De Volta a Matusalém - George Bernard Shaw
Resumo 'Back to Methuselah' (De Volta a Matusalém) é uma pentalogia dramática de George Bernard Shaw que explora a ideia de que a humanidad...
Resumo
'Back to Methuselah' (De Volta a Matusalém) é uma pentalogia dramática de George Bernard Shaw que explora a ideia de que a humanidade precisa desenvolver uma vida útil muito mais longa para resolver os problemas complexos que criou. Através de cinco peças ambientadas em diferentes épocas, desde o Jardim do Éden até 30.000 anos no futuro, Shaw propõe que a vida humana atual é muito curta para a aquisição da sabedoria necessária para governar o mundo com sucesso.
A primeira parte, "No Início", mostra Adão e Eva no Éden e a queda, onde lhes é dado o desejo de uma vida mais longa. A segunda, "O Evangelho dos Irmãos Barnabas", se passa em 1920 e introduz a teoria da Vontade Evolutiva e a possibilidade de aumentar a expectativa de vida humana para 300 anos através da auto-sugestão. "A Coisa Acontece", ambientada em 2170, revela que algumas pessoas realmente conseguiram estender suas vidas, tornando-se "Longa-Vida", gerando conflito com os "Curta-Vida" (a maioria da população). Na quarta parte, "A Tragédia de um Cavalheiro Idoso", em 3000 d.C., os Longa-Vida se isolaram, e os Curta-Vida, liderados por um Imperador de vida curta, enfrentam a futilidade de suas existências e o declínio da civilização. Finalmente, "Tão Longe Quanto o Pensamento Pode Alcançar", em 31.920 d.C., descreve uma sociedade onde todos são Longa-Vida, que nascem de ovos, passam por uma infância rápida, e depois vivem por séculos, buscando conhecimento e se tornando seres de pensamento puro, desmaterializados, enquanto os humanos de vida curta são vistos como uma fase primitiva e extinta. A peça culmina com a visão de Lilith sobre o futuro da existência.
Seções do livro
Seção 1: No Início: A.C. 4004 (Adão e Eva)
A primeira peça se passa no Jardim do Éden, logo após a Criação. Adão e Eva estão aprendendo a viver, e Adão está exausto do trabalho de cultivar a terra, enquanto Eva está frustrada com a mortalidade e a repetição do ciclo da vida e da morte. A Serpente, um ser de sabedoria antiga e astúcia, entra em cena e ensina Eva sobre o poder do "pensamento criativo" e a capacidade da vontade de mudar a si mesma e o mundo. A Serpente sugere que a morte não é inevitável e que o desejo de viver mais e criar é fundamental para a evolução. Adão e Eva, agora com conhecimento da morte e da procriação, começam a lamentar a brevidade da vida e a necessidade de criar filhos que inevitavelmente morrerão. Eles expressam o desejo de uma vida mais longa para poderem experimentar e aprender mais profundamente. Caim, o primeiro filho, aparece mais tarde, revelando a natureza da violência e do assassinato. Eva se desespera com a mortalidade e a violência de Caim, mas eventualmente encontra consolo na ideia de uma vida mais longa e na capacidade de adaptação e evolução.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Adão | O primeiro homem, ingênuo, trabalhador, mas propenso ao tédio e à fadiga. | Pragmático, algo resignado, busca a paz e a simplicidade. |
| Eva | A primeira mulher, curiosa, insatisfeita com a rotina e a mortalidade, busca significado e propósito. | Inteligente, intuitiva, ambiciosa, visionária, preocupada com a posteridade. |
| A Serpente | Uma criatura sábia e antiga, conhecedora dos segredos da vida e da morte, do pensamento e da vontade. | Filosófica, persuasiva, enigmática, um catalisador para a evolução da consciência. |
| Caim | Filho de Adão e Eva, o primeiro assassino. | Impulsivo, violento, egoísta, representa a brutalidade da natureza humana e a introdução da morte violenta. |
Seção 2: O Evangelho dos Irmãos Barnabas: D.C. 1920
