Adonais - Percy Bysshe Shelley
Resumo "Adonais" é uma elegia pastoral escrita por Percy Bysshe Shelley em 1821, lamentando a morte do poeta inglês John Keats, que faleceu...
Resumo
"Adonais" é uma elegia pastoral escrita por Percy Bysshe Shelley em 1821, lamentando a morte do poeta inglês John Keats, que faleceu em Roma em 1821, aos 25 anos. A obra segue a tradição das elegias clássicas, como as de Moschus e Bion, ao retratar o poeta falecido como um pastor e a natureza a chorar sua perda.
A elegia é dividida em 55 estrofes e começa com uma invocação à musa Urania (mãe de Adonais, neste contexto) para chorar a morte de Adonais (Keats). Shelley descreve a dor profunda da natureza e de outras figuras mitológicas e poéticas que lamentam a partida do jovem poeta. A obra então se volta para uma crítica feroz aos críticos literários que, na visão de Shelley, teriam contribuído para a morte de Keats com suas resenhas cruéis.
No entanto, a elegia transcende o luto inicial para oferecer uma visão de consolo e imortalidade. Shelley argumenta que, embora o corpo de Keats tenha morrido, seu espírito e sua poesia vivem eternamente, absorvidos na beleza e na verdade do universo. Ele não está morto, mas tornou-se parte da eternidade, mais puro e mais forte do que a vida mortal. O poema culmina com o próprio Shelley expressando o desejo de se juntar a Adonais na morte, vendo-a não como um fim, mas como uma transição para uma existência mais elevada e pura, onde o amor e a beleza são eternos.
Seções do livro
Seção 1 (Estrofes 1-7)
A elegia começa com uma invocação direta a Urania, a musa do amor celestial e da astronomia, que aqui personifica a inspiração poética e a mãe de Adonais (Keats). O poeta a convida a despertar e chorar Adonais, que está morto. A morte é apresentada como um sono do qual ele não despertará. A dor da perda é sentida intensamente, e Urania é chamada a derramar lágrimas, pois Adonais não está apenas adormecido, mas frio e inerte. Shelley lamenta o "gênio" que se foi muito cedo, comparando-g o a uma estrela cadente que desapareceu antes de atingir seu potencial. Ele se pergunta quem ousará despertar o poeta de seu "sono mortal". A seção estabelece o tom de luto profundo e a figura central do poeta morto.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Adonais (John Keats) | Poeta falecido, jovem, de gênio promissor, cuja vida foi interrompida prematuramente. | Retratado como puro, sensível, talentoso, vítima de um mundo cruel. |
| Urania | Musa (neste contexto, mãe de Adonais, personificando a inspiração e o amor celestial), figura de luto e dor. | Angustiada, de coração partido, fonte de inspiração e guardiã da beleza eterna. |
| O Orador (Percy Bysshe Shelley) | O poeta que narra a elegia e lamenta a perda de Adonais. | Empático, filosófico, profundamente afetado pela morte de Keats, com uma visão transcendental da vida e da morte. |
Seção 2 (Estrofes 8-17)
Nesta seção, a natureza em si é chamada para lamentar Adonais. Shelley personifica vários elementos do mundo natural – os ventos, os riachos, as flores, os prados, as estrelas – que se juntam ao coro de luto. As ninfas e as Horas (deusas das estações) são descritas como chorando e lamentando, seus adornos e folhagens murchando em simpatia pela morte de Adonais. O orador destaca a ironia de que a beleza da natureza, que Adonais tanto amava e que inspirou sua poesia, continua a florescer, mas o poeta não está mais lá para apreciá-la. Contudo, há um toque de esperança, pois a beleza que Adonais viu ainda existe e o espera. A tristeza da natureza é profunda e universal, refletindo a perda de um de seus mais devotos admiradores e intérpretes.
Seção 3 (Estrofes 18-30)
Shelley introduz agora os enlutados que vêm prestar homenagem a Adonais. Entre eles estão figuras alegóricas da poesia e da arte, bem como outros poetas contemporâneos, embora não nomeados diretamente. Há referências implícitas a Lord Byron, Thomas Moore e Leigh Hunt, que são apresentados de forma ambígua, talvez como lamentadores imperfeitos ou inadequados. Shelley se inclui entre os que choram, identificando-se como um "espírito frágil" ou um "filho da luz".
A seção então vira-se para uma dura condenação aos críticos anônimos que, segundo Shelley, perseguiram e oprimiram Keats, contribuindo para sua morte. Os críticos são descritos como criaturas venenosas e cruéis, cujo "dardo" de calúnia e inveja perfurou o "coração sensível" de Adonais. Shelley os acusa de serem cegos à beleza e ao gênio, incapazes de compreender a profundidade da poesia de Keats. A raiva do orador é palpável, e ele os compara a vermes ou hienas que profanam o túmulo do poeta.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Os Críticos | Entidades anônimas e coletivas que atacaram a poesia de Keats, figuras de inveja e destruição. | Cruéis, cegos à beleza, destrutivos, simbólicos da hostilidade do mundo à arte. |
Seção 4 (Estrofes 31-38)
Nesta parte da elegia, o tom começa a mudar, transitando do luto e da raiva para uma reflexão mais filosófica sobre a vida e a morte. Shelley medita sobre a transitoriedade da existência humana e a inevitabilidade da morte, mas também sobre a persistência de algo além do físico. Ele observa que a vida é um "véu" que esconde a verdade, e a morte é o momento em que esse véu é rasgado. A morte é apresentada não como um fim absoluto, mas como uma libertação.
