The Professor - Charlotte Brontë
Resumo
The Professor (O Professor) é o primeiro romance escrito por Charlotte Brontë, embora tenha sido publicado apenas postumamente em 1857. A obra narra a história de William Crimsworth, um jovem órfão inglês que rejeita a ajuda financeira de seus tios aristocráticos e a tirania de seu irmão mais velho, Edward, um industrial cruel. Decidido a trilhar seu próprio caminho baseado no esforço pessoal, William viaja para Bruxelas, na Bélgica, onde consegue um emprego como professor de inglês em um colégio interno masculino administrado por Monsieur Pelet, e posteriormente em uma escola feminina vizinha, dirigida pela astuta Mademoiselle Zoraïde Reuter.
Em Bruxelas, William depara-se com as complexidades das relações humanas, o flerte manipulador de Zoraïde e o cinismo de Pelet. No entanto, sua vida muda ao conhecer Frances Henri, uma jovem e pobre professora de costura anglo-suíça que se matricula em suas aulas de inglês. William apaixona-se pela inteligência, diligência e integridade moral de Frances. Após superar as intrigas de Zoraïde, o desemprego e as barreiras sociais, William consegue se casar com Frances. Juntos, eles alcançam a independência financeira através do trabalho árduo na educação e, eventualmente, retornam à Inglaterra para viver uma vida tranquila e autossuficiente.
Seções do livro
Seção 1: Capítulos 1 a 5 – Rejeição e Tirania na Inglaterra
William Crimsworth escreve uma carta a um amigo de escola (Charles) detalhando sua situação atual. William recusou a oferta de seus tios ricos para ingressar na Igreja, o que causou o rompimento definitivo com a família aristocrática de sua falecida mãe. Sem recursos, ele decide procurar seu irmão mais velho, Edward, um próspero fabricante de tecidos no norte da Inglaterra. Edward revela-se um homem frio, tirânico e ressentido. Ele emprega William como mero escriturário de correspondência estrangeira, pagando-lhe um salário miserável e tratando-o com desprezo público.
Durante seu período de servidão na fábrica, William conhece Yorke Hunsden, um fabricante excêntrico, sarcástico e de ideias liberais, que desafia abertamente o orgulho de William e critica a tirania de Edward. Após um confronto violento provocado pelo ciúme e pela crueldade de Edward, William é demitido. Hunsden aconselha-o a buscar a vida no exterior, especificamente na Bélgica, fornecendo-lhe uma carta de recomendação.
Personagens Introduzidos
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| William Crimsworth | Jovem culto, educado em Eton, órfão e sem recursos financeiros. | Orgulhoso, observador, reservado, dotado de forte integridade moral e desejo de independência. |
| Edward Crimsworth | Irmão mais velho de William, proprietário de uma fábrica têxtil de sucesso. | Brutal, arrogante, materialista, tirânico e invejoso da educação de William. |
| Yorke Hunsden | Homem rico do norte, intelectual e independente de ideias. | Sarcástico, cínico, provocador, mas secretamente generoso e defensor da liberdade individual. |
Seção 2: Capítulos 6 a 10 – Nova Vida e Intrigas em Bruxelas
William chega a Bruxelas e, graças à carta de recomendação de Hunsden, é contratado por Monsieur Pelet como professor de latim e inglês em seu pensionato para rapazes. William demonstra ser um professor rigoroso e eficiente, ganhando rapidamente o respeito dos alunos indisciplinados. Impressionada com seu sucesso, Mademoiselle Zoraïde Reuter, diretora do pensionato feminino adjacente, contrata William para dar aulas de inglês às suas alunas.
William sente-se atraído pela aparente doçura, inteligência e modos refinados de Zoraïde. Ela começa a flertar com ele de forma sutil, inflamando os sentimentos do jovem professor. No entanto, a ilusão é desfeita quando William ouve acidentalmente uma conversa noturna no jardim entre Zoraïde e Monsieur Pelet. Ele descobre que os dois estão noivos e que Zoraïde estava apenas manipulando os sentimentos de William por vaidade e conveniência profissional. William decide manter uma postura fria, profissional e indiferente em relação a ela.
Personagens Introduzidos
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Monsieur Pelet | Diretor francês de uma escola para rapazes em Bruxelas. | Polido, cínico, mundano, indulgente e possessivo no amor. |
| Mademoiselle Zoraïde Reuter | Diretora de uma escola para moças, jovem e de boa aparência. | Manipuladora, astuta, falsa, calculista, mas extremamente competente nos negócios. |
Seção 3: Capítulos 11 a 18 – O Despertar do Amor e o Intelecto de Frances
William continua suas aulas na escola de moças sob o olhar atento e agora ressentido de Zoraïde, que percebe que perdeu o poder de sedução sobre ele. Uma nova aluna junta-se à classe de inglês: Frances Evans Henri, uma órfã anglo-suíça que trabalha na escola como professora de costura por um salário irrisório.
Diferente das outras alunas belgas, a quem William considera fúteis e intelectualmente limitadas, Frances demonstra um desejo ardente de aprender, uma inteligência brilhante e uma sensibilidade profunda. William passa a dedicar atenção especial ao desenvolvimento de Frances, corrigindo seus ensaios com rigor e encorajando seu talento. À medida que partilham o amor pela língua inglesa e pela literatura, William apaixona-se pela quietude, dignidade e força interior de Frances. Percebendo a crescente ligação entre os dois, Zoraïde Reuter tenta sabotar a relação, isolando Frances e tentando impedir que William tenha contato direto com ela.
