Doze Contos Peregrinos - Gabriel García Márquez
Resumo "Doze contos peregrinos" é uma coleção de doze histórias curtas de Gabriel García Márquez, publicadas em 1992. As histórias foram es...
Resumo
"Doze contos peregrinos" é uma coleção de doze histórias curtas de Gabriel García Márquez, publicadas em 1992. As histórias foram escritas ao longo de dezoito anos e revisadas em sua forma final. Todas as histórias compartilham um tema comum: a experiência de latino-americanos em viagens ou exílio na Europa, frequentemente confrontados com choque cultural, solidão, burocracia, e o encontro entre o realismo mágico e a realidade europeia. Os personagens são variados, desde um ex-presidente do Caribe doente em Genebra até uma prostituta aposentada em Barcelona, uma jovem confundida com uma paciente mental na Espanha, e crianças com fantasias perigosas em Madrid. A coleção explora temas como a morte, o amor, a solidão, o poder da fé e da imaginação, a fragilidade da existência humana e a ironia do destino, tudo isso permeado pelo estilo característico de García Márquez que mescla o mundano com o fantástico, o trágico com o poético.
Seções do livro
Seção: Bom Viagem, Senhor Presidente
A história narra o encontro entre um ex-presidente de um país caribenho, doente e exilado em Genebra, e Homero, um humilde motorista de ambulância colombiano. O presidente, orgulhoso e isolado, é reconhecido por Homero, que sente compaixão e patriotismo. Homero e sua esposa, Lázara, pessoas de posses modestas, oferecem ajuda e cuidado ao presidente, que inicialmente resiste, mas acaba aceitando a generosidade do casal. Eles o ajudam a conseguir uma cirurgia e cuidam de sua recuperação. Movido pela bondade genuína, o presidente lhes deixa seu único bem valioso, um anel de ouro, como um gesto de gratidão e uma aceitação da dignidade humana sobre o poder perdido.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Presidente | Idoso, doente, exilado, de um país caribenho não nomeado. | Orgulhoso, digno, inicialmente distante e cético, mas gradualmente revela vulnerabilidade e gratidão. |
| Homero | Motorista de ambulância colombiano em Genebra, homem humilde. | Gentil, compassivo, respeitoso, patriótico, engenhoso, determinado em sua bondade. |
| Lázara | Esposa de Homero, enfermeira não oficial. | Prática, carinhosa, solidária, demonstra grande humanidade e generosidade. |
Seção: A Santa
Margarito Duarte, um homem simples e humilde de um povoado colombiano, chega a Roma com o caixão de sua filha Sayda, falecida aos sete anos. O corpo da menina está incorrupto e perfeitamente preservado após 22 anos. Margarito acredita que ela é uma santa e dedica sua vida a obter o reconhecimento de sua santidade pelo Vaticano, enfrentando a burocracia e o ceticismo da Igreja. Ele passa décadas em Roma, persistente e paciente, transformando sua busca em um ato de fé inabalável e amor paternal. O narrador o encontra anos depois, fascinado por sua devoção e pela inexplicável preservação do corpo da menina.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Margarito Duarte | Homem humilde, originário da Colômbia. | Paciente, persistente, dedicado, de fé inabalável, determinado em sua busca. |
| Sayda | Filha de Margarito, falecida aos sete anos. | Seu corpo incorrupto é o centro da história, símbolo de um milagre não reconhecido. |
| O Narrador | Um escritor que acompanha a história de Margarito. | Observador, curioso, intrigado pela fé e perseverança de Margarito. |
Seção: O Avião da Bela Adormecida
O narrador está no aeroporto Charles de Gaulle em Paris, aguardando um voo para Nova York que é atrasado por uma nevasca. Lá, ele avista uma mulher de beleza extraordinária, a quem ele imediatamente se refere como "a Bela Adormecida". Ele fica cativado por sua elegância e serenidade. Por uma coincidência inesperada, ele se encontra sentado ao lado dela no voo reorganizado. Ela adormece quase que imediatamente. O narrador passa todo o voo observando-a em silêncio, hipnotizado por sua beleza, sem nunca ousar dirigir-lhe a palavra, transformando o encontro em uma experiência de admiração pura e inexpressa.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Narrador | Um homem, passageiro em um voo de Paris para Nova York. | Romântico, sonhador, observador, facilmente cativado pela beleza, tímido, imaginativo. |
