¿Qué es el arte? - Leo Tolstoy

Resumo

Em 'O Que é Arte?', Lev Tolstói embarca numa profunda investigação sobre a natureza, o propósito e o valor da arte. Ele rejeita as teorias estéticas predominantes que definem a arte pela beleza ou pelo prazer que ela proporciona, argumentando que tais conceitos são subjetivos e corromperam o verdadeiro significado da arte. Tolstói propõe que a arte genuína é uma atividade humana que transmite sentimentos do artista para o público, "contagiando" este último com as emoções experimentadas pelo criador, unindo as pessoas numa comunhão emocional. Ele critica veementemente a arte moderna e de elite de seu tempo por considerá-las obscuras, artificiais e elitistas, servindo apenas ao entretenimento e ao status social, em vez de promover a união e a moralidade. Para Tolstói, a verdadeira arte deve ser acessível a todos, sincera e, idealmente, deve expressar sentimentos religiosos ou universais que promovam a irmandade humana.

Seções do livro

Seção 1: A Busca por uma Definição de Arte e a Crítica às Estéticas Tradicionais

Tolstói inicia sua obra questionando a enorme quantidade de recursos e esforços dedicados à arte em sua sociedade, desde a criação de obras grandiosas até a manutenção de instituições artísticas. Ele expressa perplexidade sobre se tudo isso é realmente justificado e se o que é chamado de arte realmente o é. Ele se propõe a examinar as definições existentes de arte, que em sua maioria se baseiam na ideia de "beleza".

Ele traça a evolução do conceito de beleza desde os filósofos gregos até os estetas modernos, como Kant, Hegel e Schopenhauer. Critica severamente essas abordagens, argumentando que a beleza é um conceito subjetivo – "o que agrada" – ou uma noção metafísica vaga, e que, portanto, não pode servir como base sólida para uma definição universal de arte. Para Tolstói, definir a arte pela beleza leva à sua corrupção, pois o objetivo principal se torna o prazer individual ou a busca de uma perfeição formal vazia, em vez de uma comunicação significativa.

Personagens Envolvidos Características e Personalidade
Immanuel Kant Filósofo alemão, sua estética focava no "juízo de gosto desinteressado", onde a beleza é percebida sem levar em conta o prazer sensual ou o conceito do objeto. Tolstói o critica por separar a arte de seu propósito moral e utilitário, tornando-a um fim em si mesma.
Georg Wilhelm Friedrich Hegel Filósofo alemão idealista, via a beleza como a manifestação sensível da Ideia. Sua abordagem sistemática e grandiosa é vista por Tolstói como um exemplo da intelectualização excessiva da arte, distanciando-a da experiência humana comum.
Arthur Schopenhauer Filósofo alemão, cuja estética propunha que a arte oferecia um alívio temporário do sofrimento da vontade, permitindo uma contemplação desinteressada das Ideias platônicas. Tolstói considera essa visão como um refúgio elitista do mundo real, sem valor moral ou social intrínseco.
Lev Tolstói O próprio autor. Um moralista rigoroso e crítico social, sua personalidade reflete uma busca incansável pela verdade e pela justiça, rejeitando o artificialismo e a hipocrisia em todas as suas formas. Ele aborda a arte com uma seriedade quase religiosa, buscando seu propósito mais elevado para a humanidade.

Seção 2: A Verdadeira Definição de Arte: A Infecção Artística

Após desmantelar as teorias existentes, Tolstói apresenta sua própria definição de arte. Ele afirma que a arte é uma atividade humana que consiste em uma pessoa transmitir conscientemente a outras, por meio de certos sinais externos, os sentimentos que experimentou, de modo que outras pessoas sejam contagiadas por esses mesmos sentimentos e também os experimentem. O ponto crucial é a "infecção" (ou contágio) artística: se o espectador, ouvinte ou leitor é verdadeiramente contagiado pelo sentimento que o artista expressa, então é arte.

A força da infecção é o único critério da arte genuína. A sinceridade do artista é fundamental para que essa infecção ocorra. Ele diferencia a arte verdadeira das "contrafações da arte", que são obras produzidas sem a genuína intenção de comunicar sentimentos, mas sim para imitar a arte, entreter ou obter lucro, sem a força contagiante. Para Tolstói, a arte é uma forma de comunicação e um meio de união entre os seres humanos, através de uma experiência emocional compartilhada.

Seção 3: As Causas da Falsificação da Arte e Seus Efeitos

Tolstói investiga as razões pelas quais a arte se desviou de seu verdadeiro propósito. Ele identifica várias causas principais para a "falsificação" da arte. A primeira é a separação da arte de sua função religiosa e sua consequente degeneração em mero entretenimento ou prazer para uma elite. A segunda é a profissionalização dos artistas, que agora dependem da arte para sua subsistência, levando-os a produzir sem inspiração genuína. A terceira é a crítica profissional, que, em vez de guiar o público, apenas confunde e legitima obras sem valor. A quarta é a educação artística nas academias, que ensina técnicas sem cultivar o sentimento e a sinceridade.

