Venus y Adonis - William Shakespeare

Resumo

"Vênus e Adônis" é um poema narrativo de William Shakespeare que reconta o mito clássico da deusa do amor, Vênus, e sua paixão não correspondida pelo belo jovem caçador Adônis. O poema descreve a tentativa fervorosa e persistente de Vênus para seduzir Adônis, que é avesso ao amor e prefere a emoção da caça. Apesar de todos os seus encantos e súplicas, Adônis rejeita os avanços da deusa, mantendo-se indiferente. Vênus tenta dissuadi-lo de caçar um perigoso javali selvagem, prevendo o perigo. No entanto, Adônis ignora seus avisos e parte para a caçada. No dia seguinte, Vênus descobre o corpo de Adônis, morto pelo javali que ele tanto desejava caçar. Devastada pela dor e pela perda, Vênus amaldiçoa o amor, decretando que, a partir daquele momento, ele estaria sempre mesclado com ciúmes, medo e tristeza. De seu sangue, nasce uma flor, a anêmona, simbolizando a beleza e a efemeridade da vida do jovem.

Seções do livro

Seção 1: O Encontro e a Tentativa de Sedução

O poema começa com Vênus, a deusa do amor e da beleza, avistando Adônis, um jovem de beleza incomparável, que está prestes a partir para a caça. Encantada por sua juventude e formosura, ela imediatamente se apaixona por ele com uma paixão avassaladora. Vênus o detém, impedindo-o de ir caçar, e o convida a ficar com ela, oferecendo-lhe todo o seu amor e os prazeres da paixão. Ela o puxa de seu cavalo, beijando-o e abraçando-o com fervor, expressando seu desejo de forma explícita e poderosa. Adônis, no entanto, mostra-se embaraçado e relutante, com seu rosto corando de timidez e desconforto, preferindo a caçada ao amor.

Personagem Características Personalidade
Vênus Deusa do amor e da beleza, imortal, voluptuosa, apaixonada, persistente. Apaixonada, ousada, sedutora, confiante em seu poder, determinada, por vezes impositiva.
Adônis Jovem mortal de beleza extraordinária, caçador. Tímido, recatado, inexperiente no amor, indiferente à paixão, obstinado em seus interesses (a caça), por vezes rude em sua rejeição.

Seção 2: Os Argumentos de Vênus e a Indiferença de Adônis

Vênus prossegue com seus argumentos, tentando persuadir Adônis a corresponder ao seu amor. Ela elogia sua beleza, argumenta sobre a futilidade da caça em comparação com os deleites do amor, e discorre sobre a importância de usar sua beleza para gerar beleza na próxima geração, em vez de deixar que ela se desvaneça sem propósito. Ela o compara a um lavrador que não semeia ou a uma flor que se recusa a florescer. Apesar de suas palavras eloquentes e de suas carícias ardentes, Adônis permanece frio e indiferente. Ele expressa uma aversão quase infantil ao amor, preferindo a virilidade e a aventura da caça à intimidade e ao prazer sensual. A insistência de Vênus e a obstinação de Adônis levam a deusa à exaustão, fazendo-a desmaiar nos braços do jovem.

Seção 3: O Beijo e a Rejeição Final

Ao ver Vênus desmaiada, Adônis, por um momento, sente uma pontada de compaixão. Ele tenta reanimá-la e, em um gesto de cortesia mais do que de paixão, a beija. Vênus recupera a consciência e, interpretando o beijo como um sinal de esperança, renova seus avanços com ainda mais vigor. Ela declara que um beijo tão doce merece ser multiplicado e que Adônis deve aprender a arte do amor com ela. Contudo, Adônis a repreende por sua insistência, acusando-a de ser importuna e excessivamente ousada. Ele reafirma sua falta de interesse no amor e sua determinação em ir caçar. Para se livrar dela, ele promete encontrá-la no dia seguinte para a caçada, uma promessa que ele não tem intenção de cumprir, usando-a apenas como uma desculpa para escapar da deusa.

Seção 4: O Cavalo de Adônis e a Égua Selvagem

Enquanto Adônis tenta se desvencilhar de Vênus e retomar sua partida, seu cavalo, atraído por uma égua selvagem que surge nas proximidades, arrebenta suas rédeas e foge para persegui-la. O cavalo, movido por um desejo ardente, corre atrás da égua com fúria e paixão. Vênus usa essa cena como uma metáfora para o próprio amor, apontando como até mesmo um animal racional é movido por tal instinto. Ela tenta, mais uma vez, persuadir Adônis a seguir o exemplo de seu cavalo e ceder aos impulsos naturais do desejo e da procriação. Aproveitando a distração, Vênus também o adverte sobre os perigos da caça, especialmente a de javalis selvagens, prevendo um destino fatal.

