Sardanapalus - Lord Byron
Resumo "Sardanapalus" é uma tragédia histórica em cinco atos de Lord Byron, que narra os últimos dias do rei assírio Sardanapalus. Consider...
Resumo
"Sardanapalus" é uma tragédia histórica em cinco atos de Lord Byron, que narra os últimos dias do rei assírio Sardanapalus. Considerado o último e mais hedonista monarca da antiga Assíria, Sardanapalus é retratado como um rei indolente, amante do luxo e dos prazeres, que despreza a guerra e os deveres de seu trono. Sua vida de indulgência, ao lado de sua concubina grega Myrrha, leva à negligência de seu império e ao descontentamento de seus generais e sacerdotes.
A trama se desenrola com a eclosão de uma rebelião liderada pelos ambiciosos Beleses e Arbaces, com o apoio de Salemenes, cunhado do rei, que tenta em vão alertar e convencer Sardanapalus a agir. Surpreendentemente, Sardanapalus, ao ser confrontado com a ameaça real, revela uma coragem inesperada e lidera suas tropas em batalha, demonstrando uma bravura que contradiz sua reputação. No entanto, apesar de algumas vitórias iniciais, a maré da guerra vira contra ele.
Com a morte de Salemenes e o avanço inexorável dos rebeldes, Sardanapalus enfrenta a iminente derrota e a perda de seu reino. Sua rainha, Zarina, tenta persuadi-lo a fugir e salvar a dinastia, mas ele se recusa a abandonar Myrrha e a se render. Em um ato final de desafio e desespero, Sardanapalus decide não cair nas mãos de seus inimigos. Ele ordena a construção de uma gigantesca pira funerária em seu palácio, onde ele e Myrrha, sua fiel amante, se sacrificam no meio de seus tesouros, encerrando sua vida e seu reinado em chamas, preferindo a morte à submissão. A peça explora temas de poder, dever, amor, rebelião e a complexidade da natureza humana.
Seções do livro
Seção 1
A peça começa nos luxuosos apartamentos do palácio de Sardanapalus, na capital Ninus (Nínive). Sardanapalus é visto desfrutando de uma vida de indolência e prazeres, cercado por seus eunucos e concubinas, com sua favorita, a escrava grega Myrrha, ao seu lado. Myrrha, mais pragmática e consciente da situação política, tenta alertá-lo sobre a insatisfação crescente no império e os rumores de uma conspiração contra seu trono. Sardanapalus, porém, rejeita seus avisos, preferindo ignorar os deveres reais em favor da filosofia, da poesia e do hedonismo.
Logo em seguida, Salemenes, cunhado de Sardanapalus e um general leal, entra no palácio. Ele repreende o rei por sua negligência e sua efeminação, contrastando sua conduta com a imagem tradicional de um monarca assírio. Salemenes expressa sua preocupação com a segurança do reino e com a ameaça iminente de uma rebelião, nomeando Beleses e Arbaces como os principais conspiradores. Sardanapalus, indiferente e cético, recusa-se a acreditar na traição e argumenta que a guerra é uma tolice e que o prazer é a única verdade. A discussão se intensifica, com Sardanapalus defendendo seu estilo de vida e Salemenes o criticando por colocar o império em risco. Salemenes sai, frustrado e desiludido com a aparente incapacidade do rei de agir. Sardanapalus, após a saída de Salemenes, reflete sobre a futilidade do poder e a inevitabilidade do destino, mas mantém sua postura de desprezo pela guerra.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Sardanapalus | Rei da Assíria, último de sua dinastia. Cercado de luxo e prazeres. Despreza a guerra e os deveres reais. | Hedonista, indolente, pacifista, cético, filosófico, mas com uma inteligência aguda e uma profunda melancolia subjacente. Inicialmente parece fraco. |
| Myrrha | Escrava grega de Sardanapalus, sua concubina favorita. Mais consciente da política e das ameaças externas. | Leal, apaixonada, corajosa, pragmática, sensata. Ama Sardanapalus apesar (ou por causa) de sua natureza complexa. |
| Salemenes | Cunhado de Sardanapalus e irmão da rainha Zarina. General leal e patriota. | Digno, honrado, valente, preocupado com o estado e a família real. Frustrado com a negligência do rei. |
| Beleses | Sacerdote caldeu, conspirador. | Ambicioso, manipulador, usa a religião e a superstição para seu próprio benefício. |
| Arbaces | General mediano, conspirador. | Ambicioso, orgulhoso, acredita na força militar e nas tradições assírias. Despreza a efeminação do rei. |
Seção 2
O segundo ato se inicia com Beleses e Arbaces, os dois principais conspiradores, discutindo seus planos para derrubar Sardanapalus. Eles estão reunindo apoio entre os generais e o povo, explorando o descontentamento com o reinado indulgente e a negligência militar do rei. Eles se consideram libertadores do povo assírio de um tirano efeminado.
