Os Cinco Porquinhos - Agatha Christie
Resumo Dezesseis anos após sua mãe, Caroline Crale, ter sido condenada e morrido na prisão pelo assassinato de seu marido, o famoso pintor ...
Resumo
Dezesseis anos após sua mãe, Caroline Crale, ter sido condenada e morrido na prisão pelo assassinato de seu marido, o famoso pintor Amyas Crale, sua filha, Carla LeMarchant (agora casada e vivendo no Canadá), procura Hercule Poirot. Carla está prestes a se casar com John Ratterbury, mas ele insiste que ela deve provar a inocência de sua mãe antes que eles se casem. Carla não acredita na culpa de sua mãe e implora a Poirot que reabra o caso e descubra a verdade.
Poirot concorda em investigar, embora o crime tenha ocorrido há muito tempo e todos os envolvidos tenham seguido em frente. Ele se propõe a entrevistar os "cinco porquinhos" — as cinco pessoas que estavam presentes na casa de Alderbury na época do assassinato e que deram testemunhos cruciais: Philip Blake, Meredith Blake, Elsa Greer (agora Lady Dittisham), Angela Warren e Cecilia Williams. Cada um deles oferece a Poirot uma perspectiva diferente dos eventos daquele fatídico dia, revelando suas próprias impressões, preconceitos e segredos. Poirot deve juntar esses fragmentos da memória e da emoção para desvendar um crime aparentemente resolvido, mas ainda envolto em mentiras e enganos.
Seções do livro
Seção 1: O Pedido de Carla LeMarchant
A história começa com Hercule Poirot sendo abordado por uma jovem mulher, Carla LeMarchant. Ela está profundamente perturbada e desesperada para que Poirot reexamine um caso antigo. Seu futuro marido, John Ratterbury, exigiu que ela provasse a inocência de sua mãe, Caroline Crale, antes que eles pudessem se casar. Caroline havia sido condenada pelo assassinato de seu pai, o renomado pintor Amyas Crale, dezesseis anos antes, e morreu na prisão. Carla, apesar de tudo, está convencida da inocência de sua mãe e acredita que a verdade foi obscurecida. Poirot, movido pela sua sinceridade e pela injustiça potencial, aceita o desafio, embora reconheça as dificuldades de investigar um crime tão distante no tempo. Seu objetivo é reunir as cinco testemunhas-chave que estiveram presentes na casa dos Crale no dia do assassinato e ouvir suas versões da história.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Hercule Poirot | Detetive belga aposentado, mente analítica e observadora. | Metódico, astuto, perspicaz, com um forte senso de justiça. Valoriza a ordem e a psicologia humana. |
| Carla LeMarchant | Jovem mulher, filha de Amyas e Caroline Crale. Vinda do Canadá. | Determinada, apaixonada, profundamente convencida da inocência de sua mãe, busca desesperadamente a verdade e a justiça. |
Seção 2: O Cenário do Crime
Poirot começa sua investigação revisitando os eventos que levaram à morte de Amyas Crale em Alderbury, dezesseis anos atrás. Amyas era um pintor brilhante, mas notoriamente infiel, e sua esposa, Caroline, era conhecida por sua natureza temperamental. No dia do assassinato, Amyas estava pintando um retrato de sua nova paixão, a jovem e sedutora Elsa Greer, e anunciou que deixaria Caroline por ela. Caroline havia ameaçado matar Amyas por sua infidelidade. No dia seguinte, Amyas foi encontrado morto após beber uma cerveja envenenada com coniina. As evidências apontavam para Caroline, que havia encomendado o veneno, alegando que era para matar vespas. Caroline confessou, mas muitos detalhes do caso permaneceram nebulosos. Poirot precisa entender as dinâmicas e os segredos daquela casa para desenterrar a verdade.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Amyas Crale | Famoso pintor, talentoso, mas mulherengo. | Boêmio, carismático, egocêntrico, impulsivo, com pouca consideração pelos sentimentos alheios. |
| Caroline Crale | Esposa de Amyas, também pintora (embora menos famosa), temperamental. | Orgulhosa, apaixonada, volátil, mas também profundamente leal e devota à sua maneira. Sofria com as infidelidades de Amyas. |
| Elsa Greer | Jovem e bela socialite, modelo atual de Amyas. Futura Lady Dittisham. | Ambiciosa, possessiva, intensamente apaixonada por Amyas, determinada a tê-lo. Gélida e manipuladora. |
| Philip Blake | Corretor da bolsa, amigo de infância de Amyas. | Observador, astuto, sarcástico, com uma mente afiada e um certo cinismo. Possui sentimentos não expressos por Caroline. |
| Meredith Blake | Irmão de Philip, botânico, recluso e pacato. | Calmo, discreto, gentil, idealista. Nutria um amor platônico por Caroline. |
| Angela Warren | Meia-irmã mais nova de Caroline, desfigurada por um acidente na infância. | Sensível, artística, ressentida, mas também perspicaz. Tinha uma relação complexa de amor e ódio com Caroline. |
| Cecilia Williams | Ex-governanta e companheira de Caroline, uma mulher de princípios rigorosos. | Formal, discreta, observadora, leal a Caroline, mas com um forte senso de dever e moralidade. |
Seção 3: A Perspectiva de Philip Blake
Poirot inicia sua série de entrevistas com as "cinco testemunhas". A primeira é Philip Blake, o corretor da bolsa e amigo de longa data de Amyas. Philip descreve Caroline como uma mulher ciumenta e com um temperamento explosivo, que sempre expressava suas ameaças abertamente. Ele relata o clima tenso na casa, a paixão avassaladora de Amyas por Elsa, e a certeza de que Amyas planejava deixar Caroline. Philip enfatiza a confissão de Caroline e sua convicção de que ela era a única pessoa com o motivo e a oportunidade de cometer o crime. Ele também menciona que Caroline possuía o veneno, que ela havia encomendado. Em sua narrativa, há um tom de desilusão com Caroline, mas também uma observação afiada das dinâmicas familiares.