| A Bela Adormecida | Uma mulher de beleza excepcional e elegância notável. | Serena, aparentemente alheia ao seu entorno, dorme tranquilamente durante o voo. |
Seção: Eu Alugo Para Sonhar
O narrador relata seu encontro com Frau Frida, uma mulher enigmática que ele conheceu em Viena. Após um acidente de infância que a deixou com uma capacidade única, ela tem o poder de prever o futuro através de seus sonhos. Frida "aluga seus sonhos", oferecendo conselhos valiosos a figuras poderosas da Europa. O narrador a observa ao longo dos anos em diferentes cidades, sempre fascinado por seu dom e sua abordagem pragmática ao misticismo. A história culmina tragicamente em Havana, quando Frau Frida morre em um acidente bizarro envolvendo uma onda que a arrasta de sua varanda, um evento que, ironicamente, ela não conseguiu prever de maneira útil ou que escapou à sua interpretação mística.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Narrador | Um escritor e jornalista. | Curioso, observador, cético mas fascinado por fenômenos incomuns, narrador em primeira pessoa. |
| Frau Frida | Uma mulher de origem austríaca com um dom sobrenatural. | Enigmática, pragmática, possui a capacidade de prever o futuro através de seus sonhos, sobrevivente, perspicaz. |
Seção: Só Vim Falar ao Telefone
María de la Luz Cervantes, uma jovem e vibrante artista de circo, está viajando por uma região remota da Espanha quando seu carro quebra. Em busca de um telefone para pedir ajuda, ela para um ônibus que, sem que ela saiba, está transportando mulheres para um sanatório psiquiátrico. Por um trágico mal-entendido e apesar de seus protestos, María é confundida com uma das pacientes e internada à força. Seu marido, Saturno, um mágico, inicialmente pensa que ela o abandonou. Quando ele finalmente a visita, sua descrença e a burocracia do sanatório a aprisionam ainda mais, levando-a a um isolamento e desespero crescentes. A história é um retrato angustiante de uma mulher presa em um pesadelo institucional.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| María de la Luz Cervantes | Jovem, atraente, artista de circo (mágica). | Independente, vital, inteligente, mas se torna desesperada e isolada devido às circunstâncias. |
| Saturno | Marido de María, também mágico. | Inicialmente autocentrado e um tanto irresponsável, depois confuso e duvidoso, incapaz de compreender e resgatar a esposa. |
| A Diretora do Sanatório | Mulher severa e autoritária. | Impassível, inflexível, representa a burocracia e a desumanização da instituição. |
Seção: Espantos de Agosto
O narrador, um escritor, e sua família são convidados para passar um fim de semana em um castelo supostamente assombrado na Itália, pertencente a seu amigo Miguel Otero Silva. O castelo, localizado em Arezzo, é famoso pela lenda de Ludovico, um senhor renascentista que assassinou sua esposa e o amante dela no local. Apesar do ceticismo e das explicações racionais, uma atmosfera inquietante paira sobre o lugar. As crianças se divertem com as histórias de fantasmas. Na manhã seguinte, o narrador acorda em um quarto diferente, ao lado de uma "mulher adormecida" com um cheiro peculiar, e então encontra sua esposa dormindo profundamente em sua cama original. A experiência deixa a dúvida se o fantasma era apenas uma lenda ou uma visita real.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Narrador | Um escritor, pai de família. | Cético mas aberto a experiências sobrenaturais, observador, conta a história em primeira pessoa. |
| Miguel Otero Silva | Amigo do narrador, dono do castelo. | Conhece as lendas do castelo, um tanto irônico mas consciente da atmosfera. |
| A Esposa do Narrador | Mãe das crianças. | Pragmática, inicialmente lida com as histórias de fantasmas de forma leve. |