Personagens Introduzidos
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Frances Evans Henri | Jovem costureira e aluna de inglês, órfã de mãe inglesa e pai suíço. | Tímida, humilde, extremamente inteligente, orgulhosa de sua herança, trabalhadora e resiliente. |
Seção 4: Capítulos 19 a 25 – Perda, Busca e Libertação
Zoraïde Reuter demite Frances silenciosamente durante as férias escolares, escondendo o endereço da jovem de William. Ao retornar e descobrir o desaparecimento de Frances, William entra em desespero. Ele confronta Zoraïde, mas esta finge ignorar o paradeiro da rapariga. Incapaz de continuar trabalhando sob a influência da falsidade de Zoraïde e após o casamento desta com Monsieur Pelet (cuja amizade com William se deteriora devido ao ciúme), William pede demissão de ambos os colégios.
William passa semanas procurando Frances pelas ruas de Bruxelas. Ele finalmente a encontra em um cemitério protestante, chorando sobre o túmulo de sua tia recentemente falecida. O reencontro é repleto de emoção e dignidade mútua. William descobre que Frances está vivendo na pobreza, mas mantendo sua independência através de trabalhos de costura. William a ajuda a conseguir um novo posto de professora em uma instituição de maior prestígio. Pouco tempo depois, o próprio William é nomeado professor em um renomado colégio universitário de Bruxelas, garantindo uma posição financeira estável.
(Nota: Nenhum novo personagem relevante à trama principal é introduzido nesta seção, mantendo-se o foco no núcleo de William, Frances, Zoraïde e Pelet).
Seção 5: Capítulos 26 a 28 – União, Independência e Retorno à Pátria
Com sua nova estabilidade financeira, William pede Frances em casamento. Frances aceita, mas com a condição estrita de que continuará trabalhando e lecionando, pois recusa ser um fardo financeiro e deseja manter sua própria identidade e independência intelectual. Eles se casam em uma cerimônia simples.
Frances abre sua própria escola preparatória, que se torna um enorme sucesso devido aos seus métodos pedagógicos excelentes. O casal prospera financeira e socialmente. Eles têm um filho chamado Victor. Yorke Hunsden os visita em Bruxelas, gerando debates intelectuais estimulantes com o casal e testando o caráter de Victor. Após dez anos de trabalho árduo na Bélgica, tendo acumulado uma pequena fortuna, William e Frances realizam o sonho de retornar à Inglaterra. Eles compram uma propriedade no campo perto de Daisy Lane, onde vivem uma vida feliz, equilibrada e em constante harmonia com a natureza e o intelecto.
Personagens Introduzidos
| Personagem | Características | Personalidade |
|---|---|---|
| Victor Crimsworth | Filho único de William e Frances. | Criança inteligente, sensível, ativa e profundamente moldada pela educação moral de seus pais. |
Informações Gerais e Análise
Gênero Literário
- Gênero: Romance de Formação (Bildungsroman), Realismo Vitoriano, Romance Psicológico.
Dados da Autora
- Autora: Charlotte Brontë (publicado originalmente sob o pseudônimo masculino de Currer Bell).
- Nascimento/Morte: 21 de abril de 1816 – 31 de março de 1855 (Inglaterra).
- Contexto: Membro da famosa família literária Brontë (irmã de Emily e Anne Brontë). Escreveu The Professor antes de sua obra-prima Jane Eyre, mas o livro foi rejeitado por vários editores por ser considerado "realista demais" e desprovido do melodrama que o público vitoriano exigia. Foi publicado apenas dois anos após a morte da autora, graças aos esforços de seu marido, Arthur Bell Nicholls.
Moraleja do Livro
A principal lição de The Professor é que a verdadeira dignidade, a felicidade e a auto-estima são conquistadas através da autossuficiência, do trabalho árduo e da integridade moral. William e Frances recusam atalhos fáceis (como a caridade humilhante ou casamentos por conveniência e interesse) e escolhem o caminho do esforço próprio. O romance defende que o amor verdadeiro não se baseia na paixão superficial ou na beleza física, mas no respeito mútuo, na igualdade intelectual e na afinidade de caráter.
Curiosidades sobre a Obra
- Inspirado em fatos reais: O enredo em Bruxelas é fortemente baseado nas experiências reais de Charlotte Brontë, que viajou para a Bélgica em 1842 para estudar no Pensionnat Heger. Lá, ela se apaixonou obsessivamente por seu professor casado, Constantin Heger, um amor não correspondido que inspirou tanto The Professor quanto seu romance posterior, Villette.
- Rejeição sistemática: O manuscrito foi rejeitado por pelo menos nove editoras antes de Charlotte escrever Jane Eyre. O argumento era que o livro carecia de surpresas e romance fantástico, focando excessivamente na rotina diária e na psicologia crua do trabalho.
- Perspectiva Masculina Única: Este é o único romance de Charlotte Brontë escrito sob a perspectiva de um narrador masculino em primeira pessoa (William Crimsworth).
