Mazeppa - Lord Byron
Resumo O poema narrativo "Mazeppa" de Lord Byron começa após a desastrosa Batalha de Poltava, onde o rei Carlos XII da Suécia foi derrotado...
Resumo
O poema narrativo "Mazeppa" de Lord Byron começa após a desastrosa Batalha de Poltava, onde o rei Carlos XII da Suécia foi derrotado. Cansado e desanimado, Carlos XII encontra-se com o ancião Mazeppa, Hetman dos Cossacos. Para passar o tempo e acalmar o rei, Mazeppa relata a extraordinária e brutal história de sua juventude.
Mazeppa narra como, quando jovem pajem na corte do rei João Casimiro da Polônia, ele se apaixonou por Theresa, a bela e jovem esposa de um velho e poderoso conde. Descoberto o romance adúltero, o conde, em vez de matar Mazeppa, concebeu uma punição cruel e incomum: Mazeppa foi despojado, amarrado nu ao dorso de um cavalo selvagem e selvagem, e o animal foi solto para galopar sem rumo pelas vastas estepes.
O poema detalha a terrível jornada de Mazeppa, sua luta para sobreviver à dor física, à fome, à sede e ao ataque de lobos, enquanto o cavalo corria sem parar até cair morto de exaustão. À beira da morte, Mazeppa foi encontrado e resgatado por uma jovem donzela cossaca e seu pai, um Hetman. Ele foi cuidado de volta à saúde e, por sua coragem e habilidades, ascendeu ao poder entre os cossacos, eventualmente tornando-se ele próprio um Hetman. Ao terminar sua história, Mazeppa adormece, deixando Carlos XII a refletir sobre a fugacidade da sorte e do poder.
Seções do livro
Seção 1: O Rescaldo de Poltava
A história começa com o rei Carlos XII da Suécia e seus poucos homens restantes fugindo após a derrota esmagadora na Batalha de Poltava. O rei está exausto, desanimado e ferido. A seu lado está o velho Mazeppa, o Hetman dos Cossacos, que o acompanhou na campanha. Enquanto acampam em um local sombrio, Carlos XII se sente melancólico e desabafa sobre a natureza inconstante da fortuna. Percebendo a angústia do rei, Mazeppa se oferece para contar uma história de sua própria vida para passar o tempo e distrair Carlos. O rei, embora relutante no início, aceita a proposta de Mazeppa de narrar uma aventura de sua juventude, uma história envolvendo um cavalo e uma punição singular.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Mazeppa | Velho Hetman dos Cossacos, aliado de Carlos XII. | Experiente, sábio, resistente, contador de histórias. |
| Carlos XII da Suécia | Rei derrotado, ferido, melancólico, busca distração. | Orgulhoso (mesmo na derrota), cansado, pensativo. |
Seção 2: A Juventude de Mazeppa na Corte Polonesa
Mazeppa inicia sua narrativa relembrando sua juventude na corte do rei João Casimiro da Polônia, onde servia como pajem. Ele descreve-se como um jovem audacioso, belo e habilidoso, particularmente no manejo de cavalos. Era conhecido por sua destreza equestre, superando os outros cavaleiros. Era um período de festividades, luxo e intrigas na corte. Mazeppa era um favorito e um cavaleiro notável, chamando a atenção de todos. Contudo, sua beleza e bravura não o tornavam imune aos perigos do amor e da paixão proibida.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Rei João Casimiro da Polônia | Rei da Polônia, senhor da corte onde Mazeppa servia. | Poderoso, provavelmente alheio às intrigas amorosas. |
Seção 3: O Romance Proibido
Mazeppa revela a causa de sua desgraça: ele se apaixonou por Theresa, a jovem e deslumbrante esposa de um velho e poderoso conde. A paixão entre Mazeppa e Theresa era ardente e mútua. Theresa, aprisionada em um casamento sem amor com um homem muito mais velho, retribuía os sentimentos do jovem pajem. Eles se encontravam secretamente, desafiando as convenções sociais e o perigo iminente. Mazeppa descreve a beleza de Theresa e a intensidade de seu amor, um amor que, para ele, era a coisa mais preciosa do mundo.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Theresa | Jovem, bela, esposa de um conde velho, objeto de afeto de Mazeppa. | Apaixonada, infeliz em seu casamento, corajosa (ao amar Mazeppa). |
| O Velho Conde | Velho, rico, poderoso, marido de Theresa. | Ciumento, vingativo, cruel. |
Seção 4: A Descoberta e a Punição Singular
Infelizmente, o romance de Mazeppa e Theresa foi descoberto pelo velho conde. A ira do conde era imensa e sua vingança, incomum. Em vez de simplesmente matar Mazeppa, o conde concebeu uma punição que ele considerava mais humilhante e dolorosa. Mazeppa foi capturado, despojado de suas roupas e, de forma bárbara, amarrado nu ao dorso de um cavalo selvagem das estepes, com sua cabeça voltada para a cauda do animal. O cavalo, que pertencia ao conde, era de origem ucraniana, conhecido por sua selvageria e velocidade. O conde então deu ordens para que o cavalo fosse chicoteado e solto, para que corresse sem parar, levando Mazeppa para uma morte lenta e torturante.
