Billy Budd, Marinheiro - Herman Melville
Resumo "Billy Budd, Sailor (An Inside Narrative)" de Herman Melville conta a história de Billy Budd, um jovem e belo marinheiro ingênuo, co...
Resumo
"Billy Budd, Sailor (An Inside Narrative)" de Herman Melville conta a história de Billy Budd, um jovem e belo marinheiro ingênuo, conhecido como o "marinheiro belo", que é forçado a deixar seu navio mercante, The Rights-of-Man, para servir a bordo do navio de guerra britânico HMS Bellipotent durante as Guerras Napoleônicas. Sua natureza pura e seu bom coração o tornam querido por quase toda a tripulação, mas ele se torna o alvo da inveja e da malícia do mestre-de-armas John Claggart, um homem de natureza dissimulada e perversa. Claggart, sem motivo aparente além de sua própria maldade inata, trama contra Billy e o acusa falsamente de incitar um motim.
O Capitão Vere, um homem íntegro e filosófico, mas rigorosamente apegado ao dever e à lei naval, convoca Billy e Claggart para um confronto. Devido à sua gagueira, Billy é incapaz de se defender verbalmente da acusação, e em um surto de frustração e indignação, ele atinge Claggart com um golpe fatal. Embora Vere reconheça a inocência moral de Billy e a malevolência de Claggart, ele se vê obrigado a convocar um conselho de guerra e aplicar a lei marcial, que exige a pena de morte para um marinheiro que ataca um oficial. Billy é condenado à forca. Sua execução é testemunhada com profunda tristeza pela tripulação, que o vê como um mártir. A novela explora temas de justiça, lei natural versus lei positiva, inocência versus malícia e os dilemas morais enfrentados em tempos de guerra.
Seções do livro
Seção 1: O Marinheiro Belo e sua Transição
A história começa apresentando Billy Budd, um jovem marinheiro de vinte e um anos, de grande beleza física e uma natureza excepcionalmente pura e ingênua. Ele serve a bordo do navio mercante The Rights-of-Man, um nome irônico dadas as circunstâncias. Billy é universalmente amado pela tripulação e pelo capitão de seu navio por sua boa vontade, seu entusiasmo e sua falta de malícia. Sua única falha física é uma gagueira que o assola em momentos de grande emoção ou estresse.
Durante um recrutamento forçado, um navio de guerra britânico, o HMS Bellipotent, aborda o The Rights-of-Man para recrutar novos marinheiros para a Marinha Real. Billy é escolhido devido à sua aptidão física. Apesar da tristeza de deixar seu antigo navio e o capitão que o apreciava, Billy aceita seu destino com sua habitual boa natureza. Sua partida é lamentada, mas ele rapidamente se adapta à vida a bordo do Bellipotent, conquistando a simpatia de seus novos companheiros e oficiais subalternos.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Billy Budd | Jovem, belo, forte, ingenuo, loiro de olhos azuis. Possui uma gagueira que se manifesta sob pressão. | Extremamente bondoso, inocente, alegre, prestativo e incapaz de maldade. É o "marinheiro belo". |
Seção 2: A Introdução de Claggart e Vere
Billy Budd rapidamente se integra à tripulação do Bellipotent, trabalhando na área do mastro principal e sendo apreciado por todos, desde os marinheiros comuns até os oficiais subalternos. Sua beleza física e pureza de espírito chamam a atenção de dois homens de grande importância no navio, mas de maneiras completamente opostas: o Capitão Edward Fairfax Vere e o mestre-de-armas John Claggart.
Capitão Vere, apelidado de "Starry Vere" pelos marinheiros devido à sua natureza pensativa e sua tendência a se perder em pensamentos contemplativos, é um homem culto, experiente e profundamente dedicado ao dever e à disciplina militar. Ele observa Billy com interesse e aprovação, reconhecendo sua bondade.
