La dama del mar - Henrik Ibsen

Resumo

"A Dama do Mar" de Henrik Ibsen explora a crise existencial de Ellida Wangel, a segunda esposa do Dr. Wangel, um médico de uma pequena cidade costeira. Ellida, filha de um faroleiro, sente uma ligação profunda e quase mística com o mar, o que a faz sentir-se aprisionada na vida terrestre e no seu casamento. Ela é assombrada por um pacto que fez na juventude com um misterioso marinheiro, que prometeu regressar para a levar. Quando o Estranho finalmente reaparece, Ellida é confrontada com a escolha de seguir o seu destino predeterminado com ele ou permanecer com o seu marido, que, em um ato de amor libertador, lhe dá a liberdade de escolher. A peça aborda temas de liberdade, escolha, identidade, a natureza do amor e a busca pela autorealização.

Seções do livro

Seção 1

A peça começa no jardim da casa do Dr. Wangel, no verão. A família está lá: Dr. Wangel, suas duas filhas adultas de um primeiro casamento, Bolette e Hilda, e sua segunda esposa, Ellida. Bolette está a ensinar norueguês a Lyngstrand, um jovem escultor doente, enquanto Hilda está a ler. A conversa revela que Ellida está inquieta e melancólica, passando muito tempo no banho de mar. O Dr. Wangel, preocupado, tenta entender a sua angústia, que ele atribui ao clima e à sua saudade do mar.
Chega Arnholm, um antigo tutor de Bolette, agora professor. A sua visita é inesperada e a família o recebe com agrado. Ele está interessado em Bolette, mas também nota a estranheza de Ellida e a sua conexão com o mar. Ellida revela a Arnholm que sente que a sua vida atual é "antinatural" e que o seu espírito pertence ao mar. Ela está assombrada por um encontro passado com um marinheiro.

Personagem Características Personalidade
Ellida Wangel Esposa do Dr. Wangel, filha de um faroleiro. Profundamente ligada ao mar. Melancólica, sonhadora, inquieta, idealista, sente-se aprisionada, tem uma natureza mística.
Dr. Wangel Médico, marido de Ellida, pai de Bolette e Hilda. Bondoso, atencioso, um tanto ingénuo em relação às profundezas da alma de Ellida, preocupado, prático.
Bolette Wangel Filha mais velha do Dr. Wangel. Prática, inteligente, sensível, anseia por educação e uma vida além da sua pequena cidade, responsável.
Hilda Wangel Filha mais nova do Dr. Wangel. Jovem, um pouco cínica, direta, com um toque de malícia juvenil, perspicaz.
Arnholm Antigo tutor de Bolette, agora professor. Culto, observador, interessado em Bolette e nas questões de Ellida, um pouco formal.
Lyngstrand Jovem escultor, doente de tuberculose. Romântico, sonhador, frágil, idealista, com aspirações artísticas.

Seção 2

No jardim, no dia seguinte. O Dr. Wangel e Arnholm discutem a condição de Ellida. Wangel explica que Ellida tinha prometido casar-se com um marinheiro, "O Estranho", anos antes. Ele havia desaparecido após um incidente violento, mas fez Ellida jurar que esperaria por ele. O Dr. Wangel acredita que esta promessa, selada com anéis lançados ao mar, é a causa da angústia de Ellida, embora ele a tenha "salvado" dela ao casar-se com ela. Ellida ouve a conversa e reafirma a sua crença de que o Estranho a virá buscar.
Lyngstrand fala com Bolette e Hilda sobre a sua escultura planeada, que retrata uma mulher afogada que foi salva por um marinheiro, o qual regressa mais tarde para reclamá-la. Ele pede a Bolette que pose para a figura da mulher, o que mostra um paralelismo com a situação de Ellida. Bolette, por sua vez, expressa a Arnholm o seu desejo de aprender e ver o mundo, mas sente-se presa pelas suas obrigações para com o pai e a casa. Arnholm sugere que ela poderia ter uma vida diferente com ele, talvez até casar.

Seção 3

Ainda no jardim. Ellida está sozinha, expressando a sua profunda ligação ao mar e o medo que sente de viver longe dele. Ela sente que a sua alma foi "envenenada" por essa ligação. O Dr. Wangel tenta convencê-la de que a sua ligação ao mar é uma ilusão e que ela deve focar-se na sua vida presente e no seu amor por ele. Ellida confessa que nunca se sentiu verdadeiramente "em casa" com ele, apesar do seu carinho, e que o seu casamento foi mais uma fuga da sua promessa do que um ato de amor livre. Ela revela que o filho que teve com Wangel morreu pouco depois de nascer e que os seus olhos eram como os do Estranho, o que a assustou.
Arnholm propõe a Bolette que se case com ele para que ela possa viajar e estudar, oferecendo-lhe a liberdade que ela tanto deseja. Bolette hesita, consciente da sua idade e da responsabilidade familiar, mas a perspectiva de uma vida além da cidade a atrai.

