El hombre que ríe - Victor Hugo

Resumo

"O Homem que Ri" de Victor Hugo narra a trágica história de Gwynplaine, um jovem que teve seu rosto horrivelmente desfigurado na infância por uma seita de traficantes de crianças, os Comprachicos, deixando-o com um sorriso permanente e grotesco. Abandonado à própria sorte, Gwynplaine encontra e salva uma bebê cega, Dea, e ambos são acolhidos por Ursus, um filósofo misantropo e showman itinerante, e seu lobo, Homo. Juntos, eles formam uma família e ganham a vida em feiras, com Gwynplaine se tornando a atração principal como "O Homem que Ri". A trama se aprofunda quando o destino de Gwynplaine o leva de volta à alta sociedade inglesa. Descobre-se que ele é, na verdade, Lord Fermain Clancharlie, um nobre sequestrado e desfigurado na infância para eliminar um herdeiro legítimo e desafeto da coroa. Sua ascensão à nobreza o arranca de sua vida simples e do amor puro de Dea, colocando-o em meio à decadência e hipocrisia da aristocracia. Enquanto a Duquesa Josiana, uma mulher rica e entediada, se sente estranhamente atraída por sua feiura, Gwynplaine luta para se adaptar a um mundo que o rejeita por sua aparência e o explora por seu título. A história culmina em uma dramática confrontação na Câmara dos Lordes, onde Gwynplaine tenta dar voz aos oprimidos, apenas para ser ridicularizado. Incapaz de conciliar sua identidade aristocrática com sua alma de artista e seu amor por Dea, ele busca seu verdadeiro lar e a tragédia se instala. É uma profunda crítica social à Inglaterra do século XVII, abordando temas como a injustiça social, a desigualdade, a beleza e a feiura, a hipocrisia e a corrupção da nobreza.

Seções do livro

Seção 1: O Abandono e o Encontro

A história começa em uma noite de inverno de 1689, na costa de Portland, Inglaterra. Um grupo de Comprachicos, traficantes de crianças que as mutilavam para exibições e vendas, foge da Inglaterra após uma proclamação real contra suas práticas. Eles abandonam um menino de dez anos, Gwynplaine, desfigurado com um sorriso permanente e grotesco em seu rosto. O menino é deixado sozinho na neve, com a missão de ir para um lugar específico, mas decide não obedecer. Em vez disso, perambula pela paisagem gelada, enfrentando o frio e a solidão.

Durante sua jornada desesperada, ele encontra uma mulher morta congelada na neve, abraçada a um bebê ainda vivo. Comovido, Gwynplaine pega a bebê cega e, carregando-a, continua sua busca por abrigo e ajuda. Ele chega a uma carroça-casa, a "Green Box", onde vive Ursus, um filósofo misantropo, dramaturgo e curandeiro ambulante, acompanhado de seu lobo domesticado, Homo. Ursus, inicialmente relutante e gruñón, acaba cedendo ao ver a vulnerabilidade das duas crianças e a compaixão de Gwynplaine. Ele os acolhe, e assim nasce uma família improvável.

Personagem Características Personalidade
Gwynplaine Criança de 10 anos, rosto grotescamente desfigurado em um sorriso permanente; cabelo castanho-claro, pele pálida, olhos escuros. Corajoso, compassivo, resiliente, sensível, inocente, apesar de sua aparência.
Dea Bebê cega encontrada por Gwynplaine, extremamente bela. Inocente, frágil, pura, intuitiva, carinhosa, enxerga a alma das pessoas além da aparência.
Ursus Velho filósofo itinerante, dramaturgo, misantropo declarado, mas com um bom coração; vive em uma carroça-casa com um lobo. Misanthropo de fachada, perspicaz, excêntrico, culto, protetor, irônico, crítico da sociedade.
Homo Lobo domesticado de Ursus, extremamente inteligente e leal. Fiel, inteligente, astuto, serve como companhia e guarda.
Comprachicos Grupo de criminosos que comprava crianças, mutilava seus rostos para transformá-las em aberrações e as vendia para espetáculos. Cruéis, desumanos, gananciosos, sem escrúpulos.