No entanto, o mestre-de-armas John Claggart reage a Billy de uma maneira muito diferente. Claggart é descrito como um homem alto, pálido, com uma inteligência astuta e uma malícia inata que se esconde sob uma fachada de respeitabilidade e formalidade. Ele é incapaz de sentir afeto ou compaixão e possui uma inveja intrínseca pela pureza e inocência de Billy. A bondade de Billy, em vez de apaziguá-lo, irrita Claggart e o leva a conceber uma aversão irracional e crescente.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Capitão Vere | Aproximadamente 40 anos, culto, aristocrático, inteligente, introspectivo e experiente. Rígido em seu apego à lei e ao dever. | Justo, mas austero; um homem de profundos pensamentos e convicções filosóficas, mas também um disciplinador estrito da Marinha Real. |
| Mestre-de-Armas John Claggart | Alto, magro, pálido, com olhos frios e uma expressão calculista. Aparência de um intelectual respeitável. | Calculista, invejoso, malevolente, sádico, manipulador e dissimulado. Possui uma malícia inata e irracional pela bondade. |
Seção 3: O Início da Hostilidade
A antipatia de Claggart por Billy Budd se aprofunda e se transforma em uma hostilidade ativa e calculista. Claggart começa a tramar contra Billy, buscando maneiras de incriminá-lo ou colocá-lo em apuros. Ele usa seus subordinados, como o "Velho Squeak", um capataz astuto e leal a Claggart, para espionar Billy e relatar qualquer suposta infração, por menor que fosse.
As tentativas de Claggart de manchar a reputação de Billy são, no entanto, sempre frustradas pela inocência inerente de Billy e pela falta de evidências concretas. Billy, alheio à malícia de Claggart, permanece gentil e respeitoso. Houve um incidente em que Billy derrama acidentalmente sua sopa, e Claggart o repreende publicamente com severidade desproporcional. Billy fica confuso, mas não entende a intenção maliciosa por trás da repreensão.
Outro incidente crucial ocorre quando um saco de moedas de ouro é encontrado na cama de Billy. Um marinheiro, agindo sob as ordens de Claggart, tenta "subornar" Billy para que ele se junte a um suposto motim. Billy, em sua ingenuidade, não compreende a gravidade da situação nem a intenção por trás do ato, e simplesmente se livra das moedas no mar, acreditando que foi apenas uma brincadeira de mau gosto. Esses eventos servem para fortalecer a determinação de Claggart em destruir Billy.
Seção 4: A Acusação Formal
Cansado de suas maquinações indiretas, Claggart decide levar sua acusação diretamente ao Capitão Vere. Aproveitando um momento em que Vere está sozinho no convés, Claggart se aproxima e, com uma postura formal e respeitosa, informa o capitão que tem informações graves a respeito de um plano de motim a bordo do navio.
Vere, que já havia notado a conduta exemplar de Billy e tinha uma visão perspicaz das pessoas, inicialmente duvida da acusação. Ele expressa ceticismo, pois Claggart tem uma reputação de ser um homem sem paixões aparentes. No entanto, Claggart insiste, afirmando que Billy Budd é o "incitador" principal do suposto motim. Ele tece uma narrativa convincente, embora falsa, de como a beleza e a popularidade de Billy o tornam uma figura ideal para liderar uma rebelião, e como sua aparente inocência é, na verdade, uma máscara para a perfídia.
Vere, embora profundamente desconfiado da acusação e da motivação de Claggart, não pode ignorar tal alegação em tempos de guerra e com as recentes memórias de motins navais na Marinha Britânica. Ele decide que o assunto deve ser investigado imediatamente e de forma privada, para evitar pofâ-nico a tripulação ou a Claggart.
Seção 5: O Confronto Fatal
O Capitão Vere, perturbado pela acusação de Claggart e querendo resolver o assunto rapidamente e discretamente, convoca Billy Budd e Claggart à sua cabine. Vere pede a Claggart que repita sua acusação diretamente a Billy. Claggart, com sua frieza calculista, reitera a falsa alegação de que Billy está incitando um motim.
Billy, ao ouvir a traição e a falsidade da acusação vinda de um oficial, fica chocado e horrorizado. A emoção avassaladora, a injustiça de ser acusado de algo tão vil e sua incapacidade de articular sua defesa devido à sua gagueira o paralisam. Ele tenta falar, mas as palavras não saem. Seu rosto se contorce de frustração e fúria impotente.
Em um impulso de desespero e indignação, Billy, que é um marinheiro forte e inexperiente em contenção, atinge Claggart com um único golpe no meio da testa. O impacto é fatal. Claggart cai morto no chão da cabine de Vere. O capitão Vere, atônito, percebe a tragédia que acabou de se desenrolar. Ele sabe que, embora Billy seja inocente de motim e Claggart fosse um traidor, a lei naval exige que o ataque a um oficial seja punido com a morte.
