Os Treze Problemas - Agatha Christie
Resumo "Miss Marple e os Treze Problemas" é uma coletânea de treze contos de mistério da renomada autora Agatha Christie, publicados pela p...
Resumo
"Miss Marple e os Treze Problemas" é uma coletânea de treze contos de mistério da renomada autora Agatha Christie, publicados pela primeira vez em 1932. O livro é notável por ser uma das primeiras aparições de Miss Jane Marple, uma perspicaz e idosa detetive amadora, que resolve mistérios através de sua profunda compreensão da natureza humana e da vida em sua pequena vila, St. Mary Mead.
Os contos são apresentados como uma série de reuniões sociais. Nas primeiras seis histórias, Miss Marple e seus amigos, incluindo seu sobrinho Raymond West, a artista Joyce Lempriere, o ex-comissário Sir Henry Clithering, o Dr. Pender e o Sr. Petherick, formam o "Clube da Noite de Terça-feira". Cada membro conta uma história de um mistério não resolvido, e Miss Marple, com sua sagacidade surpreendente e observações aparentemente inócuas, sempre desvenda a verdade por trás dos crimes.
As próximas seis histórias são contadas em um cenário similar, no "Clube da Noite de Quinta-feira", na casa do Coronel Bantry e sua esposa, Dolly Bantry, onde Miss Marple também é convidada. Finalmente, o décimo terceiro "problema" é contado por Miss Marple a Sir Henry Clithering, concluindo a coleção com uma demonstração de sua inigualável capacidade de dedução. Os mistérios abordam assassinatos, roubos e desaparecimentos, muitas vezes com reviravoltas surpreendentes e soluções baseadas em detalhes aparentemente insignificantes, que só Miss Marple consegue conectar.
Seções do livro
Seção 1: O Clube da Terça-feira à Noite
Sir Henry Clithering, um ex-comissário da Scotland Yard, está de visita à casa de Raymond West, o sobrinho de Miss Marple. Durante o jantar, Raymond propõe um jogo: cada um dos seis presentes contará um mistério verídico, e os outros tentarão resolvê-lo. O primeiro a contar é Sir Henry.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Miss Marple | Idosa, solteira, vive em St. Mary Mead. | Observadora, perspicaz, aparentemente frágil. |
| Raymond West | Sobrinho de Miss Marple, escritor. | Intelectual, um pouco condescendente, carinhoso com a tia. |
| Joyce Lempriere | Jovem artista. | Observadora, espirituosa, um tanto cínica. |
| Sir Henry Clithering | Ex-comissário da Scotland Yard. | Experiente, inteligente, respeita Miss Marple. |
| Dr. Pender | Reitor, eclesiástico. | Erudito, calmo, metódico. |
| Mr. Petherick | Advogado. | Prático, legalista, atento aos fatos. |
História de Sir Henry: Um casal, o Sr. e a Sra. Jones, empregados domésticos dos Bantry, são encontrados mortos após um jantar. A Sra. Jones é encontrada envenenada em seu quarto, e o Sr. Jones com um tiro na cabeça, com uma arma ao lado. A polícia concluiu que o Sr. Jones matou a esposa e depois se suicidou, motivado por ciúmes. Sir Henry não está totalmente convencido e apresenta o caso.
Solução de Miss Marple: Miss Marple, com base em sua experiência observando a vida em sua aldeia, deduz que o assassino é o próprio Sir Henry, mas não o convidado, e sim o Sr. Jones. Ela sugere que o jantar foi carne enlatada de lagosta e que ele envenenou a esposa e depois se matou. A chave estava no fato de que o Sr. Jones não teria tempo para se desfazer da lata de lagosta, se ela tivesse sido envenenada por ele para a esposa. A Sra. Jones foi a envenenadora, matou o marido com um veneno que não o mataria instantaneamente, depois cometeu suicídio e, antes de morrer, trocou as provas de forma que parecesse que o marido a matou e depois se suicidou.
Seção 2: A Casa do Ídolo de Astarte
Raymond West conta a segunda história.
História de Raymond: Em uma festa extravagante em uma propriedade chamada "A Casa do Ídolo de Astarte", o anfitrião, Sir Richard Haydon, decide encenar um sacrifício ritualístico em um antigo templo pagão no terreno. Uma jovem convidada, Diana Ashley, age como sacerdotisa. Durante a encenação, Sir Richard, vestido com roupas rituais, de repente entra em colapso e morre, aparentemente esfaqueado. O problema é que ninguém se aproximou dele, e as únicas pessoas por perto eram Diana e outro convidado, que estavam a alguma distância. A faca ritualística estava limpa.