Seção 4: A Perspectiva de Meredith Blake
Em seguida, Poirot encontra Meredith Blake, o irmão de Philip, um botânico recluso. Meredith apresenta uma visão mais simpática de Caroline. Ele se lembra dela como uma mulher atormentada pelas infidelidades de Amyas, mas incapaz de verdadeiramente machucá-lo. Meredith se recorda de ter notado a garrafa de coniina no laboratório de Amyas e de ter a movido para um local mais seguro, sem saber que o veneno já havia sido acessado. Ele sugere que Amyas, um homem descuidado, poderia ter sido vítima de um acidente ou mesmo de um suicídio, e que Caroline, em um ato de desespero ou para proteger alguém, se incriminou. Meredith revela um carinho e uma admiração por Caroline que transcendiam a amizade, oferecendo um contraste à visão mais dura de seu irmão.
Seção 5: A Perspectiva de Elsa Greer/Lady Dittisham
Poirot então se dirige a Lady Dittisham, a ex-Elsa Greer, agora uma mulher rica e viúva. Elsa relata sua intensa e avassaladora paixão por Amyas. Ela descreve Amyas como o amor de sua vida e estava convencida de que ele a amava da mesma forma e que a deixaria por ela. Elsa revela sua raiva e ciúme de Caroline, a "outra mulher" em sua percepção, e sua certeza de que Caroline era a assassina. Ela fala sobre o último dia de Amyas, como ele prometeu ir embora com ela, e como ela se sentiu traída quando ele morreu. Sua narrativa é permeada por um orgulho frio e uma possessividade que ainda persistem, dezesseis anos depois. Sua frieza e a ausência de dor em sua voz são notáveis, contrastando com a intensidade do seu amor declarado por Amyas.
Seção 6: A Perspectiva de Angela Warren
A próxima testemunha é Angela Warren, a meia-irmã mais nova de Caroline. Angela, que sofreu um acidente na infância que a deixou desfigurada (Caroline jogou um peso de papel nela, mas acidentalmente acertou seu rosto), oferece uma perspectiva única e complexa. Ela descreve sua relação ambivalente com Caroline, uma mistura de ressentimento e carinho. Angela se lembra da tensão constante na casa e da forma como Amyas a protegia. Ela também recorda ter visto Caroline manipulando algo misterioso naquela noite, o que reforçava a culpa de Caroline em sua mente. No entanto, ela também sugere a possibilidade de que Caroline estivesse protegendo alguém ou até mesmo que o veneno pudesse ter sido administrado de uma forma inesperada, talvez por engano. Sua narrativa é mais focada nas dinâmicas familiares e emocionais.
Seção 7: A Perspectiva de Cecilia Williams
Por fim, Poirot entrevista Cecilia Williams, a ex-governanta e companheira da família Crale. Miss Williams, uma mulher formal e de princípios rígidos, oferece uma conta meticulosa dos eventos. Ela descreve a atmosfera opressiva na casa e o comportamento irracional de Caroline. Miss Williams relata ter visto Caroline irritada com Amyas e com a presença de Elsa. Ela também menciona a garrafa de coniina no laboratório de Amyas e a subsequente movimentação da mesma por Meredith. Sua versão dos acontecimentos, embora aparentemente objetiva e focada nos fatos, revela sua profunda lealdade a Caroline e uma observação atenta dos detalhes. Ela é a única que consistentemente defende a dignidade de Caroline e questiona a confissão, sugerindo que havia mais na história.
Seção 8: A Reconstrução dos Eventos e a Solução
Após coletar e analisar os depoimentos dos "cinco porquinhos", Poirot percebe que cada um conta uma história que, embora baseada em sua verdade pessoal, é moldada por suas próprias emoções, preconceitos e memórias seletivas. Ele começa a identificar as contradições e os pontos de falha em cada narrativa.
