La apuesta - Anton Chekhov

Resumo

Em uma festa de quinze anos antes, um rico banqueiro e um jovem advogado fazem uma aposta extravagante: o advogado passará quinze anos em isolamento voluntário para provar que a vida na prisão é preferível à pena de morte. Se ele conseguir, o banqueiro lhe pagará dois milhões de rublos. Durante os anos de cativeiro, o advogado se dedica intensamente ao estudo, à leitura de livros e à reflexão filosófica. Na véspera do fim do período da aposta, o banqueiro, agora à beira da ruína financeira, percebe que terá que pagar os dois milhões, o que o levaria à falência total. Desesperado, ele decide assassinar o advogado para anular a dívida. Ao entrar no quarto de prisão do advogado, o banqueiro encontra uma carta em que o advogado renuncia voluntariamente ao dinheiro, explicando que, após sua experiência e vasto conhecimento adquirido, ele despreza as riquezas terrenas e a vaidade humana. Impressionado e envergonhado, o banqueiro deixa o quarto, e o advogado, para confirmar sua renúncia, escapa da prisão cinco horas antes do prazo final da aposta.

Seções do livro

Seção 1

Quinze anos antes, em uma noite de outono, um banqueiro de cerca de quarenta e cinco anos oferece uma festa. Durante uma conversa, o tema da pena de morte versus a prisão perpétua surge. O banqueiro argumenta que a pena de morte é mais humana do que a prisão perpétua, enquanto a maioria de seus convidados, incluindo um jovem e idealista advogado, discorda, considerando a prisão perpétua mais moral. O advogado, então com vinte e cinco anos, desafia o banqueiro, afirmando que preferiria passar a vida em confinamento a morrer instantaneamente. O banqueiro, impulsivo e arrogante, aposta dois milhões de rublos que o advogado não conseguiria permanecer em confinamento solitário por cinco anos. O advogado, ainda mais ousado, aceita o desafio, propondo um confinamento de quinze anos.

Personagens envolvidos Características Personalidade
Banqueiro Rico, na casa dos 45 anos no início da aposta, impulsivo, arrogante. Inicialmente confiante e um pouco imprudente; quinze anos depois, desesperado, cínico e moralmente comprometido pela ruína financeira.
Advogado Jovem, 25 anos no início da aposta, idealista, inteligente, corajoso. Inicialmente ingênuo e com sede de conhecimento; quinze anos depois, profundamente transformado, ascético, intelectualmente superior e desapegado das riquezas e vaidades terrenas.

Seção 2

O acordo é formalizado. O advogado deverá passar quinze anos em uma pequena cabana no jardim do banqueiro, sob estrita vigilância. Ele não pode ter contato humano, ver pessoas, ouvir vozes, fumar, beber vinho ou ler jornais e revistas. No entanto, é permitido a ele ter um piano, livros, escrever cartas e receber o que quisesse, desde que não fosse proibido. Pelo primeiro ano, o advogado sofreu de solidão e depressão, tocando piano e lendo livros de romance leve. No segundo ano, ele se dedicou intensamente a livros clássicos, aprendendo seis idiomas. No terceiro ano, ele leu tudo sobre história, filosofia e religião.

Seção 3

No quinto ano de seu confinamento, o advogado mergulha na leitura de filosofia e história. Ele escreve uma grande quantidade de material, que é trazido até o banqueiro, mas este o guarda sem ler. Durante os anos seguintes, ele passa por fases intensas de estudo. Em um período, ele lê livros sobre as ciências naturais, outro sobre medicina, e mais tarde sobre teologia e a história das religiões. Ele parece transitar por todas as áreas do conhecimento humano, como um náufrago desesperado agarrando-se a qualquer objeto para sobreviver.