Solução de Miss Marple: Miss Marple percebe que a chave está na ilusão. Ela sugere que Diana Ashley não era a sacerdotisa, mas sim o próprio Sir Richard Haydon disfarçado. Ele encenou a morte de Diana, usando um adereço, e então se escondeu em um nicho secreto no templo. A verdadeira Diana, que não estava envolvida na encenação, ficou chocada ao ver Sir Richard aparecer de um lugar diferente do que eles haviam combinado. Quando Sir Richard foi esfaqueado, não foi durante a encenação, mas por um convidado irritado com a brincadeira, que não se importou em vê-lo "morrer" de verdade. A vítima pretendida era a própria Diana. Sir Richard, sendo um brincador, tinha um veneno que poderia causar um ataque cardíaco.
Seção 3: Barras de Ouro
Joyce Lempriere, a artista, conta a próxima história.
História de Joyce: Ela estava em férias na Cornualha com sua amiga, Carol Graham. Elas encontram um homem ferido na praia, que antes de morrer, murmura algo sobre "barras de ouro" e "Capitão" e "St. Loo". Descobre-se que o homem é John Newman, que estava trabalhando com o famoso arqueólogo Sir Matthew Booth. Mais tarde, Sir Matthew Booth desaparece misteriosamente, e há rumores sobre um tesouro de ouro que ele pode ter descoberto.
Solução de Miss Marple: Miss Marple deduz que a chave está no sotaque e na interpretação das últimas palavras do moribundo. O homem não disse "St. Loo" como um lugar, mas sim "St. Loo, s'il vous plaît", em francês, significando "por favor". Ele estava se referindo a uma canção. O "Capitão" e as "barras de ouro" eram partes de um código que ele estava tentando transmitir. Sir Matthew Booth não estava desaparecido, mas tinha um cúmplice que tentou enganá-lo e fugir com o ouro. O assassino foi o Capitão Evans.
Seção 4: O Pavimento Manchado de Sangue
O Dr. Pender, o reitor, conta sua história.
História do Dr. Pender: O Dr. Pender estava hospedado em uma pequena pensão à beira-mar, onde a proprietária, a Sra. Penruddock, era obcecada por contos de mistério. Um dia, a Sra. Penruddock acusa seu marido, o Sr. Penruddock, de assassinar uma mulher chamada Lilian. Ela diz que viu o corpo e o sangue no pavimento, mas quando chamou a polícia, não havia vestígios de crime. A Sra. Penruddock é eventualmente internada em um asilo para doentes mentais, mas o Dr. Pender sente que há algo mais sinistro na história.
Solução de Miss Marple: Miss Marple percebe que a Sra. Penruddock não estava louca, mas sim que sua história era uma mistura de verdade e ilusão. Ela não viu o corpo e o sangue de uma mulher desconhecida, mas sim os de sua própria nora, que havia visitado a casa. A nora era Lilian. O marido, Sr. Penruddock, e a amante do marido, a Sra. Dixon, estavam aterrorizando a Sra. Penruddock para fazê-la parecer louca e se livrar dela. Eles limparam rapidamente o sangue e o corpo, fazendo-a parecer que estava delirando. A Sra. Penruddock foi envenenada aos poucos para fazê-la parecer insana.
Seção 5: Motivo vs. Oportunidade
O advogado Mr. Petherick conta seu caso.
História do Sr. Petherick: Um homem rico e excêntrico, o Sr. Mortimer Cleveland, morre em sua casa isolada. Sua vontade era peculiar: legou a maior parte de sua fortuna a uma jovem chamada Miss Mary Pratt, que era sua protegida, e o restante a seus dois sobrinhos e um assistente, o Sr. Ralph Burton. O testamento, no entanto, continha uma cláusula que invalidava a herança de Mary Pratt se ela morresse antes de Mortimer. Mortimer foi encontrado morto em sua cama com uma xícara de chocolate quente ao lado. Suspeitava-se de envenenamento por cianeto. O único problema era que ninguém tinha um motivo claro ou a oportunidade única para administrar o veneno. Os sobrinhos e o assistente pareciam ter álibis razoáveis.