O orador argumenta que os que atacaram Adonais são os verdadeiramente "mortos", pois seus corações são vazios de beleza e amor, enquanto Adonais, embora fisicamente inerte, agora vive em uma esfera superior. Ele sugere que a morte é uma porta para a imortalidade e que a beleza e a verdade são eternas. Adonais está agora unido a essas verdades eternas, enquanto seus detratores permanecem aprisionados na escuridão de sua própria ignorância e malícia. A seção prepara o terreno para a consolo e a elevação filosófica.
Seção 5 (Estrofos 39-49)
Esta é a seção de consolo e transfiguração. Shelley declara que Adonais não está verdadeiramente morto. Seu corpo pode estar em Roma, mas seu espírito foi absorvido na eterna "Luz", "Beleza" e "Verdade" do universo. A morte é um engano; Adonais tornou-se parte da alma do mundo, uma força imortal que permeia a natureza. Ele está agora entre os "imortais", ao lado de outros grandes poetas e pensadores, livre das dores e tribulações da vida mortal.
O orador enfatiza que o sofrimento na Terra é temporário e ilusório. Adonais agora vive em um estado de paz perfeita e união com o divino, irradiando sua influência sobre o mundo. Seus poemas, que os críticos tentaram destruir, são agora parte da melodia eterna da natureza. A sua morte é, paradoxalmente, a sua vitória, um escape da "vida moribunda" para a "morte viva".
Seção 6 (Estrofes 50-55)
Na seção final, Shelley expressa seu próprio desejo de se juntar a Adonais na morte. Ele sente um anseio profundo de escapar das ilusões e da dor do mundo material e se fundir com a eternidade, assim como Adonais. Ele se despede da Terra e de seus sofrimentos, abraçando a ideia da morte como uma jornada para a paz e a verdade.
O orador se projeta em uma jornada em direção a Roma, o local de sepultamento de Keats, que é descrita como uma cidade onde a vida e a morte, a beleza antiga e a ruína se entrelaçam. A alma de Adonais é agora uma força guia, um "fogo" que atrai Shelley para si. O poema termina com uma poderosa declaração de fé na imortalidade do espírito e na união final com a beleza e o amor eternos, sugerindo que a verdadeira casa do poeta está além do mundo terrestre, na luz da eternidade.
Gênero literário: Elegia pastoral.
Dados do autor:
Percy Bysshe Shelley (1792-1822) foi um dos mais proeminentes poetas românticos ingleses. Nasceu em Sussex, Inglaterra, e foi educado em Eton e Oxford, de onde foi expulso por escrever um panfleto ateu. Ele era conhecido por suas visões radicais sobre política, religião e sociedade, defendendo o ateísmo, o vegetarianismo e o amor livre. Shelley foi amigo de outros grandes poetas românticos, incluindo Lord Byron e John Keats. Sua obra é caracterizada por sua lírica, seu idealismo filosófico, sua paixão pela natureza e sua condenação da tirania e da opressão. Algumas de suas obras mais famosas incluem "Ozymandias", "Ode ao Vento Oeste", "À Cotovia" e o drama lírico "Prometheus Unbound". Morreu afogado em uma tempestade perto de Viareggio, Itália, aos 29 anos.
Moral do livro:
A moral principal de "Adonais" é que a morte física não é o fim da existência, especialmente para aqueles que contribuem com beleza e verdade para o mundo. Através de sua arte e de seu espírito, o poeta alcança uma forma de imortalidade, transcendendo a mortalidade corporal e as opiniões efêmeras do mundo. A beleza, a verdade e o amor são forças eternas que perduram além da vida e da morte, e o espírito do poeta se une a essas forças, tornando-se parte do cosmos. O poema também critica a crueldade e a ignorância humanas que buscam destruir o gênio, sugerindo que os verdadeiramente "mortos" são aqueles que carecem de empatia e apreciação pela beleza.
Curiosidades do livro:
- Inspiração: A elegia foi escrita em memória de John Keats, que Shelley acreditava ter morrido devido à má recepção de sua obra e aos ataques virulentos de críticos, especialmente da revista Quarterly Review. Embora Keats tenha morrido de tuberculose, Shelley atribuiu a doença ao estresse emocional causado pela crítica.
- Contexto de Morte: Keats morreu em Roma, onde o próprio Shelley se encontrava na época. O túmulo de Keats, no Cemitério Protestante de Roma, foi um local visitado por Shelley, e ele acabou sendo enterrado perto de Keats um ano depois.
- Tradição Pastoral: "Adonais" segue a antiga tradição da elegia pastoral, onde o poeta falecido é lamentado por outros pastores (neste caso, outros poetas e a própria natureza) e o luto é expresso em um cenário idealizado.
- Influência e Debate: O poema é considerado uma das maiores elegias da literatura inglesa. No entanto, a descrição de Shelley dos críticos de Keats gerou debates sobre a extensão da responsabilidade deles pela saúde de Keats.
- Publicação: "Adonais" foi publicado pela primeira vez em Pisa, Itália, em 1821, antes de ser amplamente distribuído na Inglaterra. Shelley pagou a publicação do poema do próprio bolso.
