A Mansão - William Faulkner
Resumo "A Mansão" é o volume final da trilogia Snopes de William Faulkner, continuando a saga da família Snopes no condado fictício de Yokn...
Resumo
"A Mansão" é o volume final da trilogia Snopes de William Faulkner, continuando a saga da família Snopes no condado fictício de Yoknapatawpha. A trama central gira em torno de Mink Snopes, que passou 38 anos na prisão por um assassinato cometido no primeiro livro da trilogia, "A Aldeia". Impulsionado por uma promessa de ajuda legal que Flem Snopes, seu primo e agora o homem mais rico e poderoso de Jefferson, nunca cumpriu, Mink nutre um desejo implacável de vingança.
Após ser libertado da prisão, Mink empreende uma jornada para Jefferson, enfrentando inúmeros obstáculos e a frieza do mundo moderno. Seu objetivo é matar Flem, a quem ele vê como o arquiteto de seu sofrimento. Simultaneamente, a história explora a figura de Linda Snopes Kohl, a enteada surda de Flem, que retorna a Jefferson após a morte de seu marido na Guerra Civil Espanhola. Linda, que nutre um ódio silencioso por Flem devido à sua exploração e à sua natureza desumana, manipula sutilmente os eventos para facilitar o plano de Mink, agindo como uma vingadora indireta.
O livro culmina com o confronto inevitável entre Mink e Flem. Flem, apesar de sua riqueza e poder, vive uma existência estéril e solitária, constantemente vigiado por seu cão e assombrado por seu passado. A narrativa examina temas de justiça, vingança, a corrupção do poder e a natureza cíclica da violência, tudo isso sob o olhar perspicaz de personagens como Gavin Stevens e Charles Mallison.
Seções do livro
Seção 1
Esta seção introduz o retorno de Mink Snopes ao mundo exterior após 38 anos de prisão. Ele foi condenado por matar Houston, um fazendeiro, em uma disputa sobre gado. Durante todo o seu encarceramento, Mink manteve a crença de que Flem Snopes, seu primo distante, o ajudaria a sair da prisão, uma promessa feita ou subentendida por outros Snopes para mantê-lo quieto. A recusa de Flem em intervir alimenta um ódio profundo e singular em Mink, transformando-o em um instrumento de vingança fria e implacável. Após ser libertado, Mink é um homem velho, mas sua determinação é inabalável. Ele precisa de uma arma para executar seu plano, e sua busca por uma arma barata o leva por caminhos tortuosos, onde ele se depara com a indiferença e a crueldade do mundo moderno, que o vê como um anacronismo.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Mink Snopes | Velho, magro, olhos cinzentos e endurecidos. | Determinada, obstinada, primitiva em seu senso de justiça, estoica, implacável. |
| Montgomery Ward Snopes | Proprietário de uma loja de doces e um arcada de jogos. | Oportunista, astuto, moralmente ambíguo, explora as fraquezas dos outros. |
| V.K. Ratliff | Caixeiro-viajante, filosofo observador. | Sábio, perspicaz, moralmente íntegro, um comentarista do comportamento humano. |
| Flem Snopes | Presidente do banco, homem mais rico de Jefferson. | Calculista, frio, inexpressivo, amoral, faminto por poder e status. |
Seção 2
Esta seção se concentra em Linda Snopes Kohl, a enteada de Flem (filha de Eula Varner e Hoake McCarron, mas legalmente filha de Flem devido ao casamento forçado de Eula com Flem). Após a morte de seu marido na Guerra Civil Espanhola (onde ela mesma ficou surda devido a uma explosão), Linda retorna a Jefferson. Ela nutre um ódio silencioso, mas profundo por Flem, que considera responsável pela vida miserável de sua mãe e por sua própria existência vazia. Linda, agora uma mulher de meia-idade, estabelece uma estranha relação com Gavin Stevens, o advogado da família e um antigo admirador platônico de Eula. Através de seu relacionamento com Stevens e seu primo, Charles Mallison, Linda começa a tecer uma teia sutil, manipulando a situação para que Mink Snopes possa cumprir sua vingança contra Flem. Ela o faz de forma indireta, pagando por uma arma para Mink, sem que ele saiba quem é sua benfeitora, e garantindo que Flem esteja desarmado e vulnerável.