Seção 4

Na sala de visitas da casa de Wangel. O Estranho chega inesperadamente. Ellida fica chocada e aterrorizada, mas também atraída por ele. Ele exige que ela cumpra a sua promessa e o siga. O Dr. Wangel tenta intervir e proteger Ellida, mas ela insiste que deve ser ela a decidir. O Estranho dá a Ellida até a manhã seguinte para fazer a sua escolha.
Ellida está em um estado de intensa turbulência emocional. Ela sente uma força irresistível puxando-a para o Estranho, uma espécie de destino fatalista. Ela explica a Wangel que se ele a forçar a ficar, ela será apenas um corpo, mas a sua alma irá com o Estranho. Ela teme a perda da sua própria identidade se não tiver a liberdade de escolher.

Seção 5

No jardim, na manhã seguinte. Ellida está a lutar com a sua decisão. O Dr. Wangel, desesperado para salvá-la, tem uma revelação. Ele percebe que não pode forçar Ellida a ficar com ele contra a sua vontade. Em um ato de profundo amor e respeito pela liberdade individual dela, ele decide libertá-la completamente do seu juramento. Ele diz-lhe que ela é livre para ir com o Estranho se quiser, sem nenhuma obrigação para com ele.
Esta oferta de liberdade muda tudo para Ellida. A pressão do destino e da atração irresistível do Estranho desaparece. Sem a compulsão, ela percebe que a sua "escolha" para com o Estranho era, na verdade, uma compulsão. Agora que ela tem a verdadeira liberdade de escolha, a sua vontade de ficar com Wangel emerge. Ela escolhe livremente permanecer com o seu marido, pois pela primeira vez, a sua decisão é baseada no amor e na verdadeira vontade, não em uma promessa ou uma força externa. O Estranho, sem mais poder sobre ela, parte. Bolette decide ir com Arnholm, aceitando a sua proposta, e Lyngstrand continua a sonhar com a sua arte. Ellida e Wangel finalmente encontram uma base para um relacionamento genuíno e livre.


Gênero literário: Drama psicológico, realismo, simbolismo.

Dados do autor:
Henrik Ibsen (1828-1906) foi um dramaturgo norueguês, frequentemente referido como o "pai do realismo moderno" no teatro e um dos fundadores do modernismo no teatro europeu. As suas peças são conhecidas por desafiar as normas vitorianas da moralidade e explorar profundas questões sociais e psicológicas. Entre as suas obras mais célebres estão "Casa de Bonecas", "Hedda Gabler", "Um Inimigo do Povo" e "Peer Gynt". Ibsen revolucionou o drama, afastando-se do melodrama e da grandiosidade romântica para se concentrar em personagens complexos e situações realistas, muitas vezes com um forte subtexto simbólico.

A moral da história:
A principal moral de "A Dama do Mar" é que a verdadeira liberdade e a capacidade de fazer escolhas autênticas são essenciais para a felicidade e a realização individual. O amor genuíno não pode existir sob coerção ou obrigação; ele deve ser uma escolha livre e voluntária. A peça enfatiza que a libertação psicológica e espiritual advém de confrontar os próprios medos, fantasmas do passado e de tomar controlo sobre o próprio destino, em vez de se submeter a forças externas ou ilusões. Quando o Dr. Wangel liberta Ellida da sua promessa e da sua "obrigação", ele permite que ela faça uma escolha baseada na sua própria vontade, e é só então que ela pode encontrar a paz e aceitar o seu presente.

Curiosidades do livro:

  • Influência Biográfica: A inspiração para Ellida Wangel e a sua ligação ao mar pode ter vindo da própria esposa de Ibsen, Suzannah Thoresen, que tinha uma forte personalidade e uma ligação com a paisagem costeira norueguesa.
  • Simbolismo Marítimo: O mar é um símbolo central na peça, representando tanto a liberdade ilimitada e a natureza selvagem quanto o desconhecido, o perigo e os desejos subconscientes. A ligação de Ellida com o mar reflete a sua natureza indomável e o seu anseio por uma vida mais autêntica.
  • Drama de Ideias: Como muitas das peças de Ibsen, "A Dama do Mar" é um "drama de ideias" que explora temas filosóficos e sociais, como a liberdade da mulher, a natureza do casamento, o autoconhecimento e a importância da escolha individual.
  • Transição no Estilo de Ibsen: A peça marca uma transição no trabalho de Ibsen do realismo social mais direto para um estilo mais simbólico e psicológico, que caracterizaria as suas últimas obras.
  • Recepção Inicial: A peça não foi tão instantaneamente aclamada como "Casa de Bonecas", mas gradualmente ganhou reconhecimento pelo seu profundo mergulho na psicologia humana e pelo seu simbolismo.