Tarás Bulba - Nikolai Gogol

Resumo

"Tarás Bulba" é um romance histórico de Nikolai Gogol, ambientado na Ucrânia do século XVII, durante a era dos Cossacos Zaporozhianos. A história gira em torno do velho atamã Tarás Bulba, um guerreiro feroz e orgulhoso, e seus dois filhos, Ostap e Andriy. Após o retorno dos filhos de um seminário em Kiev, Tarás os leva imediatamente para a Zaporizhian Sich, um acampamento militar cossaco, para que se tornem verdadeiros guerreiros. O romance narra suas aventuras, as brutais batalhas contra os poloneses, o amor proibido e a traição de Andriy, e a implacável busca de Tarás por vingança, culminando em um trágico desfecho para a família Bulba. É uma saga épica de patriotismo, lealdade, amor, traição e guerra selvagem.

Seções do livro

Seção 1

O velho atamã cossaco Tarás Bulba recebe seus dois filhos, Ostap e Andriy, de volta da academia eclesiástica de Kiev. Tarás os provoca por suas roupas e pelos seus conhecimentos de latim, desafiando Ostap para uma briga simulada que rapidamente se torna séria, mostrando o orgulho do pai pela força do filho. A mãe, esposa de Tarás, lamenta o destino dos filhos, que mal chegaram e já serão levados à guerra. Ignorando as lamentações da esposa, Tarás decide levar os filhos imediatamente para a Zaporizhian Sich, a fim de que se tornem guerreiros cossacos de verdade, em vez de ficarem na vida civil.

Personagem Característica Personalidade
Tarás Bulba Velho atamã cossaco, pai de Ostap e Andriy. Orgulhoso, feroz, patriota, impulsivo, severo, despreza a educação formal e a vida civil, devotado à vida militar cossaca.
Ostap Filho mais velho de Tarás, recém-formado no seminário. Forte, corajoso, teimoso, leal, direto, mais propenso à ação do que ao pensamento, com temperamento de guerreiro nato.
Andriy Filho mais novo de Tarás, recém-formado no seminário. Bonito, sensível, romântico, sonhador, mais inteligente e perceptivo que Ostap, secretamente apaixonado por uma nobre polonesa que conheceu em Kiev.
Esposa de Tarás Mãe de Ostap e Andriy. Resignada, melancólica, devotada aos filhos, teme a vida selvagem e a guerra que os aguarda na Zaporizhian Sich.

Seção 2

A jornada para a Zaporizhian Sich é rápida e cheia de expectativas. O ambiente da Sich é descrito como um acampamento vasto e anárquico, onde a vida é pautada pela liberdade, pela camaradagem masculina e pela preparação para a guerra. Tarás e seus filhos chegam ao local e observam o cotidiano dos Cossacos: bebida, jogos, festas e discussões sobre antigas e futuras campanhas. Tarás está impaciente para que seus filhos experimentem o combate e demonstrem seu valor como guerreiros.

Seção 3

Ostap e Andriy se adaptam rapidamente à vida rude e desregrada da Zaporizhian Sich. Tarás, no entanto, fica impaciente com a inatividade e a falta de guerra, criticando a liderança do atamã atual. Ele conspira com outros Cossacos para eleger um novo atamã que os leve ao combate. Após uma eleição tumultuada, Kírdyaga é eleito atamã. Sob a influência de Tarás, o novo líder concorda em marchar contra a Polônia, que está oprimindo os cristãos ortodoxos. Os Cossacos, antes de partir, saqueiam e incendeiam aldeias judaicas e depois partem em uma grande horda para a Polônia.

Seção 4

Os Cossacos chegam à cidade polonesa fortificada de Dubno e a cercam, devastando as terras ao redor. A cidade, porém, resiste bravamente ao cerco. À medida que o tempo passa, a fome começa a afetar tanto os sitiadores quanto os sitiados. Numa noite, Andriy é visitado por uma criada tártara que ele reconhece. Ela implora por comida para sua senhora, que está morrendo de fome dentro da cidade. A senhora é ninguém menos que a bela nobre polonesa por quem Andriy havia se apaixonado anos antes em Kiev, e que ele pensava ter esquecido.

Personagem Característica Personalidade
Criada Tártara Serva da nobre polonesa. Fiel, astuta, desesperada em salvar sua senhora.
Nobre Polonesa Jovem mulher, filha de um Voivode polonês, prisioneira em Dubno. Bela, delicada, cativante, objeto da paixão de Andriy.

Seção 5

Guiado pela criada tártara, Andriy usa uma passagem subterrânea secreta para entrar na cidade sitiada. Lá dentro, ele testemunha a devastação e a miséria causadas pela fome. Ao reencontrar a nobre polonesa, sua paixão explode com força avassaladora. Ele promete protegê-la a todo custo, renegando sua família, seus companheiros Cossacos, sua pátria e sua fé, e escolhendo lutar ao lado dos poloneses por amor. Enquanto isso, no acampamento cossaco, Tarás percebe a ausência de Andriy e fica furioso, imaginando que ele pode ter desertado.

Seção 6

Forças polonesas, incluindo aliados tártaros, chegam para atacar os Cossacos que cercam Dubno. Uma feroz batalha se inicia. Durante o combate, Tarás observa um cavaleiro polonês se destacando por sua bravura e astúcia no campo de batalha. O cavaleiro veste as cores polonesas. Tarás, horrorizado, reconhece o rosto sob o elmo: é Andriy, seu próprio filho, lutando contra os Cossacos. Tarás fica chocado e desolado pela traição.

