The Rambler - Samuel Johnson

Resumo

"The Rambler" é uma série de 208 ensaios periódicos escritos quase inteiramente por Samuel Johnson e publicados entre 1750 e 1752. Diferente de um romance com uma trama contínua, a obra consiste em meditações e discussões sobre uma vasta gama de tópicos morais, religiosos, sociais e literários. Johnson adota o persona de "The Rambler", um observador perspicaz da natureza humana e da sociedade, que busca instruir e entreter seus leitores.

Os ensaios abordam a vaidade e as loucuras da vida humana, as complexidades do caráter moral, as dificuldades da virtude, os perigos do vício, a importância da prudência e da autoconsciência, e as nuances da crítica literária. Johnson emprega uma prosa densa e erudita, frequentemente utilizando alegorias, anedotas, cartas fictícias de leitores e esboços de personagens para ilustrar seus pontos de vista. Embora não haja uma narrativa principal, os ensaios formam um corpo coeso de pensamento que explora a condição humana e oferece conselhos práticos e filosóficos para uma vida virtuosa e significativa. Os temas recorrentes incluem a ilusão da felicidade terrena, a brevidade da vida, a tentação da procrastinação, a importância da razão e da religião, e a crítica às tendências da literatura e do comportamento social de sua época.

Seções do livro

Seção 1: Ensaios Introdutórios e o Propósito do "Rambler"

Os primeiros ensaios estabelecem o tom e a ambição de Samuel Johnson para sua nova publicação periódica. No Ensaio No. 1, Johnson apresenta o seu alter ego, "The Rambler", e explica a sua intenção de abordar temas de moralidade e literatura de uma forma que seja tanto instrutiva quanto agradável. Ele expressa a necessidade de um jornal que não se restrinja a notícias passageiras, mas que se dedique a observações mais profundas sobre a natureza humana e os princípios que regem a vida. Ele declara seu propósito de "contribuir com algo para a grande causa da vida, e levar a virtude, se não diretamente, pelo menos por caminhos indiretos, para os corações dos homens".

Seção 2: A Crítica Moral e a Condição Humana

Muitos ensaios do "Rambler" se dedicam a dissecar os vícios e as virtudes humanas, as ilusões e as verdades da existência. No Ensaio No. 7, intitulado "Sobre a Vaidade e a Miséria da Vida", Johnson apresenta uma alegoria sobre a Deusa da Felicidade, que é constantemente procurada pela humanidade, mas nunca encontrada de forma duradoura. Ele argumenta que a felicidade terrena é fugaz e ilusória, e que a verdadeira contentamento reside em uma consciência tranquila e na esperança de recompensas futuras. Em outros ensaios, como o Ensaio No. 44 "Sobre os Efeitos da Solidão", ele explora como a solidão pode tanto inspirar a contemplação quanto levar à melancolia, dependendo da disposição do indivíduo.

Personagem Características Personalidade
A Felicidade Uma deusa ilusória, sempre buscada, mas raramente alcançada de forma duradoura na Terra. Evasiva, etérea, idealizada.

Seção 3: Esboços de Personagens e Narrativas Morais

Johnson frequentemente utiliza personagens fictícios, muitas vezes apresentados através de cartas de leitores, para ilustrar pontos morais ou sociais. Um exemplo notável são os Ensaios No. 97 e 98, que abordam as "Queixas dos Casados". Nestes ensaios, Johnson responde a cartas fictícias de indivíduos insatisfeitos com suas vidas conjugais, explorando as expectativas irrealistas, as falhas de comunicação e a importância da paciência e da compreensão no casamento. Os personagens são tipos que representam dilemas comuns na vida.

Personagem Características Personalidade
Eubulus Marido que reclama da esposa por ser excessivamente frívola e focada em aparências sociais. Bem-intencionado, mas talvez ingênuo sobre as expectativas do casamento, um tanto crítico e impaciente.
Sophia Esposa que lamenta a frieza e o tédio do marido após o casamento, queixando-se da falta de afeição e atenção. Sensível, anseia por afeto e atenção, talvez um pouco melancólica e idealista quanto ao amor romântico.
Melissa Jovem que, em outro ensaio, reflete sobre a inconstância da fortuna e a importância da virtude. Reflexiva, resignada, moralmente consciente.