O resultado dessa falsificação é uma arte que se torna obscura, artificial e empobrecida de conteúdo. Ela perde sua universalidade e acessibilidade, tornando-se compreensível apenas para um círculo restrito de iniciados. Os sentimentos expressos são muitas vezes egoístas, orgulhosos, sensuais ou simplesmente vazios, incapazes de unir a humanidade.

Seção 4: A Decadência da Arte Moderna e a Busca pela Arte Universal

Tolstói dedica uma parte considerável do livro a criticar a arte moderna de sua época (final do século XIX), incluindo as escolas simbolistas, impressionistas e decadentes na literatura, música e pintura. Ele as descreve como incompreensíveis, artificiais e desprovidas de qualquer sentimento humano significativo. Para ele, essas obras são exemplos da arte falsificada, que prioriza a novidade, a obscuridade e a "beleza" formal em detrimento da clareza e da sinceridade emocional. Ele as vê como produtos de uma elite ociosa e entediada, que busca sensações cada vez mais bizarras para escapar do tédio.

Em contraste, Tolstói descreve a arte do futuro como sendo universal. Esta não será a arte da classe alta, mas uma arte acessível a todos, expressando sentimentos que são comuns a toda a humanidade e, portanto, capazes de unir as pessoas. Essa arte não dependerá de grande domínio técnico ou de treinamento formal, mas da capacidade do artista de sentir profundamente e de comunicar esses sentimentos de forma clara e sincera.

Seção 5: A Arte Religiosa e Universal: Seu Propósito e Importância

Tolstói conclui sua análise distinguindo dois tipos de arte genuína: a arte religiosa e a arte universal. A arte religiosa é aquela que transmite sentimentos que emanam da percepção religiosa da vida de uma época, unindo as pessoas com Deus e umas com as outras através de um entendimento compartilhado do propósito da vida. Exemplos incluem hinos, sermões inspiradores ou parábolas morais. A arte universal, por sua vez, transmite sentimentos simples e comuns a todos os seres humanos, como alegria, compaixão, amor, ou a admiração pela natureza, e que também servem para unir as pessoas em sua humanidade compartilhada.

A verdadeira arte, para Tolstói, é uma condição indispensável para a vida humana e para o progresso da humanidade em direção à união e ao bem-estar. Ela não tem como objetivo o prazer, mas sim a promoção da irmandade e do amor, guiada pelo ideal religioso cristão (em sua interpretação). Ele afirma que a tarefa da arte é tornar o sentimento de irmandade e amor, que é o ideal religioso de nosso tempo, uma experiência real para a vida das pessoas, substituindo a violência e a divisão.


Gênero literário: Ensaio filosófico, Crítica de arte, Tratado estético.

Dados do autor:
Lev Nikoláyevich Tolstói (mais conhecido como Leo Tolstói) (1828-1910) foi um dos maiores escritores russos de todos os tempos. Nascido em uma família aristocrática, é mundialmente reconhecido por seus romances épicos como 'Guerra e Paz' e 'Anna Kariênina', que exploram a sociedade russa, a psicologia humana e questões morais e filosóficas. Nos últimos anos de sua vida, Tolstói passou por uma profunda crise espiritual que o levou a uma radicalização de suas ideias morais, sociais e religiosas, tornando-se um crítico ferrenho da Igreja Ortodoxa, do Estado e das instituições sociais. Ele defendia um cristianismo ético baseado no amor, na não-violência e na simplicidade da vida, influenciando movimentos pacifistas e pensadores como Mahatma Gandhi.

Moral da história:
A verdadeira arte não reside na busca da beleza, do prazer estético ou da sofisticação técnica, mas sim em sua capacidade de transmitir sentimentos sinceros do artista para o público, "contagiando" este último e promovendo a união entre os seres humanos. A arte deve servir a um propósito moral e espiritual, elevando a humanidade e expressando ideais de amor, irmandade e compaixão, em vez de reforçar o individualismo, o elitismo ou o mero entretenimento.

Curiosidades do livro:

  • Tolstói levou cerca de 15 anos para escrever 'O Que é Arte?', período em que ele estava profundamente envolvido em sua própria crise espiritual e na formulação de suas ideias sociais e religiosas radicais.
  • Nesta obra, Tolstói critica e chega a rejeitar grande parte de sua própria produção literária anterior, incluindo seus famosos romances 'Guerra e Paz' e 'Anna Kariênina', por considerá-los exemplos de "má arte" ou "arte falsa", pois não cumpriam seus estritos critérios de arte universal e religiosa.
  • O livro foi inicialmente censurado na Rússia por suas críticas contundentes à Igreja e ao Estado, sendo publicado primeiramente na Alemanha e, em seguida, na Inglaterra, em 1898.
  • As ideias de Tolstói chocaram o mundo da arte e da crítica literária e artística de sua época, e continuam a ser objeto de debate intenso até os dias de hoje, desafiando as concepções convencionais sobre o valor e o propósito da arte.
  • Tolstói questiona a legitimidade artística de grandes mestres e obras canonizadas da cultura ocidental, como as peças de William Shakespeare, as sinfonias de Ludwig van Beethoven e as pinturas de Rafael, por considerá-los carentes da verdadeira "infecção" artística ou por serem produtos de uma cultura elitista e corrompida.