Seção 7

A batalha se intensifica, tornando-se ainda mais sangrenta e caótica. Tarás, dissimuladamente, atrai Andriy para uma ravina isolada, longe dos olhos dos outros combatentes. Ali, pai e filho se confrontam. Andriy não consegue se defender ou justificar suas ações diante do pai. Tarás, dominado pela dor e pela fúria, mata Andriy com um tiro de pistola, proferindo as palavras: "Eu te gerei, eu te mato." Ele enterra o filho no local e retorna à batalha, ocultando a verdade da morte de Andriy e de sua própria ação de Ostap.

Seção 8

Os Cossacos, sob a liderança de um novo atamã (Kukubenko, pois Kírdyaga havia morrido em batalha), continuam a lutar, mas sofrem pesadas perdas. Apesar de sua bravura, eles são forçados a recuar. Tarás, ferido e amargurado pela perda de seus filhos e pela derrota temporária, retorna à Zaporizhian Sich. Lá, novas campanhas e incursões contra os poloneses são planejadas, e o desejo de vingança arde no coração de Tarás.

Seção 9

Os Cossacos lançam-se novamente em ataques implacáveis contra os poloneses em busca de vingança. Em uma batalha particularmente feroz, Ostap luta bravamente, mas é cercado e capturado pelas forças polonesas. Tarás, que estava ferido, consegue escapar por pouco. Consumido pela dor e pela raiva pela captura de Ostap, Tarás jura vingança. Ele se infiltra secretamente em Varsóvia para testemunhar a execução pública de seu filho. Ostap morre bravamente sob tortura, sem um único gemido, mas antes de sua última respiração, ele clama: "Pai! Onde você está? Você me ouve?" Tarás, escondido entre a multidão, responde com uma voz retumbante: "Eu ouço!"

Seção 10

Impulsionado pela dor incalculável e pela sede de vingança pela morte de Ostap, Tarás assume a liderança de um regimento de Cossacos. Ele lança-se em uma campanha de vingança brutal e impiedosa contra os poloneses, saqueando, incendiando e matando indiscriminadamente. Sua crueldade não tem limites, motivada pelo ódio e pela memória de seus filhos. Tarás se torna uma lenda temida pelos poloneses e um herói para os Cossacos, um símbolo da resistência implacável.

Seção 11

Tarás e seus homens são finalmente encurralados em uma floresta por uma força polonesa muito superior. Durante a batalha, Tarás perde seu cachimbo e se abaixa para pegá-lo, um momento de distração que resulta em sua captura. Ele é amarrado a uma árvore e condenado a ser queimado vivo. Mesmo em seus últimos e agonizantes momentos, Tarás grita encorajamento aos seus homens, alertando-os sobre uma passagem secreta para escapar e instigando-os a continuar a luta. Seus Cossacos conseguem fugir, e Tarás Bulba morre queimado vivo, com seu espírito de luta e lealdade aos Cossacos intactos até o fim.


Gênero literário: Romance histórico, épico, aventura.

Dados do autor:
Nikolai Vasilievich Gogol (1809-1852) foi um proeminente escritor russo de origem ucraniana. É considerado um dos fundadores da literatura russa moderna e um mestre do realismo e do grotesco. Suas obras frequentemente exploravam temas de burocracia, hipocrisia e a vida provinciana russa. Embora tenha nascido em Sorochyntsi, Poltava, no que é hoje a Ucrânia, Gogol escreveu em russo e é uma figura central da literatura russa. Outras obras famosas incluem "Almas Mortas" e "O Capote".

Moraleja:
A moral de "Tarás Bulba" é complexa e reflete os valores de seu tempo e contexto. Pode-se interpretar que a obra exalta o patriotismo fanático, a lealdade incondicional à comunidade (os Cossacos) e à fé (Ortodoxia), e a bravura em combate acima de tudo. Ela mostra as consequências devastadoras da traição e da deserção, bem como o poder destrutivo da vingança cega. Contudo, também pode ser vista como uma crítica velada à barbárie e à intransigência, onde o amor e a individualidade são esmagados pela brutalidade da guerra e pelas exigências de um ideal tribal. Em última análise, a lealdade ao "pai" (seja o pai biológico, a comunidade ou a nação) é o valor supremo.

Curiosidades do livro:

  • Controvérsia sobre a nacionalidade: Embora Gogol fosse de origem ucraniana, a obra foi escrita em russo e é frequentemente interpretada como um texto fundador da literatura russa. A representação da Ucrânia e dos Cossacos é idealizada, mas vista através de uma lente russa.
  • Duas versões: Gogol escreveu e publicou "Tarás Bulba" em duas versões distintas. A primeira apareceu em 1835 como parte da coleção "Mirgorod". A segunda, muito mais expandida e reescrita, foi publicada em 1842 e é a versão que conhecemos hoje, caracterizada por um tom mais épico e detalhes mais sombrios.
  • Influência histórica: Embora seja uma obra de ficção, "Tarás Bulba" popularizou a imagem romântica e heroica dos Cossacos Zaporozhianos, tornando-os símbolos de liberdade e resistência.
  • Adaptações: O livro foi adaptado várias vezes para o cinema, sendo a versão americana de 1962 com Yul Brynner no papel principal a mais conhecida. Também existem óperas e outras produções baseadas na história.
  • Tema do amor vs. dever: O dilema de Andriy entre o amor romântico e o dever para com sua família e sua nação é um tema central e trágico, que ressoa em muitas obras literárias. A escolha de Gogol em punir severamente Andriy por sua "traição" reflete os valores rígidos da época e do ambiente retratado.
  • Estilo épico: A obra é frequentemente comparada a epopeias antigas devido ao seu tom grandioso, batalhas vívidas e a exaltação de valores heroicos e sacrifícios.
  • Antissemitismo: Infelizmente, o livro contém representações estereotipadas e negativas de personagens judeus, o que reflete preconceitos da época e do autor, sendo um aspecto problemático da obra.