São Mauro - TH Lawrence
Resumo Lou Witt, uma jovem herdeira americana casada com o superficial artista inglês Rico Carrington, vive uma vida de luxo e tédio em Lon...
Resumo
Lou Witt, uma jovem herdeira americana casada com o superficial artista inglês Rico Carrington, vive uma vida de luxo e tédio em Londres. A chegada de um magnífico garanhão, St. Mawr, desperta em Lou um anseio por algo mais profundo e selvagem na vida, algo que falta em seu casamento e na sociedade ao seu redor. St. Mawr, com sua beleza e ferocidade indomável, torna-se um símbolo da força vital que Lou busca. Após um acidente envolvendo o cavalo e Rico, que expõe a covardia e a superficialidade de seu marido, Lou decide deixar a Inglaterra. Acompanhada por sua cínica e forte mãe, Mrs. Witt, e pelos enigmáticos empregados Lewis e Phoenix, Lou embarca em uma jornada para o Novo México, nos Estados Unidos. Lá, ela compra um rancho remoto, onde busca uma existência autêntica e uma conexão mais profunda com a natureza e com o "selvagem" que o cavalo representa, rejeitando as convenções e a hipocrisia da civilização.
Seções do livro
Seção 1: A Superficialidade de Londres e a Chegada de St. Mawr
Lou Witt, uma jovem herdeira americana de espírito sensível, está casada com Rico Carrington, um artista inglês bonito, mas egoísta e superficial. Eles vivem em uma sociedade londrina cheia de luxo e conversas vazias. Lou sente-se cada vez mais sufocada pela artificialidade de sua vida e pela falta de paixão e profundidade em seu relacionamento com Rico. A rotina deles é pontuada por jantares e passeios, sempre acompanhados por amigos igualmente vazios. É nesse cenário que Rico decide comprar um magnífico garanhão chamado St. Mawr. O cavalo, com sua beleza selvagem, olhos escuros e presença poderosa, imediatamente cativa Lou. Ela vê em St. Mawr uma força vital, uma integridade e uma intensidade que faltam em todas as pessoas ao seu redor. O cavalo torna-se um espelho para sua própria alma inquieta e um símbolo da verdade e da natureza indomável que ela anseia. A presença de St. Mawr desestabiliza a paz superficial de Lou e Rico, pois o animal não se encaixa na vida domesticada e artificial que eles levam.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Lou Witt | Jovem, herdeira americana, sensível, observadora, com anseios espirituais. | Inquieta, introspectiva, desiludida com a superficialidade, busca autenticidade e profundidade na vida. |
| Rico Carrington | Artista inglês, bonito, charmoso, de boa família, talentoso em um nível superficial. | Egoísta, vaidoso, covarde, socialmente ajustado, mas desprovido de paixão e profundidade genuínas. |
| St. Mawr | Garanhão magnífico, pelagem escura, olhos expressivos, forte, selvagem. | Indomável, orgulhoso, com uma presença poderosa e enigmática, simboliza a força vital e a natureza intocada. |
| Flora Manby | Amiga de Lou e Rico, representante da alta sociedade londrina. | Superficial, fofoqueira, focada em aparências e conversas banais. |
| Major Manby | Marido de Flora Manby. | Conformista, sem profundidade, representa a mediocridade da sociedade. |
Seção 2: O Incidente e a Revelação da Verdade
A vida de Lou e Rico continua com a presença marcante de St. Mawr. O cavalo é tratado por Lewis, o tratador galês, e Phoenix, um assistente navajo, ambos figuras enigmáticas que parecem ter uma conexão mais profunda com o mundo natural do que as pessoas civilizadas ao redor. A beleza e a energia de St. Mawr são inegáveis, mas sua natureza selvagem também causa apreensão. Rico, sentindo-se desafiado pela intensidade do cavalo, decide montá-lo em uma ocasião. Durante este passeio, St. Mawr assusta-se com um galho caído, empina-se violentamente e atira Rico ao chão, quebrando seu joelho e deixando-o gravemente ferido. Este acidente é um ponto de virada para Lou. Ela vê a fragilidade e a covardia de Rico expostas na sua dor e na sua subsequente relutância em se aproximar de St. Mawr. A vulnerabilidade de Rico e a selvageria do cavalo revelam a Lou a incapacidade de seu marido de lidar com a verdadeira força da vida e a inautenticidade de seu caráter. O incidente solidifica a repulsa de Lou pela superficialidade de sua vida e a faz ansiar ainda mais por uma existência que incorpore a verdade e a selvageria de St. Mawr.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Lewis | Tratador de cavalos galês, magro, olhos azuis intensos, silencioso. | Conectado à natureza, místico, guarda um conhecimento antigo e uma pureza não tocada pela civilização. |
| Phoenix | Ajudante navajo de Lewis, alto, de pele escura, olhar observador, fala pouco. | Misterioso, tranquilo, com uma sabedoria ancestral e uma presença que inspira respeito e um certo temor. |
Seção 3: A Venda de St. Mawr e a Chegada de Mrs. Witt
