Manhãs no México - TH Lawrence
Resumo "Mornings in Mexico" é uma coleção de ensaios e impressões de viagem que narra as experiências e reflexões de D.H. Lawrence durante ...
Resumo
"Mornings in Mexico" é uma coleção de ensaios e impressões de viagem que narra as experiências e reflexões de D.H. Lawrence durante suas estadias no México e no Novo México, nos Estados Unidos, no início da década de 1920. Não se trata de uma trama narrativa convencional, mas sim de uma série de observações profundas sobre a natureza, as culturas indígenas, os rituais, as paisagens e as pessoas que ele encontra. O livro é uma exploração filosófica e sensorial da vida pré-moderna e da relação do ser humano com o cosmos, contrastando a vitalidade instintiva das culturas indígenas com a civilização ocidental, que Lawrence via como excessivamente intelectualizada e desconectada da terra. É um convite à redescoberta de uma forma mais autêntica e primordial de existência.
Seções do livro
Seção: Corpus Christi
Lawrence começa o livro com uma reflexão sobre a paisagem do Novo México e a presença persistente dos povos indígenas. Ele descreve a beleza árida e o poder místico da terra, sentindo uma conexão profunda com o espírito primordial do lugar. Através de suas observações, ele contrasta a mentalidade ocidental, baseada na consciência e na individualidade, com a mentalidade indígena, que ele percebe como mais coletiva, instintiva e em harmonia com os ritmos da natureza e do cosmos. Ele explora a ideia de que a "alma" dos índios é uma experiência sensorial e corporal mais do que mental, e que eles vivem em um estado de "consciência mais antiga", conectada aos deuses da terra. Ele descreve o silêncio da terra, a vastidão do céu e a sensação de que a natureza tem uma presença esmagadora e sagrada.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| D.H. Lawrence | Narrador, observador perspicaz, escritor, filósofo, busca a autenticidade, sensível à natureza e culturas primitivas. | Introspectivo, crítico da civilização ocidental, idealista, propenso a reflexões profundas sobre a vida e o cosmos. |
| Frieda Lawrence | Esposa de D.H. Lawrence, companheira de viagem, figura de apoio. | Embora menos detalhada nos ensaios, é apresentada como prática e mais terrena, servindo de contraponto ao idealismo de Lawrence. |
| Os Índios Americanos | Povos nativos do Novo México, conectados à terra, à tradição e aos rituais ancestrais. | Dignos, reservados, vivendo em harmonia com a natureza, possuidores de uma sabedoria instintiva e coletiva. |
Seção: O Mozo
Nesta seção, Lawrence se concentra em sua experiência no México, especificamente em Oaxaca, e na figura do "mozo", um jovem servo mexicano que trabalha para ele. Ele descreve a relação peculiar e muitas vezes mal compreendida entre europeus e os povos indígenas ou mestiços do México. O mozo é retratado como uma figura humilde, eficiente e silenciosa, que se move com uma graça e uma presença animal que fascinam e, por vezes, irritam Lawrence. Ele explora as diferenças culturais e psicológicas, a barreira do idioma e a forma como o mozo, apesar de sua aparente submissão, mantém uma dignidade e uma identidade próprias, inatingíveis para o olhar ocidental. Lawrence reflete sobre a inabilidade dos ocidentais de realmente penetrar na alma do povo mexicano, que ele vê como misterioso e auto-suficiente em sua própria existência.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Mozo | Jovem servo mexicano (Manuel), trabalha para Lawrence, humilde, eficiente, silencioso. | Reservado, obediente, mas com uma dignidade intrínseca. Sua personalidade é difícil de penetrar para o observador ocidental, o que Lawrence atribui a uma profunda diferença cultural. |
Seção: Dança do Milho Brotando
Lawrence descreve em detalhes a Dança do Milho Brotando (Corn Dance) dos índios Pueblo no Novo México. Ele é um observador atento e profundamente emocionado pelo ritual. A dança não é apenas uma performance, mas um ato sagrado, uma oração corporal pela fertilidade da terra e pela chuva, vital para o milho. Ele descreve os dançarinos, os cantores, os tambores e os trajes coloridos, bem como a atmosfera de devoção e concentração. Lawrence sente a força primitiva e a unidade do povo, que transcende a individualidade para se conectar com as forças cósmicas. Ele compara a energia da dança com as sensações da terra, a água e a vida que brota, reforçando sua convicção de que os índios vivem em uma união essencial com o mundo natural, uma união perdida pela civilização ocidental. A dança é para ele uma expressão de uma consciência pré-mental, de uma vida vivida nos instintos e no corpo.
