A Casa dos Corações Partidos - George Bernard Shaw
Resumo Heartbreak House é uma peça de George Bernard Shaw que retrata a alta sociedade inglesa às vésperas da Primeira Guerra Mundial. A h...
Resumo
Heartbreak House é uma peça de George Bernard Shaw que retrata a alta sociedade inglesa às vésperas da Primeira Guerra Mundial. A história se passa na peculiar casa do Capitão Shotover, um inventor octogenário e ex-marujo, onde um grupo de pessoas de diferentes classes sociais se reúne. A peça é uma sátira mordaz sobre a decadência moral, a inércia e a futilidade das classes dominantes, que vivem em uma espécie de sonho romântico e irrealista, ignorando os perigos iminentes que ameaçam a Europa. Através de diálogos espirituosos e discussões filosóficas, Shaw expõe a hipocrisia, os romances ilícitos e a falta de propósito da elite, culminando em uma metáfora da destruição iminente.
Seções do livro
Seção Um
A peça começa na casa do Capitão Shotover, um lugar que se assemelha a um navio, onde a jovem Ellie Dunn chega como convidada. Ela é recebida por Hesione Hushabye, a filha do Capitão, uma mulher charmosa e romântica que a confunde com outra pessoa. A casa é um centro de excentricidades e discussões. Logo descobrimos que Ellie está noiva de um homem mais velho e rico, Alfred Mangan, que ela acredita ser um magnata da indústria. No entanto, sua amiga Lady Utterword, outra filha do Capitão Shotover, e seu marido, Randall, chegam e revelam que Mangan é na verdade um criminoso disfarçado, ex-motorista de táxi. As tensões aumentam com a chegada do Capitão Shotover, um velho sábio e excêntrico que se preocupa com o futuro da Inglaterra e com a necessidade de "navegar" com propósito. Ellie, desiludida, percebe a superficialidade do seu noivado e é atraída pelo charme e complexidade da família.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Capitão Shotover | Inventor, marinheiro aposentado, octogenário, excêntrico. | Um velho sábio e cínico, preocupado com a falta de "sabedoria na pilotagem" da Inglaterra. É profético, filosófico e possui uma visão crítica da sociedade e de sua própria família. Usa rum como inspiração para suas invenções. |
| Ellie Dunn | Jovem, idealista, musicalmente talentosa, de classe média. | Inicialmente ingênua e iludida, busca um casamento por segurança financeira. Conforme a peça avança, torna-se mais cínica e prática, desiludida com o amor romântico e o dinheiro. Desenvolve uma busca por um propósito maior. |
| Hesione Hushabye | Filha do Capitão, mulher charmosa, romântica e dramática. | Uma figura central e sedutora, que atrai e confunde as pessoas com seu charme. É profundamente romântica e emocional, mas também perspicaz. Vê a vida através de uma lente de drama e poesia, mas esconde uma profunda insatisfação. |
| Hector Hushabye | Marido de Hesione, aventureiro, bonito, contador de histórias. | Um homem charmoso e romântico, dado a fantasias e mentiras elaboradas sobre suas aventuras. É atraente e sedutor, mas carece de substância e propósito. Busca constantemente atenção e distração. |
| Lady Utterword | Filha do Capitão, aristocrática, elegante, autoritária. | Uma mulher que se considera superior, muito preocupada com as aparências e a etiqueta social. Ela é prática e controladora, mas também busca um sentido de vida em meio à futilidade de sua classe. Tenta trazer ordem à casa caótica. |
| Randall Utterword | Marido de Lady Utterword, "dândi", toca flauta. | Um homem um tanto submisso à esposa, sensível e emocional, que expressa seus sentimentos através da música. Sente-se negligenciado e busca reconhecimento, especialmente de Lady Utterword. |
| Alfred Mangan | Suposto magnata, na verdade ex-motorista de táxi e ladrão. | Um homem astuto e oportunista, que tenta se passar por alguém de importância. É manipulador e charmoso, mas também covarde quando confrontado. Sua ambição é social e financeira. |
| Mazzini Dunn | Pai de Ellie, idealista, de princípios, politicamente ingênuo. | Um homem bom e honesto, mas que carece de praticidade e visão estratégica. Representa o idealismo político bem-intencionado, mas ineficaz. É um socialista utópico que falha em aplicar suas ideias na realidade. |
| Guinness | Governanta da casa, prática, observadora. | Uma mulher sensata e aterra, que observa com paciência as excentricidades da família. É a voz da razão e da realidade prática, contrastando com a natureza sonhadora e caótica dos outros personagens. |
| O Ladrão | Um intruso, depois identificado como Billy Dunn. | Um homem desesperado que tenta roubar a casa. Sua aparição sublinha a vulnerabilidade da classe alta e a realidade social contrastante fora da "casa dos corações partidos". Ele é pego e reconhecido. |
Seção Dois
No segundo ato, a tensão aumenta. O Capitão Shotover continua a expressar seu desprezo pela falta de "sabedoria na pilotagem" de sua família e da nação, advertindo sobre a necessidade de invenções destrutivas como bombas para despertar as pessoas de sua apatia. Ellie, desiludida com Mangan e com a superficialidade da sociedade, começa a considerar uma vida sem amor romântico, optando por se casar com o dinheiro e o poder. Ela propõe um casamento de conveniência com Mangan, mas ele é desmascarado novamente. Há um jogo de verdades e mentiras, com Hector e Hesione confrontando seus próprios casamentos e desilusões. Ellie, em um momento de clareza, decide que irá se "casar" com o Capitão Shotover, não por amor romântico, mas para herdar sua sabedoria e talvez seu dinheiro, buscando um sentido para sua vida. O Capitão Shotover, por sua vez, está mais preocupado com a invenção de um "raio da morte" e com a sobrevivência da Inglaterra. A atmosfera de confusão e devaneio é interrompida pela chegada de um ladrão, que na verdade é um ex-motorista e conhecido de Mazzini Dunn. O evento é tratado com uma mistura de humor e indiferença pela família.
