O Misterioso Caso de Styles - Agatha Christie
Resumo O Misterioso Caso de Styles marca a primeira aparição do detetive Hercule Poirot. A história é narrada pelo Capitão Arthur Hastings,...
Resumo
O Misterioso Caso de Styles marca a primeira aparição do detetive Hercule Poirot. A história é narrada pelo Capitão Arthur Hastings, que, convalescente da guerra, é convidado a passar um tempo na propriedade Styles Court, de sua velha amiga Emily Inglethorp. Emily é uma rica viúva que se casou recentemente com um homem muito mais jovem, Alfred Inglethorp, o que gera grande descontentamento entre seus enteados, John e Lawrence Cavendish. A tensão na casa é palpável. Uma noite, Emily é encontrada morta em seu quarto, aparentemente envenenada por estricnina. Hastings encontra seu amigo Poirot, que reside nas proximidades como refugiado de guerra, e o convida para investigar o caso. Poirot desvenda uma teia complexa de segredos familiares, testamentos ocultos, falsos álibis e identidades trocadas, culminando em uma surpreendente revelação sobre o verdadeiro assassino.
Seções do livro
Seção 1
O Capitão Arthur Hastings é enviado para se recuperar de ferimentos de guerra na Inglaterra. Ele aceita o convite de seu velho amigo John Cavendish para passar um tempo na casa da família, Styles Court, em Essex. Lá, ele é recebido por John e seu irmão mais novo, Lawrence Cavendish, ambos enteados da matriarca, Emily Inglethorp. Emily é uma mulher rica e controladora que recentemente se casou com Alfred Inglethorp, um homem controverso e cerca de vinte anos mais jovem que ela. Este casamento inesperado causou grande descontentamento na família Cavendish, que teme perder a herança de Emily. Outros residentes da casa incluem Mary Cavendish, a esposa de John, uma mulher misteriosa e reservada, e Cynthia Murdoch, uma órfã protegida de Emily, que trabalha num hospital de guerra próximo. Evelyn Howard, a secretária e confidente de Emily, que nutre uma forte antipatia por Alfred Inglethorp, saiu da casa pouco antes do assassinato, após uma briga. A atmosfera em Styles Court é tensa, com discussões frequentes e um evidente mal-estar em relação a Alfred. Na noite de 16 de julho, a família se reúne para o café da manhã e Emily está ausente. Após uma busca, ela é encontrada em seu quarto, morrendo em convulsões.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Arthur Hastings | Narrador da história; Capitão do Exército Britânico ferido na Primeira Guerra Mundial. | Observador, um tanto ingênuo, leal, serve como o "homem comum" para o brilho de Poirot. |
| Hercule Poirot | Famoso detetive belga, refugiado de guerra, mora na aldeia próxima a Styles Court. Baixo, bigode impecável, metódico. | Brilhante, egocêntrico (de forma charmosa), extremamente observador, obcecado por ordem e método, astuto. |
| Emily Inglethorp | Matriarca rica de Styles Court, anteriormente Emily Cavendish. Recém-casada com Alfred Inglethorp. | Dominadora, generosa com seus protegidos, um tanto impulsiva em seus afetos, mas também astuta. |
| Alfred Inglethorp | Segundo marido de Emily, muito mais jovem que ela. | Misterioso, um tanto suspeito, de modos suaves, mas capaz de despertar antipatia. |
| John Cavendish | Enteado mais velho de Emily, advogado de formação, proprietário nominal de Styles Court (mas Emily detém o controle financeiro). | Sombrio, temperamental, protetor da família, mas também ressentido com a influência de Alfred. |
| Lawrence Cavendish | Enteado mais novo de Emily, aspirante a médico (sem sucesso). | Sensível, sonhador, fraco de vontade, apaixonado pela poesia e pelas artes. |
| Mary Cavendish | Esposa de John Cavendish. | Bela, enigmática, reservada, parece esconder algo, tem uma relação complexa com John. |
| Cynthia Murdoch | Órfã protegida de Emily, bonita e jovem, trabalha num hospital de guerra próximo. | Gentil, prática, independente, um tanto ingênua, mas também com um senso de dever. |
| Evelyn Howard | Antiga secretária e companheira de Emily Inglethorp. | Forte, direta, leal a Emily, extremamente desconfiada de Alfred Inglethorp, tem uma aversão declarada a ele. |
Seção 2
Emily Inglethorp morre. A Dra. Wilkins, a médica local, é chamada e suspeita de envenenamento. Hastings lembra-se de seu amigo Hercule Poirot e o convida para investigar. Poirot, que vive na aldeia próxima como refugiado de guerra, chega e começa a examinar a cena. Ele rapidamente descobre evidências de que Emily foi envenenada com estricnina. A estricnina foi comprada recentemente por Emily para exterminar um rato, e ela costumava guardá-la em uma caixa trancada em seu quarto. No entanto, a caixa está aberta e vazia. A única pessoa que tinha uma chave da caixa era Emily, e a chave não é encontrada. A maior parte das suspeitas recai sobre Alfred Inglethorp, que parece se beneficiar financeiramente da morte de Emily, pois ela havia feito um novo testamento em seu favor recentemente. O farmacêutico local confirma que Cynthia Murdoch comprou estricnina para Emily alguns dias antes. O testamento mais recente de Emily, que beneficia Alfred, está desaparecido, e o anterior, que dividia sua fortuna entre os irmãos Cavendish, é o que prevaleceria.