| Os Filhos do Narrador | Duas crianças. | Entusiasmados, crédulos em relação às histórias de fantasmas. |
| Ludovico | O lendário fantasma do castelo. | Um senhor renascentista que assassinou a esposa e o amante, sua presença é sentida através da lenda. |
Seção: María dos Prazeres
María dos Prazeres, uma idosa ex-prostituta de Barcelona, vive com seu fiel cão Noi. Após um sonho vívido, ela tem a premonição de que morrerá em breve. Metódica e calma, ela começa a fazer os preparativos finais para sua morte: compra um jazigo no cemitério, ensina seu cão a chorar sobre sua sepultura e escolhe uma melodia para seu funeral. No dia que ela acredita ser o de sua morte, ela se dirige ao cemitério. No caminho, no entanto, um jovem e atraente motorista de táxi lhe oferece uma carona e, sentindo sua solidão, toca seu braço com carinho. Esse gesto simples de conexão humana reacende em María o desejo de viver, fazendo-a questionar sua premonição e encontrar uma nova esperança.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| María dos Prazeres | Idosa, ex-prostituta, mora em Barcelona. | Independente, prática, supersticiosa mas também resiliente, busca conexão humana, acredita em premonições. |
| Noi | Cachorro de María. | Leal, adestrado, companheiro constante de María. |
| O Jovem Taxista | Um homem atraente e gentil. | Bondoso, perspicaz, oferece um momento inesperado de ternura e esperança a María. |
Seção: Dezessete Ingleses Envenenados
Prudencia Linero, uma devota senhora colombiana, está em peregrinação a Roma, fazendo uma parada em Nápoles. Pela primeira vez em sua vida, decide jantar sozinha em um restaurante, um ato ousado para sua moralidade provinciana. No salão, ela observa um grupo barulhento de dezessete ingleses que consomem o mesmo prato. Mais tarde, de volta ao hotel, ela é acordada por ambulâncias e uma grande agitação. Na manhã seguinte, descobre que os dezessete ingleses morreram por envenenamento alimentar. Prudencia sente uma mistura de terror e alívio, percebendo que escapou por pouco do mesmo destino, simplesmente por ter escolhido um prato diferente. A história explora o papel do acaso, do destino e o choque de mundos.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Prudencia Linero | Mulher idosa, colombiana, religiosa e de costumes provincianos. | Devota, um tanto ingênua, observadora, experimenta uma mistura de medo e alívio, representa a colisão de sua fé com a realidade. |
| Os Dezessete Ingleses | Um grupo de turistas ingleses. | Ruidosos, alegres, de destino coletivo, vítimas do envenenamento alimentar, simbolizam o acaso. |
Seção: Tramontana
O narrador, morando em Barcelona, conta a história de um jovem caribenho belo e vibrante que é paralisado pelo medo do vento Tramontana. Este vento, forte e persistente que sopra na Catalunha, é conhecido por enlouquecer ou levar as pessoas ao suicídio. O jovem está preso em um quarto de hotel em Cadaqués, aterrorizado pelo som e pela sensação do vento. Seus amigos tentam ajudá-lo, mas seu medo é primal e avassalador. A história explora o efeito paralisante das forças elementais e como as origens culturais podem influenciar a vulnerabilidade a tais fenômenos. O jovem sucumbe ao tormento psicológico do vento, levando a um trágico fim.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Narrador | Um observador residente em Barcelona. | Consciente das lendas e efeitos da Tramontana, relata a história em terceira pessoa. |
| O Jovem Antilhano | Jovem, bonito, de origem caribenha. | Vibrante e cheio de vida, mas profundamente vulnerável e aterrorizado pelo vento Tramontana, sucumbe a um medo paralisante. |
| Os Amigos do Jovem | Colegas do jovem. | Preocupados, tentam ajudar o amigo, mas são impotentes diante de seu pavor. |
| A Tramontana | O vento forte da Catalunha. | Atua como uma força da natureza maligna e enlouquecedora, um personagem em si. |
Seção: O Rastro do Seu Sangue na Neve