Seção: Dia de Mercado
Nesta seção, Lawrence nos leva ao coração de um mercado mexicano em Oaxaca. Ele descreve a cacofonia, as cores vibrantes, os cheiros e a agitação das pessoas que vendem e compram uma infinidade de produtos. Ele detalha os vendedores, suas mercadorias (cerâmica, tecidos, frutas, animais), e a interação entre eles e os compradores. Mais uma vez, ele se concentra na essência do povo mexicano, observando sua dignidade, sua resiliência e a forma como se mantêm distantes dos forasteiros, apesar da aparente abertura do mercado. Ele percebe uma indiferença intrínseca e um senso de auto-suficiência nos vendedores, que não buscam a aprovação ou a interação profunda com o mundo exterior. O mercado, para Lawrence, é uma expressão da vida pulsante e despretensiosa do México, um lugar onde a cultura se manifesta em sua forma mais autêntica e sem filtros.
Gênero literário
Ensaio, Literatura de Viagem, Memórias, Crítica Cultural e Filosofia.
Dados do autor
D.H. Lawrence (David Herbert Lawrence) (1885–1930) foi um influente escritor inglês, poeta, ensaísta e crítico literário. Nascido em Eastwood, Nottinghamshire, sua obra explora temas como modernidade, sexualidade, industrialização, o mundo natural, vitalidade, instinto e a busca por uma autenticidade existencial. Ele é mais conhecido por romances como Filhos e Amantes, Mulheres Apaixonadas e O Amante de Lady Chatterley, que frequentemente causaram controvérsia devido à sua franqueza sexual e crítica social. Lawrence viajou extensivamente ao redor do mundo em busca de um lugar onde pudesse viver uma vida mais primitiva e conectada à natureza, o que o levou ao Novo México e ao México, cenários de "Mornings in Mexico".
Moral da história
A "moral" de "Mornings in Mexico" reside na crítica de Lawrence à civilização industrial e à intelectualização excessiva, que ele acreditava terem desconectado os seres humanos de seus instintos primais e da natureza. O livro advoga por uma redescoberta da vitalidade, da sensualidade e de uma conexão mais profunda com o mundo natural e com as culturas que ainda mantêm essa ligação. Ele sugere que a verdadeira plenitude e autenticidade vêm de uma aceitação e integração de nossa natureza instintiva, em vez de uma constante supressão em favor da razão ou da moralidade social.
Curiosidades do livro
- Contexto de Viagem: "Mornings in Mexico" foi escrito durante e após o período em que D.H. Lawrence e sua esposa Frieda viveram no Novo México, nos Estados Unidos, e em Oaxaca, no México, entre 1922 e 1925. Eles se mudaram para essas regiões em busca de um estilo de vida mais simples e para escapar da Europa pós-Primeira Guerra Mundial, que ele via como decadente.
- Influência Indígena: A cultura dos povos Pueblo no Novo México e dos indígenas mexicanos teve um profundo impacto em Lawrence, influenciando sua filosofia e sua escrita. Ele se sentia atraído pela espiritualidade e pela conexão com a terra que ele percebia nessas culturas.
- Ensaios de "Viagem Interior": Embora seja literatura de viagem, o livro é mais do que uma mera descrição de lugares. É uma "viagem interior", onde Lawrence usa suas observações externas para explorar questões filosóficas sobre a natureza humana, a civilização e a existência.
- Estrutura Fragmentada: O livro é uma coleção de ensaios independentes, o que reflete a natureza fragmentada de suas experiências e reflexões, permitindo-lhe abordar diferentes temas e momentos com intensidade.
- Legado no Novo México: Lawrence e Frieda compraram um rancho no Novo México (agora conhecido como D.H. Lawrence Ranch), que se tornou um refúgio importante para ele e um local de peregrinação para seus admiradores. As cinzas de Lawrence foram eventualmente levadas para este rancho.