Enquanto isso, Salemenes faz uma última tentativa desesperada de persuadir Sardanapalus a se preparar para a defesa do reino. Ele insiste que a rebelião é real e está em marcha, mas Sardanapalus permanece teimoso em sua negação, argumentando que um rei não deve viver em constante medo e que seus súditos são leais. Myrrha, que está presente, expressa sua preocupação genuína pelo rei e sua segurança.
Subitamente, chegam mensageiros com notícias alarmantes: a rebelião eclodiu e as forças inimigas estão avançando rapidamente para a capital. A situação é crítica e o perigo é iminente. Para a surpresa de todos, especialmente de Myrrha, Sardanapalus se transforma. Abandonando sua indolência, ele se levanta com dignidade e assume o comando, mostrando uma inesperada coragem e determinação para enfrentar a ameaça. Ele declara que, se deve lutar, o fará como um rei, e que preferiria morrer em batalha a viver em desonra ou fugir. Ordena que suas armas sejam trazidas e que os portões sejam preparados para a guerra, demonstrando uma faceta de sua personalidade que ninguém esperava.
Seção 3
O terceiro ato descreve as consequências da decisão de Sardanapalus de liderar a batalha. Para surpresa de todos, Sardanapalus demonstra uma bravura e uma capacidade de liderança notáveis no campo de batalha. Ele se junta às suas tropas, lutando com uma ferocidade que contradiz sua reputação de hedonista. Myrrha, fiel e corajosa, acompanha-o, provando sua lealdade e mostrando que também é capaz de suportar as agruras da guerra.
As forças leais a Sardanapalus conseguem uma vitória inicial significativa contra os rebeldes, liderados por Beleses e Arbaces. A inesperada ferocidade do rei inspira suas tropas e desconcerta os inimigos. No entanto, a vitória vem com um custo trágico. Salemenes, o leal cunhado de Sardanapalus e um general valoroso, é gravemente ferido em combate. Ele é levado de volta ao acampamento, onde morre, proferindo palavras de preocupação pelo império e de lealdade ao rei, apesar de suas diferenças.
A morte de Salemenes abala profundamente Sardanapalus. Ele perde um dos poucos indivíduos que o criticava abertamente, mas que genuinamente se importava com o bem-estar do reino e da família real. Este evento marca um ponto de virada na peça, pois Sardanapalus começa a compreender a verdadeira gravidade da situação e o peso de suas responsabilidades. Myrrha oferece consolo e apoio ao rei, reafirmando sua presença constante e sua devoção inabalável. A tensão aumenta, pois, apesar da vitória, a rebelião está longe de ser extinta e a posição do rei continua precária.
Seção 4
No quarto ato, a situação para Sardanapalus piora consideravelmente. Embora ele tenha demonstrado bravura e liderança, as forças rebeldes se reagrupam e continuam a avançar. O cerco à capital se intensifica.
Em um momento de calmaria forçada, Zarina, a rainha de Sardanapalus e irmã de Salemenes (agora falecido), visita o rei. Apesar de seu relacionamento distante e do fato de Sardanapalus ter Myrrha como favorita, Zarina vem com a dignidade de uma rainha e a preocupação de uma mãe. Ela tenta persuadi-lo a fugir com seu filho, o herdeiro, e salvar o futuro da dinastia. Zarina expressa seu amor e sua lealdade, lembrando-o de seu dever para com o império e seu descendente. Ela está disposta a esquecer as ofensas passadas para garantir a sobrevivência de sua linhagem.
Sardanapalus, embora tocado pela nobreza e pelo sacrifício de Zarina, não consegue se separar de Myrrha. Ele explica que seu amor por Myrrha é profundo e verdadeiro, e que ele não pode abandoná-la. Zarina, compreendendo a profundidade de seu apego, se retira com dignidade, mas visivelmente magoada e resignada ao destino. Ela faz uma despedida melancólica, entendendo que o rei escolheu seu próprio caminho.
A maré da guerra vira definitivamente contra Sardanapalus. As forças rebeldes obtêm novas vitórias, e a queda de Ninus parece inevitável. Sardanapalus é assombrado por sonhos e visões de fantasmas, talvez de seus ancestrais ou de seus inimigos mortos, o que aumenta seu desespero e seu senso de fatalidade. A peça o mostra confrontando a inevitabilidade de sua derrota e a iminência de sua morte, preparando-o para o clímax final.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Zarina | Rainha de Sardanapalus, irmã de Salemenes. Mãe do herdeiro. Representa a tradição e a continuidade da dinastia. | Digna, orgulhosa, preocupada com o legado e o futuro de sua família e do império. Ama o rei à sua própria maneira, apesar de seu desgosto pela situação. |
Seção 5
O quinto e último ato culmina na derrota final de Sardanapalus. As forças leais ao rei estão esgotadas e cercadas. A capital, Ninus, está prestes a cair nas mãos dos rebeldes. Os poucos oficiais leais restantes aconselham Sardanapalus a fugir para o deserto ou a buscar refúgio, mas ele recusa. Ele declara que nunca se renderá aos seus inimigos, nem permitirá que eles profanem o corpo de um rei assírio.