Nena Daconte e Billy Sánchez, um jovem casal rico e apaixonado de Cartagena, Colômbia, estão em lua de mel na Europa. Ao cruzarem a fronteira francesa para a Espanha, Nena acidentalmente fura o dedo com o espinho de uma rosa do buquê que Billy lhe deu. O ferimento, aparentemente insignificante, não para de sangrar. Billy, impulsivo e irresponsável, a leva a um hospital em Paris, mas é impedido de entrar porque é segunda-feira, e o hospital só permite visitas às terças-feiras. Ele passa a noite em agonia e culpa no carro, esperando do lado de fora. Na manhã seguinte, descobre que Nena morreu de perda de sangue. É uma trágica história de amor, burocracia insensível e as consequências devastadoras de pequenos erros.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Nena Daconte | Jovem, bela, recém-casada, de família rica de Cartagena. | Amante, delicada, vítima das circunstâncias e da burocracia. |
| Billy Sánchez | Jovem, rico, recém-casado, de Cartagena. | Impulsivo, apaixonado, mas irresponsável e imaturo, sofre imensa culpa e dor. |
| O Pessoal do Hospital | Enfermeiras, porteiros. | Representam a rigidez burocrática e a indiferença das instituições. |
Seção: O Verão Feliz da Senhora Forbes
Dois irmãos jovens (o narrador e seu irmão) passam um verão em uma ilha do Mediterrâneo com seus pais. Os pais contratam uma governanta alemã, a Senhora Forbes, que é extremamente rigorosa e obcecada por disciplina, punindo constantemente os meninos. Os irmãos passam a odiá-la e fantasiam em matá-la. No entanto, à noite, quando ela pensa que ninguém está olhando, a Senhora Forbes se transforma, entregando-se secretamente a prazeres proibidos como comer doces em excesso, beber álcool e ler revistas pornográficas. Os meninos acabam executando seu plano assassino, mas depois descobrem que a Senhora Forbes foi encontrada morta, tendo cometido suicídio com uma adaga, em um cenário que espelha o assassinato que eles haviam fantasiado. A história explora a hipocrisia, a repressão e as fronteiras turvas entre fantasia e realidade.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Narrador (criança) | Um dos dois irmãos. | Rancoroso, criativo em suas fantasias de vingança, sensível. |
| O Irmão do Narrador | O outro irmão. | Compartilha dos mesmos sentimentos de ódio e fantasias de assassinato. |
| A Senhora Forbes | Governanta alemã, contratada pelos pais dos meninos. | Exteriormente rigorosa, disciplinadora e puritana, mas secretamente indulgente, reprimida, profundamente infeliz e suicida. |
| Os Pais das Crianças | Os pais dos meninos. | Distantes, um tanto alheios às tensões, representam a delegação da disciplina. |
Seção: A Luz É Como a Água
Em Madrid, dois jovens irmãos, Totó e Joel, pedem aos pais um barco e equipamentos de mergulho. Os pais, indulgentes mas de poucos recursos, prometem comprar os itens se eles passarem nos exames. Os meninos se esforçam e cumprem sua parte. Os pais então cumprem a promessa. Os irmãos, então, convidam seus colegas de classe para uma "festa" em seu apartamento. Eles abrem as luzes, e, para espanto de todos, a luz, líquida e dourada, jorra das lâmpadas, enchendo o apartamento como água. As crianças colocam seus equipamentos de mergulho e nadam pelo apartamento, brincando em um mundo submerso. Esse evento fantástico se repete, escalando com festas de luz cada vez maiores, culminando em uma tragédia quando o apartamento é completamente inundado de luz, causando o afogamento de muitas crianças, à medida que a luz transborda e inunda todo o edifício. É um conto surreal e mágico-realista sobre imaginação, desejos desenfreados e o poder inebriante do impossível.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Totó | Um dos irmãos. | Imaginativo, curioso, líder nas aventuras fantásticas. |
| Joel | O outro irmão. | Compartilha da imaginação e do desejo de aventura do irmão. |
| Os Pais | Pais de Totó e Joel. | Indulgentes, amorosos, mas talvez ingênuos, permitem e facilitam os jogos fantásticos dos filhos. |
| Os Colegas de Classe | Amigos dos irmãos. | Crianças que participam das aventuras mágicas, eventualmente vítimas das fantasias descontroladas. |
Gênero Literário: Contos, Realismo Mágico, Literatura Latino-Americana.
