Péricles - William Shakespeare
Resumo "Pericles, Príncipe de Tiro" é uma peça romântica de William Shakespeare (com contribuições de George Wilkins ou outro coautor, conf...
Resumo
"Pericles, Príncipe de Tiro" é uma peça romântica de William Shakespeare (com contribuições de George Wilkins ou outro coautor, conforme algumas teorias). A trama segue a vida atribulada de Pericles, príncipe de Tiro, que é forçado a fugir de seu reino após desvendar um enigma incestuoso envolvendo o Rei Antiochus e sua filha. Sua jornada é marcada por naufrágios, separações trágicas e eventos miraculosos.
Pericles navega por diferentes cidades-estado, buscando refúgio e enfrentando a adversidade. Em Pentápolis, ele ganha um torneio e se casa com a Princesa Thaisa, com quem tem uma filha, Marina. No entanto, um naufrágio os separa: Thaisa é dada como morta e lançada ao mar, mas é resgatada e se torna sacerdotisa de Diana em Éfeso. Pericles, acreditando ter perdido a esposa, deixa Marina sob os cuidados dos governantes de Tarso, Cleon e Dionyza.
Anos depois, Dionyza, invejosa da beleza e virtude de Marina, tenta assassiná-la. Marina é sequestrada por piratas e vendida a um bordel em Mitilene, mas consegue manter sua pureza e integridade moral, convertendo clientes e funcionários com sua sabedoria. Pericles, enquanto isso, entra em um estado de profunda melancolia e luto, vagando sem rumo.
Eventualmente, Pericles e Marina são reunidos de forma miraculosa em Mitilene, reconhecendo-se através de canções e histórias. Uma visão de Diana guia Pericles até Éfeso, onde ele reencontra Thaisa, que se tornou uma sacerdotisa. A família é restaurada, e Pericles e Marina recuperam seus status, com Marina casando-se com Lysimachus, o governador de Mitilene. A peça é uma história de provações, resiliência, fé e o triunfo final da virtude e da reunificação familiar.
Seções do livro
Seção 1
A peça começa com o coro, Gower, introduzindo a história de Pericles, príncipe de Tiro. Pericles viaja para Antioquia para tentar a mão da filha do Rei Antiochus. Para se casar com ela, ele deve resolver um enigma; falhar significa a morte. Pericles resolve o enigma, que revela o segredo incestuoso entre Antiochus e sua filha. Ao saber a verdade, Antiochus tenta matar Pericles para evitar que o segredo seja revelado. Pericles foge de Antioquia, percebendo que sua vida está em perigo. Ele retorna a Tiro e, aconselhado por seu nobre Helicanus, decide deixar seu reino temporariamente para proteger seu povo da ira de Antiochus. Ele nomeia Helicanus como regente e parte em suas viagens.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Pericles | Príncipe de Tiro, jovem, corajoso, inteligente. | Honesto, virtuoso, ponderado, temeroso pela segurança de seu povo. |
| Rei Antiochus | Rei de Antioquia, pai da princesa. | Cruel, tirânico, incestuoso, vingativo. |
| Filha de Antiochus | Princesa de Antioquia, bela. | Envolvida em uma relação incestuosa com seu pai, astuta. |
| Helicanus | Nobre de Tiro, conselheiro de Pericles. | Leal, sábio, prudente, fiel. |
| Thaliard | Servo de Antiochus. | Assassino a mando, obediente. |
| Gower | O narrador/Coro. | Guia a audiência pela história, moralista. |
Seção 2
Pericles navega para Tarso, uma cidade assolada pela fome. Ele oferece comida e suprimentos aos governantes, Cleon e Dionyza, que aceitam sua ajuda com grande gratidão. Após um tempo, Pericles recebe a notícia de que Antiochus e sua filha morreram em um incêndio. Ele decide retornar a Tiro, mas uma tempestade naufraga seu navio na costa de Pentápolis (cidade de Simonides). Os pescadores o encontram e o ajudam, e ele descobre sobre um torneio de cavaleiros que acontecerá. Pericles, apesar de ter perdido todas as suas posses, decide participar, usando uma armadura velha e enferrujada que os pescadores pescaram. Ele se destaca no torneio, impressionando o Rei Simonides e sua filha, a bela Thaisa.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Cleon | Governante de Tarso. | Inicialmente grato, fraco, facilmente influenciável. |
| Dionyza | Esposa de Cleon, governanta de Tarso. | Malvada, invejosa, ambiciosa, cruel. |
| Simonides | Rei de Pentápolis. | Sábio, hospitaleiro, justo, perspicaz. |
| Thaisa | Filha de Simonides, princesa de Pentápolis. | Bela, gentil, virtuosa, sensível. |
Seção 3
Pericles se apaixona por Thaisa, e ela por ele. O Rei Simonides testa Pericles, fingindo desaprovar o casamento para ver a sinceridade de seus sentimentos. Satisfeito com a resposta de Pericles e a determinação de Thaisa, ele concede a permissão para o casamento. Pericles e Thaisa se casam e vivem felizes por um tempo em Pentápolis. Eventualmente, Pericles recebe notícias de que o trono de Tiro está vago e seu povo o aguarda. Ele e Thaisa, que está grávida, partem de navio para Tiro.