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Linda Snopes Kohl | Surda (devido à guerra), mulher madura, intelectualizada. | Determinada, vingativa, sutilmente manipuladora, solitária, idealista (no passado). |
| Gavin Stevens | Advogado de Jefferson, intelectual, solteiro. | Idealista, sentimental, moralista, um observador da condição humana e dos Snopes. |
| Charles Mallison | Sobrinho de Gavin Stevens, estudante de direito. | Jovem, observador, narrador ocasional, espelha as opiniões de Stevens. |
Seção 3
A seção final culmina no confronto entre Mink e Flem. Flem Snopes alcançou o auge de sua ambição: ele é o presidente do banco, vive em uma mansão imponente e é o homem mais rico e respeitado de Jefferson. No entanto, sua vida é estéril, seu casamento com a filha do juiz, Miss Reba, é sem amor e sem filhos. Ele vive na solidão, acompanhado apenas por seu fiel cão. Apesar de todo o seu poder, Flem é assombrado por seu passado e pelas pessoas que manipulou.
Mink Snopes, finalmente com uma arma fornecida por meios que ele não compreende, chega à mansão de Flem. O encontro é breve e sem grandes dramas, quase como uma formalidade. Mink atira em Flem na cabeça, cumprindo sua vingança de décadas. Flem morre, não por um assassinato passional, mas por um ato de justiça primitiva e implacável que ele, com sua amoralidade, nunca considerou uma possibilidade real. O livro termina com a morte de Flem e o destino incerto de Mink, que mais uma vez se torna um fugitivo, agora satisfeito por ter cumprido o que considerava seu dever.
Gênero literário
Modernismo, Ficção Gótica do Sul (Southern Gothic), Drama, Romance de Vingança.
Dados do autor
William Faulkner (1897-1962) foi um renomado escritor americano e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1949. Ele é amplamente considerado um dos mais importantes romancistas americanos do século XX. Faulkner é mais conhecido por seus romances e contos ambientados no condado fictício de Yoknapatawpha, Mississippi, que ele modelou em seu próprio condado natal, Lafayette County. Suas obras exploram temas como a decadência do Sul, o legado da escravidão, a violência, a honra, o amor e o ódio, frequentemente empregando técnicas narrativas complexas como múltiplos pontos de vista e o fluxo de consciência. Entre suas obras mais famosas estão "O Som e a Fúria", "Enquanto Agonizo", "Luz em Agosto" e "Absalão, Absalão!".
Moral da história
"A Mansão" não oferece uma moral singular e simples, mas explora várias facetas da condição humana:
- A Justiça Primitiva vs. a Lei: Mink Snopes encarna uma forma de justiça arcaica e pessoal, que se opõe à justiça legal e falha. Sua vingança é apresentada como uma força da natureza que não pode ser contida pela sociedade ou pela lei.
- A Corrupção do Poder: Flem Snopes simboliza o poder corrompedor da ambição e do materialismo. Sua ascensão ao topo é marcada pela exploração e pela desumanidade, mas seu poder não o salva de seu destino.
- O Ciclo da Violência e da Vingança: O livro sugere que a violência e a busca por vingança podem ser forças avassaladoras e autodestrutivas, que consomem tanto o vingador quanto o alvo.
- A Solidão Humana: Apesar de suas vidas contrastantes, Flem e Mink, de diferentes maneiras, são figuras isoladas e solitárias, presas em suas próprias obsessões e ambições.
Curiosidades do livro
- Trilogia Snopes: "A Mansão" é o terceiro e último volume da trilogia Snopes de Faulkner, precedido por "A Aldeia" (The Hamlet, 1940) e "A Cidade" (The Town, 1957). Juntos, eles narram a ascensão e queda da família Snopes, que simboliza a intrusão do materialismo e da desumanidade no Sul rural.
- Revisão e Conclusão: Faulkner revisita e conclui arcos de personagens e temas que havia introduzido nos livros anteriores, dando um fechamento à saga dos Snopes e ao destino de Flem.
- Narrativa Complexa: Assim como em muitas obras de Faulkner, a narrativa é complexa, utilizando múltiplos pontos de vista (principalmente através de Gavin Stevens, Charles Mallison e a perspectiva de Mink) e um estilo de prosa denso e introspectivo.
- Personagens Arquetípicos: Os Snopes, e Flem em particular, tornaram-se arquetipos na literatura americana para a ganância, a manipulação e a amoralidade que podem corroer uma sociedade.
- Crítica Social: O livro serve como uma crítica profunda à modernização do Sul e à perda de valores tradicionais em favor do ganho material e da astúcia.