Dois mil anos depois, a cena se passa na casa de um padre, o Reverendo William Haslam, em 1920. Os irmãos Barnabas, um biólogo e um eclesiástico, anunciam sua teoria revolucionária. Eles afirmam que a expectativa de vida humana de 70 anos é uma limitação autoimposta, não uma lei biológica. Através da "Vontade Evolutiva" (uma manifestação da força vital de Bergson, que Shaw adapta), a humanidade pode, através da auto-sugestão e do desejo coletivo, estender sua vida útil para 300 anos. Eles acreditam que a vida humana atual é muito curta para que os indivíduos adquiram sabedoria suficiente para governar a si mesmos ou ao mundo de forma eficaz, levando a erros repetidos e a uma má administração crônica. Eles discutem essa ideia com o Reverendo Haslam, com um político astuto, Lubin, e um ex-militar, o General Aubrey. A ideia de prolongar a vida gera reações diversas: desde o ceticismo até o medo das consequências sociais e políticas. Lubin vê implicações para o poder e a política, enquanto o General Aubrey se preocupa com a estagnação. Os irmãos Barnabas insistem que uma vida mais longa é essencial para a evolução da inteligência e da moralidade.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Conrad Barnabas | Biólogo, um dos proponentes da teoria da vida prolongada. | Racional, científico, visionário, desafia as convenções. |
| Franklyn Barnabas | Ex-clérigo, irmão de Conrad, outro proponente da teoria. | Filosófico, eloquente, idealista, busca a verdade além dos dogmas. |
| Reverendo William Haslam | Padre da Igreja da Inglaterra. | Tradicional, um tanto ingênuo, tenta conciliar a ciência com a fé. |
| Lubin | Político experiente e cínico, ex-Primeiro Ministro. | Astuto, oportunista, preocupado com as implicações políticas e seu próprio poder. |
| General Aubrey | Militar, representante da visão conservadora e prática. | Cético, um tanto pragmático e receoso de mudanças radicais. |
Seção 3: A Coisa Acontece: D.C. 2170
Duzentos e cinquenta anos se passaram. A profecia dos irmãos Barnabas se tornou realidade. Os primeiros "Longa-Vida" surgiram, pessoas que, através da Vontade Evolutiva, estenderam sua vida útil para séculos, vivendo entre os "Curta-Vida" (aqueles com expectativa de vida normal). A peça se passa no gabinete de um Ancião de vida longa, que agora ocupa a posição de presidente de uma Irlanda unida. O Longa-Vida é descendente dos personagens da Seção 2. Há um conflito crescente entre os Longa-Vida, que se tornaram mais sábios e pacientes, e os Curta-Vida, que continuam a ser impetuosos, com interesses de curto prazo e com uma visão limitada. Um casal de Curta-Vida, o clérigo e a mulher, vêm buscar a bênção do Ancião, mas representam a ignorância e a pressa da vida curta. O conflito principal surge com a aparição de um recém-descoberto Longa-Vida que trabalha como caixa. A população Curta-Vida teme os Longa-Vida, vendo-os como uma ameaça à sua ordem social e existencial, ou como seres monstruosos. O Ancião e os outros Longa-Vida devem lidar com a histeria e o preconceito dos Curta-Vida, que não conseguem compreender a mente e a perspectiva de seres que vivem por séculos. A peça explora as tensões sociais e psicológicas que surgem quando duas espécies de seres humanos, com expectativas de vida radicalmente diferentes, coexistem.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Ancião (Reverendo William Haslam, Jr.) | Descendente do Reverendo Haslam, um dos primeiros Longa-Vida, e agora uma figura de autoridade. | Sábio, paciente, ponderado, com uma perspectiva vasta sobre a existência. |
| O Clerical (William Haslam, III) | Um Curta-Vida, descendente do Ancião. | Rápido, superficial, cheio de dogma e preocupações triviais. |
| A Mulher (Lubin, Jr.) | Um Curta-Vida, descendente de Lubin. | Fútil, preocupada com aparências e convenções sociais de Curta-Vida. |
| O Caixa | Um Curta-Vida que se descobre Longa-Vida. | Inicialmente comum, mas começa a mostrar os traços de paciência e profundidade dos Longa-Vida. |
Seção 4: A Tragédia de um Cavalheiro Idoso: D.C. 3000