Seção 6: O Conselho de Guerra
Imediatamente após a morte de Claggart, o Capitão Vere convoca um conselho de guerra. Ele reúne o primeiro-tenente, o segundo-tenente, o mestre e o cirurgião do navio para deliberar sobre o caso de Billy Budd. Vere apresenta os fatos: Claggart acusou Billy de motim, e Billy, em resposta, golpeou e matou Claggart. Vere atua como acusação e testemunha, mas também como a voz que guia o conselho.
Os oficiais se veem diante de um terrível dilema. Moralmente, eles reconhecem a inocência de Billy e a perfídia de Claggart. O cirurgião, em particular, insinua que Claggart pode ter sofrido de alguma forma de insanidade ou maldade patológica. No entanto, Vere os lembra severamente de seu dever como oficiais da Marinha em tempo de guerra. Ele argumenta que, de acordo com a lei marcial, um golpe fatal dado por um marinheiro a um oficial é um crime capital, independentemente da provocação ou da inocência moral do agressor. Ele enfatiza que a lei deve ser aplicada estritamente para manter a disciplina em tempos de instabilidade e evitar futuros motins.
Apesar da relutância e do pesar dos outros oficiais, que gostavam de Billy, a persuasão implacável de Vere sobre a necessidade de manter a ordem e a lei naval em face do perigo iminente de motins (como os de Spithead e o Nore, que pairavam na memória) prevalece. Billy Budd é condenado à morte por enforcamento.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Primeiro-Tenente | Oficial experiente e prático, mais preocupado com a disciplina e as regras. | Leal, obediente, mas com a capacidade de sentir compaixão e desconforto diante da situação. |
| Segundo-Tenente | Oficial menos experiente, mais idealista e propenso a considerar a justiça moral. | Mais emotivo e inclinado a defender Billy, mas submetido à autoridade e à argumentação de Vere. |
| Mestre | Oficial experiente e cético, representa uma visão mais pragmática e talvez cínica da vida na marinha. | Prudente, tenta argumentar pela clemência, mas eventualmente cede à lógica legal de Vere. |
| Cirurgião | Intelectual e analítico, tenta entender as motivações psicológicas de Claggart. | Racional, mas compassivo; tenta justificar o ato de Billy pela natureza maligna de Claggart, mas é silenciado por Vere. |
Seção 7: A Execução de Billy
A sentença é rapidamente pronunciada e Billy é informado de seu destino. Na manhã seguinte, ao amanhecer, Billy Budd é levado para a execução. Ele não demonstra medo ou ressentimento, mas uma aceitação serena e resignada. A tripulação está reunida no convés, em silêncio e com rostos sombrios, profundamente afetada pela condenação de seu amado companheiro.
No momento de sua execução, Billy grita suas últimas palavras: "Deus te abençoe, Capitão Vere!". Essas palavras, proferidas com uma voz clara e forte, sem o traço de gagueira, chocam a todos e causam um arrepio na espinha da tripulação. É um momento de profunda emoção e paradoxo, pois o homem que o condenou recebe sua última bênção.
A execução ocorre sem incidentes, mas a tripulação reage com um suspiro coletivo e um silêncio pesado, seguido por um murmúrio inquietante que ameaça se transformar em motim. O Capitão Vere, percebendo o perigo, age rapidamente para restaurar a ordem, e o incidente é contido. O corpo de Billy é jogado ao mar em um funeral simples.
Seção 8: O Epílogo e o Legado
Após a execução de Billy Budd, a sombra dos eventos permanece no HMS Bellipotent. Pouco tempo depois, o Capitão Vere é ferido mortalmente em uma escaramuça naval com um navio francês. Em seus últimos momentos, as últimas palavras que ele murmura são "Billy Budd, Billy Budd", indicando que a tragédia o atormentou até o fim.
A história termina com duas perspectivas sobre o destino de Billy. Primeiro, uma versão oficial dos acontecimentos é publicada em um jornal naval da época, que distorce os fatos, retratando Billy como um vilão traiçoeiro e Claggart como um oficial leal que descobriu um plano de motim. Esta é a "narrativa exterior" que o subtítulo da novela sugere contrastar com a "narrativa interior" que Melville apresenta.
