Contos do Grotesco e do Arabesco - Edgar Allan Poe
Resumo "Contos do Grotesco e do Arabesco" é uma coleção seminal de contos de Edgar Allan Poe, publicada pela primeira vez em 1839. A coleção...
Resumo
"Contos do Grotesco e do Arabesco" é uma coleção seminal de contos de Edgar Allan Poe, publicada pela primeira vez em 1839. A coleção não segue uma única linha narrativa, mas reúne uma série de histórias que exploram temas recorrentes no trabalho de Poe, como a morte, a loucura, a obsessão, a beleza mórbida, o sobrenatural e a psique humana em seus estados mais extremos. As histórias variam em tom, desde o gótico e o horror psicológico até o satírico e o fantástico, mas todas são marcadas pela prosa lírica e evocativa de Poe e sua maestria na criação de atmosferas densas e perturbadoras. A coleção é um mergulho nas profundezas da mente humana e do terror existencial, solidificando a reputação de Poe como um mestre do macabro e do bizarro.
Seções do livro
Seção: Metzengerstein
A história é ambientada na Hungria e narra a rivalidade secular entre as famílias Metzengerstein e Berlifitzing. Frederick, o jovem barão Metzengerstein, é um órfão excêntrico e cruel que herda a fortuna da família aos dezoito anos. Ele é conhecido por sua maldade e por colocar fogo na propriedade de Berlifitzing, resultando na morte do velho conde Berlifitzing em um incêndio. Curiosamente, após o incêndio, um cavalo selvagem de proporções colossais, nunca antes visto, aparece nos estábulos de Metzengerstein. Frederick se torna obcecado pelo cavalo, que parece ter uma inteligência e um espírito malignos. A história culmina em um incêndio na própria mansão Metzengerstein, e Frederick, montado no cavalo, é levado para dentro das chamas, selando seu destino.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Barão Frederick Metzengerstein | Jovem órfão, herdeiro, rico | Cruel, arrogante, excêntrico, obcecado |
| Conde Berlifitzing | Velho líder da família rival | Paciente, sábio (contrastando com Frederick) |
Seção: Morella
O narrador, um estudioso da filosofia alemã e da metempsicose, casa-se com Morella, uma mulher de vasta erudição e intelecto profundo. Eles se dedicam ao estudo dessas filosofias, e Morella o fascina com seu conhecimento sobre a identidade pessoal e a transmigração da alma. Com o tempo, o narrador desenvolve uma aversão por ela, embora não consiga explicar o porquê. Morella morre no parto, mas antes de falecer, promete retornar. A filha recém-nascida, que não tinha nome, cresce e desenvolve uma semelhança perturbadora com a falecida Morella, tanto fisicamente quanto em sua voz e maneirismos. No décimo aniversário da menina, o narrador decide batizá-la, e ao perguntar seu nome, ela responde: "Morella." No mesmo instante, a menina morre. O narrador enterra os dois corpos, mas descobre que não há vestígios da primeira Morella no túmulo.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Narrador | Estudioso, fascinado e depois aversão à esposa | Intelectual, suscetível à obsessão, angustiado |
| Morella | Esposa do narrador, erudita, professora | Inteligente, enigmática, com conhecimento de ocultismo |
| Filha (futura Morella) | Filha do narrador e Morella | Cresce com traços e voz idênticos à mãe, misteriosa |
Seção: Ligeia
A história é narrada por um homem que lamenta a perda de sua primeira esposa, Ligeia, uma mulher de beleza e inteligência extraordinárias, com olhos negros penetrantes e um vasto conhecimento de línguas antigas e filosofias esotéricas. Ele a idolatrava e era cativado por sua poderosa vontade e seu desejo ardente de vida. Após a morte de Ligeia, o narrador, mergulhado em ópio e melancolia, casa-se com a loira Lady Rowena Trevanion de Trevanion, uma mulher de temperamento contrastante. Eles se mudam para uma abadia remota e dilapidada. Rowena, frequentemente doente, acaba adoecendo gravemente e morre. Enquanto o narrador vigia o corpo, ele experimenta visões e a sensação de que a vida retorna ao corpo de Rowena. Após várias recorrências dessa reanimação e recaída, o corpo se transforma completamente, revelando-se não como Rowena, mas como a ressuscitada Ligeia.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Ligeia | Primeira esposa do narrador, bela, erudita, cabelos negros | Inteligente, forte vontade, apaixonada pela vida, misteriosa |
| Lady Rowena Trevanion | Segunda esposa do narrador, loira, delicada | Tímida, frágil, doente, de beleza mais convencional |
Seção: A Queda da Casa de Usher