Mil anos se passaram. A civilização dos Curta-Vida está em colapso. Os Longa-Vida se retiraram para ilhas remotas (como a Irlanda, agora uma utopia para Longa-Vida), onde vivem suas vidas prolongadas em busca de sabedoria e conhecimento, ignorando em grande parte os assuntos dos Curta-Vida. Um "Cavalheiro Idoso" (o Imperador de todas as Bretanhas), um Curta-Vida proeminente, e seu séquito viajam para a Irlanda na esperança de encontrar um propósito ou conselho dos Longa-Vida, pois a vida curta se tornou insuportavelmente fútil e sem sentido. Os Curta-Vida são confrontados com a indiferença e a visão superior dos Longa-Vida, que consideram suas preocupações com política, guerra e vaidade como meras infantilidades. O Cavalheiro Idoso, apesar de sua dignidade e autoridade entre os Curta-Vida, se sente esmagado e insignificante diante da profundidade e serenidade dos Longa-Vida. Ele e seus companheiros percebem a tragédia de sua existência de vida curta, que é incapaz de alcançar qualquer sabedoria duradoura ou paz. Confrontado com a profundidade da vida dos Longa-Vida e a superficialidade de sua própria, o Cavalheiro Idoso sucumbe, incapaz de suportar a visão de um futuro que ele não pode ter.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Imperador (O Cavalheiro Idoso) | Líder dos Curta-Vida, proeminente, mas busca respostas para a futilidade da vida curta. | Dignificado, educado, mas com uma crescente sensação de desespero e insignificância. |
| Professora de Oráculos | Uma Longa-Vida, guardiã do conhecimento e da sabedoria. | Sábia, serena, um tanto indiferente às preocupações dos Curta-Vida, focada em verdades maiores. |
| O Oráculo | Um jovem Longa-Vida que serve como uma espécie de profeta. | Profundo, enigmático, oferece vislumbres da sabedoria Longa-Vida. |
| Euclásio | Um Longa-Vida de idade intermediária. | Prático, algo impaciente com os Curta-Vida, mas ainda disposto a interagir. |
Seção 5: Tão Longe Quanto o Pensamento Pode Alcançar: D.C. 31.920
Vinte e nove mil anos depois, a humanidade evoluiu drasticamente. Não há mais Curta-Vida. Todos são Longa-Vida, com séculos de existência. A reprodução agora ocorre através de ovos que eclodem em humanos adultos jovens (cerca de 17 anos em termos de desenvolvimento), que rapidamente amadurecem física e mentalmente em poucos anos, para então viverem por milhares de anos, dedicados ao pensamento, à arte e à busca da imortalidade mental. Eles vivem em harmonia com a natureza, em um estado de quase desmaterialização. O corpo físico é visto como um fardo, e o objetivo final é se tornar uma mente pura. As pessoas nascem com o conhecimento de gerações anteriores. Artistas, pensadores e cientistas buscam a compreensão da existência. A peça apresenta seres que nascem, experimentam uma fase de entusiasmo juvenil, depois uma fase de maturidade pensativa e, finalmente, uma fase de velhice na qual se tornam puro intelecto, buscando a imaterialidade. Eles refletem sobre as fases primitivas da humanidade (nossa época), que eles mal conseguem compreender. A peça culmina com a aparição de Lilith, a figura mítica que inspirou a Criação, que reflete sobre o propósito da vida e a eterna busca da consciência e da evolução.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O recém-nascido (Amante) | Um Longa-Vida que acaba de eclodir de um ovo. | Cheio de curiosidade e entusiasmo pela vida, mas com uma compreensão avançada. |
| A recém-nascida (Amada) | Outra Longa-Vida recém-eclodida. | Similar ao Amante, representa a fase juvenil da vida longa. |
| O Antigo | Um dos Longa-Vida mais antigos, quase totalmente um ser de pensamento. | Sereno, desprendido, com uma vasta compreensão do cosmos. |
| Lilith | A figura mítica primordial, a mãe de toda a vida e a força motriz da evolução. | Onisciente, atemporal, filosófica, representa a Vontade Evolutiva em sua forma mais pura. |
Gênero literário
Drama (Pentalogia Teatral), Ficção Científica (especulativa), Filosofia (comédia-drama filosófica).
