Los crímenes de la A.B.C. - Agatha Christie

Resumo

Hercule Poirot recebe uma série de cartas enigmáticas assinadas por "A.B.C.", que anunciam assassinatos em ordem alfabética: Alice Ascher em Andover, Betty Barnard em Bexhill, e Sir Carmichael Clarke em Churston. A cada crime, uma cópia de um guia ferroviário A.B.C. é deixada ao lado da vítima. A polícia e Poirot ficam perplexos com a aparente falta de motivo e a natureza aleatória dos crimes, enquanto o país é aterrorizado pela perspectiva de um assassino em série. A investigação se concentra em Alexander Bonaparte Cust, um vendedor ambulante tímido e epiléptico que sofre de lapsos de memória e se encontra misteriosamente próximo aos locais dos crimes, possuindo uma faca. Cust, atormentado pela culpa e pela confusão, acaba se entregando à polícia, convencido de que é o assassino. No entanto, Poirot desconfia da "confissão" de Cust e reúne um grupo de parentes das vítimas para desvendar a verdade. Ele descobre que o verdadeiro assassino é Franklin Clarke, irmão de Sir Carmichael Clarke, que armou todo o esquema alfabético para desviar a atenção de seu verdadeiro motivo: herdar a fortuna do irmão, que estava se casando novamente. Franklin usou Cust como um bode expiatório perfeito, manipulando-o para que as evidências o incriminassem, enquanto ele próprio tinha um álibi irrefutável para os momentos dos crimes, pois estava "investigando" ou "chorando" as mortes.

Seções do livro

Seção 1: O Início dos Crimes (Andover)

A história começa com Hercule Poirot, vivendo sua aposentadoria em Londres, recebendo uma carta curiosa e ameaçadora. A carta, assinada por "A.B.C.", anuncia a intenção de cometer um assassinato em Andover em 21 de agosto. Poirot, intrigado, tenta avisar a polícia, mas a carta é descartada como uma brincadeira de mau gosto. No dia seguinte, a notícia de um assassinato em Andover é confirmada. A vítima é Alice Ascher, uma idosa que era proprietária de uma pequena tabacaria. Ela foi morta com um golpe na cabeça. Ao lado de seu corpo, a polícia encontra um guia ferroviário A.B.C. O crime choca a pequena cidade e a nação, mas a polícia tem dificuldade em encontrar um motivo ou qualquer pista concreta. Poirot e seu amigo Capitão Hastings começam sua própria investigação, com a ajuda do Inspetor Japp.

Personagem Características Personalidade
Hercule Poirot Detetive belga aposentado, baixinho, com um bigode impecável. Metódico, observador, vaidoso, confiante em "suas pequenas células cinzentas".
Capitão Hastings Amigo e cronista de Poirot, aventureiro, um tanto ingênuo. Leal, bem-intencionado, mas propenso a tirar conclusões precipitadas.
Inspetor Japp Inspetor da Scotland Yard, amigo de longa data de Poirot. Prático, perspicaz, respeita a inteligência de Poirot, mas é mais convencional.
Alice Ascher Idosa, dona de tabacaria em Andover. Aparentemente simples, vivia uma vida humilde, tinha um marido alcoólatra.
Mr. Ascher Marido alcoólatra de Alice Ascher. Desempregado, violento sob o efeito do álcool, um dos primeiros suspeitos.

Seção 2: O Segundo Assassinato (Bexhill)

Uma segunda carta chega, desta vez anunciando um crime em Bexhill em 25 de agosto. Poirot tenta novamente alertar as autoridades, que agora levam as cartas um pouco mais a sério, mas ainda não conseguem evitar o assassinato. A segunda vítima é Betty Barnard, uma garçonete atraente e promíscua que trabalhava em um café e bar em Bexhill. Ela é encontrada estrangulada na praia. Novamente, um guia A.B.C. é deixado ao lado do corpo. O padrão alfabético (Alice Ascher, Andover; Betty Barnard, Bexhill) começa a se tornar alarmante. A investigação em Bexhill revela que Betty tinha múltiplos relacionamentos, incluindo com seu namorado Donald Fraser, que tinha um temperamento explosivo e foi visto discutindo com ela na noite do assassinato, e com um vendedor de meias que a cortejava. Sua irmã, Megan Barnard, e a gerente do café, Milly Higley, também são entrevistadas, mas não há um suspeito claro.

Personagem Características Personalidade
Betty Barnard Jovem garçonete, atraente, flertadora. Impulsiva, espirituosa, com uma vida amorosa complicada, despreocupada.
Donald Fraser Namorado de Betty, jovem temperamental. Ciumento, possessivo, propenso a acessos de raiva, mas profundamente apaixonado por Betty.
Megan Barnard Irmã de Betty, mais reservada. Observadora, inteligente, leal à irmã, mas com uma visão mais sóbria dos fatos.
Milly Higley Gerente do café onde Betty trabalhava em Bexhill. Prática, trabalhadora, com uma boa dose de bom senso.