Após o acidente, Rico recupera-se lentamente, mas seu medo de St. Mawr é palpável e sua aversão ao cavalo cresce. A atmosfera na casa torna-se tensa. A família Manby e outros amigos de Lou e Rico começam a espalhar rumores sobre a periculosidade de St. Mawr, sugerindo que ele é "insano" e deve ser vendido. Lou, apesar de sua afeição pelo cavalo, sente-se impotente para protegê-lo da condenação social. Ela observa com desgosto a maneira como Rico e a sociedade buscam domesticar ou destruir tudo o que é selvagem e incontrolável. Finalmente, St. Mawr é vendido, o que causa grande tristeza e um sentimento de perda em Lou, pois ela sente que a última faísca de vida genuína foi retirada de sua existência. É neste período de desilusão que a mãe de Lou, Mrs. Witt, uma mulher forte, cínica e perspicaz, chega de Nova York. Mrs. Witt percebe imediatamente a infelicidade e o tédio de sua filha com Rico e a sociedade inglesa, e encoraja Lou a buscar sua própria verdade, criticando abertamente o estilo de vida de Rico e sua falta de substância. Sua chegada é um catalisador para Lou, que começa a considerar seriamente uma mudança radical em sua vida.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Mrs. Witt | Mãe de Lou, americana rica, viúva, enérgica, perspicaz, de idade avançada. | Cínica, pragmática, independente, forte de espírito, sarcástica, mas profundamente preocupada com a felicidade de Lou. |
Seção 4: A Decisão de Lou e a Partida para a América
Com o apoio tácito de Mrs. Witt, Lou decide que não pode mais continuar sua vida com Rico. O casamento deles é uma farsa, desprovido de amor ou paixão verdadeira, e ela anseia por uma conexão com algo mais profundo e real. Rico, por sua vez, está aliviado com a perspectiva de Lou partir, pois a intensidade dela e a sua busca por significado o incomodam profundamente. Eles concordam em uma separação amigável. Lou, Mrs. Witt, Lewis e Phoenix – que, por lealdade a Lou e sua busca por algo mais autêntico, decidiram acompanhá-las – embarcam em uma viagem para o Novo Mundo, especificamente para o sudoeste americano, um lugar que Lou associa com a selvageria e a natureza indomável, assim como St. Mawr. A decisão de deixar a Inglaterra representa um corte radical com o passado de Lou, uma rejeição explícita da civilização europeia e de seus valores superficiais em busca de uma nova forma de existência, mais conectada com a terra e com as forças primordiais da vida.
Seção 5: A Vida no Texas e a Busca por um Lar
A jornada leva Lou, Mrs. Witt, Lewis e Phoenix ao Texas, onde Mrs. Witt decide comprar um rancho com a intenção de começar uma nova vida. O rancho no Texas é vasto e desafiador, um contraste gritante com a vida elegante e domesticada de Londres. Lou, embora fascinada pela paisagem árida e pela imensidão do céu, ainda sente uma inquietação. O rancho, com suas exigências práticas e a presença de colonos americanos mais mundanos, não oferece a profunda conexão espiritual que ela anseia. Ela percebe que, mesmo na América, a busca por uma existência autêntica não é fácil e que a superficialidade pode se manifestar de outras formas. A presença de St. Mawr, o cavalo que foi vendido na Inglaterra, permanece uma memória viva e um símbolo para Lou. Ela descobre que o cavalo foi comprado por um coronel no Texas e, eventualmente, Mrs. Witt negocia para comprá-lo de volta, trazendo-o de volta para junto de Lou. O reencontro com St. Mawr, embora breve, reacende em Lou a chama de sua busca. No entanto, o Texas não é o lugar definitivo. Mrs. Witt e Lou continuam a sentir a necessidade de um isolamento maior, de uma terra mais selvagem e intocada para encontrar o que buscam.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| O Coronel | Proprietário de um rancho no Texas, compra St. Mawr após ele ser vendido. | Um homem prático e terrestre, representa o aspecto mais direto e menos místico da vida rural americana, mas ainda assim capaz de apreciar a qualidade de um bom cavalo. |
Seção 6: O Refúgio no Novo México e a Verdadeira Solitude
A busca de Lou e Mrs. Witt as leva ainda mais para o interior, para as montanhas do Novo México. Lá, elas encontram um rancho remoto e isolado, que Lou imediatamente sente ser o lugar certo. É um lugar selvagem, com poucas comodidades, rodeado por cânions, pinheiros e a vasta paisagem desértica. Lou e Mrs. Witt compram o rancho, apesar das dificuldades e da distância da civilização. Elas se estabelecem lá, com Lewis e Phoenix. Lou começa a encontrar uma medida de paz na solitude e na aspereza do ambiente. Ela se conecta com a terra de uma forma que nunca conseguiu na Inglaterra ou no Texas. O rancho no Novo México, com sua beleza agreste e sua solidão, torna-se o santuário onde Lou pode finalmente confrontar seus próprios anseios e encontrar um significado na vida sem a necessidade de relacionamentos humanos convencionais. Ela rejeita a ideia de retornar à sociedade, compreendendo que sua busca é por uma conexão espiritual com a própria vida e com a natureza, uma conexão que St. Mawr personificou para ela. Ela decide permanecer no rancho, vivendo uma vida simples e em comunhão com o espírito da terra, rejeitando a superficialidade do mundo moderno e buscando a pureza da existência selvagem. St. Mawr, o cavalo, é o guardião simbólico deste novo começo.
