Les Précieuses ridicules - Molière

Resumo

"As Preciosas Ridículas" (Les Précieuses ridicules) é uma comédia em um ato de Molière, que satiriza o preciosismo, um movimento social e literário da França do século XVII, caracterizado pela busca de uma linguagem e maneiras extremamente refinadas e artificiais. A peça centra-se em duas jovens, Madelon e Cathos, que, influenciadas pelas ideias preciosistas, rejeitam seus pretendentes, La Grange e Du Croisy, por considerá-los rudes e sem "espírito". Em retaliação, os dois homens orquestram uma vingança, enviando seus valetes, Mascarille e Jodelet, disfarçados de marqueses e viscondes "intelectuais" e "requintados", para cortejá-las. As jovens, deslumbradas com a suposta nobreza e o linguajar empolado dos valetes, caem na armadilha, ridicularizando-se publicamente. A farsa é revelada quando La Grange e Du Croisy aparecem e batem nos valetes na frente das moças, desmascarando a impostura e expondo a vaidade e a superficialidade das preciosas, para a fúria de Gorgibus, pai de Madelon e tio de Cathos.

Seções do livro

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A peça começa com La Grange e Du Croisy, dois jovens nobres, conversando com Gorgibus, pai de Madelon e tio de Cathos. Eles acabam de ser rejeitados pelas duas jovens, que os acharam grosseiros, com maneiras vulgares e sem "espírito" ou refinamento. Os dois pretendentes estão revoltados com a atitude das moças, que se recusam a se casar sem antes viver um romance idealizado, nos moldes dos livros preciosistas. La Grange e Du Croisy decidem se vingar da vaidade e do pedantismo das duas, planejando humilhá-las publicamente. La Grange anuncia seu plano de fazer com que seus valetes se passem por grandes senhores para cortejar as preciosas. Gorgibus, por sua vez, está exausto das exigências e do comportamento extravagante de sua filha e sobrinha.

Personagem Características Personalidade
Gorgibus Pai de Madelon e tio de Cathos; homem de meia-idade, burguês. Prático, rústico, impaciente com as excentricidades das jovens, preocupado com o dinheiro e o casamento.
La Grange Jovem fidalgo, pretendente rejeitado de Madelon ou Cathos. Orgulhoso, astuto, determinado a se vingar, representa o bom senso em contraste com o preciosismo.
Du Croisy Jovem fidalgo, pretendente rejeitado de Madelon ou Cathos. Menos proeminente que La Grange, mas compartilha da mesma revolta e desejo de vingança.
Madelon Filha de Gorgibus, jovem. Arrogante, pedante, idealista, obcecada com as convenções do preciosismo, busca o refinamento artificial e a vida romântica dos livros.
Cathos Sobrinha de Gorgibus, jovem. Igualmente arrogante e pedante, ecoa as opiniões de Madelon, mais dependente da prima.

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Madelon e Cathos, agora sozinhas, expressam seu desprezo pelos dois pretendentes anteriores. Elas reclamam da vulgaridade dos nomes dos homens e de sua abordagem direta ao casamento, que consideram um ultraje à delicadeza do amor e das convenções preciosistas. Elas aspiram a uma vida de romance, encontros galantes e poesia, idealizando um cortejo longo e sofisticado, com admiradores que as chamem por nomes poéticos e que vivam em um mundo de elegância e "espírito". Elas até mesmo criticam o mobiliário da casa de Gorgibus, considerando-o inadequado ao seu "status" e à sua sensibilidade.

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Marotte, a camareira, anuncia a chegada de Mascarille, o valet de La Grange, disfarçado de "Marquês de Mascarille". As preciosas ficam imediatamente impressionadas com o título e a pompa do novo visitante. Mascarille entra em cena, exibindo uma extravagância no vestuário e nos maneirismos, e começa a falar de forma afetada e empolada, utilizando uma linguagem cheia de neologismos e frases pretensiosas, que as moças acham o auge do refinamento. Ele se gaba de sua vida social, de suas aventuras amorosas e de seu talento como poeta, lendo um poema improvisado que ele alega ter composto, mas que é, na verdade, uma bobagem. Madelon e Cathos estão completamente encantadas e o convidam a se sentar e continuar a demonstrar seu "espírito".

Personagem Características Personalidade
Marotte Camareira de Madelon e Cathos. Simples, cumpridora de ordens, por vezes ingênua, mas percebe a futilidade das patroas.
Mascarille Valet de La Grange, disfarçado de Marquês. Vaidoso, impostor, cínico, talentoso na imitação dos trejeitos e linguajar preciosistas, busca enganar e humilhar as jovens.