Dados do autor
George Bernard Shaw (1856-1950) foi um dramaturgo e crítico irlandês, e o único a receber tanto um Prêmio Nobel de Literatura (1925) quanto um Oscar (1938) (este último pelo roteiro de 'Pygmalion'). Um socialista convicto e um proeminente membro da Sociedade Fabiana, Shaw usou suas peças para advogar por uma variedade de reformas sociais, econômicas e políticas, incluindo sufrágio feminino, reforma agrária, igualdade de classes e o fim da exploração capitalista. Ele era conhecido por seu intelecto aguçado, sua ironia mordaz e sua habilidade de desafiar convenções e dogmas sociais através do diálogo e da sátira. Suas obras frequentemente exploram temas como moralidade, religião, política e as complexidades da natureza humana.
Moral da história
A moral central de 'Back to Methuselah' é que a vida humana atual (com uma expectativa de vida de aproximadamente 70 anos) é inerentemente muito curta para que os indivíduos adquiram a sabedoria e a perspectiva necessárias para resolver os problemas complexos do mundo. As pessoas, em sua curta existência, são propensas à imaturidade, à impulsividade e à repetição de erros históricos. Shaw propõe que, se a humanidade pudesse estender sua vida útil para vários séculos (300 anos ou mais), desenvolveria uma profundidade de pensamento, uma paciência e uma sabedoria que a permitiriam transcender as trivialidades e conflitos de curto prazo, levando a uma governança mais eficaz, a uma moralidade superior e, em última instância, à evolução para uma forma de existência mais pura e intelectual. A peça é um apelo à "Vontade Evolutiva", a crença de que a humanidade pode moldar seu próprio futuro através do desejo consciente e coletivo.
Curiosidades do livro
- Pentalogia Ambiciosa: 'Back to Methuselah' é uma das obras mais ambiciosas de Shaw, abrangendo mais de 30.000 anos de história humana e evolução. Foi escrita em 1921.
- Subtítulo Provocador: Shaw subtitulou a peça "Um ciclo de contos metafísicos de Adão e Eva até D.C. 31.920, contados não como um sonho, mas como uma verdade". Isso reflete sua crença na "força vital" e na Vontade Evolutiva como motor do progresso.
- Reação Crítica: A peça foi, e ainda é, controversa. Alguns críticos a consideraram brilhante e profética, enquanto outros a acharam prolixa, pretensiosa e mais um tratado filosófico do que uma peça teatral. Sua extensão (cinco peças) a torna raramente encenada na íntegra.
- Influência de Bergson: Shaw foi fortemente influenciado pelo filósofo francês Henri Bergson e sua ideia do élan vital (impulso vital), que Shaw reinterpreta como a "Vontade Evolutiva" – a ideia de que a vida tem uma força interna que a impulsiona à evolução e à superação.
- Resposta a Darwin: A peça é, em parte, uma resposta de Shaw à teoria da seleção natural de Darwin. Embora Shaw aceitasse a evolução, ele via a seleção natural como um mecanismo insuficiente. Ele defendia uma forma de lamarckismo ou "evolução criativa", onde a vontade e o desejo dos seres vivos poderiam direcionar a evolução de sua espécie.
- Ficção Científica Filosófica: 'Back to Methuselah' é um exemplo pioneiro de ficção científica que usa cenários futuristas para explorar ideias filosóficas profundas sobre a natureza humana, a mortalidade e o propósito da existência.
- Aparência de Lilith: A figura de Lilith, uma personagem do folclore judaico que precede Eva e é associada à rebelião e à criação independente, é usada por Shaw como uma representação arquetípica da própria força vital.
