The Narrative of Arthur Gordon Pym of Nantucket - Edgar Allan Poe

Resumo

"A Narrativa de Arthur Gordon Pym de Nantucket" é o único romance completo de Edgar Allan Poe e conta a história extraordinária de Arthur Gordon Pym, que, impulsionado por um desejo de aventura e pela influência de seu amigo Augustus Barnard, decide secretamente embarcar como clandestino no navio baleeiro Grampus, de propriedade do pai de Augustus. A viagem rapidamente se transforma em uma série de calamidades: um motim brutal toma conta do navio, seguido por naufrágio, fome, sede, canibalismo e a perda de quase toda a tripulação. Pym, Augustus e outros poucos sobreviventes enfrentam horrores indizíveis até serem resgatados pelo navio de exploração Jane Guy.

A segunda parte do romance detalha a jornada da Jane Guy para os mares antárticos, onde a tripulação encontra paisagens e criaturas bizarras e desconhecidas. Eles descobrem uma ilha habitada por nativos hostis e tecnologicamente primitivos, os tsalalianos, liderados pelo chefe Too-Wit. Após uma aparente amizade, os nativos traem e massacram a maior parte da tripulação do Jane Guy. Pym, o mestiço Dirk Peters e alguns outros conseguem escapar. Eles prosseguem para o sul, adentrando um reino de maravilhas e terrores sobrenaturais, onde a água é anormalmente morna e branca, a névoa densa e a vida selvagem estranha. A história culmina com Pym e Peters se aproximando de um gigantesco abismo no Pólo Sul, onde uma figura humana colossal e velada, de uma brancura avassaladora, emerge antes que a narrativa seja abruptamente interrompida.

Seções do livro

Seção 1

Arthur Gordon Pym, um jovem de Nantucket, Massachusetts, descreve sua educação e a forte influência de seu amigo Augustus Barnard, filho de um capitão de navio. Augustus o convence a embarcar em uma aventura em um pequeno veleiro chamado Ariel. Durante uma tempestade, Pym fica inconsciente, e Augustus, bêbado mas mais experiente, consegue salvar o veleiro de afundar. Este evento serve como um prelúdio para as aventuras futuras de Pym e demonstra sua propensão a ser arrastado por Augustus para situações perigosas. Pym, impulsionado por um desejo insaciável de aventura e pela leitura de livros de viagem, decide se tornar um clandestino no navio baleeiro Grampus, que partirá para uma longa viagem, com Augustus a bordo.

Personagem Características Personalidade
Arthur Gordon Pym Jovem, inexperiente, imaginativo, propenso a aventuras Impulsivo, curioso, facilmente influenciável, resiliente
Augustus Barnard Filho de capitão, mais velho que Pym, experiente em navegação, propenso ao alcoolismo Audacioso, aventureiro, leal a Pym, mas às vezes imprudente
Capitão Barnard Pai de Augustus, capitão do Grampus, proprietário de navios Experiente, autoritário, mas ausente na maior parte da narrativa de Pym

Seção 2

Pym se esconde no porão do Grampus antes da partida, com a ajuda de Augustus, que lhe fornece comida e água. O compartimento é escuro, apertado e infestada de ratos. Pym fica ali por vários dias, sofrendo de claustrofobia e fome, e quase morre de sede devido a um erro de cálculo de Augustus sobre a duração de sua reclusão. Um cão terrier de Pym, Tiger, encontra seu esconderijo, trazendo um bilhete de Augustus. O bilhete está ilegível. Eventualmente, Pym adormece e sonha com a morte de Augustus. Quando acorda, está muito fraco e desorientado. Tiger o leva para um local seguro após a descoberta de seu esconderijo.

Seção 3

Pym é encontrado pelo cozinheiro do navio, o negro Seymour. Ele descobre que o navio foi tomado por um motim liderado pelo contramestre, e que a tripulação leal, incluindo o Capitão Barnard, foi massacrada. Augustus, no entanto, havia se escondido e fingido lealdade aos amotinados, conseguindo sobreviver. Os amotinados dividem-se em dois grupos, um dos quais é enviado para um barco e abandonado no mar. O grupo restante, liderado por um marinheiro cruel chamado Jones, decide poupar Augustus devido à sua utilidade como navegador. Pym é descoberto e é obrigado a permanecer escondido no porão novamente. Ele se une a Augustus, que explica a situação do motim e a terrível situação a bordo. Eles planejam um contra-motim com a ajuda de Peters.

Personagem Características Personalidade
Dirk Peters Meio-índio, forte, baixo, atarracado, com pernas curtas e braços longos, dentes proeminentes. Silencioso, leal, feroz, astuto, incrivelmente resistente
Jones Marinheiro amotinado, contramestre Cruel, autoritário, impiedoso
Seymour Cozinheiro negro do Grampus Leal a Pym e Augustus, mas de pouca relevância após o motim

Seção 4

Pym, Augustus e Peters executam seu plano de contra-motim. Durante uma violenta tempestade, Pym, disfarçado de cadáver ensanguentado, e Peters, aproveitando o pânico e a confusão, atacam os amotinados. Com a ajuda de Augustus, eles conseguem matar ou subjugar a maioria dos amotinados. Apenas quatro marinheiros amotinados sobreviveram e foram jogados ao mar. No entanto, o navio está severamente danificado pela tempestade e pelo motim. A tripulação restante consiste em Pym, Augustus, Peters e um marinheiro chamado Richard Parker. Eles enfrentam escassez de água e comida, e a situação começa a ficar desesperadora.