Solução de Miss Marple: Miss Marple aponta que o foco em "motivo vs. oportunidade" estava no lugar errado. O verdadeiro motivo estava invertido. Mary Pratt era a assassina. Ela era a única que tinha "motivo" para que o Sr. Cleveland não morresse antes dela (para herdar a fortuna). Miss Marple sugere que Mary Pratt envenenou o chocolate, sabendo que os sintomas do veneno levariam algumas horas para aparecer. Ela fez isso para ter certeza de que o Sr. Cleveland morreria depois dela, ou seja, ela o mataria, mas de uma forma que sua morte ocorresse após a sua, para garantir a herança. Ou, mais precisamente, ela queria se assegurar de que ele não morresse antes dela por causas naturais. Ela o envenenou e se suicidou logo depois, para que, quando encontrassem os corpos, ele estivesse morto há mais tempo que ela. Mas ela foi salva. A solução é que o assassino é Mary Pratt. Ela era ambiciosa e envenenou Mortimer para que, se ele morresse antes dela, ela ainda herdasse. Ela tentou se suicidar para parecer uma vítima e garantir a herança.
Seção 6: A Impressão Digital de São Pedro
Miss Marple decide contar a última história do primeiro clube.
História de Miss Marple: A sobrinha de Miss Marple, Mabel Denman, vivia com seu marido, que sofria de uma doença terminal. Uma noite, Mabel encontra seu marido morto na cama, com uma caneta-tinteiro na mão e uma estranha mancha preta no pescoço. Ela fica convencida de que ele foi assassinado por uma "impressão digital de São Pedro" – uma marca preta que, segundo a superstição, indica que alguém foi tocado pela morte. A polícia conclui que foi suicídio. Mabel, profundamente perturbada, adoece e morre. Miss Marple não aceita a conclusão da polícia.
Solução de Miss Marple: Miss Marple explica que a "impressão digital de São Pedro" era, na verdade, tinta de caneta-tinteiro. O marido de Mabel não se suicidou. Mabel o assassinou, provavelmente envenenando-o. Ela usou a tinta para simular a marca sobrenatural e então criou a história da "impressão digital de São Pedro" para desviar a atenção e criar uma atmosfera de mistério sobrenatural, para que ninguém pensasse em um crime. A caneta na mão do marido foi um toque de gênio para dar a entender que ele tentara escrever algo antes de morrer.
Seção 7: O Gerânio Azul
O Coronel Bantry e sua esposa Dolly Bantry organizam o segundo clube de contadores de histórias. Eles convidam Miss Marple, Jane Helier (uma atriz), e Dr. Lloyd (um médico). O primeiro a contar é o Coronel Bantry.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Coronel Bantry | Oficial aposentado, vizinho de Miss Marple. | Prático, um pouco cético, bom anfitrião. |
| Dolly Bantry | Esposa do Coronel Bantry. | Animada, tagarela, aprecia o drama. |
| Jane Helier | Atriz famosa. | Dramática, carismática, gosta de ser o centro das atenções. |
| Dr. Lloyd | Médico. | Racional, científico, analítico. |
História do Coronel Bantry: Ele ouviu de um amigo sobre uma mulher chamada Mary Pritchard, que era constantemente atormentada por uma série de incidentes bizarros em sua casa. Primeiro, uma carta ameaçadora anônima, depois objetos que mudavam de lugar, e finalmente, o papel de parede em seu quarto, que tinha um padrão de gerânios, parecia mudar para azul à noite. Sua empregada principal, uma mulher corpulenta e um tanto grosseira, estava sempre por perto. Uma noite, após os gerânios ficarem azuis, Mary Pritchard morre de ataque cardíaco. A polícia não encontrou nenhuma evidência de crime.
Solução de Miss Marple: Miss Marple explica que a mudança de cor do gerânio era uma ilusão de óptica. O papel de parede foi tratado com uma substância (provavelmente uma solução de amônia ou um reagente) que reagiria a um gás específico. A empregada, Gladys, estava liberando gás cianeto no quarto de Mary Pritchard. O gás faria os gerânios ficarem azuis. A morte de Mary Pritchard foi atribuída a um ataque cardíaco, mas na verdade foi causada pelo gás cianeto que a enfraquecia gradualmente, até causar o ataque fatal. Gladys não era quem parecia ser.
Seção 8: A Companheira
A próxima história é contada pelo Dr. Lloyd.
História do Dr. Lloyd: Duas mulheres solteironas, Miss Barton e Miss Amy Durrant, estavam em um hotel nas Canárias. Miss Barton era rica e dominadora, enquanto Miss Durrant era sua companheira mais pobre e submissa. As duas foram nadar, e Miss Durrant se afogou. Pareceu ser um trágico acidente, mas o Dr. Lloyd notou algo estranho: Miss Barton estava excessivamente histérica, e não parecia lamentar a perda de sua companheira, mas sim ter raiva.
