The Cask of Amontillado - Edgar Allan Poe

Resumo

"O Barril de Amontillado" de Edgar Allan Poe é um conto macabro de vingança narrado em primeira pessoa por Montresor, que descreve como ele se vingou de Fortunato, um nobre conhecedor de vinhos que supostamente o insultou inúmeras vezes. Aproveitando o amor de Fortunato por vinho e seu orgulho, Montresor o atrai para as catacumbas de sua família durante o carnaval, sob o pretexto de provar um raro barril de Amontillado que ele "adquiriu". Enquanto descem pelas câmaras úmidas e repletas de ossos, Montresor constantemente oferece vinho e expressa falsa preocupação com a saúde de Fortunato para mantê-lo embriagado e desavisado. Eventualmente, ele leva Fortunato a uma alcova remota, acorrenta-o a uma parede e o empareda vivo, deixando-o para morrer nas profundezas escuras e esquecidas das catacumbas, onde seu corpo permanecerá sem ser descoberto por meio século.

Seções do livro

Seção 1

A história começa com Montresor revelando seu plano de vingança contra Fortunato. Montresor afirma ter suportado mil injúrias de Fortunato, mas uma específica, uma "injúria", é o que o levou a planejar sua aniquilação definitiva, prometendo não apenas punir, mas fazê-lo com impunidade. Ele enfatiza que a vingança deve ser perfeita, de modo que o vingador não seja pego e o vingado perceba quem o feriu.

Ele encontra Fortunato durante o pico do carnaval, em um crepúsculo de loucura e folia. Fortunato, um respeitado e temido conhecedor de vinhos, está embriagado e vestido de bobo da corte, com um chapéu cônico com sinos. Montresor o aborda com extrema cordialidade, que ele esconde sob uma máscara de hipocrisia, e o provoca sobre um suposto barril de Amontillado que ele comprou. Ele menciona que teme ter sido enganado e que, se Fortunato estiver muito ocupado, ele procurará Luchesi, um rival de Fortunato na connoisseurship de vinhos, para confirmar a autenticidade do Amontillado. Como esperado, o orgulho de Fortunato é ferido, e ele insiste em acompanhar Montresor imediatamente para provar o vinho.

Personagem Características Personalidade
Montresor Narrador em primeira pessoa, de uma antiga e outrora nobre família. Vingativo e calculista. Calmo, metódico, manipulador, inteligente, psicopata. Possui um profundo ressentimento por Fortunato e é obcecado pela ideia de uma vingança perfeita. Mostra-se sorridente e amigável em público, mas é cruel e sem remorsos por dentro.
Fortunato Um nobre rico, apreciador de vinhos (especialmente xerez), com reputação de bom gosto. Veste-se de bobo da corte para o carnaval. Orgulhoso, vaidoso, arrogante, um tanto pretensioso e com um ponto fraco pela bebida. Sua maior fraqueza é o orgulho em sua habilidade como conhecedor de vinhos, o que o torna vulnerável à manipulação de Montresor.

Seção 2

Montresor e Fortunato iniciam sua descida às sombrias e úmidas catacumbas da família Montresor, que também servem como adega. À medida que avançam, a atmosfera torna-se mais sufocante e o ar fica carregado de mofo e salitre. Montresor expressa uma falsa preocupação com a saúde de Fortunato, observando sua tosse. Ele sugere que eles voltem, sabendo que Fortunato, em sua embriaguez e orgulho, recusará, insistindo que o Amontillado o espera. Montresor oferece a Fortunato mais vinho, desta vez um Medoc, para aliviar sua tosse e para mantê-lo ainda mais embriagado.

Enquanto bebem, Fortunato faz um gesto com a mão, que Montresor não entende, revelando que Fortunato é um Maçom. Quando Fortunato pergunta se Montresor é um Maçom, Montresor tira uma colher de pedreiro debaixo de sua capa, afirmando sê-lo, um gesto sinistro que Fortunato, em seu estado de embriaguez, interpreta como uma brincadeira. Eles continuam seu caminho através dos corredores cheios de crânios e ossadas, Montresor insistindo que o Amontillado está mais adiante, em uma câmara ainda mais remota.

Seção 3

Finalmente, Montresor leva Fortunato a uma pequena alcova em uma cripta ainda mais profunda, onde Fortunato espera encontrar o Amontillado. A alcova é estreita, com paredes de granito e uma entrada de cerca de um metro de largura por dois e meio de altura. Dentro, há apenas uma parede de rocha sólida em uma extremidade. Não há Amontillado visível. Fortunato, levemente confuso, pergunta onde está o vinho.