O narrador recebe um pedido urgente de seu amigo de infância, Roderick Usher, que sofre de uma doença misteriosa e teme o iminente falecimento de sua irmã gêmea, Madeline. A casa dos Usher é uma mansão gótica e melancólica, com uma fenda visível que se estende do telhado ao chão. Roderick é um hipocondríaco, hipersensível aos sentidos, e Madeline sofre de catalepsia e uma deterioração física e mental gradual. A atmosfera da casa é opressiva, e Roderick acredita que a própria mansão e seus arredores estão exercendo uma influência maligna sobre eles. Após a "morte" de Madeline, Roderick e o narrador a colocam temporariamente em um cofre subterrâneo. Dias depois, durante uma tempestade, os dois ouvem ruídos estranhos vindos da casa. Madeline, na verdade, havia sido enterrada viva, e agora, ensanguentada e pálida, aparece na porta do quarto, atacando Roderick. Ambos morrem no chão, e o narrador foge horrorizado enquanto a casa dos Usher, com sua rachadura, desmorona e afunda no lago.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Narrador | Amigo de infância de Roderick | Observador, racional, inicialmente cético, depois aterrorizado |
| Roderick Usher | Dono da mansão Usher, artista, músico, sensível | Hipocondríaco, nervoso, hipersensível, mentalmente perturbado |
| Madeline Usher | Irmã gêmea de Roderick | Doente, catatônica, frágil, etérea, mas com uma força latente |
Seção: Berenice
O narrador, Egaeus, cresceu na melancólica e gótica biblioteca de sua família. Ele sofre de monomania, uma obsessão intensa por um único objeto ou ideia, e ataques de transe. Sua prima, Berenice, é sua noiva. Ela era outrora bela e cheia de vida, mas uma doença misteriosa a atinge, transformando-a em uma figura frágil e emaciada. Seu cabelo perde o brilho, seus lábios se tornam pálidos e seus olhos perdem a vida, mas Egaeus desenvolve uma obsessão doentia por seus dentes. Eles se tornam o foco exclusivo de sua existência. Durante um de seus transes, ele se vê na presença de Berenice. Mais tarde, ele acorda de um transe, descobrindo que Berenice morreu e está prestes a ser enterrada. Um criado entra, anunciando que o túmulo de Berenice foi violado e seu corpo desfigurado. Egaeus percebe que, enquanto estava em transe, ele mesmo desenterrou Berenice e, em sua monomania, arrancou todos os seus dentes, que agora estão sobre sua mesa.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Egaeus | Narrador, primo e noivo de Berenice | Melancólico, monomaníaco, intelectual, propenso a transes |
| Berenice | Prima e noiva de Egaeus | Inicialmente vibrante, depois doente, frágil, vítima |
Seção: Manuscrito Encontrado Numa Garrafa
Um narrador anônimo, cético e racional, embarca em um navio de carga de Sumatra. Ele possui um espírito de pesquisa e um senso de observação aguçado. Após vários dias de bom tempo, o navio é atingido por um tufão repentino e devastador. Todos os outros passageiros e tripulantes são levados ao mar, exceto o narrador e um velho sueco. O navio, agora um casco em ruínas, vagueia sem rumo pelas correntes do oceano. Em meio a uma neblina densa e um mar estranhamente escuro, eles colidem com um navio fantasma colossal, de construção antiga e tripulado por homens idosos e silenciosos. O narrador consegue passar para o navio fantasma sem ser notado pela tripulação. Ele percebe que o navio está em uma rota de colisão para o Polo Sul, impulsionado por ventos e correntes sobrenaturais. A tripulação vive em um estado de perpétuo esquecimento, alheia ao seu entorno ou à presença do narrador. Ele escreve sua história e a joga em uma garrafa no mar, aceitando seu destino de ser arrastado para um abismo polar.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Narrador (anônimo) | Passageiro de navio, estudioso, cético | Racional, observador, curioso, introspectivo, gradualmente aceita o horror |
Seção: William Wilson
A história é contada por William Wilson, um homem que confessa ter caído na depravação e no vício. Ele narra sua infância em uma escola peculiar na Inglaterra, onde encontra um colega que tem o mesmo nome, a mesma aparência e até a mesma data de nascimento que ele. Este "outro" William Wilson é um tipo de sósia ou doppelgänger, que imita Wilson em tudo, exceto em um sussurro, e o persegue com conselhos morais e repreensões discretas. O primeiro William Wilson, irritado e humilhado pela constante presença e influência moral de seu sósia, tenta se livrar dele em várias ocasiões. Ele foge da escola e viaja pela Europa, mas o outro William Wilson sempre reaparece em momentos cruciais para frustrar seus esquemas imorais e avisá-lo de seus erros, muitas vezes com um sussurro que Wilson se recusa a ouvir. A perseguição culmina em um duelo em Roma, onde o narrador apunhala seu sósia. Ao fazê-lo, ele descobre que apunhalou a si mesmo, e o sósia morre, revelando que ao destruí-lo, William Wilson destruiu sua própria consciência e sua alma.