Seção 5

Os dias seguintes são de extrema agonia. A comida e a água acabam, e os sobreviventes recorrem ao canibalismo. Parker, em um ato de desespero, sugere que um deles se sacrifique para os outros sobreviverem. Eles tiram a sorte, e Parker é o escolhido. Ele é morto e comido pelos outros. A condição de Augustus piora rapidamente; seus ferimentos do motim e o estresse da situação o levam a delírios e eventually à morte. Pym e Peters ficam sozinhos.

Seção 6

Pym e Peters continuam à deriva em condições terríveis. A água potável é esgotada, e eles estão em um estado de quase inanição. Augustus morre de seus ferimentos, e Pym e Peters são forçados a sobreviver de uma tartaruga que conseguem capturar. A desesperança é profunda. Eles veem um navio à distância, mas ele passa sem notá-los. Outro navio aparece, mas se revela ser um navio-fantasma, com os corpos decompostos de seus tripulantes. Este evento é especialmente aterrorizante e desmoralizante para Pym.

Seção 7

Quando Pym e Peters estão à beira da morte, são finalmente resgatados por um navio de exploração chamado Jane Guy, comandado pelo Capitão Guy. O navio está a caminho das regiões antárticas para caça de focas e pesquisa. Pym e Peters são os únicos sobreviventes do Grampus. Eles se recuperam lentamente e se juntam à tripulação da Jane Guy em sua jornada para o sul.

Personagem Características Personalidade
Capitão Guy Capitão da Jane Guy, explorador e caçador de focas Experiente, perspicaz, corajoso, curioso

Seção 8

A Jane Guy navega para o sul, explorando ilhas e caçando focas. Eles observam paisagens exóticas e criaturas marinhas estranhas. A temperatura da água começa a aumentar à medida que se aproximam do Pólo Sul, um fenômeno inexplicável. Eles descobrem uma ilha desabitada com vegetação peculiar e uma atmosfera misteriosa. Pym se interessa por inscrições nas rochas que parecem ser artificiais e enigmáticas.

Seção 9

A Jane Guy continua sua jornada para o sul, penetrando em regiões cada vez mais inexploradas. Eles chegam a uma grande ilha que mais tarde se revela ser Tsalal. A ilha é coberta por vegetação densa e possui riachos de água preta. Eles encontram uma raça de nativos negros, os tsalalianos, liderados por um chefe chamado Too-Wit. Os nativos são inicialmente amigáveis e curiosos, mas sua linguagem é estranha, e eles mostram um medo peculiar de tudo que é branco.

Personagem Características Personalidade
Too-Wit Chefe dos tsalalianos, nativo de Tsalal Astuto, aparentemente amigável, mas traiçoeiro, desconfiado do "branco"

Seção 10

Os tsalalianos e a tripulação da Jane Guy estabelecem um intercâmbio comercial, com os nativos oferecendo mercadorias em troca de itens europeus. Pym e Peters, no entanto, sentem uma crescente desconfiança em relação aos nativos, percebendo sinais sutis de sua hostilidade latente e sua aversão ao branco. As inscrições rochosas que Pym havia encontrado anteriormente em outra ilha, e que ele havia copiado em seu diário, parecem estar relacionadas às inscrições encontradas nas rochas de Tsalal, sugerindo uma cultura antiga e misteriosa.

Seção 11

Apesar dos avisos e da desconfiança de Pym e Peters, o Capitão Guy decide confiar nos nativos e permite que a maioria da tripulação vá para a ilha para uma exploração mais aprofundada. Os tsalalianos preparam uma armadilha, atraindo os marinheiros para um desfiladeiro estreito. Eles orquestram um deslizamento de terra, matando toda a tripulação da Jane Guy, exceto Pym, Peters e outros dois que estavam no navio ou em uma posição de observação. A Jane Guy é invadida e incendiada pelos nativos.

Seção 12

Pym, Peters e os outros dois sobreviventes do massacre fogem para as montanhas. Eles são perseguidos pelos tsalalianos. Durante a fuga, eles encontram refúgio em uma caverna. A tensão é palpável, e a sobrevivência é a única prioridade. Os dois outros sobreviventes acabam morrendo ou se perdendo, deixando apenas Pym e Peters.

Seção 13

Pym e Peters continuam a se esconder dos tsalalianos. Eles exploram as complexas passagens e labirintos das cavernas na ilha. Pym descobre mais inscrições nas rochas, que ele acredita ter um significado profundo. As cavernas são assustadoramente escuras e silenciosas. Eles observam os tsalalianos em seus rituais e costumes, notando sua natureza selvagem.

