La vuelta al mundo en ochenta días - Jules Verne

Resumo

"A Volta ao Mundo em Oitenta Dias" de Jules Verne narra a extraordinária aventura de Phileas Fogg, um cavalheiro inglês metódico e excêntrico, que aposta toda a sua fortuna no excêntrico desafio de dar a volta ao mundo em exatos oitenta dias. Acompanhado de seu novo e leal mordomo francês, Jean Passepartout, Fogg embarca numa viagem frenética e cheia de perigos, utilizando todos os meios de transporte possíveis na época – comboios, vapores, elefantes, e até trenós. No seu encalço, o detetive Fix persegue-o, convencido de que Fogg é um ladrão de bancos que fugiu da Inglaterra. Ao longo da jornada, Fogg e Passepartout salvam uma jovem indiana, Aouda, e enfrentam inúmeros obstáculos, desde ataques de índios a atrasos imprevistos, sempre com o relógio a ditar o ritmo. A história culmina num desfecho surpreendente em Londres, onde um erro de cálculo, causado pela travessia da Linha Internacional de Data, revela que a viagem terminou um dia antes do esperado, permitindo que Fogg vença a aposta e encontre o amor.

Seções do livro

Seção 1: O Início da Aposta e a Partida

A história começa em Londres, em 1872, apresentando Phileas Fogg, um cavalheiro rico e membro do exclusivo Reform Club. Fogg é conhecido pela sua pontualidade e hábitos meticulosos, ao ponto de dispensar o seu antigo mordomo por um erro insignificante na temperatura da água da barba. No mesmo dia, contrata Jean Passepartout, um francês que procura uma vida tranquila e organizada.

No Reform Club, Fogg envolve-se numa discussão sobre a possibilidade de dar a volta ao mundo em oitenta dias, um feito que um artigo de jornal afirmava ser realizável devido à abertura de novas linhas ferroviárias. Fogg, com a sua habitual calma e lógica, afirma que é possível e aceita uma aposta de vinte mil libras com os seus colegas do clube de que conseguiria realizar a façanha.

Fogg parte de Londres na noite de 2 de outubro de 1872, levando consigo Passepartout e uma pequena mala cheia de dinheiro, sem grandes bagagens, pois o tempo é o seu principal inimigo. A sua viagem começa de comboio em direção a Dover, com destino a Suez.

Personagem Características Personalidade
Phileas Fogg Cavalheiro inglês rico e solteiro. Membro do Reform Club. Vive numa casa elegante em Savile Row. Sem laços familiares conhecidos. Possui uma fortuna considerável. Calmo, imperturbável, extremamente metódico e pontual. Lógico e pragmático. Não demonstra emoções facilmente. Obsessivo com a ordem e a rotina. Honrado e determinado em cumprir a sua palavra. Corajoso e engenhoso.
Jean Passepartout Mordomo francês, ex-ginasta e bombeiro. Deseja uma vida tranquila e rotineira após experiências passadas como artista de circo e na polícia. De estatura robusta e musculosa. Leal, impulsivo, jovial e bem-humorado. Por vezes ingénuo e curioso, o que o leva a meter-se em problemas. Admirador de seu mestre, embora por vezes se irrite com a sua frieza e falta de improviso. Corajoso e astuto.

Seção 2: O Percurso na Índia

A viagem prossegue sem grandes intercorrências por comboio e navio a vapor até Suez, no Egito. Ali, o detetive de polícia John Fix, que foi enviado de Londres para investigar o roubo de cinquenta e cinco mil libras do Banco de Inglaterra, cruza-se com Fogg. Ao ver a descrição do suposto ladrão, Fix imediatamente desconfia de Fogg, pois a sua partida repentina e a grande soma de dinheiro que transporta levam-lo a crer que encontrou o criminoso. No entanto, Fix não tem um mandado de prisão internacional e decide seguir Fogg e Passepartout na esperança de que um mandado chegue a um dos portos seguintes.

A bordo do navio para Bombaim, Fix tenta fazer amizade com Passepartout para obter informações, mas este, fiel ao seu mestre, não revela nada de comprometedor. Em Bombaim, Passepartout, na sua curiosidade, entra num templo hindu onde é proibida a entrada a não-crentes com sapatos. Sem saber da restrição, ele pisa no santuário e é agredido por sacerdotes. Fogg paga uma fiança para libertá-lo, mas o incidente atrasa a partida do comboio para Calcutá.