Poirot descobre que o veneno, coniina, estava de fato na casa, acessível a vários. A chave para o mistério não era quem possuía o veneno, mas como ele foi administrado e quem tinha o motivo final e o método.
A verdade chocante é revelada: a assassina foi Elsa Greer. Ela havia ouvido Amyas dizer que a pintaria apenas uma vez e que aquele retrato seria o último de sua carreira, e então ele voltaria para Caroline. Amyas, em sua típica insensibilidade, não estava deixando Caroline por Elsa; ele planejava terminar o retrato e então voltar para sua esposa. Elsa interpretou mal suas palavras, pensando que ele estava a prometendo um futuro juntos e que a pintura era o ápice de sua paixão. Quando ela percebeu que seria descartada, sua paixão se transformou em ódio.
O método foi engenhoso e cruel: Elsa não envenenou a cerveja de Amyas diretamente. Em vez disso, ela trocou seu próprio copo, que continha uma dose de veneno, pelo copo de Amyas enquanto ele não estava prestando atenção, pouco antes de Caroline trazer a cerveja que Amyas beberia. Caroline, ao ver Amyas beber do copo "errado" e morrer, acreditou que ela própria havia sido de alguma forma a causa indireta ou que a culpa era dela por ter o veneno em casa. Além disso, ela estava furiosa e desiludida com o marido e, em um estado de choque e desespero, confessou o crime, talvez para proteger Angela ou até a si mesma de um escândalo ainda maior, e por sentir-se responsável por ter o veneno. A confissão de Caroline foi um ato de desespero e confusão, não de culpa.
Poirot explica que Elsa não queria perder Amyas. Se não pudesse tê-lo vivo, não o teria com mais ninguém. Seu último retrato era um presente envenenado. A inocência de Caroline Crale é finalmente estabelecida, dezesseis anos depois.
Gênero literário
Mistério, Romance Policial, Ficção.
Dados do autor
Agatha Christie (nascida Agatha Mary Clarissa Miller em 1890, falecida em 1976) é uma das escritoras mais famosas e prolíficas de todos os tempos. Conhecida como a "Rainha do Crime", ela publicou mais de 66 romances policiais, 14 coleções de contos e várias peças de teatro. Suas obras venderam bilhões de cópias, tornando-a a autora de ficção mais vendida de todos os tempos. Ela é a criadora de dois dos detetives mais icônicos da literatura: o excêntrico e metódico belga Hercule Poirot, e a perspicaz idosa Miss Jane Marple. A escrita de Christie é caracterizada por tramas intrincadas, reviravoltas chocantes, personagens bem desenvolvidos e um profundo conhecimento da psicologia humana.
Moral da história
A principal moral de "Os Cinco Porquinhos" é a de que a verdade é multifacetada e muitas vezes obscurecida por preconceitos, emoções e perspectivas individuais. O livro demonstra como a memória pode ser falha e seletiva, e como as percepções pessoais podem distorcer os fatos. Ele ressalta a importância de reexaminar verdades aceitas e de não se contentar com a versão mais óbvia dos acontecimentos. Além disso, a história explora os perigos da obsessão e do egoísmo, que podem levar a atos extremos, e a ideia de que a justiça, mesmo que tardia, pode prevalecer.
Curiosidades do livro
- Título e Rima Infantil: O título original em inglês, "Five Little Pigs", faz referência à famosa rima infantil ("This little pig went to market, this little pig stayed home..."). No romance, Poirot associa cada uma das cinco testemunhas a uma linha da rima, usando-a como uma estrutura para organizar os depoimentos e as personalidades.
- Reinvestigação de um Crime Antigo: É um dos poucos romances de Poirot em que ele reinvestiga um crime que ocorreu há muitos anos e que já teve um veredicto, em vez de um assassinato recente. Isso permite uma exploração profunda da memória, da psicologia e da distorção do tempo.
- Estrutura Narrativa Única: O livro é notável por sua estrutura não linear. A história é contada a partir de seis perspectivas diferentes: a introdução de Poirot e, em seguida, os depoimentos de cada uma das cinco testemunhas, cada uma com sua própria versão dos eventos passados. Isso proporciona um estudo fascinante da subjetividade da verdade.
- Foco Psicológico: Diferente de muitos de seus outros romances que se concentram mais em pistas físicas, "Os Cinco Porquinhos" é um mistério psicológico profundo. Poirot depende mais da análise dos personagens, seus motivos, suas emoções e suas reações do que de evidências materiais.
- Aparência de Sir Charles Arundell: O personagem Sir Charles Arundell, que aparece brevemente no início da história como um amigo de Carla, é uma referência a outro romance de Agatha Christie, "A Morte na Praia" (Dumb Witness), onde ele é a vítima.