Seção 3
A investigação de Poirot e Hastings avança. Eles descobrem que, na noite da morte de Emily, ela teve uma discussão acalorada com Alfred. Além disso, John Cavendish também teve uma forte discussão com a madrasta, pois soube que ela havia feito um novo testamento em favor de Alfred. Mary Cavendish também agiu de forma suspeita na noite do assassinato. Poirot nota vários detalhes incomuns: um pedaço de café quebrado perto da lareira no quarto de Emily, um chávenas que foi manipulada, e o fato de que a porta do quarto de Emily estava trancada por dentro. Alfred Inglethorp tem um álibi fraco para a noite do crime. Ele afirma ter passado a noite fora, visitando o Dr. Bauerstein, um toxicologista famoso que morava nas proximidades, mas Bauerstein nega que Alfred tenha estado em sua casa. A família Cavendish tem um motivo financeiro para o crime, pois a fortuna de Emily reverteria para eles se o testamento em favor de Alfred fosse invalidado. Evelyn Howard retorna a Styles, determinada a provar a culpa de Alfred.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Dra. Wilkins | Médica local. | Competente, mas não tão astuta quanto Poirot. |
| Dr. Bauerstein | Renomado toxicologista, mora nas proximidades de Styles. | Inteligente, mas um tanto arrogante e misterioso, tem um passado com Mary Cavendish. |
| Dorcas | Empregada de Styles Court. | Fiel, observadora, mas um pouco assustada, fornece detalhes importantes a Poirot. |
Seção 4
A polícia prende Alfred Inglethorp com base nas evidências, mas Poirot ainda não está convencido de sua culpa. Ele continua a investigar os detalhes e as inconsistências. Poirot descobre que o novo testamento de Emily, que beneficiava Alfred, não estava realmente desaparecido, mas sim escondido. Ele é encontrado preso por uma tachinha sob a caixa de correio da casa. Poirot observa que a assinatura de Emily no testamento parece diferente. Ele também presta atenção ao fragmento de café encontrado na lareira. Evelyn Howard, a ex-secretária de Emily, juntamente com John Cavendish, começa a suspeitar que o Dr. Bauerstein está envolvido de alguma forma, e que ele pode ter estado secretamente envolvido com Mary Cavendish. Poirot descobre que Alfred Inglethorp usou uma barba falsa para se disfarçar e ser visto por testemunhas em outros locais na noite do assassinato, tentando forjar um álibi. A peça-chave para Poirot torna-se o conhecimento da paixão de Lawrence Cavendish pela escrita e imitação.
Seção 5
No julgamento de Alfred Inglethorp, Poirot apresenta suas conclusões. Ele revela que Emily Inglethorp não foi envenenada pela dose de estricnina no chá da noite, mas sim por uma dose de brometo (um sedativo) que causou um choque anafilático, e depois, a estricnina foi introduzida em seu corpo após sua morte para simular envenenamento. A estricnina não foi administrada por via oral, mas sim por injeção, ou dissolvida em seu tônico matinal, o que causaria convulsões em um corpo já sem vida, e não em uma pessoa viva.
O verdadeiro assassino é ninguém menos que Alfred Inglethorp, que, de facto, cometeu o crime com a ajuda de Evelyn Howard. Eles estavam secretamente apaixonados e planejaram o assassinato para herdar a fortuna de Emily.
Aqui está a sequência dos eventos como revelado por Poirot:
- Alfred Inglethorp e Evelyn Howard estavam apaixonados secretamente e planejaram o assassinato.