Dados do Autor:
Gabriel García Márquez (1927-2014) foi um escritor, jornalista, editor e ativista político colombiano. Amplamente considerado um dos maiores autores do século XX e um expoente principal do realismo mágico, seu trabalho mais conhecido é o romance "Cem Anos de Solidão" (1967), que o consolidou como uma figura central na literatura mundial. Foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1982 por "seus romances e contos, nos quais o fantástico e o real se combinam em um mundo ricamente composto de imaginação, refletindo a vida e os conflitos de um continente". Suas obras são caracterizadas por narrativas ricas, linguagem poética e a mistura do fantástico com o cotidiano, explorando temas como o amor, a solidão, a morte, a política e a cultura latino-americana.
Moral da História:
"Doze contos peregrinos" não oferece uma única "moral" direta, mas explora temas recorrentes:
- O encontro de culturas: Latino-americanos na Europa confrontam a burocracia, a frieza e o choque cultural, revelando a persistência de sua própria identidade e magia.
- A solitude e o desamparo: Muitos personagens enfrentam a solidão, a doença e o abandono em terras estrangeiras, destacando a vulnerabilidade humana.
- A força da fé e da imaginação: A crença, seja na santidade, em premonições ou na capacidade da luz como água, pode mover montanhas ou levar à tragédia, mostrando o poder ambivalente da mente humana.
- A linha tênue entre o real e o fantástico: García Márquez borra as fronteiras, sugerindo que o maravilhoso existe no cotidiano, e que a percepção da realidade é subjetiva e maleável.
- A ironia do destino e o acaso: Pequenos eventos ou decisões podem ter consequências drásticas, ressaltando a imprevisibilidade da vida.
Curiosidades do Livro:
- Origem e Título: García Márquez começou a rascunhar estas histórias na década de 1970, durante seu período na Europa. Ele as chamou de "peregrinas" porque os personagens são latino-americanos que viajam ou vivem na Europa, e as histórias "peregrinaram" por sua mente por quase duas décadas até serem finalizadas.
- Processo de Escrita: A coleção foi o resultado de um processo de escrita meticuloso e prolongado. García Márquez afirmou ter escrito e reescrito algumas histórias várias vezes, e que muitas outras foram descartadas. Ele se inspirou em experiências pessoais e notícias de jornal durante suas viagens e estadias em cidades como Barcelona, Roma e Paris.
- Autobiográfico: Embora ficcionais, muitas das histórias têm um toque autobiográfico. O autor se insere como narrador em "O avião da bela adormecida" e "Espantos de agosto", e as experiências de seus personagens em terras estrangeiras ecoam suas próprias vivências como expatriado.
- Temas recorrentes: Além dos temas de exílio e solidão, a coleção revisita alguns dos motivos mais queridos do autor: a morte (seja pela incorrupção do corpo, premonição ou acaso), o amor em suas diversas formas (paternal, romântico, obsessivo), e a crítica sutil à burocracia e à desumanização das grandes cidades europeias.
- Recepção: A coleção foi bem recebida, considerada uma prova da maestria de García Márquez no formato de conto, demonstrando sua capacidade de condensar universos complexos em narrativas concisas, mantendo seu estilo único e a profundidade de seus temas.
