O Escriturário Confidencial - T.S. Eliot
Resumo 'The Confidential Clerk' é uma peça de T.S. Eliot que se desenrola como uma comédia de costumes com elementos de farsa e tragédia gr...
Resumo
'The Confidential Clerk' é uma peça de T.S. Eliot que se desenrola como uma comédia de costumes com elementos de farsa e tragédia grega, explorando temas de identidade, parentesco, aspirações artísticas e a busca por um propósito na vida. A trama gira em torno de Sir Claude Mulhammer, um rico empresário que contrata Colby Simpkins como seu novo secretário particular, acreditando que Colby possa ser seu filho ilegítimo. A peça revela uma série de reviravoltas sobre a verdadeira paternidade e maternidade de Colby, Lucasta Angel (também considerada filha de Sir Claude) e B. Kaghan, através da intervenção de Lady Elizabeth Mulhammer e da Sra. Guzzard. A história satiriza a sociedade de classe média alta e questiona a verdade por trás das aparências e dos laços familiares, culminando em uma resolução que enfatiza a aceitação do destino e a importância de encontrar um lugar no mundo, mesmo que não seja o esperado.
Seções do livro
Seção 1
A peça começa no escritório de Sir Claude Mulhammer, um empresário rico e patrono das artes. Sir Claude está prestes a contratar Colby Simpkins como seu novo secretário particular, substituindo o Sr. Eggerson, que está se aposentando. Sir Claude tem um interesse particular em Colby, pois acredita que ele possa ser seu filho ilegítimo, nascido de um caso com uma mulher que era aspirante a musicista. Colby é um jovem sério e talentoso pianista, com aspirações de ser músico. Sir Claude quer dar a Colby uma oportunidade e um lugar em sua vida.
O Sr. Eggerson, um funcionário leal e de bom coração, está ajudando Colby a se ambientar. Ele serve como um contraste prático e mundano para as aspirações artísticas de Sir Claude e Colby. Lady Elizabeth Mulhammer, a esposa excêntrica de Sir Claude, chega e é apresentada a Colby. Ela é uma figura confusa e espiritualmente inclinada, que também busca um filho perdido que ela acredita ter tido no passado. Ela se sente imediatamente atraída por Colby, vendo nele qualidades que a lembram de seu próprio filho perdido.
Sir Claude e Colby discutem suas paixões pela música. Sir Claude revela que ele próprio teve aspirações artísticas frustradas como oleiro, e que espera que Colby não cometa o mesmo erro de abandonar sua arte. Ele vê em Colby uma chance de redimir suas próprias falhas.
| Personagens envolvidos | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Sir Claude Mulhammer | Rico empresário, patrono das artes, homem de meia-idade, com aspirações artísticas frustradas. | Solitário, reflexivo, busca um herdeiro e a redenção de seus próprios sonhos. |
| Colby Simpkins | Jovem sério, talentoso pianista, aspirante a músico. | Introvertido, sensível, idealista, busca seu lugar no mundo e a verdade sobre sua origem. |
| Sr. Eggerson | Secretário particular aposentado de Sir Claude, funcionário leal. | Prático, bondoso, humilde, com uma visão de mundo mais simples e direta. |
| Lady Elizabeth Mulhammer | Esposa excêntrica de Sir Claude, mulher de meia-idade, espiritualista. | Confusa, dramática, idealista, busca seu filho perdido e um sentido para a vida. |
| Lucasta Angel | Filha ilegítima de Sir Claude (supostamente), jovem. | Viva, um tanto cínica, busca amor e estabilidade. Será introduzida em Seção 2. |
| B. Kaghan | Noivo de Lucasta, jovem prático. | Mundano, ambicioso, busca sucesso social. Será introduzido em Seção 2. |
| Sra. Guzzard | Mulher idosa, personagem-chave nas revelações de parentesco. | Misteriosa, com memórias detalhadas, serve como um deus ex machina. Será introduzida em Seção 3. |
Seção 2
Lady Elizabeth retorna, ainda mais convencida de que Colby é seu filho perdido, não de Sir Claude. Ela insiste que seu filho deveria ter as qualidades artísticas e sensíveis de Colby. Sir Claude tenta dissuadi-la, explicando que ele acredita que Colby é seu filho, mas Lady Elizabeth, em sua confusão, está convencida de que ela está certa e que Sir Claude está enganado. Ela descreve seu próprio passado e o homem com quem ela teve um filho, um músico chamado "C.B. K." ou "B. K. C." – ela não consegue lembrar o nome com clareza.
Nesse ínterim, Lucasta Angel, uma jovem vibrante e cínica, chega. Ela é oficialmente a filha ilegítima de Sir Claude, criada sob os cuidados de outras pessoas. Lucasta é apresentada a Colby e há uma atração imediata e complexa entre eles. Ela é noiva de B. Kaghan, um jovem ambicioso e prático que está mais interessado em ascensão social do que em arte. Lucasta expressa frustração com a vida e com as expectativas que as pessoas têm dela. Ela confessa a Colby que sente que é um "erro" e que não pertence a lugar nenhum.
Sir Claude, Lady Elizabeth, Colby e Lucasta participam de um jantar. As tensões sobre a verdadeira paternidade de Colby e as aspirações de Lucasta são evidentes. Lady Elizabeth confessa a Colby que, embora ela "saiba" que ele é seu filho, ela não tem provas concretas. Sir Claude fica chateado com a insistência de Lady Elizabeth e com a confusão que ela está criando. Ele revela que Lucasta também é sua filha ilegítima, o que complica ainda mais as relações familiares.