Durante a viagem de comboio pela Índia, o comboio para inesperadamente no meio da floresta porque a linha férrea ainda não estava completa. Fogg, sem se perturbar, compra um elefante chamado Kiouni, juntamente com um guia parsi, para cobrir os cinquenta quilómetros que faltavam. Pelo caminho, encontram uma procissão fúnebre que se prepara para realizar um sati, a imolação de uma jovem viúva chamada Aouda na pira funerária do seu falecido marido, um rajá. Fogg decide resgatá-la, arriscando perder tempo precioso. Passepartout, com a sua bravura e astúcia, disfarça-se de cadáver do rajá e surpreende os brâmanes, permitindo que Aouda seja salva. Eles levam Aouda consigo para Calcutá, de onde embarcam num navio para Hong Kong.

Personagem Características Personalidade
Detetive Fix Inspetor de polícia britânico, responsável por investigar o roubo ao Banco de Inglaterra. Possui um bom instinto e é muito observador. Persistente, astuto e determinado. Obsessivo com o seu trabalho, fará de tudo para prender o suspeito que acredita ser Fogg. Não tem escrúpulos em usar truques para atrasar Fogg, embora não seja inerentemente mau.
Aouda Jovem e bela viúva indiana. Descendente de ricos comerciantes de Bombaim, educada à moda europeia. Órfã desde criança, casou-se com um rajá velho por conveniência. Grata, delicada, frágil inicialmente, mas mostra coragem e dignidade. Com o tempo, desenvolve afeição por Fogg e Passepartout. Adota a cultura europeia com facilidade.

Seção 3: Desafios na Ásia

Chegando a Hong Kong, Fogg descobre que Aouda tem parentes ricos que vivem na colónia, mas que estes se mudaram. Fogg decide levá-la consigo para a Europa. Enquanto isso, Fix continua a sua perseguição, desesperado por um mandado de prisão. Ele vê em Hong Kong a última chance de impedir Fogg antes que este chegue a países onde a jurisdição britânica não é tão forte.

Fix consegue atrair Passepartout para uma taberna, onde o embriaga com ópio e revela as suas suspeitas sobre Fogg ser o ladrão. O objetivo de Fix é fazer com que Passepartout perca o navio para Yokohama, atrasando Fogg. Passepartout, sob o efeito do ópio, não consegue avisar Fogg sobre a mudança de horário do navio e acaba por embarcar sozinho num navio para Iocoama (Yokohama), no Japão, pensando que o seu mestre estaria nele.

Fogg, percebendo que perdeu o navio e que Passepartout desapareceu, não perde a calma. Ele encontra um capitão que o leva a Xangai, onde esperava apanhar um paquete para a América. Lá, encontram um navio a vapor para Iocoama, o General Grant, e partem imediatamente, com Aouda ao seu lado.

Enquanto isso, Passepartout chega a Iocoama sem dinheiro e sem saber onde está Fogg. Ele arranja trabalho num circo japonês, onde executa números acrobáticos para sobreviver. Fogg e Aouda, por sua vez, ao chegarem a Iocoama, procuram Passepartout e acabam por assistir a uma das atuações do circo. Lá, para surpresa e alívio de ambos, Fogg encontra Passepartout no palco, finalmente reunindo o trio. Embarcam juntos no General Grant em direção a São Francisco, nos Estados Unidos.

Seção 4: A Travessia da América

A travessia do Pacífico é feita no General Grant, com Fix, ainda a bordo, a observar cada movimento de Fogg, esperando que um mandado o aguarde em solo americano. Ao chegarem a São Francisco, nos Estados Unidos, embarcam num comboio transcontinental que os levará até Nova Iorque.

A viagem de comboio pela América é pontuada por vários perigos. Atravessam as grandes planícies, onde encontram um vasto rebanho de bisontes que causa um atraso de várias horas. Mais tarde, uma ponte suspensa sobre o rio Republican, fraca e instável, obriga o comboio a passar em velocidade máxima para não desabar. Fogg, sempre calmo, aceita os atrasos com resignação.

O maior perigo surge quando o comboio é atacado por uma tribo de índios Sioux. Eles invadem o comboio e raptam três passageiros, incluindo Passepartout, que tentou defender o comboio com bravura. Fogg, sem hesitar, organiza um pequeno grupo de soldados americanos para ir em resgate de Passepartout e dos outros prisioneiros. Eles conseguem salvar Passepartout, mas o atraso é significativo e o comboio já partiu.

Fogg e os seus companheiros ficam encalhados em Fort Kearney. Mais uma vez, a sua engenhosidade é testada. Ele compra um trenó de vela, um veículo adaptado para deslizar na neve, e consegue recuperar parte do tempo perdido, chegando a Omaha e depois a Chicago. Em Chicago, apanham um novo comboio para Nova Iorque. No entanto, chegam tarde demais, perdendo o navio para Liverpool, que partira poucas horas antes.