Seção 2: A Vida na Green Box

Anos se passam. Gwynplaine e Dea crescem como irmãos, e Ursus se torna seu pai adotivo. Eles viajam pela Inglaterra na Green Box, apresentando-se em feiras e vilas. Gwynplaine, com seu sorriso forçado, torna-se a atração principal, "O Homem que Ri", cujo espetáculo provoca tanto riso quanto horror. Dea, embora cega, ama Gwynplaine profundamente e vê sua beleza interior, alheia à sua desfiguração. Seu amor é puro e incondicional. Ursus os sustenta com suas performances de comédia e tragédia, e Homo o auxilia com truques.

A vida deles é humilde, mas cheia de afeição e calor humano, um contraste marcante com a frieza e a crueldade da sociedade externa. Gwynplaine se sente amado por Dea e Ursus, e sua condição física, embora seja sua fonte de renda, não o impede de sonhar com um mundo onde a beleza interior seja mais valorizada. Enquanto isso, a Inglaterra vive sob a égide da Rainha Anne, um período de intrigas políticas e uma sociedade rigidamente dividida entre a nobreza e o povo.

Seção 3: A Intriga Aristocrática

Paralelamente à vida simples de Gwynplaine, o livro explora a vida da alta nobreza inglesa. A Duquesa Josiana, uma mulher bela, rica e entediada, meia-irmã da Rainha Anne, é obcecada por aberrações e pela transgressão. Ela se sente fascinada pela ideia de algo que desafia as normas da beleza, e uma apresentação de "O Homem que Ri" a intriga profundamente. Ela tem um noivo, Lord David Dirry-Moir, um jovem nobre dissoluto, mas a atração de Josiana por Gwynplaine é mais forte do que qualquer convenção social.

Enquanto isso, o astuto e malevolente Barkilphedro, vice-almirante do Almirantado, um homem de confiança da Duquesa Josiana e um mestre das intrigas, descobre segredos sobre o passado de Gwynplaine. Ele está envolvido em um plano para desenterrar a verdade sobre Lord Clancharlie, um nobre exilado que se opôs a James II e cujo filho, presumivelmente morto, foi sequestrado pelos Comprachicos. Barkilphedro, buscando ganho pessoal e poder, descobre que Gwynplaine é, na verdade, Lord Fermain Clancharlie, o herdeiro legítimo de uma vasta fortuna e um título de nobreza. Essa revelação promete virar de cabeça para baixo não só a vida de Gwynplaine, mas também a estrutura de poder da corte.

Personagem Características Personalidade
Duquesa Josiana Mulher da alta nobreza, extremamente bela, rica, poderosa, meia-irmã da Rainha Anne. Entediada, extravagante, rebelde, excêntrica, sedutora, busca emoções fortes, superficial.
Barkilphedro Vice-almirante do Almirantado, homem ardiloso e cruel, mestre da intriga. Calculista, vingativo, traiçoeiro, ganancioso, manipulador, desprovido de moral.
Lord David Dirry-Moir Noivo da Duquesa Josiana, membro da nobreza. Dissoluto, arrogante, mas com um senso de honra.
Rainha Anne Rainha da Inglaterra. Fraca, influenciável, figura de poder, mas muitas vezes manipulada pelos seus conselheiros.

Seção 4: A Ascensão e a Queda

Gwynplaine é abruptamente retirado de sua vida com Ursus e Dea. Ele é preso e levado à justiça, onde sua verdadeira identidade é revelada. Ele é Lord Fermain Clancharlie, e seu sequestro e desfiguração foram parte de uma conspiração política para eliminar a linha de sucessão de um inimigo da coroa. Repentinamente, Gwynplaine é elevado à nobreza, com direito a terras, riquezas e um assento na Câmara dos Lordes.

A notícia de sua nova vida chega a Ursus e Dea, que ficam desolados. Ursus é ordenado a deixar a cidade, e a Green Box é destruída. Dea, sem Gwynplaine, perde a vontade de viver e sua saúde se deteriora rapidamente.

Gwynplaine, por sua vez, é jogado em um mundo de luxo e hipocrisia que ele despreza. A Duquesa Josiana, agora que ele é um lorde, o persegue com seu desejo. Sua atração por sua feiura, que antes era uma aberração, agora se casa com seu título, tornando-o ainda mais interessante aos seus olhos. Gwynplaine, porém, está desesperado para voltar para Dea e para a vida simples que deixou. Ele tenta se comunicar com ela, mas é impedido por Barkilphedro, que continua a manipular a situação para seu próprio benefício.