Seção 4

À medida que os anos finais se aproximam, o advogado se dedica a obras de conhecimento profundo, incluindo a Bíblia e as ciências ocultas. No décimo ano, ele lê apenas livros aleatórios, sem foco, como se estivesse exausto. O banqueiro se lembra de uma carta que o advogado enviou, pedindo que alguns de seus amigos, incluindo alguns que haviam morrido, recebessem seus cumprimentos por escrito. O banqueiro percebe que o advogado havia se transformado em uma figura envelhecida, um asceta, mas ainda ansioso por conhecimento.

Seção 5

É a noite de 14 de novembro de 1888, a véspera do fim da aposta. O banqueiro, agora um homem velho e arruinado, reflete sobre sua situação. Se ele tivesse que pagar os dois milhões, estaria completamente falido. Ele se lembra de sua aposta impulsiva e como, na época, considerava aquilo uma pequena quantia. A perspectiva de perder tudo o leva a uma decisão desesperada: ele decide matar o advogado para evitar o pagamento e a vergonha.

Seção 6

O banqueiro, com a intenção de assassinar o advogado, esgueira-se até a cabana onde o prisioneiro está confinado. Através de uma janela, ele vê o advogado, agora um homem magro e pálido, envelhecido prematuramente, dormindo profundamente em sua mesa. Um papel está sobre a mesa. O banqueiro o pega e lê uma carta escrita pelo advogado. Na carta, o advogado explica que, após quinze anos de isolamento e profundo estudo, ele despreza o dinheiro, a riqueza material e a vaidade humana. Ele viu a falsidade e a superficialidade de tudo o que o mundo oferece. Para provar sua renúncia à aposta e ao dinheiro, ele declara que fugirá da cabana cinco horas antes do prazo final, desqualificando-se da vitória e, portanto, libertando o banqueiro de sua obrigação de pagar. O banqueiro, profundamente chocado e envergonhado pela humildade e pela sabedoria do advogado, chora e deixa a carta sobre a mesa. Na manhã seguinte, o guarda relata que o advogado escapou pela janela da cabana, confirmando sua renúncia à aposta.


Gênero literário: Conto filosófico, ficção psicológica.

Dados do autor:
Anton Pavlovich Chekhov (1860-1904) foi um médico, dramaturgo e escritor russo, considerado um dos maiores mestres da forma curta na história da literatura. Sua carreira como dramaturgo produziu quatro clássicos, e seus melhores contos são altamente valorizados por escritores e críticos. Chekhov praticava medicina durante a maior parte de sua carreira literária e uma vez disse: "A medicina é minha esposa legal; a literatura é minha amante". Ele é conhecido por seu realismo, o uso de um tom desapaixonado e a técnica do "iceberg", onde grande parte do significado fica implícito. Suas obras frequentemente exploram a futilidade, a monotonia e a tragédia da vida comum russa.

Moral da história:
A história explora a futilidade do dinheiro e das posses materiais frente ao verdadeiro conhecimento e à liberdade espiritual. Ela sugere que a busca incessante por riquezas e status pode corromper a alma e levar à desilusão, enquanto a reclusão e a introspecção, mesmo em condições extremas, podem levar a uma profunda transformação pessoal e à compreensão da verdadeira essência da vida. A moral aponta para a ideia de que o sofrimento e o isolamento, paradoxalmente, podem ser caminhos para a iluminação e para o desapego das vaidades mundanas.

Curiosidades do livro:

  • "A Aposta" (em russo: "Пари", transl. "Pari") foi publicado pela primeira vez em 1889.
  • A história reflete um debate filosófico comum na Rússia da época sobre a pena de morte versus a prisão perpétua.
  • A transformação do advogado, que passa de um jovem idealista para um asceta desapegado, é um ponto central da história e mostra a capacidade de Chekhov de explorar a psicologia humana em profundidade.
  • O final da história, com a renúncia do advogado ao prêmio, é um dos mais impactantes da literatura russa, desafiando as expectativas do leitor sobre o valor da riqueza e do sucesso material.
  • A obra pode ser vista como uma crítica velada à sociedade russa da época, obcecada por dinheiro e status, e ao vazio existencial que isso gerava.