Seção 3: O Terceiro Assassinato (Churston)

A terceira carta chega, mais desafiadora, e aponta para Churston em 11 de setembro. Desta vez, a polícia se mobiliza com força total, enviando agentes para patrulhar a área. No entanto, o assassino consegue se esgueirar através da rede. A vítima é Sir Carmichael Clarke, um rico colecionador de antiguidades e filantropo. Ele é encontrado morto em sua casa, com um golpe na cabeça. Mais uma vez, um guia A.B.C. está presente na cena. O padrão alfabético continua (Alice Ascher, Andover; Betty Barnard, Bexhill; Sir Carmichael Clarke, Churston). A investigação se concentra na família de Sir Carmichael, incluindo sua esposa, Lady Clarke, que é uma inválida e está em estado de choque, seu irmão, Franklin Clarke, e sua jovem secretária, Thora Grey. Descobre-se que Sir Carmichael estava considerando um novo casamento, o que poderia alterar sua herança.

Personagem Características Personalidade
Sir Carmichael Clarke Rico colecionador de antiguidades, filantropo. Respeitável, erudito, um tanto excêntrico, de vida aparentemente regrada.
Lady Clarke Esposa inválida de Sir Carmichael. Doente, frágil, um tanto controladora em seu estado de saúde.
Franklin Clarke Irmão de Sir Carmichael, viajante. Charmoso, aparentemente solícito e preocupado, com um estilo de vida mais boêmio.
Thora Grey Jovem e atraente secretária de Sir Carmichael. Eficiente, calma, um tanto enigmática, sempre ao lado de Sir Carmichael.
Alexander Bonaparte Cust Vendedor ambulante de meias, epiléptico, com lapsos de memória. Tímido, nervoso, solitário, propenso à confusão e à autodepreciação.

Seção 4: A Pista de Cust e a Equipe A.B.C.

A narrativa começa a alternar entre a perspectiva de Poirot e a de Alexander Bonaparte Cust. Vemos Cust como um homem solitário e atormentado, que foi demitido de seu emprego de escritório devido à sua epilepsia e agora vende meias de porta em porta. Ele sofre de dores de cabeça terríveis e lapsos de memória ("apagões"). Por pura coincidência, ou assim parece, Cust esteve em Andover, Bexhill e Churston nas datas dos assassinatos. Ele também comprou uma faca e um guia A.B.C. sob circunstâncias estranhas. Sua confusão mental e sua inocência o tornam um alvo perfeito para manipulação.
Poirot, por sua vez, está cada vez mais frustrado com a falta de um motivo claro para os crimes. Ele decide adotar uma abordagem inovadora: reúne os parentes e conhecidos das vítimas (Donald Fraser, Megan Barnard, Franklin Clarke, Thora Grey e Mary Drower, irmã de Alice Ascher) para formar sua própria "Equipe A.B.C." e tentar encontrar conexões ou informações que a polícia possa ter perdido. Ele os encoraja a compartilhar tudo o que souberem sobre as vítimas e os dias dos crimes, na esperança de que, ao ver a imagem de diferentes ângulos, possa encontrar a peça que falta.

Seção 5: A Captura e Interrogatório de Cust

A investigação da polícia se concentra cada vez mais em Cust. Um erro na encomenda de meias leva a uma pista, e Cust é rastreado até sua pensão. Quando a polícia se aproxima, Cust, em pânico e completamente confuso, foge, mas acaba se machucando e se entrega em um hospital. Durante o interrogatório, Cust está em um estado deplorável. Ele se lembra de ter estado nos locais dos crimes, de ter a faca, de ter comprado o guia A.B.C. e de ter tido "apagões" nas datas exatas. Sob a pressão do interrogatório e sua própria culpa e confusão, ele começa a acreditar que realmente é o assassino, embora não se lembre de ter cometido os atos. As evidências circunstanciais contra ele são avassaladoras. Uma testemunha em Bexhill, que o viu com Betty Barnard, e suas próprias memórias fragmentadas parecem selar seu destino. No entanto, Poirot se recusa a aceitar que Cust seja o assassino, sentindo que há algo de fundamentalmente errado com a ideia de que um assassino em série se entregaria tão facilmente e de forma tão confusa.

