Recordações Pessoais de Joana d'Arc - Mark Twain
Resumo "Recordações Pessoais de Joana D'Arc" de Mark Twain é narrado por Sieur Louis de Conte, o secretário e amigo de infância de Joana, q...
Resumo
"Recordações Pessoais de Joana D'Arc" de Mark Twain é narrado por Sieur Louis de Conte, o secretário e amigo de infância de Joana, que reflete sobre a vida da heroína francesa 50 anos após sua morte. O livro é uma biografia romanceada de Joana D'Arc, apresentando-a não apenas como uma figura histórica, mas como uma jovem extraordinária de grande fé, coragem e pureza. A história começa com a infância de Joana na aldeia de Domremy, suas visões divinas e sua convicção de que ela foi escolhida por Deus para salvar a França da dominação inglesa.
Acompanhamos Joana desde sua humilde origem, sua luta para ser ouvida e levada a sério, até sua ascensão como líder militar que inspirou e uniu um exército desmoralizado. Ela lidera os franceses a vitórias surpreendentes, libertando Orléans e abrindo caminho para a coroação do Rei Carlos VII em Reims. Contudo, sua glória é efêmera. Traída e abandonada pelo próprio rei que ajudou a entronizar, Joana é capturada pelos borguinhões e vendida aos ingleses. O livro culmina com seu julgamento inquisitorial, onde ela enfrenta acusações de heresia e bruxaria, e sua trágica execução na fogueira, permanecendo inabalável em sua fé e inocência até o fim. Através dos olhos de De Conte, Twain explora temas de fé, heroísmo, traição e a natureza da verdade e do poder.
Seções do livro
Seção 1: A Infância em Domremy e o Chamado Divino
A história começa com as recordações de Sieur Louis de Conte, já um homem idoso, que foi o pagem e secretário de Joana D'Arc. Ele nos transporta para a pacífica aldeia de Domremy, onde Joana passa sua infância. Desde pequena, Joana é descrita como uma menina piedosa, gentil e sensata, com uma profunda conexão com a natureza e com Deus. Ela cresce entre amigos como Hauviette, Mengette e Noël Rainguesson. A França está devastada pela Guerra dos Cem Anos, com grande parte do território sob domínio inglês e o Delfim, Carlos VII, incapaz de reivindicar seu trono. Aos treze anos, Joana começa a ter visões e ouvir vozes divinas que a exortam a libertar a França e coroar o Delfim. Apesar de sua juventude e do ceticismo inicial de seus amigos e familiares, a convicção de Joana cresce, e ela se prepara para cumprir sua missão divina.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Sieur Louis de Conte | Narrador da história, pagem e secretário de Joana. Já idoso ao contar a história. | Leal, observador, reverente a Joana, melancólico ao recordar. |
| Joana D'Arc | Jovem camponesa de Domremy, com visões divinas. | Piedosa, corajosa, determinada, pura, carismática, bondosa. |
| Hauviette | Amiga de infância de Joana. | Leal, carinhosa, um pouco mais ingênua que Joana. |
| Mengette | Amiga de infância de Joana. | Prática, protetora, forte. |
| Noël Rainguesson | Amigo de infância de Joana. | Tímido, leal, um pouco medroso, mas admirava Joana. |
| Padre Fronte | O sacerdote local em Domremy. | Sábio, tradicional, inicialmente cético mas respeitoso. |
Seção 2: A Jornada até Chinon e a Aceitação Real
Impulsionada por suas vozes, Joana deixa Domremy e viaja para Vaucouleurs, buscando o capitão Robert de Baudricourt para obter uma escolta e permissão para ir ao Delfim. Inicialmente ridicularizada, sua persistência e a precisão de suas previsões sobre eventos militares convencem Baudricourt a lhe dar uma pequena guarda, incluindo os cavaleiros Jean de Metz e Bertrand de Poulengy. Eles embarcam em uma perigosa viagem através de território inimigo até Chinon, onde o Delfim Carlos VII reside.