Solução de Miss Marple: Miss Marple revela que Miss Barton era a assassina. Ela trocou de roupa de banho com Miss Durrant antes de entrarem na água. Miss Barton sabia nadar, mas Miss Durrant não. Miss Barton empurrou Miss Durrant para fora de um barco, fingindo um acidente. A "companheira" que se afogou era, na verdade, Miss Barton. A mulher que retornou e agiu de forma histérica era Miss Durrant, que assassinou Miss Barton e assumiu sua identidade para herdar sua fortuna. Miss Durrant era, na verdade, a manipuladora, e não a vítima.
Seção 9: Os Quatro Suspeitos
Sir Henry Clithering, que se junta ao grupo, conta a próxima história.
História de Sir Henry: Um eminente alemão, Dr. Rosen, que era um especialista em sociedades secretas e sociedades criminosas, é encontrado morto em seu estudo, aparentemente de um ataque cardíaco. No entanto, havia um pedaço de pão em sua mão. Ele vivia em uma casa isolada com quatro pessoas: seu sobrinho, que era um jovem desordeiro; a governanta, que o detestava; um jardineiro, que era um ex-condenado político; e uma fiel empregada doméstica. A polícia suspeitava de um assassinato relacionado às atividades do Dr. Rosen contra uma sociedade secreta alemã conhecida como "Mão Negra", mas não conseguiu provar nada.
Solução de Miss Marple: Miss Marple percebe que a chave está no pedaço de pão. O Dr. Rosen estava escrevendo uma mensagem codificada. O "pão" não era para ser comido, mas sim uma pista para a palavra "pão" em alemão, que é "Brot". "Brot" era o nome da sociedade secreta que o matou. A governanta foi a assassina. Ela era a espiã da sociedade. O Dr. Rosen tinha uma alergia grave a um determinado ingrediente no pão, e a governanta sabia disso. Ela o forçou a comer o pão, causando o ataque fatal.
Seção 10: Uma Tragédia de Natal
Miss Marple conta a sua segunda história.
História de Miss Marple: Durante o Natal, em uma pequena cidade, um homem rico e impopular, Sir Alistair Ross, é encontrado morto, aparentemente por uma queda fatal de uma escada. Sua esposa e um jovem ator, Charles Laxton, estavam na casa. Miss Marple, que estava hospedada nas proximidades, havia notado a Sra. Ross se envolvendo em um flerte com Charles Laxton. No entanto, o Sr. Ross parecia indiferente. A polícia considerou a morte um acidente.
Solução de Miss Marple: Miss Marple revela que Sir Alistair Ross não foi vítima de um acidente, mas sim de um assassinato. A assassina foi a Sra. Ross, em conluio com Charles Laxton. A Sra. Ross não caiu da escada. Ela foi empurrada por Charles. Eles encenaram a cena para parecer um acidente. Miss Marple havia notado um detalhe peculiar: a Sra. Ross havia insistido em ter uma noite de Natal "perfeita", incluindo uma árvore de Natal muito alta e um tapete escorregadio nos degraus da escada. Eles estavam tentando se livrar de Sir Alistair para poderem ficar juntos. A "indiferença" de Sir Alistair era sua própria fachada.
Seção 11: A Erva da Morte
Dolly Bantry, a esposa do Coronel Bantry, conta a sua história.
História de Dolly Bantry: Quatro pessoas jantavam na casa de um velho amigo da família, Sir Ambrose. Durante o jantar, todos comem um prato de sálvia recheada. Na manhã seguinte, Sir Ambrose e três de seus convidados ficam muito doentes. Um deles, um homem chamado Spenlow, morre. O cozinheiro, que havia preparado a refeição, fica perturbado. A polícia suspeita que o veneno estava na sálvia, mas a sálvia era fresca. A morte de Spenlow é atribuída a causas naturais devido à sua idade avançada e saúde frágil.
Solução de Miss Marple: Miss Marple explica que o veneno não estava na sálvia. A chave está no fato de que apenas Spenlow morreu. A "erva da morte" não era a sálvia, mas sim uma erva venenosa, a cicuta. O cozinheiro acidentalmente usou a cicuta em vez da sálvia para rechear um único prato. Spenlow foi o único que comeu o prato envenenado. Os outros adoeceram por um motivo diferente, talvez uma má digestão ou uma intoxicação alimentar leve. Mas a cicuta foi o que matou Spenlow.
Seção 12: O Caso do Bangalô
Jane Helier, a atriz, conta a próxima história.
História de Jane Helier: Ela estava hospedada em um bangalô isolado com sua empregada. Um dia, ela acorda e encontra um homem morto em seu chão, com uma faca no peito. Sua empregada havia desaparecido. Jane, aterrorizada, foge e relata o crime. A polícia encontra o corpo, mas a empregada permanece desaparecida. A polícia suspeita que a empregada matou o homem e fugiu. No entanto, Jane Helier tem a sensação de que algo está errado com a história.