Seção 6: A Verdadeira Solução

Poirot convoca uma reunião final com todos os envolvidos – Cust, os familiares das vítimas, o Inspetor Japp e Hastings. Ele começa a desconstruir o caso contra Cust, apontando as inconsistências. Ele questiona por que Cust, se fosse o assassino, deixaria uma faca e um guia A.B.C. ao lado de uma vítima (Sir Carmichael) se já tivesse sido implicado nos crimes anteriores. Ele também destaca que Cust não se lembrava de deixar o guia A.B.C. nos locais dos crimes.
Poirot então revela que o verdadeiro assassino é Franklin Clarke. O motivo: Franklin precisava herdar a fortuna de seu irmão, Sir Carmichael, que estava prestes a se casar novamente, o que teria arruinado as chances de Franklin de herdar. Os crimes de Alice Ascher e Betty Barnard foram apenas uma elaborada farsa para encobrir o verdadeiro alvo, Sir Carmichael, e criar um assassino em série falso que desviasse a atenção para um "maníaco aleatório".
Franklin havia plantado evidências para incriminar Cust, como alugar o quarto de Cust e deixá-lo com o guia A.B.C. e a faca. Ele manipulou Cust, usando sua fragilidade mental e seus lapsos de memória, e até mesmo escreveu as cartas de A.B.C. As duas primeiras vítimas foram escolhidas por sua facilidade em serem mortas e a falta de ligações óbvias, mas também por terem nomes e localidades que se encaixavam no esquema alfabético. As pistas falsas (como a venda de meias perto dos crimes) foram projetadas para que, eventualmente, Cust fosse o bode expiatório perfeito. Franklin até mesmo se apresentou como um dos "familiares das vítimas" na equipe de Poirot para se manter a par da investigação e desviar as suspeitas. A revelação de Poirot choca a todos, mas as provas e a lógica implacável do detetive forçam Franklin a confessar.

Gênero literário, autor, moraleja e curiosidades

Gênero literário

Romance Policial, Mistério, Ficção de Detetive.

Dados do autor

Agatha Christie (nascida Agatha Mary Clarissa Miller em Torquay, Devon, Inglaterra, em 1890, falecida em 1976) é amplamente conhecida como a "Rainha do Crime". Ela é a romancista mais vendida de todos os tempos, com suas obras traduzidas para mais idiomas do que as de qualquer outro autor individual. Durante sua prolífica carreira, escreveu 66 romances policiais, 14 coletâneas de contos e a peça de teatro mais longa da história, "A Ratoeira". Seus detetives mais famosos são o excêntrico belga Hercule Poirot e a perspicaz senhora idosa Miss Marple. Christie foi nomeada Dama Comandante da Ordem do Império Britânico (DBE) em 1971 por suas contribuições à literatura.

Moraleja

  • Não confie nas aparências: O livro enfatiza que as aparências podem ser extremamente enganosas. O "assassino em série" A.B.C. é uma farsa elaborada, e o principal suspeito, Cust, é na verdade uma vítima.
  • O perigo da manipulação: A história demonstra como uma mente astuta pode explorar a ingenuidade e as fragilidades de outras pessoas (como os lapsos de memória de Cust) para seus próprios fins nefastos.
  • A importância da mente analítica: Através de Poirot, a obra ressalta a necessidade de ir além das evidências óbvias e buscar a lógica por trás dos eventos, questionando as conclusões mais fáceis.
  • A ganância como motivador: O motivo final dos crimes é a ganância por herança, um tema recorrente na literatura policial, mostrando o quão longe as pessoas podem ir por dinheiro.

Curiosidades

  • Narrativa inovadora: O livro se destaca por sua estrutura narrativa incomum. Ele alterna entre a perspectiva de Hercule Poirot (contada por Capitão Hastings), a perspectiva do suposto assassino, Alexander Bonaparte Cust, e a dos membros da "Equipe A.B.C.". Essa abordagem permite ao leitor uma visão mais completa e, ao mesmo tempo, enganosa dos eventos.
  • Um dos primeiros serial killers na ficção: 'Os Crimes ABC' é notável por apresentar um dos primeiros assassinos em série na ficção policial, embora a natureza "serial" seja uma farsa elaborada para mascarar um crime singular e motivado.
  • O uso do guia ferroviário A.B.C.: O guia A.B.C. é um elemento central da trama, sendo usado não apenas como a assinatura do assassino, mas também como um instrumento de manipulação e uma pista falsa brilhante.
  • Impacto cultural: A ideia do assassino alfabético se tornou icônica e influenciou muitas outras obras de ficção, filmes e séries de TV.
  • Poirot no auge: O livro é considerado um dos pontos altos na carreira de Hercule Poirot, demonstrando suas habilidades em psicologia criminal, sua recusa em aceitar a explicação mais fácil e sua insistência em focar na "ordem e método" para resolver o caos aparente.