A coroação de Gwynplaine como lorde culmina em seu discurso na Câmara dos Lordes. Ele tenta usar sua voz para defender os pobres e os oprimidos, expondo a injustiça social e a crueldade da aristocracia. No entanto, sua aparência grotesca e seu passado de showman fazem com que suas palavras sejam recebidas com escárnio e riso pelos nobres. Eles o veem como um palhaço e um monstro, incapazes de levar a sério sua mensagem. O momento que deveria ser sua grande vitória se transforma em uma humilhação profunda.

Seção 5: O Retorno e o Fim

Humilhado e desesperado, Gwynplaine percebe que seu lugar não é na alta sociedade. Sua riqueza e seu título não lhe trazem felicidade, e ele anseia pelo amor puro de Dea e pela camaradagem de Ursus. Ele foge do mundo da nobreza e, após uma busca angustiante, reencontra Ursus e Homo, que estavam prestes a partir da Inglaterra em um navio.

Alegria e dor se misturam no reencontro. Dea, já muito fraca e com sua cegueira intensificada pela dor da separação e pela ilusão de ter sido abandonada, finalmente reencontra seu amado Gwynplaine. Ela morre em seus braços, a felicidade do reencontro sendo a última chama de sua vida frágil. A morte de Dea é o golpe final para Gwynplaine. A beleza e a bondade que ele encontrava nela, o único refúgio de sua alma, desaparecem. Sem ela, ele não vê mais sentido na vida.

Devastado pela perda de Dea e pela rejeição da sociedade, Gwynplaine se joga ao mar. O livro termina com Ursus e Homo, agora sozinhos, continuando sua jornada, enquanto a tragédia de Gwynplaine se encerra, simbolizando a impossibilidade de conciliar a pureza de coração com a corrupção e a crueldade do mundo.


Gênero literário: Romance histórico, drama, crítica social, romance gótico.

Dados do autor:
Victor Marie Hugo (1802–1885) foi um dos maiores escritores franceses e uma figura central do romantismo. Além de "O Homem que Ri" (1869), é autor de obras icônicas como "Os Miseráveis" (1862) e "Notre-Dame de Paris" (1831), conhecido também como "O Corcunda de Notre-Dame". Foi poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta e ativista político, lutando contra a pena de morte e em defesa dos mais desfavorecidos. Sua obra é marcada por um profundo senso de justiça social, crítica às desigualdades e exploração humana, e um estilo exuberante e descritivo. Passou muitos anos no exílio devido às suas posições políticas.

Moraleja (Moral):
A moral de "O Homem que Ri" reside na crítica à hipocrisia e à superficialidade da sociedade. O livro questiona o que é beleza e o que é feiura, mostrando que a verdadeira monstruosidade reside na crueldade humana, na injustiça social e na corrupção da alma, e não na aparência física. Ele denuncia a exploração dos inocentes, a vaidade da aristocracia e a dificuldade de um indivíduo autêntico e compassivo em encontrar seu lugar em um mundo que valoriza mais o status e a aparência do que a bondade e a verdade. A história também explora o poder redentor do amor puro e a tragédia da inocência esmagada pela crueldade do destino e da sociedade.

Curiosidades do livro:

  • Contexto Histórico: O romance é ambientado na Inglaterra do século XVII e início do século XVIII, durante a Restauração e o reinado da Rainha Anne, um período que Victor Hugo usou para criticar a sociedade e a política de seu próprio tempo na França.
  • Comprachicos: Embora ficcionalizados, os Comprachicos (com o significado de "compradores de crianças" em uma mistura de latim e espanhol) foram inspirados em lendas e relatos sobre grupos que mutilavam crianças para exibição. Victor Hugo usou essa ideia para simbolizar a desumanidade e a corrupção.
  • Crítica Social: Hugo utilizou o personagem Gwynplaine para personificar a miséria e a exclusão social, mas também a pureza e a inocência do povo. Sua risada grotesca, mas que esconde uma dor profunda, é um grito contra a injustiça.
  • Recepção: A obra foi inicialmente recebida com alguma controvérsia e não alcançou o mesmo sucesso imediato de "Os Miseráveis". No entanto, ao longo do tempo, foi reavaliada e reconhecida como uma das grandes obras de Hugo, especialmente por sua profundidade filosófica e social.
  • Influência Cultural: A imagem de Gwynplaine, com seu sorriso desfigurado, é frequentemente citada como uma das inspirações para o personagem do Coringa (The Joker) nos quadrinhos do Batman. O visual e a natureza trágica e grotesca do personagem ressoam com a complexidade do vilão da DC Comics.