Seção Três
O terceiro ato se passa durante a noite. Os personagens estão sentados no jardim, sob o luar, enquanto discutem sobre o amor, a vida e a morte. As conversas se tornam mais filosóficas e pessimistas. Ellie Dunn declara seu "casamento" com o Capitão Shotover, buscando sua sabedoria e uma herança espiritual, se não material. Mangan, que agora está desmascarado e humilhado, se torna mais vulnerável e é atraído por Ellie. Lady Utterword tenta impor ordem, mas é ignorada. O Capitão Shotover continua a lamentar a decadência da sociedade e a incapacidade de sua família de encontrar um propósito. A conversa é pontuada por uma sensação de iminência e fatalidade. De repente, o som de aviões se aproxima, e luzes são avistadas no céu. É um ataque aéreo. Os personagens reagem de maneiras diversas: alguns correm para se abrigar, outros, como Hector e Hesione, ficam fascinados pela beleza e pelo horror do evento. Mangan e o ladrão (que estava escondido na pedreira) são mortos pelas bombas. A casa, embora não seja diretamente atingida, sente o impacto. A peça termina com Hesione e Hector expressando um desejo mórbido de que os aviões voltem, vendo na destruição uma forma de excitante revitalização ou libertação. O Capitão Shotover lamenta a perda de sua sabedoria para "navegar", e o som dos aviões se dissipa.
Informações Adicionais
Gênero literário
- Drama (especificamente, uma comédia de costumes com elementos trágicos e satíricos)
- Comédia de ideias / Drama filosófico
Dados do autor
George Bernard Shaw (1856–1950) foi um dramaturgo, crítico e ativista político irlandês. Ele é o único escritor a ter recebido tanto um Prêmio Nobel de Literatura (1925) quanto um Oscar (1938), este último pelo roteiro do filme Pygmalion. Shaw foi um socialista fervoroso e membro influente da Sociedade Fabiana, e suas peças frequentemente abordam questões sociais, políticas e filosóficas com sagacidade e ironia. Ele usava o teatro como uma plataforma para desafiar as convenções vitorianas e edwardianas. Entre suas obras mais famosas estão Pygmalion, Major Barbara, Man and Superman e Saint Joan.
Moral da história
A moral principal de Heartbreak House é uma crítica contundente à inércia, à frivolidade e à falta de propósito das classes dominantes europeias, especialmente a inglesa, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Shaw argumenta que essa elite, vivendo em sua bolha de romances e entretenimento, estava alheia aos perigos reais e à necessidade de liderança e "sabedoria na pilotagem" para evitar a catástrofe. A peça sugere que a complacência e a irresponsabilidade levam à destruição, e que a busca por prazeres superficiais ou riqueza sem um propósito maior é um caminho para a ruína social e moral. A casa é uma metáfora para a própria Europa, um lugar de corações partidos e mentes perdidas, à espera de um desastre.
Curiosidades
- Inspiração Chekhoviana: Shaw descreveu Heartbreak House como uma "fantasia em estilo russo sobre temas ingleses", explicitamente inspirado pelas peças de Anton Chekhov, como O Jardim das Cerejeiras e As Três Irmãs. Compartilha com Chekhov a atmosfera de melancolia, personagens sonhadores e a sensação de uma sociedade à beira da mudança.
- Contexto da Primeira Guerra Mundial: Embora escrita antes e durante a guerra (1916-1919), a peça foi publicada e encenada pela primeira vez após o conflito. A guerra e seus horrores informam profundamente o tom e o tema da peça, servindo como a "destruição" que a casa esperava. O ataque aéreo final é uma representação direta da guerra.
- Crítica Social e Política: A peça é uma crítica feroz não apenas à aristocracia e à burguesia, mas também à política e à economia da época. Os "capitães da indústria" são expostos como oportunistas e criminosos, e os idealistas como ineficazes.
- Autobiográfica: Há elementos de Shaw e de sua própria vida na peça. O Capitão Shotover é frequentemente visto como um alter ego de Shaw, um velho sábio e profético que vê a verdade por trás das aparências. A casa também pode ser uma representação da sociedade intelectual e artística que Shaw frequentava.
- Subtítulo: O subtítulo da peça, "A Fantasia na Maneira Russa sobre Temas Ingleses", destaca a intenção de Shaw de misturar estilos e temas de diferentes culturas para criar uma crítica universal.