Em Chinon, Joana enfrenta mais ceticismo, mas sua fé inabalável e a capacidade de reconhecer Carlos, que estava disfarçado entre seus cortesãos, convencem o Delfim. Ele a submete a um exame por teólogos e eruditos em Poitiers, que a questionam sobre suas visões e sua ortodoxia. Joana responde com simplicidade e sabedoria, convencendo-os de sua boa fé e missão divina. Recebe então permissão para liderar o exército francês. Durante este período, ela é acompanhada por novos companheiros: o Paladino, um soldado fanfarrão, mas valente, e o Comandante Marcão, um experiente instrutor militar.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Jean de Metz | Cavaleiro que acompanha Joana de Vaucouleurs a Chinon. | Cético no início, mas rapidamente se torna um fiel seguidor. |
| Bertrand de Poulengy | Cavaleiro que acompanha Joana de Vaucouleurs a Chinon. | Igualmente fiel e dedicado à causa de Joana. |
| O Rei Carlos VII | Delfim da França, herdeiro legítimo ao trono, mas enfraquecido e sem recursos. | Indeciso, covarde, supersticioso, mas esperançoso. |
| La Hire | Capitão do exército francês, famoso por sua bravura e linguagem chula. | Brutal, corajoso, leal a Joana apesar de seu jeito rústico. |
| Duque d'Alençon | Nobre e general do exército francês. | Jovem, galante, valente, fiel amigo e comandante de Joana. |
| Paladino | Um dos companheiros de Joana, um soldado. | Fanfarrão, mas corajoso e leal a Joana. |
| O Comandante Marcão | Instrutor militar, encarregado de treinar o exército. | Experiente, rigoroso, um pouco cético mas eficaz. |
Seção 3: A Libertação de Orléans e a Coroação
Joana assume o comando do exército francês, inspirando os soldados desmoralizados com sua fé e liderança. Ela implementa reformas morais, expulsando prostitutas e proibindo blasfêmias, transformando as tropas em um exército mais disciplinado e espiritualmente motivado. Seu primeiro grande desafio é libertar a cidade de Orléans, sitiada pelos ingleses. Ignorando a estratégia cautelosa dos generais franceses, Joana lidera vários ataques ousados. Ela demonstra coragem excepcional, estando sempre na v linha de frente, mesmo quando é ferida por uma flecha. Sua presença inspira os franceses e aterroriza os ingleses. Em poucos dias, Orléans é libertada, um feito considerado milagroso na época.
Após a vitória em Orléans, Joana e seus exércitos continuam a avançar, conquistando vitórias rápidas e decisivas em Jargeau, Meung, Beaugency e Patay. Sua missão é clara: abrir o caminho para Reims, onde o Delfim Carlos pode ser coroado Rei da França, como era a tradição. A marcha para Reims é um triunfo, e Carlos VII é solenemente coroado em 17 de julho de 1429. Com a coroação, Joana sente que sua missão principal está cumprida e anseia por retornar à sua vida simples em Domremy, mas o rei e seus conselheiros a convencem a ficar.
Seção 4: O Declínio, a Captura e a Traição
Após a coroação, Joana propõe um ataque a Paris, mas o Rei Carlos VII e seus conselheiros hesitam e adiam a ofensiva, perdendo o ímpeto e a oportunidade. O fervor inicial diminui, e a corte, invejosa do sucesso de Joana e temendo sua influência, começa a minar sua autoridade. Joana, com suas premonições divinas, sabe que será capturada e expressa seu desejo de ser dispensada, mas o rei a mantém, embora sem lhe dar o apoio necessário.
Durante um cerco a Compiègne em 1430, Joana lidera uma surtida contra os borguinhões. Durante o combate, ela é abandonada pelas tropas francesas (possivelmente por ordens do próprio rei ou de seus inimigos na corte) e é capturada por João de Luxemburgo, um aliado dos borguinhões. Apesar dos esforços para resgatá-la, incluindo ofertas de resgate, o Rei Carlos VII não faz nada para salvá-la. Joana é vendida aos ingleses por uma soma considerável. Os ingleses, humilhados por suas derrotas, estão determinados a destruir Joana, não apenas como uma inimiga militar, mas como uma herege e bruxa, a fim de desacreditar a coroação de Carlos VII. O Bispo Pierre Cauchon, um ferrenho partidário dos ingleses, assume a liderança do processo para julgá-la.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| João de Luxemburgo | Duque de Borgonha, líder das tropas que capturam Joana. | Calculista, pragmático, busca seu próprio benefício. |
| João, Duque de Bedford | Regente inglês da França. | Astuto, implacável, determinado a anular a influência de Joana. |
| Pierre Cauchon | Bispo de Beauvais, principal responsável pelo julgamento de Joana. | Ambicioso, parcial, cruel, subserviente aos interesses ingleses. |
Seção 5: O Julgamento e o Martírio
Joana é levada para Rouen, na Normandia, para ser julgada por um tribunal eclesiástico liderado por Pierre Cauchon e pelo Inquisidor Jean Le Maître. O julgamento é uma farsa, projetado para condená-la, com centenas de clérigos parciais, mas poucos defensores. Joana é submetida a interrogatórios exaustivos e capciosos sobre suas visões, sua fé, suas vestes masculinas e sua ortodoxia. Apesar de sua falta de educação formal, ela demonstra uma inteligência, uma fé inabalável e uma dignidade notáveis, respondendo a seus acusadores com astúcia e clareza que os surpreendem.