Seção 5: O Início da Corrida Horrível
A descrição da corrida começa. O cavalo, aterrorizado e sentindo o peso e a nudez do corpo de Mazeppa, dispara em uma frenética corrida pelas planícies. Mazeppa, nu e indefeso, sente a carne sendo rasgada pela velocidade, pelos galhos e pela fricção. Ele descreve o terror e a dor inicial, a paisagem borrada pela velocidade, o desespero de sua situação. O cavalo era indomável, e Mazeppa, mesmo sendo um cavaleiro perito, estava impotente. Ele sentia-se um espectro, um sacrifício vivo à vingança de um homem furioso. A mente de Mazeppa alterna entre o pânico e uma estranha resignação enquanto a paisagem da Polônia se afasta rapidamente.
Seção 6: Através das Estepes
A jornada continua sem descanso. O cavalo galopa incessantemente por florestas densas, sobre riachos e pelas vastas e desoladas estepes. Mazeppa sofre horrivelmente de exaustão, fome, sede e dores físicas. Seu corpo está coberto de feridas e escoriações. A noite cai e aterrorizantes visões de lobos famintos surgem nas proximidades, atraídos pelo cheiro de sangue. Mazeppa, amarrado, é incapaz de se defender, tornando-se uma presa fácil, mas a velocidade do cavalo o mantém, por enquanto, fora do alcance imediato dos predadores. A mente de Mazeppa começa a delirar, confundindo realidade e pesadelos, enquanto a vida lentamente escorre de seu corpo.
Seção 7: O Clímax do Tormento
A exaustão do cavalo e de Mazeppa atinge seu ápice. O animal, outrora selvagem e indomável, agora está ofegante e cambaleante, sua força diminuindo. O sol nasce novamente, queimando a pele de Mazeppa. A sede se torna insuportável. Mazeppa vê visões distorcidas e sente-se à beira da morte, seu corpo inerte e sem controle. O poema descreve a agonia do cavalo enquanto ele, apesar de sua própria exaustão, continua a lutar, impulsionado por um instinto primitivo. Finalmente, o cavalo, em um último e desesperado esforço, alcança a Ucrânia e cai morto, exausto, deixando Mazeppa, quase sem vida, preso ao seu corpo inerte.
Seção 8: Resgate e Recuperação
Mazeppa jaz moribundo, preso ao cadáver do cavalo. A morte parecia iminente quando, milagrosamente, ele é descoberto. Uma jovem donzela cossaca, que estava colhendo flores, encontra o corpo de Mazeppa. Chocada, ela volta correndo para a sua aldeia e traz seu pai, um Hetman cossaco. O Hetman e seus homens libertam Mazeppa do cavalo. Embora Mazeppa esteja em um estado terrível, com pouquíssimos sinais de vida, ele é levado para a aldeia. A jovem donzela o cuida com devoção, tratando suas feridas e o alimentando com paciência. Lentamente, Mazeppa recupera suas forças e a vida.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| A Jovem Cossaca | Donzela, resgatadora de Mazeppa. | Compassiva, gentil, carinhosa, atenciosa. |
| O Hetman Cossaco | Pai da donzela, líder dos cossacos da aldeia. | Hospitalar, acolhedor, sábio. |
Seção 9: Ascensão ao Poder
Recuperado, Mazeppa permanece entre os cossacos. Ele é impressionado pela liberdade e pelo espírito selvagem deles, que se assemelham ao seu próprio. Suas habilidades equestres e sua bravura rapidamente ganham o respeito e a admiração do povo. Ele se integra à comunidade, aprende seus costumes e se destaca em suas batalhas. Com o tempo, através de sua coragem, inteligência e liderança, Mazeppa ascende nas fileiras cossacas, tornando-se uma figura proeminente. Eventualmente, o povo o elege como seu próprio Hetman, o líder supremo, completando sua incrível jornada de um pajem condenado a um poderoso chefe de guerra.