Gênero literário
Ficção Gótica, Horror Psicológico, Contos, Fantasia Sombria, Sátira.
Dados do autor
Edgar Allan Poe (1809–1849) foi um escritor, poeta, editor e crítico literário americano. Ele é mais conhecido por seus contos de mistério e macabro, e é amplamente considerado uma figura central do Romantismo Americano e do Gótico. Poe foi um dos primeiros escritores americanos a tentar viver apenas da escrita, resultando em uma vida financeiramente difícil. Sua vida pessoal foi marcada por tragédias, incluindo a morte precoce de sua esposa e musa, Virginia Eliza Clemm Poe. Ele é creditado como o inventor do gênero detetive de ficção e contribuiu significativamente para o gênero de ficção científica e de horror. Sua obra influenciou inúmeros escritores e artistas ao longo dos séculos.
Moral
Embora "Contos do Grotesco e do Arabesco" seja uma coleção sem uma única moral, temas recorrentes oferecem várias reflexões:
- Os Perigos da Obsessão: Muitas histórias exploram como a obsessão por ideias, pessoas ou objetos pode levar à loucura, à destruição e ao horror.
- A Fragilidade da Mente Humana: Poe frequentemente demonstra como a razão pode ser facilmente derrubada pela emoção, pelo trauma ou pelo sobrenatural, revelando a proximidade entre a genialidade e a insanidade.
- A Inescapabilidade do Destino e do Passado: Personagens são frequentemente assombrados por erros passados, maldições familiares ou presságios, sugerindo que certas forças são incontroláveis.
- A Natureza Dual da Existência: Poe explora a linha tênue entre a vida e a morte, a sanidade e a loucura, a beleza e a repulsa, sugerindo que o terror muitas vezes reside na intersecção dessas dualidades.
Curiosidades do livro
- Primeira Coleção de Poe: Esta foi a primeira coleção de contos de Edgar Allan Poe, consolidando muitos de seus trabalhos curtos anteriormente publicados em periódicos.
- Título Significativo: O título "Grotesque and Arabesque" refere-se a dois estilos de arte e literatura. O "grotesco" alude a figuras distorcidas, estranhas e cômicas ou aterrorizantes, enquanto o "arabesco" sugere padrões ornamentais complexos e fantásticos, muitas vezes sem figuras humanas, que podem ser vistos como belos e estranhos. Poe usou esses termos para descrever a natureza bizarra, intrincada e muitas vezes horrível de suas histórias.
- Recepção Crítica: A coleção teve uma recepção mista na época de sua publicação, com alguns críticos elogiando sua originalidade e atmosfera, enquanto outros a consideravam excessivamente sombria e macabra. No entanto, lançou as bases para o reconhecimento futuro de Poe.
- Temas Recorrentes: A coleção estabeleceu muitos dos temas e tropos que se tornariam marcas registradas de Poe: mulheres morrendo e retornando, narradores pouco confiáveis, casas assombradas, enterros prematuros, monomania e o exame da psicologia do terror.
- Impacto no Gótico Americano: "Contos do Grotesco e do Arabesco" é considerada uma obra fundamental para o desenvolvimento do gótico americano, afastando-se do gótico europeu tradicional para focar mais no terror psicológico e na mente humana perturbada.