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Enquanto Mascarille continua a deslumbrar as moças com sua retórica vazia e suas poses, Jodelet, o valet de Du Croisy, chega, disfarçado de "Visconde de Jodelet". Jodelet, que é ainda mais grotesco e caricatural que Mascarille, exagera em seu papel, falando de suas "feridas de guerra" e de sua suposta bravura, além de exibir uma peruca exagerada e um linguajar ainda mais artificial. As duas preciosas o acolhem com o mesmo entusiasmo, maravilhadas com a chegada de mais um "grande senhor". Os dois valetes competem entre si para ver quem é o mais "espirituoso" e galante. Eles discutem sobre teatro, poesia e moda, elogiando-se mutuamente em uma troca de lisonjas vazias.

Personagem Características Personalidade
Jodelet Valet de Du Croisy, disfarçado de Visconde. Ainda mais caricatural que Mascarille, fanfarrão, rude sob a pretensa sofisticação, parceiro na farsa.

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A farsa atinge o auge quando um grupo de músicos é chamado para tocar e os valetes convidam as preciosas para dançar. Mascarille e Jodelet executam passos desajeitados, mas as moças os aplaudem, convencidas de sua elegância. A cena é interrompida por Gorgibus, que entra em cena, exigindo saber o que está acontecendo e por que há tanta agitação em sua casa. Ele tenta pôr um fim à algazarra e confronta as moças sobre seu comportamento e os visitantes estranhos.

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O clímax da peça ocorre quando La Grange e Du Croisy entram, furiosos, e começam a agredir Mascarille e Jodelet com bordoadas, revelando a verdadeira identidade dos valetes na frente das preciosas. Os valetes, agora sem seus disfarces e humilhados, imploram por misericórdia e revelam que foram forçados a participar da farsa. As preciosas ficam em choque, percebendo que foram enganadas e ridicularizadas publicamente pelos próprios valetes dos homens que haviam desprezado. Elas expressam sua vergonha e fúria, mas a humilhação já está completa.

Gorgibus, ao entender o que aconteceu, fica furioso tanto com a malandragem dos valetes quanto com a tolice e a vaidade de sua filha e sobrinha, que se deixaram levar por tais impostores. Ele as repreende duramente por sua obsessão com a "preciosidade", que as levou a se expor ao ridículo. A peça termina com Gorgibus lamentando a loucura do mundo e a estupidez de sua família.

Gênero literário

Comédia de costumes, farsa.

Dados do autor

Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière, nasceu em Paris em 15 de janeiro de 1622 e faleceu em 17 de fevereiro de 1673. Foi um dos mais importantes dramaturgos e atores da literatura francesa. Filho de um estofador e criado da corte, Molière renunciou à carreira paterna para se dedicar ao teatro. Fundou a trupe "Illustre Théâtre" em 1643. Suas obras, escritas principalmente no século XVII, são notáveis pela crítica social, pelo humor e pela profundidade psicológica dos personagens, satirizando vícios e comportamentos da sociedade da época, como a hipocrisia, a avareza, a pretensão e a pedanteria. Entre suas peças mais famosas estão "O Misantropo", "O Tartuffe", "O Burguês Fidalgo" e "O Doente Imaginário". Morreu no palco enquanto representava "O Doente Imaginário".

Moral da história

A moral da história de "As Preciosas Ridículas" é um alerta contra a pretensão, a vaidade excessiva e a busca por um refinamento artificial e exagerado que leva ao ridículo. Molière critica a superficialidade daqueles que valorizam mais a aparência e a linguagem empolada do que a substância e a autenticidade. A peça mostra que a imitação cega de modismos e a rejeição do bom senso em favor de ideais pomposos e inatingíveis podem levar à humilhação e à desilusão.

Curiosidades

  • Recepção imediata: A peça foi um sucesso estrondoso desde sua estreia em 1659. Ela esgotou os ingressos e gerou grande burburinho, a ponto de o próprio Molière ter que se desculpar em público por ter satirizado certas damas da sociedade parisiense.
  • Controvérsia: A sátira de Molière foi tão eficaz que provocou a ira de algumas das damas preciosistas da época, que se sentiram pessoalmente ofendidas e ridicularizadas. No entanto, a maioria do público e da crítica reconheceu a genialidade da obra.
  • Influência na linguagem: A peça ajudou a consolidar certos termos e expressões, e a própria palavra "ridículas" no título se tornou um adjetivo pejorativo para descrever a imitação exagerada e afetada.
  • Um ato: "As Preciosas Ridículas" é uma das peças mais curtas de Molière, consistindo em um único ato. Sua concisão contribui para o impacto cômico e a rapidez da ação.
  • A "Préciosité": O movimento preciosista era uma corrente cultural e literária que floresceu nos salões aristocráticos de Paris no século XVII, buscando a pureza da língua francesa, a delicadeza dos sentimentos e a distinção das maneiras. Embora Molière criticasse os excessos, o movimento teve certa importância na evolução da língua e da etiqueta francesa.