Montresor então revela seu verdadeiro propósito. Ele rapidamente empurra Fortunato para a parede do fundo da alcova e, antes que Fortunato possa reagir plenamente, o acorrenta à parede usando grampos que já estavam fixados ali. Fortunato tenta resistir e grita, mas Montresor é mais rápido e forte. Uma corrente pesada de ferro é envolta em sua cintura. Fortunato, agora mais lúcido, mas ainda incrédulo, tenta mover-se, fazendo os sinos de seu chapéu tinir.

Montresor então começa a emparedá-lo. Ele revela pilhas de tijolos e argamassa que havia escondido previamente na cripta. Com calma e precisão, ele começa a construir uma parede, bloqueando a entrada da alcova, tijolo por tijolo.

Seção 4

À medida que a parede cresce, Fortunato, que estava inicialmente em choque, começa a gritar e a lutar com a corrente. Seu desespero aumenta, e seus gritos se transformam em um uivo aterrorizante, que Montresor ecoa com frieza, superando-o em volume para mostrar que ninguém mais ouvirá. Montresor para por um momento, desfrutando do som do desespero de sua vítima. Ele continua a emparedar, e logo restam apenas alguns tijolos.

Os sinos de Fortunato tocam pela última vez, e ele faz uma tentativa final de apelar para Montresor, chamando seu nome. Há um breve silêncio, seguido por um lamento suave e agonizante. Montresor espera uma resposta, mas não há nenhuma. Ele então conclui o trabalho, colocando o último tijolo e selando a abertura com argamassa. Ele empurra o último tijolo para o lugar e reboca a parede, garantindo que não haja vestígios de sua obra.

Montresor conclui a história afirmando que o corpo de Fortunato permaneceu intocado por cinquenta anos. A história termina com a frase em latim "In pace requiescat!", significando "Descanse em paz!", uma ironia sombria para o destino de Fortunato.


Gênero Literário: Conto gótico, ficção de terror, conto de vingança.

Dados do Autor:
Edgar Allan Poe (1809-1849) foi um escritor, poeta, editor e crítico literário americano, mais conhecido por seus contos de mistério e macabros e por ser um dos primeiros praticantes do conto americano e um inovador do gênero de ficção científica. Ele é amplamente considerado uma figura central do Romantismo nos Estados Unidos e da literatura americana como um todo, sendo mais famoso por suas obras que exploram temas de morte, luto e insanidade, como "O Corvo", "A Queda da Casa de Usher" e "O Gato Preto".

Moral da História (Moraleja):
"O Barril de Amontillado" não oferece uma moral clara no sentido tradicional de uma lição positiva. Em vez disso, explora as profundezas da psique humana e os perigos da vaidade e do orgulho desmedido, que podem cegar uma pessoa para o perigo iminente. Para Montresor, a história pode ser vista como a concretização de uma vingança perfeita e impune, um estudo sobre a natureza fria e calculista da vingança. A falta de uma moral explícita serve para aumentar o terror da história, deixando o leitor com uma sensação de desconforto sobre a capacidade humana para o mal.

Curiosidades:

  • Inspiração: Acredita-se que Poe tenha se inspirado em uma história real ou em lendas urbanas de emparedamentos vivos, uma forma de execução ou enterro que não era incomum em certas épocas e culturas. Alguns estudiosos sugerem que a história pode ter sido uma resposta de Poe a um incidente em que ele foi criticado por um escritor rival.
  • O Simbolismo do Amontillado: O Amontillado, um xerez seco espanhol, é o chamariz perfeito para Fortunato devido à sua raridade e ao status que confere prová-lo. O nome "Fortunato" é irônico, pois ele é tudo menos afortunado em seu destino.
  • Os Maçons: A referência à Maçonaria e o gesto secreto de Fortunato são significativos. Montresor falsamente reivindica a afiliação maçônica, e sua "ferramenta" de pedreiro (a colher de pedreiro) é usada para um propósito muito mais sinistro do que a construção. Isso subverte a imagem da Maçonaria como uma sociedade de construtores e irmãos, usando suas ferramentas para destruição.
  • A Ironia do Carnaval: A história se passa durante o carnaval, um período de inversão social, disfarces e indulgência. Isso proporciona o cenário perfeito para Montresor executar seu plano, já que as pessoas estão distraídas e os crimes podem passar despercebidos em meio à festa.
  • Narrativa em Primeira Pessoa: A história é contada do ponto de vista do assassino, Montresor, cinquenta anos após o evento. Isso permite que Poe explore a psicologia do vingador, mostrando sua frieza e falta de remorso, e deixando o leitor a questionar sua sanidade e moralidade.