Seção 5: A Despedida e o Mau Presságio

Adônis, impaciente com os discursos e os toques de Vênus, finalmente se despede dela de forma abrupta. Ele não apenas rejeita seu amor, mas também suas advertências. Ele declara sua intenção de caçar o perigoso javali selvagem, desafiando o destino e as premonições da deusa. Vênus, percebendo a inflexibilidade de Adônis e sentindo um presságio de desgraça, é tomada por uma profunda angústia. Ela prevê a morte iminente do jovem, e a imagem sombria de seu destino a atormenta. A deusa passa a noite em agonia, assombrada por visões de seu amado em perigo.

Seção 6: A Morte de Adônis e o Desespero de Vênus

Na manhã seguinte, a angústia de Vênus é confirmada. Ela ouve os latidos frenéticos dos cães de caça e, em seguida, um som que a enche de terror: um grito de dor. Em pânico, ela corre para a floresta em busca de Adônis. Lá, ela se depara com a cena mais terrível: Adônis jaz sem vida, brutalmente atacado pelo javali que ele tanto ansiava caçar. O animal, em vez de ser uma presa, tornou-se o algoz do jovem. Vênus encontra seu corpo desfigurado e é tomada por um desespero avassalador. Seu lamento é profundo e dilacerante, um grito contra a crueldade do destino e a perda irremediável de seu amado.

Seção 7: A Maldição e a Flor

Consumida pela dor, Vênus se ajoelha ao lado do corpo de Adônis e lança uma maldição sobre o amor. Ela decreta que, a partir daquele momento, o amor não será mais puro e alegre. Pelo contrário, ele estará para sempre entrelaçado com a tristeza, o ciúme, o medo, as suspeitas, as dores e as separações. Ela amaldiçoa a beleza por ser tão efêmera e a morte por ser tão cruel. Enquanto ela lamenta, do sangue derramado de Adônis, uma bela flor escarlate, conhecida como anêmona (ou "flor-de-Adônis"), brota na terra, um símbolo de sua beleza perdida e de seu trágico fim. Vênus apanha a flor, beija suas pétalas e, levando consigo o último vestígio de seu amor, voa em sua carruagem de pombos para Pafos, seu santuário, para viver em eterna tristeza.

Gênero literário

Poema narrativo, Mitológico, Erótico, Tragédia.

Dados do autor

William Shakespeare (1564-1616) foi um poeta, dramaturgo e ator inglês, amplamente considerado o maior escritor da língua inglesa e o maior dramaturgo do mundo. Nascido em Stratford-upon-Avon, Warwickshire, ele produziu a maior parte de sua obra entre 1585 e 1613. Suas peças, que incluem comédias, tragédias e dramas históricos, foram traduzidas para todas as línguas vivas e são encenadas com mais frequência do que as de qualquer outro dramaturgo. Além de suas peças, Shakespeare escreveu 154 sonetos e vários poemas narrativos, sendo "Vênus e Adônis" um dos mais notáveis.

Moral da história

A história explora a natureza destrutiva da paixão não correspondida e os perigos da obstinação, tanto no amor quanto na busca de interesses mundanos. Sugere que o amor, quando rejeitado ou não temperado pela prudência, pode levar à tragédia e ao sofrimento profundo. Também aborda a efemeridade da beleza e a inevitabilidade da morte, e como o desejo e a paixão podem ser uma fonte de grande dor e não apenas de prazer. Em última análise, o poema questiona o valor de resistir aos instintos naturais e as consequências de uma devoção cega a um único propósito, seja ele o amor ou a caça.

Curiosidades do livro

  • "Vênus e Adônis" foi o primeiro trabalho de William Shakespeare a ser publicado em seu nome (1593), durante um período em que os teatros de Londres estavam fechados devido à peste bubônica.
  • O poema foi dedicado a Henry Wriothesley, 3º Conde de Southampton, que se tornou um importante patrono e amigo de Shakespeare.
  • É escrito em estrofes de seis linhas (sestilhas ou oitavas de Vênus), com rima no padrão ABABCC, uma forma que Shakespeare utiliza com grande maestria poética.
  • Na época de sua publicação, foi considerado um "poema de vício" ou "poema erótico" devido à sua descrição explícita e sensual da paixão de Vênus, o que era incomum para a moralidade puritana da época.
  • Apesar de sua natureza erótica, ou talvez por causa dela, o poema foi extremamente popular em sua época, sendo reimpresso várias vezes. Superou em vendas muitas das peças de Shakespeare durante o século XVII.
  • Muitos estudiosos veem o poema como uma exploração das tensões entre o amor carnal e procriador (representado por Vênus) e a pureza, a castidade ou a indiferença juvenil (representada por Adônis), além de refletir sobre a fragilidade da beleza e a força destrutiva da paixão.
  • A escolha do javali como a causa da morte de Adônis é simbólica, pois o javali pode representar a masculinidade indomável e o perigo que a beleza frágil de Adônis não consegue superar.