La nariz - Nikolai Gogol

Resumo

"O Nariz" de Nikolai Gogol é uma novela satírica e surrealista que narra a bizarra história de Major Kovalyov, um ambicioso funcionário público em São Petersburgo. A trama começa quando Ivan Yakovlevich, um barbeiro, encontra um nariz humano dentro de um pão fresco. Para seu horror, ele reconhece o nariz como pertencente a Major Kovalyov, seu cliente. No mesmo dia, Kovalyov acorda e descobre que seu nariz desapareceu do rosto. Chocado, ele sai para procurá-lo e o encontra passeando pela cidade, vestido com um uniforme de Conselheiro de Estado, um posto superior ao seu. Kovalyov tenta confrontar seu nariz, mas ele o ignora e se afasta. Desesperado, Kovalyov tenta anunciar o desaparecimento no jornal e busca ajuda da polícia, enfrentando a burocracia e a indiferença. Após uma série de eventos absurdos, o nariz é eventualmente recuperado pela polícia e devolvido a Kovalyov, mas ele não consegue recolocá-lo. Médicos e tentativas de reanexação falham, e a cidade de São Petersburgo é tomada por rumores e especulações sobre o nariz. Tão misteriosamente quanto desapareceu, o nariz reaparece no rosto de Kovalyov uma manhã, sem qualquer explicação. A história é uma crítica à superficialidade, à burocracia e à obsessão com o status social na Rússia czarista.

Seções do livro

Seção 1

A história começa em São Petersburgo, com o barbeiro Ivan Yakovlevich. Ele acorda e sua esposa, Praskovya Osipovna, lhe entrega um pão recém-assado. Ao tentar cortá-lo, Ivan sente algo duro dentro. Para sua consternação e horror, ele puxa um nariz humano. Ele reconhece imediatamente o nariz como sendo de um de seus clientes regulares, o Major Kovalyov. Sua esposa fica furiosa e o acusa de ter cortado o nariz de alguém enquanto estava bêbado. Ela o exige que se livre do nariz imediatamente. Ivan Yakovlevich tenta desesperadamente jogar o nariz fora, mas é constantemente impedido por pessoas ou circunstâncias. Ele finalmente consegue jogá-lo de uma ponte no rio Neva, sentindo-se aliviado por um momento, mas é avistado por um policial que começa a questioná-lo. A narrativa corta antes que o resultado do interrogatório seja revelado.

Personagem Características Personalidade
Ivan Yakovlevich Barbeiro de São Petersburgo, pequeno-burguês, bebe bastante, teme a esposa. Desajeitado, medroso, tenta evitar problemas, um tanto ingênuo, facilmente dominado pela esposa.
Praskovya Osipovna Esposa de Ivan Yakovlevich, austera, dona de casa. Autoritária, ranzinza, controladora, pragmática e preocupada com as aparências.

Seção 2

Neste ponto, o foco da história muda para Major Kovalyov. Ele acorda e, ao olhar no espelho, percebe com horror que seu nariz desapareceu, deixando apenas uma superfície lisa e plana. Ele entra em pânico e sai de sua casa, cobrindo o rosto com um lenço, determinado a encontrar seu nariz. Para sua surpresa e incredulidade, ele avista seu próprio nariz, vestido em um uniforme de Conselheiro de Estado (um posto superior ao seu na hierarquia burocrática), caminhando pela rua e entrando na Catedral de Kazan. Kovalyov o segue e tenta confrontá-lo na igreja, perguntando-lhe como ele ousava estar ali e se comportar como uma pessoa. O nariz, no entanto, o ignora completamente e mantém uma postura altiva, como se fosse uma pessoa de alta posição, e se recusa a reconhecer Kovalyov. Chocado e humilhado, Kovalyov observa seu nariz sair da catedral e subir em uma carruagem, desaparecendo no meio da cidade.