Em segundo lugar, e mais significativamente, a memória de Billy Budd persiste entre os marinheiros do Bellipotent e de outros navios. Eles compõem uma balada folclórica chamada "Billy in the Darbies" (Billy nas correntes), que celebra a inocência e a beleza de Billy, transformando-o em um mártir. A balada perpetua a imagem de Billy como uma vítima injusta do sistema e da maldade, mantendo viva a sua verdadeira história na cultura oral dos marinheiros.
Gênero literário
Novela, Ficção Histórica, Alegoria, Tragédia.
Dados do autor
Herman Melville (1819-1891) foi um escritor, poeta e ensaísta americano, mais conhecido por sua novela Moby Dick (1851) e pelo romance Billy Budd, Sailor. Nascido em Nova York, teve uma vida cheia de experiências no mar, trabalhando como marinheiro e caçador de baleias, o que influenciou profundamente sua obra. Apesar de ter alcançado algum sucesso inicial, sua obra foi amplamente esquecida após sua morte, apenas para ser redescoberta no século XX. Sua escrita é caracterizada por sua profundidade filosófica, simbolismo e exploração de temas complexos como a natureza do bem e do mal, a justiça, a lei e a condição humana. Billy Budd foi seu último trabalho significativo, completado pouco antes de sua morte, mas publicado postumamente em 1924.
Moral da história
A moral de "Billy Budd" é complexa e ambígua, refletindo a visão matura de Melville sobre os dilemas morais da vida. A história explora o conflito entre a lei positiva (humana, social, militar) e a lei natural (ou moral). O Capitão Vere, embora reconheça a inocência moral de Billy e a maldade de Claggart, escolhe aplicar a lei militar estrita para manter a ordem e evitar o caos em um navio de guerra em tempo de conflito. Isso sugere que, em certas circunstâncias, a estabilidade e a sobrevivência de uma sociedade podem exigir sacrifícios individuais, mesmo que moralmente injustos. A novela questiona se é possível (ou desejável) para a pureza e a inocência sobreviverem intactas em um mundo imperfeito e corrompido, e se a justiça absoluta pode ser alcançada quando se confronta com as realidades práticas do poder e da lei. Em última análise, a moral da história é um convite à reflexão sobre os compromissos inevitáveis que a sociedade impõe à virtude individual.
Curiosidades do livro
- Publicação Póstuma: "Billy Budd" foi descoberto entre os papéis de Melville somente anos após sua morte em 1891. O manuscrito, que estava incompleto e desorganizado, foi montado e publicado pela primeira vez em 1924, mais de 30 anos depois. A edição definitiva e amplamente aceita só apareceu em 1962.
- Contradição com a Vida de Melville: A história reflete uma visão mais resignada e conformista de Melville em relação à autoridade e à lei, o que contrasta com o espírito rebelde e questionador de suas obras anteriores, como Moby Dick e Typee. Alguns críticos veem isso como um reflexo de sua própria maturidade ou de uma desilusão com a capacidade de mudança social.
- Inspirado em Fatos Reais: Embora não haja um evento único, Melville pode ter sido influenciado por vários incidentes navais reais, incluindo o caso de um marinheiro americano enforcado por motim a bordo do USS Somers em 1842 (no qual o primo de Melville, Guert Gansevoort, atuou no conselho de guerra), e os grandes motins da Marinha Britânica em Spithead e o Nore em 1797.
- Título Completo: O título completo é "Billy Budd, Sailor (An Inside Narrative)", o que sugere que o autor está contando a "verdadeira" história, em oposição às narrativas oficiais ou populares distorcidas, como a que ele inclui no epílogo.
- Tema da Homossexualidade: A beleza física de Billy e as reações intensas de Claggart e até mesmo de Vere a ele, combinadas com a ausência de personagens femininas significativas, levaram alguns críticos a interpretar a novela através de uma lente de temas homossexuais ou homoeróticos sublimados, comuns em algumas leituras da literatura vitoriana.
- Ópera: A história foi adaptada para uma ópera de grande sucesso pelo compositor britânico Benjamin Britten, com libreto de E.M. Forster e Eric Crozier, que estreou em 1951.