Solução de Miss Marple: Miss Marple aponta que Jane Helier não estava contando a história verdadeira. O homem morto no chão não estava morto. Ele era um cúmplice de Jane, e os dois estavam encenando a cena para encobrir um crime real ou para chantagear alguém. A "empregada" que desapareceu era, na verdade, Jane Helier, disfarçada. Miss Marple sugere que a atriz estava no meio de uma elaborada farsa para esconder um caso de assassinato ou roubo, e o "corpo" era apenas um manequim ou um ator. A verdadeira história é que Jane Helier estava envolvida em um crime e tentava criar um álibi ou desviar a atenção. A chave é a teatralidade de Jane.
Seção 13: Morte por Afogamento
Este é o último "problema", contado por Miss Marple a Sir Henry Clithering, fora do contexto do clube.
História de Miss Marple: Na vila de St. Mary Mead, uma jovem e bonita camponesa, Rose Emmott, estava grávida do filho do rico e jovem Dennis Radcliffe. Dennis, no entanto, estava noivo de outra mulher rica. Rose, perturbada, ameaçou revelar sua gravidez. Pouco depois, ela é encontrada afogada em um riacho raso. O veredicto oficial é suicídio por afogamento. No entanto, Miss Marple tem certeza de que foi assassinato.
Solução de Miss Marple: Miss Marple explica que Rose Emmott foi assassinada. O assassino não foi Dennis Radcliffe, mas sim sua noiva, Charlotte. Charlotte sabia do caso de Dennis com Rose e, para proteger sua reputação e seu futuro casamento, envenenou Rose antes de jogá-la no riacho. A "morte por afogamento" foi encenada para parecer um suicídio, com a intenção de parecer que Rose se matou devido à sua condição e à desilusão. Miss Marple observou que o rito de afogamento em um riacho raso era inconsistente com a morte de alguém que poderia ter se salvado.
Gênero Literário
Ficção policial, Mistério, Contos, Whodunit.
Dados do Autor
Agatha Christie (nascida Agatha Mary Clarissa Miller, 1890–1976) foi uma escritora britânica, mundialmente conhecida por seus romances policiais. É a autora mais vendida de todos os tempos, com mais de dois bilhões de livros vendidos. Criou personagens icônicos como Hercule Poirot e Miss Jane Marple, revolucionando o gênero de detetives. Seus trabalhos são marcados por enredos intrincados, reviravoltas engenhosas e um profundo conhecimento da psicologia humana.
Moraleja
A principal "moral" ou lição de "Miss Marple e os Treze Problemas" é que a verdade muitas vezes reside nos detalhes mais sutis e na compreensão da natureza humana, e não apenas em fatos óbvios ou evidências forenses. Miss Marple, com sua aparência inofensiva e seu conhecimento da mesquinhez, inveja, orgulho e malícia que podem existir mesmo nas comunidades mais tranquilas, demonstra que a perspicácia e a observação são ferramentas poderosas para desvendar a justiça. Ela nos ensina a olhar além das aparências e a confiar na intuição informada pela experiência de vida.
Curiosidades
- Primeira Coletânea de Contos da Miss Marple: Embora Miss Marple tenha aparecido em alguns contos e no romance "O Assassinato na Casa do Pastor" (1930) antes, esta é a primeira coletânea de contos focada exclusivamente nela e em suas habilidades de detetive.
- Formato Único: O formato de "clube de mistérios" onde os personagens se reúnem para contar e resolver casos é uma estrutura inteligente que permite a Christie apresentar uma variedade de mistérios em um ambiente social e íntimo, destacando as habilidades de Miss Marple em um cenário desafiador.
- Autobiográfico: Alguns críticos e biógrafos sugerem que o personagem de Raymond West, o sobrinho escritor que subestima Miss Marple, pode ser uma paródia sutil dos intelectuais que subestimavam as "histórias simples" de Agatha Christie.
- Inspiração em St. Mary Mead: A vila de St. Mary Mead, onde Miss Marple reside e da qual tira grande parte de sua sabedoria sobre a natureza humana, é um reflexo de muitas das vilas inglesas pitorescas que Christie conhecia, mas com um toque de malícia e intriga.
- Popularidade Duradoura: As soluções de Miss Marple nesses contos solidificaram sua reputação como uma detetive incrivelmente astuta, cujo aparente "velho-senhorismo" escondia uma mente afiada e uma compreensão profunda da crueldade e da malandragem humanas.