Seção 5: A Corrida Final e o Enigma do Tempo

Em Nova Iorque, Fogg percebe que perdeu o seu último navio para a Europa. Com o tempo quase esgotado, a sua situação parece desesperadora. No entanto, ele não desiste. Encontra um pequeno navio a vapor, o Henrietta, que se preparava para partir para Bordéus, em França. Embora o capitão se recuse a levá-los para Liverpool, Fogg, com a sua determinação habitual, compra o navio a um preço exorbitante.

Uma vez a bordo, Fogg ordena que o navio se dirija para Liverpool, para grande desgosto do capitão. Quando o combustível começa a escassear, Fogg, sem hesitar, manda queimar todas as partes de madeira do navio, incluindo a superestrutura, para alimentar as caldeiras e manter a velocidade. O Henrietta torna-se um esqueleto flutuante, mas consegue atingir a costa irlandesa e, por fim, Liverpool.

Chegam a Liverpool a 21 de dezembro, a apenas algumas horas do prazo final. No entanto, assim que Fogg pisa em solo britânico, o detetive Fix surge com um mandado de prisão e prende-o sob a acusação de roubo ao Banco de Inglaterra. Fogg é detido, e o tempo continua a passar.

Horas mais tarde, a inocência de Fogg é provada quando o verdadeiro ladrão é capturado. Fix liberta Fogg, que, em desespero, apanha um comboio especial, mas chega a Londres cinco minutos após o prazo das 20h45 do dia 21 de dezembro de 1872. Ele parece ter perdido a aposta por cinco minutos.

Derrotado, Fogg e Aouda voltam para a casa dele. Aouda, que se apaixonou por Fogg, propõe-lhe casamento. Fogg aceita, e Passepartout é enviado para arranjar um padre. Ao chegar à casa do pastor, Passepartout descobre que o dia não é sábado, 21 de dezembro, mas sim sexta-feira, 20 de dezembro. Eles haviam cruzado a Linha Internacional de Data viajando para leste, ganhando um dia. Fogg tinha um dia de antecedência!

Fogg apressa-se para o Reform Club e chega antes das 20h45 de 21 de dezembro, vencendo a aposta por minutos. Fogg ganha as vinte mil libras, mas gasta a maior parte delas na viagem. Ele encontra no entanto, um amor duradouro com Aouda e um mordomo leal em Passepartout, provando que o verdadeiro prémio da sua aventura não era o dinheiro, mas sim as experiências e os laços criados.


Género literário: Romance de aventura, ficção científica (pelas inovações tecnológicas e o fascínio por elas).

Dados do autor: Jules Verne (Júlio Verne em português) foi um escritor francês nascido em 1828 e falecido em 1905. É considerado um dos pais da ficção científica. Verne explorou temas como exploração, invenções e viagens através de seus "Viagens Extraordinárias", uma série de mais de sessenta romances. Algumas de suas obras mais famosas incluem "Vinte Mil Léguas Submarinas", "Viagem ao Centro da Terra" e "Da Terra à Lua". As suas histórias são conhecidas pela pesquisa detalhada, imaginação vívida e a capacidade de antecipar avanços tecnológicos.

Moral da história: A moral principal de "A Volta ao Mundo em Oitenta Dias" é que o dinheiro não é o fim último, e a verdadeira riqueza reside nas experiências vividas, nas amizades e no amor. Phileas Fogg, inicialmente um homem preocupado com a pontualidade e o dinheiro, termina a sua viagem com um amor e um amigo leal, descobrindo que esses são os verdadeiros tesouros. A história também enfatiza a importância da perseverança, da coragem e da adaptabilidade face aos desafios.

Curiosidades do livro:

  • Inspiração Real: A ideia da volta ao mundo em tempo recorde não era totalmente fictícia. No século XIX, com os avanços dos transportes, jornalistas e aventureiros já tentavam proezas semelhantes. Um americano, George Francis Train, que inspirou parcialmente Fogg, fez a volta ao mundo várias vezes.
  • A "Mulher-Maravilha" da Vida Real: Nellie Bly, uma jornalista americana, inspirada pelo livro, tentou e conseguiu dar a volta ao mundo em 72 dias em 1889-1890, um feito que a tornou famosa.
  • O Erro do Tempo: O ponto crucial da trama, a descoberta de um dia extra ao cruzar a Linha Internacional de Data, é um elemento de genialidade de Verne. O romance foi fundamental para popularizar o conceito de fusos horários e a Linha Internacional de Data para o público em geral.
  • Pioneiro da Ficção Científica: Embora seja principalmente um romance de aventura, o livro é um exemplo da capacidade de Verne de incorporar a tecnologia e a ciência da época de forma acessível e excitante, prevendo a importância dos transportes modernos.
  • Popularidade Duradoura: "A Volta ao Mundo em Oitenta Dias" é um dos livros mais traduzidos e adaptados de todos os tempos, com inúmeras versões para cinema, televisão, teatro e rádio, tornando-se um ícone cultural da aventura.