Com a derrota inevitável, Sardanapalus decide tomar as rédeas de seu próprio destino. Ele ordena a construção de uma gigantesca pira funerária no pátio do palácio, composta por todos os seus tesouros mais preciosos, joias, obras de arte e pertences reais. Seu plano é queimar a si mesmo e a tudo o que possui, negando aos rebeldes qualquer despojo de guerra e transformando sua morte em um ato final de majestade e desafio.
Myrrha, que permaneceu ao seu lado inabalavelmente, insiste em morrer com ele. Sardanapalus, que a amou profundamente e que encontrou nela uma alma gêmea, aceita seu sacrifício. Antes de acenderem a pira, ele expressa seu amor por ela e compartilha suas últimas reflexões sobre a vida e a morte, mantendo seu ceticismo sobre o além, mas afirmando o valor do amor e da coragem. Myrrha, com uma tocha na mão, dá o último passo, acendendo a pira.
Sardanapalus e Myrrha são consumidos pelas chamas, em meio à destruição de seu palácio e de seus tesouros. A morte do rei marca o fim de sua dinastia e o colapso do antigo Império Assírio, deixando para trás um legado controverso de prazer e, no fim, de uma coragem inesperada.
Gênero literário
Drama histórico, Tragédia.
Dados do autor
Lord Byron (George Gordon Byron, 6º Barão Byron) foi um proeminente poeta britânico e uma das figuras mais importantes do movimento romântico. Nascido em Londres em 1788, ele viveu uma vida marcada por escândalos, paixões intensas e uma notória sede por aventura. É famoso por suas longas narrativas poéticas como "Childe Harold's Pilgrimage" e "Don Juan", bem como por seus dramas poéticos. Seus personagens "byronianos" são figuras melancólicas, carismáticas, rebeldes e frequentemente condenadas. Byron era um defensor da liberdade e morreu na Grécia em 1824, enquanto lutava pela independência grega contra o Império Otomano, tornando-se um herói nacional no país.
Moral da história
A moral principal de "Sardanapalus" é multifacetada. Por um lado, a peça pode ser interpretada como uma advertência contra a negligência do dever e o excesso de hedonismo, mostrando como a indulgência pode levar à queda de um império. Por outro lado, Byron humaniza Sardanapalus, desafiando a visão tradicional do rei como um tirano fraco. O rei, embora inicialmente indolente, demonstra uma surpreendente coragem e dignidade diante da adversidade, sugerindo que a verdadeira natureza de um indivíduo pode ser revelada nos momentos mais extremos. A peça também explora a complexidade do amor e da lealdade (na figura de Myrrha), a futilidade do poder e a inevitabilidade da mudança, questionando a glória da guerra e valorizando a busca pela paz e pelo prazer, mesmo que isso acabe em tragédia.
Curiosidades
- Contexto Histórico: "Sardanapalus" foi escrita por Byron em 1821 e publicada em 1822. É uma de suas "tragédias históricas" que exploram figuras do passado com uma perspectiva romântica.
- Visão de Sardanapalus: Byron escolheu retratar Sardanapalus de uma forma muito mais simpática do que as fontes históricas gregas (como Ctesias e Diodoro Sículo), que o descreviam como um rei efeminado e fraco que levou seu império à ruína. Byron o vê como um homem à frente de seu tempo, que preferia a paz e a arte à guerra, e que é forçado a confrontar um mundo que não o entende.
- A Pira de Sardanapalus: O clímax da peça, com a pira funerária auto-infligida, é um dos momentos mais dramáticos e iconográficos da história. Essa cena foi imortalizada e reinterpretada na famosa pintura de Eugène Delacroix, "A Morte de Sardanapalus" (1827). No entanto, há diferenças significativas: enquanto Delacroix retrata uma cena de caos e crueldade com muitas concubinas nuas sendo mortas, a peça de Byron foca no suicídio consensual e digno de Sardanapalus e Myrrha.
- Influência do Orientalismo: A peça é um exemplo do fascínio romântico pelo Oriente, com seus cenários exóticos, costumes e figuras enigmáticas, embora Byron tenha feito um esforço para basear-se em fontes históricas (mesmo que reinterpretadas).
- Personagem de Myrrha: A figura de Myrrha é um arquétipo da heroína byroniana: exótica, apaixonada, corajosa e inabalavelmente leal, capaz de inspirar e morrer por seu amado.
- Temas Atuais: Apesar de seu cenário antigo, a peça aborda temas atemporais como a tensão entre o dever público e o desejo pessoal, a natureza do poder e a busca por significado em face da aniquilação.