O Sr. Eggerson, mais tarde, tenta apaziguar os ânimos e sugere que a verdade será revelada a seu tempo. Ele, com sua sabedoria simples, vê as coisas de uma perspectiva mais terrena e menos dramática que os Mulhammers.
Seção 3
A Sra. Guzzard, uma mulher idosa e antiga "babá" ou cuidadora de crianças, é convocada para esclarecer as questões de parentesco. Ela é a chave para desvendar a verdade sobre as origens de Colby, Lucasta e até mesmo B. Kaghan.
A Sra. Guzzard revela que Sir Claude teve um filho com uma mulher chamada Mrs. Guzzard (sua própria irmã, o que cria um nó de confusão inicial), mas que este filho não era Colby. Ela explica que o filho de Sir Claude morreu na infância. Ela então explica que Colby é, na verdade, filho de um jardineiro e de uma mulher que o abandonou, e que foi adotado por ela. Ela também revela que Lucasta não é filha de Sir Claude, mas de um homem chamado Mr. K. (um amigo de Sir Claude) e de outra mulher. A história fica ainda mais complicada quando a Sra. Guzzard revela que B. Kaghan, o noivo de Lucasta, é, na verdade, o filho perdido de Lady Elizabeth. Seu pai era um músico de nome "B. Kaghan" (o mesmo nome do noivo).
Com essas revelações, as aspirações e expectativas de todos são viradas de cabeça para baixo. Colby não é filho de Sir Claude, nem de Lady Elizabeth, mas de pais desconhecidos e humildes. Ele é liberado das expectativas de ser um herdeiro ou de preencher o vazio artístico de Sir Claude. Lucasta não é filha de Sir Claude, mas de outros pais que nunca a reconheceram. B. Kaghan, o prático e ambicioso, descobre que é o filho de Lady Elizabeth, o filho que ela sempre sonhou.
No final, Sir Claude oferece a Colby um posto menos glamoroso em uma de suas empresas, no exterior, permitindo que Colby mantenha contato com a música, mas de uma forma menos central em sua vida. Colby aceita, encontrando uma forma de viver que combina sua vocação artística com a necessidade de uma existência prática. Lucasta decide seguir com seu casamento com B. Kaghan, aceitando a nova realidade familiar. Lady Elizabeth, tendo encontrado seu filho em B. Kaghan, encontra um tipo de paz, embora ele seja muito diferente do filho artista que ela imaginava. O Sr. Eggerson, com sua sabedoria simples, resume a situação: a vida é complexa, e as pessoas devem aprender a aceitar suas origens e seu destino. A peça termina com uma sensação de resignação e aceitação das identidades recém-descobertas.
Gênero literário: Comédia dramática, Comédia de costumes, Drama filosófico. É uma peça teatral em verso, utilizando o verso livre, que Eliot chamava de "verso irregular", para se assemelhar à fala cotidiana.
Dados do autor: T.S. Eliot (Thomas Stearns Eliot) (1888-1965) foi um poeta, dramaturgo e crítico literário britânico de origem americana. Ele foi uma figura central no movimento modernista e é considerado um dos poetas mais importantes do século XX. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1948. Suas obras mais famosas incluem "The Waste Land" e "Four Quartets", e suas peças teatrais frequentemente exploram temas de religião, moralidade e identidade, combinando elementos da tragédia grega com dramas psicológicos contemporâneos.
Moral da história: A peça sugere que a verdade sobre a identidade e a linhagem é muitas vezes mais complicada e menos gloriosa do que as fantasias que criamos para nós mesmos. Ela explora a ideia de que a felicidade e a realização vêm não da realização de aspirações artísticas ou sociais idealizadas, mas da aceitação de quem realmente somos e do nosso lugar no mundo, por mais humilde que seja. A peça também questiona a autenticidade das relações humanas e a busca por um propósito genuíno, contrastando as ilusões e a realidade. Em última análise, a moral pode ser interpretada como a importância de "descobrir quem se é e ser essa pessoa" e encontrar um equilíbrio entre a vocação interior e a vida prática.
Curiosidades do livro:
- A peça foi escrita em 1953 e é uma das peças tardias de Eliot, seguindo o padrão de suas peças em verso que tentavam reviver o teatro em verso.
- Eliot inspirou-se na comédia grega antiga, especialmente nas peças de Menandro, que frequentemente envolviam revelações de parentesco e crianças perdidas ou trocadas. Ele procurou modernizar essa estrutura para o público contemporâneo.
- A peça contém muitos elementos de farsa e comédia, mas também aborda temas sérios de busca por identidade e sentido na vida, típicos da obra de Eliot.
- "The Confidential Clerk" é frequentemente interpretada como uma exploração da tensão entre a vida secular e a espiritual, ou entre a arte e o dever, refletindo as próprias lutas de Eliot. Colby, em particular, representa o artista que deve encontrar seu caminho no mundo.
- Alguns críticos consideram que a peça é uma paródia das comédias de Oscar Wilde, com suas reviravoltas de identidade e ironias sociais, mas com uma camada mais profunda de significado filosófico e religioso.