Personagem Características Personalidade
Major Kovalyov Funcionário público em São Petersburgo, aspira a ascender na hierarquia social, tem cerca de quarenta e poucos anos. Sonha em se casar com uma mulher rica e construir uma carreira. É vaidoso e se preocupa imensamente com sua aparência e status social. Vaidoso, presunçoso, egocêntrico, preocupado com as aparências e o status. Sua identidade está intrinsecamente ligada à sua posição social e às suas características físicas. Quando perde o nariz, ele entra em pânico não apenas pela perda física, mas também pela ameaça à sua imagem e capacidade de ascender socialmente.

Seção 3

Desesperado, Kovalyov decide que precisa de ajuda para recuperar seu nariz e restaurar sua honra. Ele se dirige ao escritório de jornais local, na esperança de colocar um anúncio sobre o desaparecimento de seu nariz. Lá, ele tenta explicar a situação a um escrevente, que inicialmente se recusa a acreditar nele. O escrevente acha a história de Kovalyov absurda e imprópria para um anúncio. Ele até sugere que Kovalyov procure um médico ou um artista que possa fazer uma prótese. Kovalyov insiste e tenta subornar o escrevente, mas este permanece irredutível, achando a história inaceitável e prejudicial à reputação do jornal. Frustrado e sem saber mais o que fazer, Kovalyov deixa o escritório, sentindo-se cada vez mais isolado e incompreendido.

Seção 4

Em sua busca incessante, Kovalyov decide procurar a ajuda da polícia. Ele vai à casa do Inspetor de Polícia, esperando encontrar alguém que leve sua situação a sério. No entanto, o Inspetor está dormindo e reluta em acordar. Quando finalmente o faz, ele ouve a história de Kovalyov com ceticismo e pouca empatia. O Inspetor está mais preocupado com a burocracia e os procedimentos corretos do que com a situação surreal de Kovalyov. Ele faz perguntas irrelevantes e se mostra indiferente, sugerindo que Kovalyov se meteu em alguma confusão ou que talvez o nariz tenha caído por razões comuns. Kovalyov fica ainda mais desanimado, percebendo que a burocracia e a falta de compreensão são barreiras intransponíveis. Ele se sente completamente impotente diante da indiferença das autoridades.

Seção 5

A história então dá uma reviravolta. Um oficial de polícia aparece na casa de Kovalyov com seu nariz. O oficial explica que o nariz foi interceptado tentando fugir da cidade em uma diligência, disfarçado de médico, com um passaporte falso. Kovalyov fica extasiado ao ver seu nariz novamente, mas sua alegria é rapidamente substituída pela frustração quando ele tenta recolocá-lo. O nariz não gruda de jeito nenhum. Ele tenta com a ajuda de um médico que é chamado, mas mesmo o médico mais experiente não consegue reanexar o nariz. O médico sugere deixar o nariz em um pote de álcool, mas Kovalyov recusa, pois precisa do nariz em seu rosto para manter sua imagem social. A situação parece insolúvel.

Seção 6

Enquanto Kovalyov luta para resolver seu problema, a notícia do nariz desaparecido e reaparecido se espalha como fogo por toda São Petersburgo. As pessoas ficam fascinadas e a história se torna um tópico de conversa em todos os lugares. Há rumores de que o nariz está passeando no Jardim de Tauride e até de que ele apareceu na loja de Gostíny Dvor. As pessoas saem para ver o nariz, curiosas e incrédulas. A cidade inteira é consumida pela estranha anomalia. Enquanto isso, Kovalyov permanece em desespero, sem um nariz e sem esperança de recuperá-lo. No entanto, em uma manhã de 7 de abril, tão misteriosamente quanto desapareceu, o nariz de Kovalyov reaparece em seu rosto. Não há explicação para seu retorno. Kovalyov acorda, seu nariz está de volta, e ele pode voltar à sua vida normal, com seu barbeiro Ivan Yakovlevich raspando-o como de costume. A história termina com o narrador expressando sua própria confusão e admitindo que, apesar de tudo, essas coisas realmente acontecem no mundo.

Gênero literário

Sátira, Surrealismo, Realismo Fantástico, Conto Filosófico.

Dados do autor

Nikolai Vasilyevich Gogol (em russo: Николай Васильевич Гоголь) foi um proeminente escritor russo de origem ucraniana.