Seção 4: Crítica Literária e a Arte de Escrever

Uma parte significativa do "Rambler" é dedicada à crítica literária, onde Johnson expõe suas teorias sobre a literatura, a poesia, o teatro e a biografia. No Ensaio No. 4, ele discute o perigo das obras de ficção que representam o vício de forma atraente, argumentando que a literatura tem a responsabilidade de promover a virtude. No Ensaio No. 50, ele explora a arte da ficção, defendendo que os romances devem apresentar "personagens gerais" que reflitam a experiência humana universal, em vez de se focar em particularidades extremas, e que devem instruir e melhorar o leitor. Ele também aborda a questão da dificuldade em julgar obras contemporâneas versus obras antigas, e a necessidade de a crítica ser imparcial e baseada em princípios sólidos.

Seção 5: Reflexões sobre o Tempo e a Procrastinação

Os ensaios de Johnson frequentemente meditam sobre a passagem do tempo e as falhas humanas, como a procrastinação. No Ensaio No. 191, "Sobre os Perigos da Procrastinação", ele apresenta a história de Gelaleddin, um homem que, apesar de ter grandes planos e ambições, constantemente adia sua execução, resultando em uma vida de inação e arrependimento. Johnson adverte contra o hábito de adiar as tarefas e responsabilidades, enfatizando que a vida é curta e o tempo, irrevogável. Ele argumenta que o momento presente é o único que realmente possuímos e que o futuro é incerto.

Personagem Características Personalidade
Gelaleddin Um homem com grandes talentos e planos ambiciosos para a grandeza. Procrastinador crônico, otimista irrealista, sempre adiando suas ações, o que o leva à inação e ao fracasso.

Gênero literário

Ensaio Periódico, Crítica Moral, Filosofia.

Dados do autor

Samuel Johnson (1709-1784) foi um dos mais importantes lexicógrafos, críticos literários, poetas e ensaístas da Inglaterra do século XVIII. É frequentemente referido como "Dr. Johnson" e é uma figura central da era iluminista britânica. Sua obra mais famosa é "A Dictionary of the English Language" (1755), que levou nove anos para ser concluído e foi a referência dominante para o inglês por mais de um século. Além de "The Rambler", ele também escreveu "The Idler" e "Rasselas, Prince of Abissinia". Sua vida e conversas foram imortalizadas por James Boswell em "The Life of Samuel Johnson", considerada uma das biografias mais notáveis da literatura inglesa. Johnson era conhecido por seu intelecto aguçado, sua erudição profunda, seu estilo de prosa distintivo e sua personalidade complexa e, por vezes, melancólica.

Moral da história

A principal moral de "The Rambler" é que a vida humana é efêmera e repleta de ilusões e vaidades. A verdadeira felicidade não reside em prazeres mundanos, riqueza ou fama, mas sim na virtude, na autoconsciência, na resignação diante das adversidades e na busca por uma conexão espiritual e moral. Johnson enfatiza a importância da razão e da religião como guias para uma conduta correta. Ele alerta contra a procrastinação, a soberba, a inveja e outras paixões humanas que desviam o indivíduo de um caminho de retidão e contentamento. A obra instiga o leitor a refletir profundamente sobre sua própria vida, a aceitar as limitações da condição humana e a cultivar qualidades morais duradouras.

Curiosidades do livro

  • Autoria Quase Exclusiva: Dos 208 ensaios publicados, Samuel Johnson escreveu 204. Os outros quatro foram escritos por amigos, incluindo um por Samuel Richardson e um por Elizabeth Carter. Essa foi uma proeza extraordinária, mantendo uma publicação semanal (e depois duas vezes por semana) por dois anos.
  • Recepção Inicial: Embora "The Rambler" seja altamente considerado hoje, não foi um sucesso comercial esmagador em sua época. As vendas foram modestas durante a publicação original, mas sua reputação cresceu consideravelmente após Johnson se tornar mais famoso, especialmente após a publicação de seu dicionário.
  • Estilo "Johnsoniano": Os ensaios são famosos por seu estilo "Johnsoniano" – caracterizado por uma prosa densa, vocabulário erudito, frases longas e complexas, e um tom sério e didático. Este estilo, embora admirado por sua profundidade e erudição, às vezes era criticado por sua falta de leveza e clareza para o leitor comum.
  • Amor da Esposa: Johnson escreveu "The Rambler" para sustentar-se e a sua esposa, Elizabeth "Tetty" Johnson. Ele frequentemente escrevia os ensaios em meio a grandes dificuldades financeiras e de saúde. Tetty foi uma grande admiradora da obra, e Johnson lamentou profundamente sua morte em 1752, logo após o término da publicação.
  • Influência na Língua: Devido à popularidade posterior do "The Rambler" e do "Dicionário" de Johnson, muitos de seus ensaios foram usados como material de leitura e estudo, influenciando gerações de escritores e a forma como a prosa inglesa foi escrita e compreendida. Ele introduziu ou popularizou muitas palavras e expressões através de suas obras.