Seção 14

Pym e Peters planejam sua fuga da ilha. Eles conseguem sequestrar um pequeno barco dos tsalalianos. Eles levam a filha de Too-Wit como refém, mas ela morre no caos da fuga. Eles escapam para o mar, deixando a ilha de Tsalal para trás.

Seção 15

Pym e Peters navegam para o sul em seu pequeno barco, entrando em um oceano cada vez mais misterioso. A água torna-se branca e leitosa, e o ar fica estranhamente quente. Criaturas marinhas de formas e cores bizarras surgem das profundezas. Poe descreve uma paisagem que desafia a compreensão humana, onde as leis da natureza parecem se distorcer.

Seção 16

A viagem continua para o sul. O céu e a água se fundem em uma névoa branca densa. Uma enorme corrente os arrasta em direção a um abismo gigantesco. Pym e Peters observam o surgimento de uma figura humana colossal, de pele branca e velada, emergindo da névoa. A narrativa é abruptamente interrompendo aqui, com uma nota do editor explicando a perda dos manuscritos de Pym.

Gênero literário

Aventura, Ficção Gótica, Horror, Mistério, Ficção Científica Proto-científica, Sátira (no início do romance). O livro é frequentemente considerado um precursor da literatura de aventura e da ficção de horror cósmico.

Dados do autor

Edgar Allan Poe (1809-1849) foi um escritor, poeta, editor e crítico literário americano. Ele é mais conhecido por seus contos de mistério e horror, e é considerado uma figura central do Romantismo americano e um dos primeiros praticantes do conto americano. Poe é amplamente considerado o inventor do gênero ficção policial e é creditado por suas contribuições para o gênero emergente da ficção científica. Ele foi uma figura literária complexa, cuja vida pessoal foi marcada por tragédias e dificuldades financeiras, mas cujo legado influenciou profundamente a literatura mundial. Suas obras frequentemente exploram temas de morte, luto, loucura e o lado sombrio da psique humana.

Moral da história

"A Narrativa de Arthur Gordon Pym" não apresenta uma moral singular e explícita no sentido tradicional. Em vez disso, a obra explora e sugere várias reflexões:

  • A fragilidade da civilização e a bestialidade humana: O romance demonstra como, sob condições extremas de privação, os instintos mais primitivos e brutais da humanidade podem vir à tona, levando ao canibalismo e à selvageria.
  • A busca incessante pelo desconhecido: Pym é impulsionado por um desejo insaciável de aventura e exploração, que o leva a perigos inimagináveis, sugerindo a força da curiosidade e o impulso humano de ir além dos limites conhecidos.
  • O terror do abismo e do outro: O final ambíguo e a aproximação de um "vazio" desconhecido no Pólo Sul, juntamente com o encontro com os tsalalianos, que representam o "outro" radicalmente diferente, evocam um medo existencial do desconhecido e do incompreensível.
  • Os limites do conhecimento humano: O desfecho enigmático e a impossibilidade de Pym relatar o final de sua jornada sugerem que há mistérios no universo que estão além da compreensão e da capacidade de descrição da mente humana.

Curiosidades do livro

  • Único romance completo de Poe: Embora Poe fosse prolífico em contos, ensaios e poesia, "A Narrativa de Arthur Gordon Pym" é seu único romance completo.
  • Inspiração para Júlio Verne: O romance de Poe inspirou diretamente Júlio Verne a escrever "A Esfinge dos Gelos" (também conhecida como "Um Inverno entre os Gelo" ou "A Esfinge dos Abismos"), uma sequência de Pym que tenta oferecer uma explicação para o final enigmático.
  • Controvérsia sobre canibalismo: Anos após a publicação do livro, um caso real de canibalismo em alto mar ocorreu, envolvendo o naufrágio do Mignonette em 1884. Quatro marinheiros estavam à deriva, e três deles mataram e comeram o grumete, chamado Richard Parker – o mesmo nome do personagem canibalizado na ficção de Poe. Essa coincidência gerou espanto e especulação.
  • O "Pólo Branco": A representação de um Pólo Sul misterioso, branco e quase sobrenatural influenciou muitas obras de ficção científica e horror que vieram depois, incluindo "Nas Montanhas da Loucura" de H.P. Lovecraft.
  • Críticas mistas: Na época de sua publicação, o romance recebeu críticas mistas. Alguns o consideraram uma narrativa fascinante de aventura, enquanto outros criticaram sua falta de plausibilidade e seu final abrupto.
  • Simbolismo da cor branca: A cor branca é recorrente e simbólica no livro, associada tanto à pureza quanto ao terror do vazio, da morte e do desconhecido. A aversão dos tsalalianos a qualquer coisa branca é um tema central.
  • Autoria e "descoberta": Poe apresentou o livro inicialmente como um relato verdadeiro encontrado por Pym, uma prática comum na literatura da época para aumentar a credibilidade da história.