  • Nascimento: 1º de abril de 1809 (20 de março no calendário juliano) em Velyki Sorochyntsi, Poltava Governorate, Império Russo (atual Ucrânia).
  • Morte: 4 de março de 1852 (21 de fevereiro no calendário juliano) em Moscou, Império Russo.
  • Obras Notáveis: Gogol é considerado um dos pais da literatura russa moderna e é conhecido por suas obras que misturam realismo com elementos grotescos e fantásticos, além de uma profunda crítica social. Algumas de suas obras mais famosas incluem "Almas Mortas" (romance), "O Capote" (conto), "O Inspetor Geral" (peça de teatro), e "Diário de um Louco" (conto).
  • Estilo: Caracterizado por um humor mordaz, sátira social, detalhamento psicológico e uma habilidade única de transformar o cotidiano em algo absurdo e profundo. Ele influenciou muitos escritores russos posteriores, incluindo Fiódor Dostoiévski.

Moraleja

"O Nariz" não tem uma moralidade única e óbvia no sentido tradicional, mas oferece várias reflexões e críticas:

  • A Superficialidade e a Importância das Aparências: A história satiriza a sociedade russa do século XIX, onde o status social e a aparência externa eram de suma importância. Para Kovalyov, a perda de seu nariz é um desastre não por razões de saúde, mas porque compromete sua imagem, sua dignidade e suas chances de ascensão social e casamento. A história expõe como as pessoas são julgadas e valorizadas com base em sua fachada.
  • Burocracia e Absurdo: Gogol critica a ineficácia e a indiferença da burocracia russa, que é incapaz de lidar com algo fora de seus procedimentos rígidos, mesmo quando se trata de uma emergência tão bizarra. A recusa do jornal e a indiferença da polícia refletem a absurdidade do sistema.
  • Perda de Identidade: O nariz, uma parte tão central da identidade de uma pessoa, ganha vida própria e até supera Kovalyov em status. Isso sugere uma fragmentação da identidade e a alienação do indivíduo em uma sociedade obcecada pelo status e pelas convenções.
  • Irracionalidade da Realidade: A história desafia a lógica e a racionalidade, apresentando um evento completamente impossível como se fosse real. Isso pode ser interpretado como uma crítica à pretensão da razão ou uma celebração do absurdo inerente à vida.

Curiosidades

  • Publicação e Recepção: "O Nariz" foi publicado pela primeira vez em 1836 na revista literária "Sovremennik" (O Contemporâneo) de Aleksandr Pushkin. Sua natureza bizarra inicialmente gerou controvérsia e confusão entre os leitores e críticos, que não sabiam como interpretar a história.
  • Inspiração e Interpretações: Não há uma inspiração clara para a ideia de um nariz que se separa e ganha vida. A história é frequentemente interpretada como uma sátira à hierarquia de classes da Rússia czarista, onde o status (simbolizado pelo uniforme do nariz) era mais importante que a pessoa em si. Também é vista como uma exploração da ansiedade social, da paranoia e da despersonalização.
  • Estilo e Legado: A técnica de Gogol de misturar o mundano com o fantástico, criando um efeito de "realismo mágico" ou "surrealismo", foi altamente influente. "O Nariz" é um exemplo primordial de como ele usa o absurdo para comentar sobre a realidade social e psicológica. Fiódor Dostoiévski, por exemplo, é conhecido por ter dito: "Todos nós saímos do capote de Gogol", referindo-se à influência seminal de Gogol na literatura russa, e "O Nariz" é um pilar desse legado.
  • Adaptações: A novela foi adaptada em diversas mídias, incluindo uma ópera em 1928 por Dmitri Shostakovich, que é considerada uma das obras-primas do teatro musical do século XX. Também houve várias adaptações cinematográficas e televisivas.
  • Final Ambíguo: O narrador conclui a história admitindo que ela é "absolutamente incompreensível" e que "tais coisas acontecem, às vezes." Essa ambiguidade e a falta de uma explicação lógica para os eventos são características do estilo de Gogol e contribuem para a natureza enigmática e duradoura da história.