Seção 10: O Fim da História
Mazeppa termina sua longa e dramática história. Ele reflete brevemente sobre a ironia da vida e como o mesmo cavalo que quase o levou à morte o transportou para uma nova existência e para a liderança. Ao concluir seu relato, o dia já está raiando. Carlos XII, que ouvira atentamente, adormece, exausto pela própria derrota e pela intensidade da narrativa de Mazeppa. O poema termina com uma breve meditação do narrador sobre a efemeridade da glória e do poder, um tema ecoado tanto pela derrota de Carlos quanto pela ascensão e queda de Mazeppa. A história é um testemunho da resiliência humana e da reviravolta do destino.
Gênero literário
O gênero literário de "Mazeppa" é o poema narrativo. Ele se enquadra dentro do movimento Romântico, caracterizado por sua ênfase na emoção, individualismo, exotismo, e um interesse pelo passado histórico e por figuras heroicas ou rebeldes.
Dados do autor
Lord Byron (George Gordon Byron, 6º Barão Byron, 1788-1824) foi um poeta britânico e uma das figuras mais proeminentes do Romantismo.
- Vida: Nascido em Londres, Byron viveu uma vida turbulenta e escandalosa, marcada por dívidas, aventuras amorosas e viagens. Sua beleza, seu carisma e sua conduta rebelde o tornaram um ícone da época.
- Obras Notáveis: Além de "Mazeppa", algumas de suas obras mais famosas incluem "Childe Harold's Pilgrimage", "Don Juan" (seu magnum opus inacabado), e "Manfred". Ele é conhecido por criar o "herói byroniano", um personagem idealizado, mas falho, enigmático, melancólico e frequentemente exilado ou rebelde.
- Morte: Morreu em Missolonghi, Grécia, aos 36 anos, enquanto participava da Guerra de Independência Grega, tornando-se um herói nacional para os gregos.
Moral da história
A moral de "Mazeppa" pode ser interpretada de várias maneiras, mas alguns temas centrais incluem:
- Resiliência e Sobrevivência: A capacidade do espírito humano de suportar sofrimentos extremos e superar adversidades impensáveis. Mazeppa sobreviveu a uma tortura que deveria tê-lo matado, demonstrando uma força de vontade notável.
- A Inconstância da Fortuna: A história de Mazeppa, assim como a situação de Carlos XII, ilustra como a sorte pode mudar drasticamente. Um pajem humilhado pode se tornar um líder poderoso, e um rei vitorioso pode ser derrotado. O destino é imprevisível.
- As Consequências da Paixão Proibida: O amor ilícito de Mazeppa trouxe consigo uma punição brutal, destacando os perigos de desafiar as normas sociais e os poderosos.
- A Natureza Vingativa da Humanidade: A crueldade do conde em sua vingança é um lembrete da face sombria da natureza humana quando impulsionada pelo ciúme e pela raiva.
Curiosidades do livro
- Base Histórica: Embora o poema seja uma obra de ficção romântica, ele é inspirado na figura histórica de Ivan Stepanovich Mazeppa (1639-1709), que foi realmente um Hetman dos Cossacos da Ucrânia e mais tarde um aliado de Carlos XII da Suécia contra Pedro, o Grande da Rússia. A história de sua punição por ser amarrado a um cavalo selvagem é uma lenda associada a ele, popularizada por Voltaire e outros antes de Byron.
- Inspiração de Byron: Byron escreveu "Mazeppa" em 1817, durante seu exílio na Suíça, após seus próprios escândalos pessoais. A história de um homem proscrito e exilado, mas que eventualmente ascende ao poder, pode ter ressoado com o próprio senso de Byron de ser um "herói byroniano".
- Popularidade e Influência: O poema foi muito popular em sua época e inspirou várias outras obras de arte, incluindo pinturas (como a famosa série de Horace Vernet) e composições musicais (como o poema sinfônico de Franz Liszt e o estudo de concerto de Frédéric Chopin).
- Exotismo Romântico: A escolha da Polônia e das estepes ucranianas como cenário demonstra o fascínio romântico por locais exóticos e "selvagens", distantes das civilizações ocidentais.
- Animal como Personagem: O cavalo não é apenas um meio de transporte ou tortura; ele é quase um personagem por si só, com sua própria resistência, sofrimento e eventual morte dramática. Ele serve como um espelho da agonia de Mazeppa.