Durante a viagem de volta, uma terrível tempestade irrompe. Thaisa entra em trabalho de parto prematuro e dá à luz uma filha, Marina. Logo após o nascimento, Thaisa é declarada morta pelos marinheiros. Desolado, Pericles segue a tradição de lançar o corpo ao mar em um caixão. No entanto, o caixão de Thaisa é levado pelas ondas até Éfeso, onde é encontrado pelo sábio Lorde Cerimon. Cerimon, um médico com conhecimentos de cura avançados, consegue reviver Thaisa. Ela, acreditando que Pericles e a filha estão perdidos, decide se tornar uma sacerdotisa de Diana no templo local.
Pericles, ainda acreditando que Thaisa está morta, desembarca em Tarso. Lá, ele confia sua filha recém-nascida, Marina, aos cuidados de Cleon e Dionyza, em gratidão pela ajuda anterior que lhes deu, e parte novamente, prometendo retornar mais tarde.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Lychorida | Ama de Marina, serva de Pericles. | Leal, carinhosa, prática. |
| Cerimon | Senhor de Éfeso, médico com grandes habilidades. | Sábio, compassivo, hábil, altruísta. |
| Philemon | Servo de Cerimon. | Obediente, auxiliar. |
Seção 4
Dezesseis anos se passam. Marina cresceu em Tarso, tornando-se uma jovem incrivelmente bela, talentosa e virtuosa, superando a própria filha de Cleon e Dionyza em beleza e virtude. Dionyza, corroída pela inveja e pelo ciúme, decide que Marina deve morrer. Ela ordena a seu servo, Leonine, que leve Marina para um lugar isolado e a assassine.
Leonine tenta cumprir a ordem, mas antes que ele possa matar Marina, um grupo de piratas a sequestra e a leva para Mitilene, onde ela é vendida a um bordel administrado por um Pandar e uma Bawd. Apesar da terrível situação, Marina mantém sua pureza e integridade. Sua beleza e sabedoria atraem os clientes, mas ela os convence a seguir um caminho virtuoso, recusando-se a ceder aos seus desejos. Sua influência é tão forte que ela começa a converter os próprios frequentadores do bordel, levando-os a buscar a moralidade. Isso irrita os proprietários do bordel, pois eles veem seus lucros diminuírem.
Enquanto isso, Cleon e Dionyza, para encobrir o crime, simulam um funeral para Marina e constroem um monumento falso para ela. Pericles, ao retornar a Tarso e ver o monumento, entra em um estado de profunda melancolia e luto inconsolável, acreditando que sua filha também está morta. Ele jura não falar mais, não cortar o cabelo ou a barba, e se entrega à tristeza, navegando sem rumo com seu fiel Helicanus.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Leonine | Servo de Dionyza. | Covarde, obediente às ordens cruéis, ineficaz. |
| Marina | Filha de Pericles e Thaisa. | Bela, virtuosa, inteligente, resiliente, pura, espirituosa. |
| Boult | Servo do bordel, capanga. | Rude, vulgar, cruel, explorador. |
| Bawd | Proprietária do bordel. | Gananciosa, inescrupulosa, cínica. |
| Pandar | Proprietário do bordel. | Cínico, explorador, comerciante de carne humana. |
Seção 5
A história converge em Mitilene. Pericles, ainda em seu estado de luto silencioso, chega ao porto da cidade. Lysimachus, o governador de Mitilene, ouvindo sobre o príncipe em luto que se recusa a falar, tenta animá-lo. Alguém sugere trazer Marina, conhecida por sua habilidade em consolar os aflitos com sua música e sabedoria, para tentar tirá-lo de sua melancolia.
Marina é trazida ao navio de Pericles. Ela tenta falar com ele, canta para ele e conta sua própria história de infortúnios e perdas. À medida que ela fala e canta, Pericles começa a sentir uma conexão estranha e inexplicável. Ele pergunta sobre seus pais, sua história, e à medida que as peças se encaixam, eles percebem a verdade chocante: são pai e filha. O reconhecimento é um momento de profunda emoção e alegria, e Pericles recupera a fala e a sanidade.