- Evelyn, antes de "sair" de Styles, trocou os frascos de brometo de Emily. O frasco que Emily usava para dormir foi substituído por outro contendo uma dose letal de brometo.
- Na noite do assassinato, Emily tomou seu brometo e teve um choque anafilático, morrendo.
- Alfred, então, fez parecer que ela havia sido envenenada com estricnina. Ele usou estricnina do frasco que Cynthia havia comprado para ratos, introduzindo-a no corpo de Emily após sua morte, ou talvez dissolvida no café da manhã que ela beberia na manhã seguinte. As convulsões observadas foram causadas pelo veneno agindo num corpo morto, simulando a morte por estricnina.
- O "novo testamento" em favor de Alfred era uma falsificação, escrita por Lawrence Cavendish, que Emily pediu para ele copiar. Alfred usou essa cópia para tentar fazer valer sua reivindicação. A verdadeira intenção de Emily era que Lawrence copiasse o testamento para ela, mas Alfred se aproveitou da situação.
- Alfred usou um disfarce (a barba falsa) para criar um álibi falso, sendo visto por Dr. Bauerstein em outro local. Dr. Bauerstein não estava envolvido, mas foi enganado por Alfred, que se apresentou com uma identidade falsa para ter uma testemunha de que não estava em Styles.
- A caixa de estricnina estava aberta e vazia porque Alfred a usou. A chave estava com ele, ou ele arrombou a caixa.
- O fragmento de café quebrado na lareira era um pedaço de "café de grãos" que Emily tinha no quarto, usado para preparar uma bebida. Alfred o quebrou para esconder uma carta comprometedora escrita por Evelyn.
Poirot explicou que Emily havia descoberto a verdade sobre Alfred e Evelyn e estava prestes a mudar seu testamento novamente, o que os levou a agir rapidamente. A trama dependia da astúcia de Alfred em manipular as evidências e em usar a ingenuidade de outros (como Lawrence para o testamento falso). O caso se encerra com a justiça sendo feita.
Gênero literário
Policial, Mistério, Ficção Detetivesca.
Dados do autor
Agatha Christie (nascida Agatha Mary Clarissa Miller em Torquay, Devon, Inglaterra, em 15 de setembro de 1890 – falecida em Wallingford, Oxfordshire, Inglaterra, em 12 de janeiro de 1976) foi uma escritora britânica, mundialmente conhecida como a "Rainha do Crime". Ela é a romancista mais vendida de todos os tempos, com mais de dois bilhões de livros vendidos, superada apenas pela Bíblia e por Shakespeare. Escreveu 66 romances de detetive, 14 coleções de contos e a peça teatral de maior duração da história, A Ratoeira. Seus personagens mais famosos são os detetives Hercule Poirot e Miss Marple. Recebeu o título de Dama Comandante da Ordem do Império Britânico (DBE) em 1971 por suas contribuições à literatura.
Moral
A moral de "O Misterioso Caso de Styles" ressalta a importância de não se deixar levar pelas aparências e por preconceitos. O livro demonstra que a verdade raramente é óbvia e que os motivos mais complexos podem estar por trás das ações humanas. Ele também alerta para a fragilidade da confiança e como a ganância pode levar pessoas a cometer atos extremos. No fim, a justiça, por mais tortuosos que sejam os caminhos para alcançá-la, prevalecerá através da lógica e da observação meticulosa.
Curiosidades
- Primeira aparição de Poirot: Este livro marca a estreia do icônico detetive belga Hercule Poirot, que se tornaria um dos personagens mais famosos da literatura policial.
- Escrito durante a guerra: Agatha Christie escreveu o romance em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, enquanto trabalhava como enfermeira em Torquay. Sua experiência com venenos (trabalhando na farmácia do hospital) foi fundamental para a trama.
- Rejeição inicial: O livro foi inicialmente rejeitado por várias editoras antes de ser aceito por John Lane na The Bodley Head em 1920.
- Desenvolvimento de Hastings: O Capitão Hastings também faz sua primeira aparição e se tornaria o fiel companheiro e narrador em muitas das aventuras de Poirot. Sua relação com Poirot é um dos pilares da série.
- Detalhes médicos precisos: A precisão dos detalhes sobre os venenos e os métodos de envenenamento demonstra o conhecimento de Christie, adquirido durante seu trabalho em farmácia.
- Precursor do "quem é o assassino?": O romance estabeleceu muitas das convenções do gênero de mistério "quem é o assassino?" que Christie viria a dominar e reinventar.