Gênero literário:
Novela; Modernismo; Ficção filosófica; Romance simbólico.
Dados do autor:
David Herbert Lawrence (1885-1930) foi um influente romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta e crítico literário inglês. Nascido em Eastwood, Nottinghamshire, filho de um mineiro de carvão, sua obra frequentemente explorava as complexidades das relações humanas, a sexualidade, a industrialização, as emoções primordiais e a busca por autenticidade em um mundo moderno. Lawrence é conhecido por seu estilo vívido e sua exploração franca de temas considerados controversos em sua época, o que o levou a enfrentar censura e escândalos. Entre suas obras mais famosas estão "Filhos e Amantes", "Mulheres Apaixonadas" e "O Amante de Lady Chatterley". Ele passou grande parte de sua vida adulta viajando e vivendo em diversos países, buscando climas mais favoráveis para sua saúde frágil e inspiração para sua escrita.
Moral da história:
A moral de "St. Mawr" reside na crítica à superficialidade e à hipocrisia da civilização moderna e na busca por uma conexão mais profunda e autêntica com a vida. A história sugere que a verdadeira vitalidade e significado não podem ser encontrados em relacionamentos convencionais ou em bens materiais, mas sim em uma aceitação do "selvagem", do indomável e do primordial que existe tanto na natureza quanto dentro da alma humana. Lou, a protagonista, aprende que a coragem reside em rejeitar as expectativas sociais e em buscar a própria verdade, mesmo que isso signifique isolamento e uma vida fora das normas. O livro advoga por uma reconexão com as forças primitivas e intuitivas da existência, que a sociedade tende a suprimir ou domesticar, em favor de uma vida plena e genuína.
Curiosidades do livro:
- Influência do Novo México: D.H. Lawrence viveu no Novo México por um tempo e ficou profundamente fascinado pela paisagem, cultura e espiritualidade da região, o que é claramente refletido no cenário final de "St. Mawr". Ele via a América, especialmente o sudoeste, como um lugar onde a civilização ainda não havia corrompido completamente o espírito humano e a natureza selvagem.
- Simbolismo do Cavalo: St. Mawr é um dos mais poderosos símbolos da obra de Lawrence. Ele representa a força vital, a sexualidade indomada, a natureza selvagem e a verdade instintiva que a humanidade moderna perdeu. O cavalo não é apenas um animal, mas uma manifestação do "selvagem deus" que Lawrence acreditava estar presente no mundo.
- Crítica à Masculinidade Moderna: O personagem de Rico Carrington serve como uma crítica severa à masculinidade europeia da época, que Lawrence via como efeminada, superficial e intelectualizada demais, desconectada de sua própria força vital e instintos. A incapacidade de Rico de lidar com a ferocidade de St. Mawr sublinha essa crítica.
- Forte Personagem Feminina: Lou Witt é uma das personagens femininas mais complexas e independentes de Lawrence, buscando sua própria redenção espiritual longe das amarras sociais e conjugais. Sua jornada é uma busca por autonomia e autodescoberta.
- Publicação: A novela foi publicada em 1925, durante um período de intensa produção literária de Lawrence, que também incluía obras como "O Pássaro de Fogo" e "A Mulher que Fugiu a Cavalo".
- Censura Indireta: Embora "St. Mawr" não tenha sofrido a mesma censura explícita de "O Amante de Lady Chatterley", a obra ainda desafiava as normas sociais e morais de sua época ao questionar a instituição do casamento e ao defender uma forma de existência mais primitiva e menos convencional.