Ela é mantida em condições deploráveis, acorrentada e constantemente ameaçada. A pressão sobre ela é imensa. Em um momento de fraqueza e sob a ameaça de tortura e morte imediata, ela é coagida a assinar uma abjuração, renunciando às suas vozes e admitindo heresia. No entanto, ela rapidamente se arrepende, afirmando que foi enganada e que suas vozes eram verdadeiras. Ao retomar as vestes masculinas, que lhe haviam sido retiradas à força, ela dá aos seus inimigos o pretexto para condená-la como uma herege reincidente.
Em 30 de maio de 1431, Joana D'Arc é levada à fogueira na Praça do Velho Mercado em Rouen. Até o último momento, ela mantém sua fé e coragem, pedindo uma cruz e invocando o nome de Jesus. Sieur Louis de Conte e outros que a admiravam testemunham sua morte dolorosa e injusta, sentindo um profundo desespero e raiva pela crueldade dos ingleses e pela covardia dos franceses. O livro termina com a reflexão de De Conte sobre a grandeza e pureza de Joana, um "milagre" que o mundo não soube preservar.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Inquisidor Jean Le Maître | Inquisidor que atua como co-julgador no processo de Joana. | Menos fanático que Cauchon, mas ainda parcial e manipulável. |
| John Grey | Soldado inglês que participa da guarda de Joana. | Brutal, arrogante, representa a crueldade inglesa. |
Gênero literário: Romance histórico, biografia romanceada.
Dados do autor:
- Nome Completo: Samuel Langhorne Clemens
- Pseudônimo: Mark Twain
- Nascimento: 30 de novembro de 1835, Florida, Missouri, EUA
- Morte: 21 de abril de 1910, Redding, Connecticut, EUA
- Obras Notáveis: "As Aventuras de Tom Sawyer", "As Aventuras de Huckleberry Finn", "Um Ianque na Corte do Rei Artur", "O Príncipe e o Mendigo".
- Estilo: Conhecido por seu humor satírico, escrita coloquial e profunda compreensão da natureza humana. Embora "Recordações Pessoais de Joana D'Arc" seja uma obra séria, ele ainda infunde nela seu estilo narrativo envolvente e sua crítica social sutil.
Moral da história:
A principal moral da história reside na exaltação da pureza de coração, da fé inabalável e da coragem moral frente à corrupção, ao cinismo e à covardia. Joana D'Arc, uma jovem camponesa sem poder ou educação, personifica a ideia de que a verdade e a convicção, mesmo que incompreendidas ou perseguidas, podem inspirar grandes feitos e expor a fraqueza dos poderosos. A história também lamenta a tragédia de como a virtude é muitas vezes sacrificada em nome dos interesses políticos e da inveja humana, e como a humanidade pode falhar em reconhecer e proteger seus maiores heróis. É um chamado à compaixão, à justiça e à autenticidade.
Curiosidades do livro:
- Obra Favorita de Twain: Mark Twain considerava "Recordações Pessoais de Joana D'Arc" sua melhor obra e a que ele mais se orgulhava. Ele passou doze anos pesquisando a vida de Joana D'Arc e o período histórico.
- Pseudônimo Incomum: Twain publicou este livro anonimamente no Harper's Magazine inicialmente, antes de revelá-lo como seu. Ele temia que seu público o rejeitasse por ser uma obra séria e sem seu humor característico.
- Pesquisa Extensa: Twain realizou uma pesquisa histórica meticulosa para o livro, lendo os registros originais do julgamento de Joana D'Arc e diversas outras fontes históricas, o que era incomum para ele, mais conhecido por sua ficção popular.
- Perspectiva Diferente: Ao invés de usar sua voz satírica usual, Twain optou por uma narrativa mais reverente e comovente, através dos olhos de um personagem fictício que a idolatrava.
- Reabilitação Histórica: A obsessão de Twain por Joana D'Arc coincidiu com um período de crescente interesse e reabilitação da figura de Joana, que levaria à sua beatificação em 1909 e canonização em 1920 pela Igreja Católica. O livro de Twain certamente contribuiu para moldar a percepção pública dela nos Estados Unidos.