Em uma visão, a deusa Diana aparece a Pericles, ordenando-o a ir ao templo dela em Éfeso e contar sua história. Pericles obedece e viaja para Éfeso, acompanhado por Marina e Lysimachus. No templo de Diana, ele encontra a suma sacerdotisa e, ao contar sua história, descobre que é ninguém menos que sua esposa, Thaisa, que ele acreditava ter morrido no mar. A família, miraculosamente, é reunida.
Como punição pelos seus atos cruéis, Cleon e Dionyza são mortos pelo povo de Tarso, que se revolta contra sua tirania. Pericles retorna a Tiro como um rei feliz e justo. Marina se casa com Lysimachus, tornando-se governadora de Mitilene. Helicanus é recompensado por sua lealdade. A peça termina com a restauração da ordem, da justiça e da felicidade familiar, mostrando que a virtude e a resiliência podem superar as maiores adversidades.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Lysimachus | Governador de Mitilene. | Gentil, justo, perspicaz, virtuoso. |
| Diana | Deusa da caça, da castidade e do parto. | Divina, protetora, guia. |
Gênero literário
A peça "Pericles" é classificada como uma comédia romântica ou romance trágico-cômico (posteriormente conhecida como "tragicomédia" ou "romance shakespeariano"). Caracteriza-se por seu tom épico e elementos de contos de fadas, com uma trama que envolve viagens, naufrágios, separações trágicas, elementos sobrenaturais e um final feliz de reunião e restauração.
Dados do autor
William Shakespeare (c. 23 de abril de 1564 – 23 de abril de 1616) foi um dramaturgo, poeta e ator inglês, amplamente considerado o maior escritor da língua inglesa e o maior dramaturgo do mundo. Frequentemente chamado de bardo nacional da Inglaterra, ou simplesmente "o Bardo", suas obras consistem em cerca de 39 peças, 154 sonetos, dois longos poemas narrativos e alguns outros versos, alguns de autoria incerta. Suas peças foram traduzidas para todas as principais línguas vivas e são encenadas com mais frequência do que as de qualquer outro dramaturgo.
Ele produziu a maior parte de sua obra conhecida entre 1589 e 1613. Suas primeiras peças eram principalmente comédias e histórias, e ele as elevou ao auge da arte por volta do final do século XVI. Em seguida, ele escreveu principalmente tragédias até cerca de 1608, incluindo "Hamlet", "Rei Lear", "Otelo" e "Macbeth", consideradas algumas das melhores obras da língua inglesa. Em seu último período, ele escreveu tragicomédias (também conhecidas como romances), como "Pericles", "Cymbeline" e "A Tempestade".
Moral da história
A moral de "Pericles" enfatiza a resiliência diante da adversidade, a recompensa da virtude e da pureza, e o poder da fé e da providência divina. A peça sugere que, mesmo após sofrimentos aparentemente insuperáveis e perdas trágicas, a esperança pode ser restaurada e a justiça prevalecerá. Ela celebra a importância da integridade moral (personificada por Marina), a lealdade e a paciência. A história é um testemunho da capacidade humana de perseverar e da crença de que o bem finalmente triunfa sobre o mal, levando à redenção e à reunificação familiar.
Curiosidades do livro
- Autoria Compartilhada: "Pericles" é uma das peças de Shakespeare que mais geram debate sobre sua autoria. Muitos estudiosos acreditam que a peça foi coescrita, com George Wilkins frequentemente sendo apontado como o provável colaborador, especialmente para os dois primeiros atos, que apresentam um estilo literário distinto do de Shakespeare.
- Fontes Antigas: A história de Pericles não é original de Shakespeare. Ela é baseada em uma história helenística antiga conhecida como "Apollonius de Tiro", que foi transmitida através de várias versões medievais, como a "Gesta Romanorum" e a adaptação de John Gower em sua "Confessio Amantis". O próprio Gower atua como coro na peça de Shakespeare.
- Popularidade Instantânea: Apesar das controvérsias sobre sua autoria e de ser considerada por alguns críticos como estilisticamente desigual, "Pericles" foi um sucesso enorme em sua época, sendo uma das peças mais populares e encenadas de Shakespeare durante o período jacobino.
- Enredo Episódico: A estrutura da peça é bastante episódica, com muitos acontecimentos e mudanças de cenário, refletindo sua origem como um romance grego. Isso contribui para o seu caráter de "conto de fadas" ou "romance de aventura".
- Restauração da Família: "Pericles" é notável por ser uma das poucas peças de Shakespeare em que uma família inteira (pai, mãe e filha) é separada por tragédias e, miraculosamente, reunida no final. Isso a diferencia de muitas de suas tragédias, onde a reunião familiar é frequentemente impossível.
