. Johnson não apenas traduz, mas reinterpreta os temas de Juvenal para o contexto inglês e universal do século XVIII, usando exemplos de sua própria época e da história europeia.
  • Contexto Pessoal: Johnson escreveu este poema em um período de grande dificuldade pessoal, incluindo a morte de sua esposa, Tetty, e lutas financeiras significativas. A melancolia e o tom sombrio do poema refletem, em parte, suas próprias experiências de perda e desilusão.
  • Estilo Digno: O poema é conhecido por seu estilo grandioso e dicção elevada, típicos do período neoclássico. Ele utiliza o dístico heróico (pares de versos rimados em pentâmetro iâmbico) com grande maestria, conferindo-lhe um tom solene e autoritário.
  • Erudição de Johnson: A vasta gama de exemplos históricos, de figuras bíblicas e clássicas a governantes europeus como Wolsey e Carlos XII, e intelectuais como Galileu e Cristina da Suécia, demonstra a profunda erudição de Johnson e sua familiaridade com a história europeia e a cultura clássica.
  • Aceitação Crítica: "The Vanity of Human Wishes" é amplamente considerado um dos grandes poemas do século XVIII e uma das obras-primas de Johnson, elogiado por sua profundidade filosófica, sua habilidade poética e sua força moral.
  • Título: Enquanto Juvenal explorava a inconstância da fortuna, Johnson foca na "vaidade" dos desejos humanos, enfatizando a futilidade intrínseca das ambições terrenas, independentemente de seu sucesso ou fracasso.